domingo, 13 de janeiro de 2008

Prefeitura de Porto Alegre obtém R$ 2 milhões da União para construção de moradias populares

A prefeitura de Porto Alegre receberá R$ 2 milhões oriundos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS), via Ministério das Cidades. Os recursos serão empenhados nos próximos dias e estarão à disposição para aprovação de projetos junto à Caixa Econômica Federal. Assim que forem liberados, os R$ 2 milhões serão destinados à construção de 159 unidades habitacionais visando à remoção das famílias que vivem hoje em condições precárias na vila Chocolatão, para um terreno na Avenida Protásio Alves. Já está em andamento a licitação para a dotação de infra-estrutura na área, totalizando investimento de R$ 1,8 milhão por parte da prefeitura. Como a liberação do FNHIS será a fundo perdido, o município deverá entrar com uma contrapartida de R$ 400 mil, equivalentes a 20% do valor. Ainda neste primeiro trimestre de 2008 a prefeitura publicará o edital de licitação para a construção das casas. Esta liberação não tem qualquer relação com outros três projetos já apresentados pelo Demhab e que envolvem pedido total de R$ 15 milhões através do FNHIS. A previsão da prefeitura é concluir a remoção de todas as famílias que vivem na favela Chocolatão até o final do ano.

Consumidores vão pagar a pesada conta da entrada em funcionamento das usinas térmicas

O consumidor brasileiro vai pagar pela expansão da geração térmica para poupar a água dos reservatórios e evitar que o Brasil enfrente novo racionamento. E vai pagar caro nos próximos reajustes tarifários. Todo o custo das usinas a óleo diesel e combustível que entraram em operação nos últimos meses por determinação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) será rateado entre todos os usuários do sistema. O custo de geração dessas usinas pode superar R$ 700,00 por megawatt/hora (MWh) gerado. Como as usinas térmicas terão de funcionar durante quase o ano inteiro para que o País não tenha um problema de racionamento, o preço vai ficar muito caro. Se as chuvas não recuperarem os reservatórios, serão essas usinas que vão ajudar na geração de energia durante o período seco, que vai até o fim de outubro. Ou seja, a conta de energia em 2009 será uma paulada no bolso do consumidor.

Cocaleiro Evo Morales pode rever constituição boliviana para evitar mais crise política

O presidente da Bolívia, o cocaleiro e trotskista Evo Morales, e a chefe da Assembléia Constituinte do país, disseram que podem revisar a proposta de nova Carta para apaziguar a crise política. Cinco dos nove Departamentos (Estados) do país declararam-se autônomos no fim do ano passado para protestar contra o projeto de Constituição elaborado pela assembléia. "Esperamos que haja a disposição de combinar a nova Constituição com os estatutos de autonomia dos Departamentos para permitir um acordo nacional", disse o cocaleiro Evo Morales na noite de quinta-feira, em reunião com constituintes na residência presidencial. Segundo Silvia Lazarte, líder da Constituinte e integrante do partido trotskista de Evo Morales, o MAS, "se alguns setores da população querem fazer mudanças, devem propô-las para a assembléia". Esta semana, Morales e governadores da oposição disseram que tentariam fazer emendas e forjar um pacto nacional para evitar mais turbulências políticas. A nova versão da Carta precisa ser submetida a um referendo este ano. Também são previstos outros referendos para decidir se Morales e os governadores dos Departamentos devem permanecer nos cargos.

Espanhol morre em Goiás com suspeitas de febre amarela

O espanhol Salvador Perez, de 41 anos, morreu na manhã deste sábado no Hospital de Doenças Tropicais de Goiânia (GO), com suspeitas de ter contraído febre amarela. Casado com uma brasileira e estabelecido em Goiás há menos de dois meses, Perez não era vacinado contra a doença. Segundo o diretor clínico do hospital, Wilson Moraes Arantes, Perez começou a apresentar dores no corpo e alterações cardiovasculares no dia 3 de janeiro, mas o quadro clínico avançou rapidamente para diarréia, vômitos e hemorragias. "Nossa principal hipótese é que ele tenha contraído febre amarela, pela evolução rápida e fulminante do fígado e dos rins", disse o médico. Amostras de sorologia de Perez foram colhidas e enviadas para o Laboratório Central do Estado, informou Arantes. Segundo Arantes, após apresentar os primeiros sintomas de doença e ter comparecido a postos de saúde do Estado, Perez fez exames médicos na manhã da última quinta-feira, em uma unidade de saúde, e foi encaminhado ao hospital. "À tarde, ao repetir os exames, o quadro estava todo alterado. A pele e a mucosa estavam amareladas, ele tinha sangramento digestivo", disse o diretor clínico do Hospital de Doenças Tropicais. Lavrador na Espanha, Perez chegou ao País em 25 de novembro de 2007, em Salvador (BA), onde permaneceu por quatro dias. De lá, ele seguiu para Goiás e deu início à compra de uma fazenda em Cristianópolis. O negócio foi finalizado em 13 de dezembro, e a mudança para a fazenda ocorreu em 29 do mesmo mês. "A fazenda não estava habitada. Tinha muita sujeira. A casa estava fechada. Aves e filhotes de aves moravam lá dentro. A casa foi limpa. Eles entraram na mata e se banharam nas águas de lá. Em 3 de janeiro ele começou a manifestar dores", explicou o médico. A febre amarela despertou a atenção das autoridades da saúde depois das mortes de macacos em Goiás e no Distrito Federal, próximos de áreas urbanas. Na última quinta-feira, o Ministério da Saúde confirmou que Graco Carvalho Abubakir, de 38 anos, morador de Brasília, morreu vítima de febre amarela. Ele esteve na região de Pirenópolis (GO) e chegou ao Hospital Santa Luzia no último dia 4 com febre alta, dor de cabeça e dor no corpo. Ele morreu na terça-feira. Na sexta-feira o Ministério da Saúde confirmou um novo caso de febre amarela no País, o segundo este ano. A paciente está internada na unidade Morumbi do Hospital São Luiz, em São Paulo, desde o dia 6.

Crise do lixo em Nápoles afasta 500 mil turistas

A decisão de dez regiões italianas de receberem 100 mil toneladas de lixo da Campânia, sem obstáculos burocráticos e administrativos, está gerando manifestações em todo o país. As operações, apoiadas em grande parte pelos presidentes das câmaras municipais, já começaram com o auxílio do exército, que deverá garantir a segurança nos próximos quatro meses. A situação de emergência, cada vez mais caótica, foi tema de encontro, em Malta, neste sábado, entre o primeiro-ministro Romano Prodi e o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. A imprensa mundial tem sido muito crítica, prejudicando a imagem da Itália. A crise do lixo já levou muitos turistas a desistirem da suas férias. Nos próximos seis meses serão menos 500 mil pessoas a visitar a região, que vive sobretudo do turismo de elite, o que representa 70 milhões de euros de prejuízo. Agrava mais a situação a denúncia do diretor do Instituto Oncológico de Nápoles, Giuseppe Comella. Ele diz que há um grande aumento de crianças com malformações congênitas e cancros devido às substâncias tóxicas do lixo que, nas últimas décadas, era enviado para o Sul, em uma das operações mais lucrativas para as mafias locais. Uma denúncia que surge depois de serem conhecidos os resultados de um estudo da Organização Mundial da Saúde, que revela um aumento de entre 9% e 29% de cancros no fígado e vias biliares nos municípios onde são enterrados os resíduos. Para a imprensa alemã, este "desastre italiano" é um negócio sem fim: a Itália paga um milhão de euros por semana para enviar e tratar o lixo na Alemanha. Nas últimas três décadas muito resíduos têm viajado de comboio para a Alemanha e Suíça, onde são tratados e eliminados.

Nápoles distribui lixo pela Itália e gera protestos

As autoridades de Nápoles começaram na sexta-feira a enviar montanhas de lixo para outras partes da Itália, o que gerou conflitos fora da região da Campânia, pela primeira vez desde o início da crise do lixo, semanas atrás. Os moradores da ilha da Sardenha entraram em choque com policiais quando um navio carregado com lixo chegou de Nápoles, na noite de quinta-feira. A Sardenha foi a primeira região a receber parte das cerca de 100 mil toneladas de lixo acumuladas na área de Nápoles. "Essa foi uma noite agitada", afirmou Silvio Saffioti, chefe da brigada de incêndio da capital da Sardenha, Cagliari: "Fomos chamados 25 vezes para apagar incêndios nos 48 contêineres de lixo e em três carros”. O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, deu ao ex-chefe nacional de polícia do país, Gianni De Gennaro, um prazo de quatro meses para resolver a crise, resultado de décadas de incompetência política, corrupção e ingerência da máfia no sistema de coleta e transporte de lixo no País. O governo italiano pediu que as autoridades das regiões da Itália recebam uma parte da montanha de lixo acumulada desde que a coleta em Nápoles foi paralisada, antes do Natal. Os aterros da região não receberam mais dejetos porque teriam atingido sua capacidade máxima. A crise do lixo representa um grande desafio para Prodi e seus aliados de centro-esquerda que comandam Nápoles, onde milhares de pessoas foram às ruas nesta semana protestar dentro de um subúrbio que se transformou em uma área sem lei durante a noite. Prodi espera que De Gennaro consiga realizar com sucesso uma tarefa diante da qual muitos outros encarregados de fazê-la fracassaram. O primeiro dos comissários do lixo foi nomeado em 1994, com a missão de limpar o sistema de coleta e tirá-lo das mãos da máfia napolitana, a Camorra. Passados 14 anos e gastos 2 bilhões de euros (2,94 bilhões de dólares) em dinheiro público, a cidade continua atrás de uma solução. Um grande incinerador que deveria estar em funcionamento no final de 2007 só seria inaugurado em 2009. Isso é o que pode acontecer em breve no Brasil, onde o setor do lixo é controlado por um cartel de empresas.

Centro Wiesenthal adverte que o piqueteiro D”Elia é o representante do Irã no governo argentino

O Centro Simon Wiesenthal manifestou na sexta-feira sua preocupação com a possibilidade de regresso de Luis D’Elía ao governo argentino e advertiu sobre o perigo de que, uma vez no Executivo, ele possa se converter em porta-voz dos interesses do Irã, país terrorista com o qual o piqueteiro argentino aprofundou sua vinculação. Sergio Widder, representante para a América Latina do Centro Simon Wiesenthal, aponta que D’Elia (na foto) vem renovando seus ataques contra Israel e a comunidade judaica na Argentina. Disse Widder: “A grande pergunta é se no governo D’Elía vai ser um porta-voz dos interesses do Irã, além do cargo que ocupe. Ele tem demonstrado que sim. No governo de Nestor Kirchner quis influir na política externa do governo. Quando isso aconteceu, o presidente Nestor Kirchner o demitiu”. A demissão foi motivada pelo fato de D’Elia ter ido fazer uma visita ao embaixador do Irã em Buenos Aires, conduzido pelo embaixador da Venezuela. Sergio Widder diz que o piqueteiro D’Elia aprofundou suas ligações com o terrorista estado do Irã, a ponto de ter ido a Teerã para ratificar sua solidariedade com o país. Gustavo Perednik, director da Fundação Hadar, assegurou que “a possível reincorporação de D’Elia ao governo é parte da confusão moral em que às vezes a sociedade cai. Apologistas do terrorismo e do regime retrógrado que desferiu golpes mortíferos contra a Argentina não deveriam encontrar seu lugar nas altas esferas do poder, mas na cadeia”. Gustavo Perednik ressaltou que a Argentina está reclamando que o governo de Teerã entregue os terroristas que perpetraram os atentados à sede da AMIA em Buenos Aires e deve “distanciar-se dos que promovem a violência e da teocracia terrorista iraníana”.

Banqueiro Daniel Dantas acusa empresa de telefonia Oi de corrupção do governo Lula

Advogados do grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, apresentaram à Justiça de Nova York documento em que acusam acionistas da Oi (ex-Telemar) de corrupção de membros do PT no governo para conseguir que o presidente Lula altere a legislação para permitir a compra da Brasil Telecom. O documento também menciona o investimento milionário na empresa do filho do presidente Lula, a Gamecorp, em 2005. Os advogados do Opportunity alegam que a então Telemar tinha interesse na mudança da legislação do setor de telecomunicações. O controle da holding de telefonia era dividido entre fundos de pensão (maiores investidores nacionais), Citigroup (banco norte-americano), Opportunity (do banqueiro Daniel Dantas) e a Telecom Italia. Os quatro sócios lutavam, desde 2001, pelo direito de administrar a Brasil Telecom, hoje controlada pelos fundos de pensão (vale dizer, controlada pelo PT) e pelo Citigroup após Dantas perder processo judicial. A Telecom Itália vendeu em julho aos fundos de pensão suas ações na BrT por US$ 515 milhões. O recurso apresentado pelo Opportunity faz parte de sua defesa no processo movido pelo Citibank pelo controle da empresa.

Airbus entrega segundo avião gigante A380 para a Singapore Airlines

A Airbus entregou na sexta-feira a segunda unidade do avião gigante A380 à companhia aérea Singapore Airlines. O avião, cuja entrega ocorreu em Toulouse (sul da França), onde está a sede da Airbus, está equipado com quatro motores Rolls-Royce Trent 900. O primeiro A380 foi entregue à Singapore Airlines, primeiro operador do avião gigante, em 15 de outubro, e realizou seu primeiro vôo comercial dez dias depois. No vôo inaugural, os passageiros pagaram bilhetes com preços de US$ 560,00 a US$ 100 mil por uma "suíte" com televisão de tela plana, camas cobertas com lençóis desenhados por Givenchy e mesas de trabalho. Enquanto isso, o A380 sofreu na sexta-feira seu primeiro incidente, ao sair da pista do aeroporto de Cingapura. O avião foi parar na grama enquanto era rebocado para preparar sua decolagem. Todos os passageiros do avião, que ia para Sydney, foram transferidos para um Boeing 747. O A380 saiu do asfalto e foi parar no gramado quando ainda não estava utilizando sua própria força. Ele estava sendo levado para a pista por um reboque, que sofreu uma falha no sistema hidráulico.

Senado recorre ao Supremo para Rondônia suspender pagamento da dívida do Beron

O senador Expedito Júnior (PR-RO) e o advogado-geral do Senado Federal, Alberto Cascais, ingressaram na sexta-feira com um mandado de segurança, com um pedido de liminar, no Supremo Tribunal Federal, para garantir a execução do projeto de resolução da Casa que suspendeu o pagamento da dívida do Beron (Banco do Estado de Rondônia) com a União. A iniciativa coloca o governo federal e o Senado Federal em lados opostos. "Ninguém pode tripudiar em cima desta Casa. Estamos pedindo para que o Senado seja respeitado", afirmou o senador Expedito Filho. "O processo de Rondônia é diferente, pois está cheio de vícios", disse ele. Apesar de pertencer ao PR, que faz parte da base aliada, o senador Expedito Júnior disse que não se sente constrangido em entrar com uma ação contra a União: "Não me sinto constrangido, porque fui eleito pelo povo de Rondônia e estou defendendo esses interesses". O processo envolvendo Rondônia, o governo federal e o Senado Federal ganhou novos elementos no final do ano passado. Em dezembro, os senadores aprovaram um projeto de resolução que estabeleceu a suspensão temporária da cobrança de dívida do governo de Rondônia com a União, que já alcança o valor total de R$ 5 bilhões e com pagamentos mensais de R$ 12 milhões, referentes à liquidação do Beron. Ao saber que a União reteria o dinheiro, descumprindo a resolução do Senado Federal, o governador de Rondônia, Ivo Cassol, ameaçou declarar moratória. Ele recuou após o senador Expedito Júnior apelar à cúpula do PSDB para mobilizar o Senado Federal. Segundo Expedito Júnior, os procuradores do governo de Rondônia devem ingressar na próxima semana com uma ação cautelar no Supremo. O objetivo é alegar que parte da dívida, atualmente avaliada em cerca de R$ 600 milhões, foi contraída na época em que o Beron foi administrado pelo Banco Central. O presidente do Senado Federal, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), também demonstrou irritação em relação à decisão federal: "Ninguém pode tripudiar sobre o Senado. Estou defendendo um princípio". Já o subalterno líder do governo no Senado Federal, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), criticou a atuação da Casa em se envolver no processo ao ingressar com ação no Supremo: "Eu acho que o Senado não age da melhor forma entrando na Justiça. Quem tem obrigação, poderes, objetivo, interesse em questionar a Justiça é o Estado de Rondônia. Portanto, o pólo legítimo para questionar o desconto é Rondônia".

Ouro bate novo recorde e encosta nos US$ 900,00

O ouro encostou na sexta-feira nos US$ 900,00. A queda vertiginosa do dólar, as incertezas geopolíticas e econômicas, e a disparada do petróleo compõem o cenário para esse recorde. Depois de ter alcançado em 2 de janeiro o recorde histórico do segundo choque do petróleo (US$ 850,00 em janeiro de 1980), o ouro atingiu cotação de US$ 898,00 na sexta-feira, em Hong Kong, e US$ 897,90, no London Bullion Exchange. Os preços subiram mais de 30% em 12 meses. Os motivos para a preferência da mais tradicional das aplicações não faltam. Quanto mais o dólar perde valor, melhor para o ouro. Existe uma forte correção inversa entre os valores da moeda norte-americana e do ouro. Em um ano, a moeda norte-americana perdeu até 14% de seu valor em relação ao euro e encostou na cotação de US$ 1,5 por euro em novembro. Os investidores de fora da zona dólar aproveitam para encher a carteira de ouro, uma matéria-prima vendida em dólares. Além disso, o aumento das incertezas, tanto geopolíticas como econômicas, dá espaço para o metal desempenhar seu papel de valor defensivo. Uma recessão econômica nos Estados Unidos pode desacelerar a economia mundial. Os riscos geopolíticos aumentaram após o assassinato da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, em 27 de dezembro. Tradicional escudo antiinflação, a alta do ouro se aproveita também da alta dos preços do petróleo e das pressões inflacionárias.