segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

FMI eleva projeção para o PIB do Brasil em 2019 para alta de 2,5%



O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua projeção para o crescimento econômico do Brasil em 2019 de 2,4% para 2,5%, mas reduziu sua estimativa referente a 2020 de 2,3% para 2,2%, como indicado no documento sobre as perspectivas para a economia mundial divulgado nesta segunda-feira, 21. As estimativas anteriores foram liberadas em outubro, antes da eleição do presidente Jair Bolsonaro. A instituição, agora, acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,3% no ano passado, abaixo do nível de 1,4% projetado em outubro. "A revisão para cima da projeção do Brasil para 2019, onde a gradual recuperação de 2015-16 deve continuar", ajuda em parte a reduzir neste ano os efeitos negativos à América Latina da desaceleração do México, retração na Argentina e aprofundamento da recessão na Venezuela, destaca o FMI. No documento, a instituição ressalta que o crescimento da América Latina e do Caribe em 2019 deve ser de 2,0%, abaixo dos 2,2% estimados em outubro. Em relação ao próximo ano, o Fundo estima expansão de 2,5% da região, um nível que também é inferior aos 2,7% previstos no fim do ano passado. Em relação à Argentina, o FMI destaca que o PIB deve apresentar contração neste ano devido a "políticas mais apertadas para reduzir desequilíbrios", o que deve influenciar na desaceleração da demanda antes do retorno do país ao crescimento em 2020. Além disso, o FMI comenta que várias moedas de países em desenvolvimento, entre elas o real, a lira turca, o peso argentino e o rand sul-africano, registraram fortalecimento desde agosto e setembro, quando um movimento de aversão a risco afastou investidores internacionais de divisas emergentes.

A desaceleração da economia global, que se acentuou no segundo semestre do ano passado em países como Alemanha e Itália, com aperto das condições financeiras em todos os continentes e em meio a um ambiente de disputas comerciais entre Estados Unidos e China, levaram o Fundo Monetário Internacional (FMI) a revisar para baixo suas projeções de crescimento global. A instituição agora acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial crescerá 3,5% este ano, enquanto em outubro a estimativa era de expansão de 3,7%. Já em 2020, as previsões do FMI para o indicador foram cortadas de crescimento de 3,7% para avanço de 3,6%. Em outubro, o FMI já havia reduzido suas projeções para o crescimento global devido às mesmas questões alertadas agora, sobretudo diante da perda de vigor do nível da atividade mundial e das tensões comerciais entre Washington e Pequim. O Fundo, contudo, não alterou suas projeções de crescimento para esses dois países nem em 2019 nem em 2020. Para a economia americana, foram mantidas as estimativas de alta de 2,5% para este ano e de avanço de 1,8% no próximo, enquanto o PIB do país asiático deve crescer 6,2% em 2019 e em 2020, de acordo com o FMI. A instituição ressalta, porém, que há riscos que podem prejudicar o crescimento da economia global este ano, o que seria provocado por alguns fatores, como uma escalada nas tensões comerciais, uma saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo e uma desaceleração da economia chinesa maior do que a esperada atualmente.

Para o FMI, a perda de fôlego da demanda agregada internacional no quarto trimestre de 2018 foi marcada por alguns elementos, como a redução da produção industrial, especialmente de bens de capital, embora esse fato não tenha ocorrido nos Estados Unidos. "O crescimento do comércio global desacelerou para um nível abaixo da média de expansão de 2019." Além disso, o Fundo ressalta que a redução da força do nível de atividade mundial pode ter sido ainda maior do que as estatísticas apontam, "já que os números principais podem ter sido elevados devido à antecipação de importações antes do aumento de tarifas comerciais, bem como aumento nas exportações de tecnologia com o lançamento de novos produtos". 

Também colaborou para a falta de fôlego o aperto das condições financeiras mundiais, que aumentou nos últimos meses e provocou efeito negativo sobre a valuation de empresas no segundo semestre de 2018. Temores de piora nas tensões comerciais; preocupações coma redução da velocidade da economia global, sobretudo na China; incertezas sobre as perspectivas da situação fiscal italiana; e a evolução dos mercados emergentes estiveram entre os fatores citados pelo FMI como as causas para as turbulências vistas nos mercados financeiros no fim do ano passado. O Fundo ressalta que a essa lista foi adicionada a paralisação parcial do governo federal americano, que se tornou a maior da história dos Estados Unidos. Nesse contexto, o FMI enfatiza que a tendência da economia mundial tanto para este ano quanto para 2020 pode piorar caso um dos fatores citados se aprofunde "porque pode provocar maior deterioração do sentimento dos investidores internacionais e súbita precificação de ativos financeiros" pelo mundo. Para o Fundo, os principais bancos centrais do globo aparentemente adotaram uma abordagem mais cautelosa de política monetária. O Federal Reserve (Fed) elevou os juros em dezembro e sinalizou "um ritmo mais gradual de aumento em 2019 e 2020".

No caso do Banco Central Europeu, a instituição destaca o encerramento das compras de ativos em dezembro. "No entanto, também confirmou que a política monetária continuará amplamente acomodatícia", sem aumento de juros até, pelo menos, o verão deste ano no Hemisfério Norte. Segundo o FMI, as preocupações sobre a saúde da economia da China podem deflagrar amplas vendas de ativos financeiros em termos mundiais e colocar os parceiros comerciais do país, exportadores de commodities e outros mercados emergentes sob pressão. A instituição, que projeta uma desaceleração da economia chinesa de 6,6% em 2018 para 6,2% este ano, afirmou que a atividade econômica do país "pode ficar abaixo das expectativas, especialmente se as tensões comerciais não diminuírem".

De acordo com o FMI, as disputas comerciais travadas entre Washington e Pequim e um "necessário aperto regulatório financeiro" estão entre os fatores que devem pesar no crescimento da segunda maior economia do mundo, apesar de novas medidas para estimar a expansão econômica anunciadas pelo governo chinês neste início de ano. O Fundo destaca que suas projeções econômicas consideram um cenário de tensões comerciais entre Estados Unidos e China, contando com a manutenção das tarifas adotadas no primeiro semestre pelo governo americano e a elevação da alíquota tarifária de 10% para 25% sobre US$ 200 bilhões em bens chineses ao fim de um período de trégua no início de março.

Quanto à economia americana, o FMI avalia uma desaceleração dos Estados Unidos de 2,9% em 2019 para 2,5% este ano e para 1,8% em 2020 em um cenário que contará com a redução dos estímulos fiscais no país, vindos da reforma tributária adotada no fim de 2017 e com a "superação temporária" das taxas de juros em relação ao nível neutro. A instituição enfatiza, ainda, que o ritmo de expansão até o fim de 2020 está acima da estimativa potencial de crescimento americano. "A demanda doméstica forte apoiará o aumento de importações e contribuirá para a ampliação do déficit em conta corrente dos Estados Unidos". 

Em relação à zona do euro, o Fundo projeta que o crescimento deve desacelerar de 1,8% no ano passado para 1,6% em 2019 devido à perda de ímpeto de algumas economias centrais da região, como a alemã, a italiana e a francesa. O PIB referente a 2020, no entanto, continuou inalterado em 1,7%. No relatório, o FMI destaca que, na Alemanha, houve uma redução do consumo privado, fraqueza da produção industrial e adoção de novos padrões de emissão de poluentes por veículos. A Itália também gera preocupações devido à perda de fôlego da demanda doméstica e à elevação de spreads diante da desconfiança com as condições fiscais do país. Na França, por sua vez, há incertezas de agentes econômicos com os impactos negativos para o nível de atividade das manifestações de ruas, que ascenderam com os coletes amarelos.

O Japão não está isolado do desaquecimento econômico global. O FMI projeta que o PIB japonês tenha avançado 0,9% em 2018, o que acelerará para alta de 1,1% este ano devido à adoção de medidas fiscais para alimentar o consumo interno. Contudo, em 2020, o país deve apresentar expansão de somente 0,5%, sobretudo com a redução de gastos das famílias e de investimentos das empresas.

WhatsApp acaba com a possibilidade de uso de listas de envio para encaminhamento de mensagens e limita a cinco destinatários


O aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp vai passar a limitar globalmente para cinco o número de vezes que um usuário pode reenviar uma mensagem para contatos ou grupos, em uma tentativa de combater disseminação de informações falsas e rumores, afirmaram executivos da companhia nesta segunda-feira, 21. Na verdade, isso é resultado imediato de pressões muito fortes exercidas por empresas de comunicação (jornais, revistas, rádios, televisões) e de partidos políticos e autoridades em países nos quais se incomodam com a mudança de eixo planetária na forma como a opinião pública é formada. “Estamos impondo um limite de cinco mensagens em todo o mundo a partir de hoje”, disse Victoria Grand, vice-presidente de comunicações do WhatsApp, em evento na capital da Indonésia. Anteriormente, o usuário do WhatsApp podia reenviar uma mensagem para 20 contatos ou grupos, colocado em prática em julho do ano passado. O limite de cinco reenvios expande para o nível global uma medida que a empresa colocou em prática na Índia em julho de 2018, depois da disseminação de rumores em mídias sociais resultarem em assassinatos e tentativas de linchamento. Tudo mentira. Antes de julho, o limite praticado no mundo todo era de 250 mensagens. Agora, se um usuário tenta encaminhar mensagens para um número superior a cinco, surge uma mensagem informando o novo limite. Mesmo sem anúncio oficial, o novo recurso já estava em testes desde dezembro - alguns usuários brasileiros já haviam se deparado com a mudança. Durante as eleições brasileiras, em outubro passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia sugerido à empresa o limite de cinco mensagens como forma de combater a disseminação de notícias falsas. Na mesma época, o serviço derrubou contas suspeitas de dispararem mensagens em massa. O WhatsApp vai lançar uma atualização para ativar o limite a partir desta segunda-feira, afirmou diretor de comunicações do WhatsApp, Carl Woog. Os usuários de dispositivos Android receberão a atualização primeiro, que chegará em breve ao iPhone. Isso é o começo do fim do Whatsapp, poderá acontecer uma grande migração para outros aplicativos, como o Telegram, que é bem mais produtivos para as pessoas. 

Bolsonaro chega à Suíça para apresentar agenda liberal em Davos


O presidente Jair Bolsonaro desembarcou no começo da tarde desta segunda-feira (21, no horário local) em Zurique, de onde deve seguir de carro para Davos, nos Alpes Suíços, onde participa 49ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial. No vôo, esteve acompanhado dos ministros Paulo Guedes (Economia), Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública), Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), além do deputado Eduardo Bolsonaro, seu filho, e do presidente da Apex, Mario Vilalva. O secretário especial de comércio, Marcos Troyjo, chegou antes à cidade, assim como o governador João Doria (São Paulo), que aterrissou em vôo comercial nesta manhã. A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, não acompanha a comitiva. O grupo deve permanecer em Davos por quatro dias, duração pouco comum —os chefes de Estado e governo dificilmente passam mais de 48 horas no resort do leste suíço. Na terça-feira (22), Bolsonaro será o primeiro de cinco chefes de Estado a se dirigir à plateia de empresários, banqueiros e representantes de organismos internacionais. Em sua estada, Bolsonaro pretende apresentar aos investidores nos Alpes, com auxílio de Guedes, sua agenda liberalizante para a economia, tratando de privatizações e reforma da Previdência. O presidente também deseja certificar as credenciais democráticas do País e tratar de temas como inserção e cooperação regional, Mercosul e crise na Venezuela, a qual será objeto de um painel paralelo à agenda oficial nesta quarta-feira (23), com a participação dos brasileiros. São esperados também encontros bilaterais com ministros e chefes de Estado, que estão sendo alinhavados.

Mercado prevê inflação de 4,01% e alta de 2,53% no PIB para este ano

A inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve ficar em 4,01% este ano. Essa é a previsão de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central todas as semanas sobre os principais indicadores econômicos. Na semana passada, a projeção para o IPCA estava em 4,02%. A estimativa segue abaixo da meta de inflação (4,25%), com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%, este ano. Para 2020, a projeção para o IPCA segue em 4%, há 81 semanas seguidas. Para 2021 e 2022, a estimativa permanece em 3,75%. A meta de inflação é 4%, em 2020, e 3,75%, em 2021, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para os dois anos (2,5% a 5,5% e 2,25% a 5,25%, respectivamente). O Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 6,5% ao ano, para alcançar a meta da taxa inflacionária. De acordo com o mercado financeiro, a Selic deve encerrar 2019 em 7% ao ano e continuar a subir em 2020, encerrando o período em 8% ao ano, permanecendo nesse patamar em 2021 e 2022. O Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a Selic para conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação.

A manutenção da taxa básica de juros indica que o Copom considera as alterações anteriores suficientes para chegar à meta de inflação. O mercado financeiro reduziu a projeção para o crescimento da economia, este ano. A projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) foi ajustada de 2,57% para 2,53%. Para o próximo ano, a expectativa subiu de 2,50% para 2,60%. Em 2021 e 2022, a projeção segue em 2,50%. A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar caiu de R$ 3,80 para R$ 3,75 no final deste ano. Para 2020, a previsão passou de R$ 3,80 para R$ 3,78.

Israel bombardeia alvos iranianos na Síria


Forças de Defesa de Israel desencadearam na noite passada uma série de bombardeiros sobre posições da unidade de elite dos Guardas Revolucionários do Irã, nos arredores da capital síria, Damasco. Foram também atingidos componentes da defesa antiaérea do regime de Bashar Al Assad. Há notícias de pelo menos 11 mortos. A operação militar, de acordo com organizações militares do Estado hebraico, teve como alvos posições da Força Quds, a unidade de elite dos Guardas Revolucionários do Irã. Os bombardeios foram em resposta ao disparo, na véspera, de um foguete, a partir da Síria, contra as Colinas de Golã – região anexada por Israel depois da Guerra dos Seis Dias, de 1967, em que Israel foi atacado simultaneamente pelas nações árabes e venceu a guerra em menos de uma semana. O projétil foi interceptado pelo sistema de defesa Cúpula de Ferro.


Por sua vez, as forças leais a Bashar Al Assad garantem ter abatido a maior parte dos mísseis lançados por Israel. Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, organização com escritórios em Londres, teriam morrido pelo menos 11 combatentes pró-regime. Em um gesto pouco comum, as Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram no Twitter o início dos ataques contra a Força Quds. “Começamos a atingir alvos iranianos da Quds em território sírio. Advertimos as Forças Armadas sírias contra qualquer tentativa de atingir forças ou território israelitas”, diz a mensagem na rede social. A mesma rede foi utilizada para publicar imagens da operação e enumerar alvos: locais de armazenamento de munições, uma posição no Aeroporto Internacional de Damasco, instalações dos serviços secretos iranianos e um campo de treino militar.

Flávio Bolsonaro diz que título de R$ 1 milhão foi usado para comprar imóvel


Em entrevista ao “Domingo Espetacular”, da TV Record, o senador eleito disse que o dinheiro dos depósitos fracionados feitos em 2017 é proveniente da venda de um apartamento na Zona Sul do Rio de Janeiro. Flávio disse também que o pagamento do título de R$ 1 milhão, relatado pelo Coaf, se refere à compra desse mesmo imóvel. “Tentam de uma forma muito baixa insinuar que a origem desse dinheiro tem a ver com um ex-assessor meu ou terceiros. Não tem. Explico mais uma vez. Sou empresário, o que ganho na minha empresa é muito mais do que como deputado. Não vivo só do salário de deputado”, afirmou. Na entrevista, Flávio disse que recebeu parte do pagamento da venda do imóvel em “cash” e que fez os depósitos fracionados no caixa eletrônico da Assembléia Legislativa por ser o local onde trabalhava. A explicação que deu sobre os valores de R$ 2 mil é que esse é o limite aceito no caixa eletrônico.

Petrobrás diz ter encerrado ciclo em que se valia de empréstimos de bancos públicos

A Petrobrás informou ter acabado o ciclo em que "se valia de empréstimos de bancos públicos". O presidente da estatal, Roberto Castello Branco, distribuiu nota em que afirma que não pegará mais dinheiro com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil. Na sexta-feira, 18, o BNDES lançou uma ferramenta que apontou as 50 empresas que tomaram o maior volume de recursos do banco de fomento. A Petrobrás ocupa a liderança da lista, com R$ 62 bilhões tomados entre 2004 e 2018. "Já determinei que a Petrobrás não opere com bancos públicos, pois os recursos da sociedade não podem ser empregados para subsidiar grandes empresas que têm fácil acesso aos mercados financeiros, e muito companhias estatais. Pagaremos as dívidas com BNDES e BB", diz a nota da estatal. Ainda de acordo com a assessoria da Petrobrás, o entendimento é de "que grandes empresas que dispõem de fácil acesso aos mercados financeiros não precisam ser subsidiadas com recursos públicos que deveriam ser investidos em programas em prol da sociedade".

domingo, 20 de janeiro de 2019

Antonio Palocci contou na sua delação premiada que Dilma pressionou para tirar a Sete Brasil de Lula

Antonio Palocci contou na delação premiada que, durante a gestão de Graça Foster na Petrobras, a partir de 2012, Dilma Rousseff pressionou a Sete Brasil — criada para gerir o pré-sal — para retirá-la do controle de Lula. O presidente da empresa, João Ferraz, era apadrinhado de Lula, e procurou Palocci “assustado” por entender que Graça iria demiti-lo, para “defender os interesses de Dilma e preterir as vontades de Lula”. “Naquele momento, iniciam-se frequentes encontros do colaborador com João Ferraz, com Luiz Inácio Lula da Silva, com André Esteves (dono do BTG e sócio da Sete Brasil) e com João Vaccari (ex-tesoureiro do PT); que os encontros tinham por temática a pressão de Dilma na Sete Brasil para retirá-la do controle de Lula; que se recorda que, naquele primeiro momento, Lula chamou o colaborador e solicitou que ele resolvesse o problema, tendo respondido que aquilo era uma briga com Dilma, na qual o colaborador não se envolveria; que se tratava dos momentos iniciais da tomada de controle da Sete Brasil por Luiz Inácio Lula da Silva; que também se recorda que Lula teve sucessivas reuniões com Graça, em 2012, para pressioná-la a dar andamento no processo de contratação dos navios-sonda do pré-sal, uma vez que ela havia suspendido o processo licitatório para efeitos de auditoria interna". Segundo Palocci, a venda de navios-sonda da Sete Brasil para a Petrobras teve dinheiro desviado para bancar a campanha de Dilma em 2010 e era objeto de desejo de Lula por propina.

No novo termo da delação de Antonio Palocci, Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil, é personagem recorrente nos relatos do “italiano”. Em reunião no Centro Cultural de Brasília — sede do governo quando o Palácio do Planalto estava em reforma –, por exemplo, Erenice, segundo Palocci, confirmou a Otávio Marques de Azevedo, da Andrade Gutierrez, que o governo sabia do cartel das empreiteiras e do interesse da Andrade em vencer o processo de licitação de Belo Monte. Erenice confirmou que sabia dos “compromissos político-financeiros” prometidos pela Andrade em contrapartida da obra da usina e garantiu que “nenhuma porta do governo seria fechada” para a empresa. “QUE indagado se ERENICE GUERRA sabia dos compromissos político-financeiros prometidos pelo ANDRADE, respondeu que sim, que o próprio COLABORADOR afirma que repetiu para a então Ministra a existência dos acertos de propina envolvendo a obra; QUE, inclusive, na reunião com OTÁVIO, recorda-se que ele asseverou que por conta daquele contrato da USINA DE BELO MONTE, havia compromisso de pagamento de 1% referente aos valores que seriam recebidos por sua execução ao PARTIDO DOS TRABALHADORES e ao PMDB; QUE OTÁVIO confirmou junto com o COLABORADOR aquele compromisso; QUE posteriormente COLABORADOR veio a saber que tal orientação era seguida a partir de acordo que havia sido estabelecido com RICARDO BERZOINI e o próprio OTÁVIO; QUE, embora comunicando a ERENICE GUERRA a existência de grande doação ao PT por parte da ANDRADE GUTIERREZ, em virtude da obra, que ainda seria mantido o consórcio alternativo e que, no futuro, poderiam se discutir os envolvidos na construção da obra; QUE nenhuma porta do Governo, narrou ERENICE, seria fechada.”

No novo termo da delação premiada Antonio Palocci confirma que a doação de R$ 4 milhões da Odebrecht para o Instituto Lula saiu da propina acertada na obra de Belo Monte. Palocci diz ainda que, além de Bumlai, Paulo Okamoto também solicitava constantemente recursos – entre R$ 100 mil a R$ 200 mil – para quitar despesas pessoais de Lula e sua família. E fazia questão de não formalizar esses gastos. Sobre as constantes entregas de propina a Lula, Palocci diz que levou dinheiro até no avião presidencial. “QUE também se recorda que, dos recursos em espécie recebidos da ODEBRECHT e retirados por BRANISLAV KONTIC, levou em oportunidades diversas cerca de trinta, quarenta, cinqüenta e oitenta mil reais em espécie para o próprio LULA; QUE esses valores eram demandados pelo próprio LULA com a orientação dada por ele de que não devia o COLABORADOR comentar os pedidos com PAULO OKAMOTO nem com ninguém; QUE o COLABORADOR sempre atendia aos pedidos de LULA; QUE, posteriormente, já no curso da OPERAÇÃO LAVA JATO, o próprio BRANISLAV informou ao COLABORADOR que recebia recursos em espécie da ODEBRECHT de FERNANDO MIGLIACCIO; QUE FERNANDO era vizinho de bairro de BRANISLAV KONTIC; QUE BRANISLAV assim agia a pedido do COLABORADOR; QUE os valores eram utilizados para pagamento de contas do INSTITUTO, de contas extras da entidade, contas do próprio COLABORADOR, de pedidos que o próprio LULA fazia, como em oportunidade que solicitou que efetuasse pagamentos na ordem de 30 mil reais em determinada conta; QUE não indagou a LULA o motivo dos depósitos solicitados; QUE acreditava que LULA pediu ao COLABORADOR cerca de oito a nove vezes valores em espécie; em média, os valores chegavam a 50 mil reais; QUE LULA pedia ao COLABORADOR que não informasse os pedidos a ninguém; QUE se recorda que levou valores a LULA em Brasília/DF; QUE levou valores em espécie a LULA em diversas vezes em São Paulo/SP; QUE já levou valores em espécie para LULA dentro da aeronave presidencial; QUE era apenas o COLABORADOR a levar pessoalmente recursos a LULA, entregues em suas mãos; QUE indagado se existem testemunhas dessas entregas, respondeu que em determinada oportunidade levou 50 mil reais em espécies a LULA no Terminal da Aeronáutica em Brasília/DF, durante a campanha de 2010, dentro de uma caixa de celular na frente do motorista do COLABORADOR, cujo nome era CLÁUDIO GOUVEIA; QUE, em São Paulo, recorda-se de episódio de quando levou dinheiro em espécie a LULA dentro de caixa de whisky até o Aeroporto de Congonhas, sendo que no caminho até o local recebeu constantes chamadas telefônicas de LULA cobrando a entrega, momentos que eram testemunhados pelo motorista CARLOS POCENTE, o qual, inclusive, teria brincado com o COLABORADOR perguntando se toda aquela cobrança de LULA se dava apenas por uma garrafa de whisky, sendo que o COLABORADOR respondeu ao motorista que era óbvio que a insistência de LULA não era por bebida, e sim pelo dinheiro; QUE o motorista afirmou ao COLABORADOR que estava brincando e que sabia que se tratava de dinheiro em espécie; QUE isso também ocorreu em 2010.”

Antonio Palocci também conta que Giles Azevedo, então assessor especial de Dilma Rousseff, lhe pediu R$ 6 milhões para pagar a agência Pepper – responsável pela guerrilha virtual da campanha petista. O dinheiro saiu do caixa da propina de Belo Monte, assim como o utilizado no pagamento de pesquisas eleitorais do Vox Populi. “Ao COLABORADOR, especificamente as condutas impostas a ANTONIO PALOCCI, respondeu que de fato tratou com OTÁVIO MARQUES DE AZEVEDO acerca de arrecadação de valores para campanha eleitoral de 2010 do PT; QUE a respeito da afirmação de que o COLABORADOR teria solicitado o pagamento de R$ 6.000.000,00 à agência PEPPER, esclarece que o pedido específico provavelmente partiu de GILES DE AZEVEDO, tendo o COLABORADOR possivelmente recebido de OTÁVIO a informação a respeito do pagamento, já que o assunto integrava os temas tratados pelo COLABORADOR a respeito de pagamentos visando financiamento da campanha eleitoral; QUE o próprio OTÁVIO MARQUES DE AZEVEDO afirmou que as supostas conversas com o COLABORADOR sobre os pagamentos à PEPPER se davam no contexto das discussões de propina relativa a BELO MONTE, sendo correto afirmar que os assuntos PEPPER e BELO MONTE podem ter sido eventualmente tratados no mesmo momento; QUE o próprio OTÁVIO MARQUES DE AZEVEDO também relatou que GILES DE AZEVEDO era personagem que participou dos fatos relativos aos pagamentos para a agência PEPPER; QUE esclarece que tratava com OTÁVIO, nas reuniões, de todos os temas ilícitos; QUE nunca havia reunião específica e limitada a BELO MONTE, ou ao VOX POPULI, à PEPPER, ou à campanha de 2010; QUE todos os assuntos eram tratados conjuntamente; QUE afirmava a OTÁVIO que pagar VOX POPULI efetivamente beneficiava o PT.”

Antonio Palocci afirma que José Carlos Bumlai e João Vacari Netto cobraram R$ 30 milhões da Andrade Gutierrez para pagar Delfim Netto, mas o economista só recebeu R$ 4 milhões. Palocci diz também que “os trabalhos de Bumlai eram feitos, muitas das vezes, para a sustentação da família de Lula”. “Que em várias oportunidades, Bumlai solicitava recursos para atender aos projetos dos filhos de Lula". “QUE pela presença de BUMLAI na reunião, confirmava-se o que posteriormente LULA confidenciou ao COLABORADOR de que também BUMLAI pretendia receber parte dos 30 milhões; QUE os trabalhos de BUMLAI eram feitos, muitas das vezes, para a sustentação da família de LULA; QUE em várias oportunidades, BUMLAI solicitava ao COLABORADOR recursos para atender aos projetos dos filhos de LULA; QUE não achava adequado que BUMLAI desempenhasse atividade em prol de LULA, tendo inclusive exposto sua preocupação ao ex-Presidente; QUE soube posteriormente, por JOAO VACCARI NETO em um novo encontro, dentre os muitos que tiveram, que havia sido autorizado pelo PT que se abatessem quinze milhões dos valores devidos ao PARTIDO para pagamentos devidos a ANTONIO DELFIM NETO; QUE o COLABORADOR soube posteriormente que dos trinta milhões devidos, apenas quinze milhões foram quitados; QUE, posteriormente, em conversa com DELFIM, este informou ao COLABORADOR que havia recebido cerca de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) pela sua atuação na obra da USINA DE BELO MONTE; QUE os valores, segundo DELFIM NETO, eram inferiores ao montante devido; QUE DELFIM NETO não solicitou nenhum auxílio ao COLABORADOR para o recebimento de novos valores.”

No termo 5 de sua delação, Antonio Palocci diz que Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, insistiu em pagar propina ao PT, para ter garantia da execução da obra de Belo Monte. Palocci sugeriu que o empreiteiro fizesse futuras doações ao Instituto Lula e pagamentos de palestras, mas Azevedo optou por arcar com custos de pesquisas do Vox Populi. “Insistia que gostaria de remunerar a agremiação política pela execução daquela obra; Que a ANDRADE GUTIERREZ, com pagamentos, gostaria de ter uma garantia junto ao PT para a execução do contrato de construção da UME BELO MONTE; QUE, em razão disso, o COLABORADOR sugeriu que se destinassem recursos a LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, indicando que ele poderia ser beneficiado por futuras doações ao INSTITUTO LULA e pagamentos de palestras; QUE OTÁVIO indagou se poderia arcar com custos do VOX POPULI em pesquisas de interesse de LULA, tendo o COLABORADOR respondido que sim; QUE a ANDRADE GUTIERREZ efetivamente havia realizado diversos pagamentos ao VOX POPULI no interesse do PT durante a campanha de 2010". 


Antonio Palocci confirmou entregas de dinheiro em espécie de propina paga pela Odebrecht a Lula. “[Palocci] também se recorda que, dos recursos em espécie recebidos da Odebrecht e retirados por Branislav Kontic, levou em oportunidades diversas cerca de trinta, quarenta, cinquenta e oitenta mil reais em espécie para o próprio Lula”, diz um trecho da delação. 


Antonio Palocci contou na delação premiada que o banqueiro André Esteves, dono do BTG e sócio da Sete Brasil, atuava nos dois lados da “briga política” entre Lula e Dilma Rousseff pelo controle da empresa, geradora de propina na venda de navios-sondas para a Petrobras. “Em 2012, após a nomeação de Graça Foster, André Esteves adotava uma postura bastante dissimulada junto aos dois grupos políticos do PT que se formavam, encabeçados por Lula e Dilma; que, junto a Graça Foster, André Esteves tinha a conduta de aceitar sua posição de demitir João Ferraz da presidência da Sete Brasil; que, ao mesmo tempo que André Esteves buscava se aliar aos interesses da Petrobras e, assim, controlar conjuntamente a Sete Brasil, André Esteves também desejava agradar os interesses de Luiz Inácio Lula da Silva; que, por tal motivo, junto a Lula, André Esteves defendia a permanência e o fortalecimento de Ferraz no controle da Sete Brasil”. Ferraz permaneceu no comando da Sete Brasil por mais dois anos; foi demitido em 2014 por Graça Foster logo após Palocci dizer a Esteves que não operaria mais o repasse de propina da empresa para Lula, segundo o relato da delação premiada.

Palocci diz que dinheiro da Odebrecht bancou dossiês elaborados pelos petistas contra adversários

Antonio Palocci contou na delação premiada que, em 2009, obteve de Marcelo Odebrecht uma doação não declarada de R$ 10 milhões para o PT. O dinheiro seria destinado a “atividades preparatórias” para a campanha de 2010 que incluíam a elaboração de dossiês. Segundo o ex-ministro, parte do dinheiro foi usada para “pagamento de grupos de jornalistas que já atuavam, anteriormente recrutados por Fernando Pimentel (ex-prefeito de Belo Horizonte e que no ano seguinte seria nomeado ministro de Dilma Rousseff na chamada ‘Casa 5’, resumidamente explicada como uma casa para preparação de dossiês”.

Senado eliminou o gabinete de número 24 a pedido do senador catarinense Dario Berger

Há quatro anos o Senado abriga uma manifestação implícita de preconceito contra homossexuais que pode ser checada por qualquer pessoa que percorra o principal corredor de gabinetes dos parlamentares. A numeração exposta nas portas começa no 1 e segue a sequência numérica lógica até chegar ao 23, quando, sem qualquer explicação, pula para o 25. Em algum momento entre o final de 2014 e o início de 2015 a plaquinha de número 24 desapareceu sem (quase) deixar vestígios. O Senado diz não ter nenhum registro oficial do sumiço. Parlamentares igualmente afirmam desconhecer o que aconteceu com o 24 - que por ser o número associado ao veado no jogo do bicho é usado há décadas como muleta para manifestações discriminatórias contra homossexuais. O fato é que desde essa época o até então existente gabinete de número 24 passou a se chamar gabinete 26 - ele fica no lado do corredor de numeração par. O gabinete de número 24 foi usado até 2014 pelo senador Eduardo Amorim (PSDB-SE). Ele trocou para outro, naquele ano, e diz não ter ideia do que aconteceu dali em diante. "O meu gabinete foi entregue. Eu troquei por causa da distância. Eu saí de lá e era 24. Eu não sei quem entrou depois", disse. O novo inquilino foi Dário Berger (MDB-SC), de 62 anos, de cujo gabinete partiu o pedido de mudança da numeração, do 24 para o 26.

Organizador de ida de deputados do PSL à China diz que processará Olavo de Carvalho

O chefe da excursão de deputados do PSL à China, com tudo pago pelo Partido Comunista Chinês, se revoltou: Vinicius Carvalho Aquino, de 27 anos, diz que vai processar o escritor Olavo de Carvalho (que se referiu aos membros da comitiva como semianalfabetos) e que há desconhecimento da parte de quem critica a iniciativa. "O Olavo de Carvalho fez um vídeo infeliz dizendo um monte de asneira. Eu tinha muito respeito por ele, até me chamar de analfabeto", diz o advogado sobre a gravação divulgada pelo escritor e já rebatida por congressistas que estão no giro pelo país asiático. Assessor do deputado federal eleito pelo PSL-SP Alexandre Frota (que só não viajou "porque a esposa dele está grávida de nove meses"), Aquino tem um currículo eclético, de ativista pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT) a dono oficial da marca do Pixuleco (o boneco que representa o ex-presidente Lula como presidiário) e proprietário do nome MBL (Movimento Brasil Livre), o que lhe rendeu uma briga judicial com Kim Kataguiri e companhia. A informação de que Aquino é o idealizador da viagem foi divulgada na sexta-feira (18). Irritado com o que chama de "julgamento precipitado" e "ataque desnecessário e sem pé nem cabeça aos parlamentares", ele afirma que vai entrar na Justiça contra todos que estão o difamando e ameaçando. Inclui na lista a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), que alfinetou os colegas que viajaram, "e qualquer cidadão, seja político eleito ou não, estadual ou federal". "Estou fazendo uma coletânea e vou processar todos", continua ele, que afirma sobreviver do trabalho como consultor jurídico. "Estou muito assustado com esse desconhecimento das pessoas e com os oportunistas", disse, desde Pequim. De acordo com elea, outros membros da comitiva tomarão medidas judiciais por se sentirem vítimas de calúnias.

A fúria de Aquino se volta também contra as afirmações de que a ida do grupo à empresa chinesa Huawei atenderia a interesses particulares seus. "Não tem nada disso. É apenas uma das empresas do roteiro. Não tenho envolvimento em nenhum projeto de reconhecimento facial", diz ele sobre a tecnologia que justificaria, segundo Carvalho, a visita à fábrica. "E outra: já existe isso no Brasil e é usado no mundo todo. Não precisa de autorização do Congresso para instalar, não precisa que nenhum deputado dê aval", segue o assessor de Frota. Em seu vídeo, o escritor e ideólogo do atual governo falou que o usar a ferramenta de identificação seria "entregar ao governo chinês" informações sobre os brasileiros. "É uma polêmica desnecessária. A Huawei não é a única a trabalhar com reconhecimento facial", completa Aquino. Outras questões que o coordenador da turnê quer esclarecer: 1) ele diz que a viagem não é "do PSL" (há um parlamentar eleito pelo DEM-DF, Luis Miranda), mas que o partido do presidente Jair Bolsonaro tinha ciência da visita; 2) afirma também que foi ele quem escolheu os convidados ("Trouxe pessoas que eu gosto e que precisavam conhecer a China"); e 3) não, ele não é comunista: "O pessoal começou a falar que eu sou de esquerda! Se eu sou, ninguém me avisou. Logo eu, o dono do MBL e do Pixuleco". 

O ativista, que já pedalou vestindo uma fantasia inflável do personagem para entregar uma pizza a Dilma enquanto ela andava de bicicleta em Brasília em 2016, diz que seu objetivo ao organizar a controversa viagem foi o mesmo pelo qual fez o Pixuleco: "Pensando no bem do meu país". "A China se tornou a grande potência mundial. E eles estão doidos para fazer mais comércio com o Brasil. Fui até a embaixada e solicitei a ida de algumas pessoas que precisavam entender o que era a China para melhorar o nosso comércio com eles", afirma. Ele desfia números sobre as relações econômicas dos dois países e fala que se aproximou da diplomacia chinesa no Brasil por intermédio de amigos. A embaixada do país, segundo Aquino, banca todos os custos da turnê. Conheceu o país asiático no ano passado e ficou impressionado. "Para ser sincero, hoje a China não é nem mais comunista. Aqui não é o comunismo da Venezuela, da Bolívia. Tem controle do governo? Tem. Assim como no Brasil tem controle para tudo. O que a China tem na bandeira é uma coisa de nomenclatura, porque aqui existe mais liberalismo que no Brasil."

O "porquinho" petista e delator Antonio Palocci diz que a mulher sapiens Dilma "deu corda" para Lava Jato implicar o bandido corrupto Lula

O ex-ministro Antonio Palocci, delator da Operação Lava Jato, relatou que a mulher sapiens e ex-presidente Dilma Rousseff "deu corda para o aprofundamento das investigações" da operação Lava Jato para implicar o bandido corrupto e ex-presidente Lula. Segundo Palocci, havia uma "ruptura" entre Lula e Dilma e dois grupos distintos tinham sido formados dentro do PT. Ele diz que a "briga" entre os dois começou com a indicação de Graça Foster para a presidência da Petrobras. A nomeação de Graça, segue Palocci, representava "meios de Dilma inviabilizar o financiamento eleitoral dos projetos de Lula retornar à Presidência". O ex-ministro relatou que, naquele momento, Dilma tentava se afastar do controle de Lula. ​"Deve ser relembrado que o ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli era íntimo de Lula, ao passo que Graça era íntima de Dilma. Não havia qualquer intimidade entre Lula e Graça e a relação entre Dilma e Gabrielli comportava permanentes atritos". Palocci afirma que, com o avanço da Lava Jato, a única preocupação de Lula era preservar a própria imagem. Lula "relembrava que Dilma era a presidente do conselho de administração da estatal na época de grande parte dos fatos apurados". O ex-ministro diz que chegou a perguntar ao ex-presidente: "Por que você não pega o dinheiro de uma palestra e paga o seu tríplex?" E que Lula teria respondido que um apartamento na praia não caberia em sua biografia. As informações estão em um dos termos de colaboração da delação fechada por Palocci com a Polícia Federal de Curitiba. O depoimento foi anexado ao inquérito da Polícia Federal sobre a Usina de Belo Monte.

Coaf aponta 48 depósitos suspeitos na conta de Flávio Bolsonaro, até agora Coaf é suspeito

Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) aponta movimentações suspeitas de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), ex-deputado estadual e senador eleito. O filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, recebeu em sua conta bancária 48 depósitos em dinheiro, que foram considerados "suspeitos" pelo órgão que investiga lavagem de dinheiro. "Suspeito" de que? E quem mandou o Coaf investigar um deputado estadual? Com ordem de quem? O documento, obtido pelo Jornal Nacional, traz informações sobre movimentações financeiras de Flávio Bolsonaro entre junho e julho de 2017. Os 48 depósitos em espécie na conta do senador eleito foram feitos no autoatendimento da agência bancária que fica dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro sempre no valor de R$ 2 mil. No total, foram R$ 96 mil, depositados em cinco dias. Em 9 de junho de 2017 foram 10 depósitos no intervalo de 5 minutos, entre 11h02 e 11h07. No dia 15 de junho, mais 5 depósitos, feitos em 2 minutos, das 16h58 às 17 horas. Em 27 de junho outros 10 depósitos, em 3 minutos, das 12h21 às 12h24. No seguinte mais 8 depósitos, em 4 minutos, entre 10h52 e 10h56. E no dia 13 de julho 15 depósitos, em 6 minutos.

Segundo a reportagem, o relatório diz que não foi possível identificar quem fez os depósitos e afirma que o fato de terem sido feitos de forma fracionada desperta suspeita de ocultação da origem do dinheiro. Que suspeita? A suspeita é sobre o deputado ou sobre quem fez os depósitos? O Coaf classifica que "tipo de ocorrência" pode ter havido com base numa circular do Banco Central que trata da lavagem de dinheiro. A realização de operações que por sua habitualidade, valor e forma configuram artifício para burla da identificação dos responsáveis ou dos beneficiários finais. O documento está identificado como "item 4" e faz parte de um relatório de inteligência financeira (RIF). Segundo o Jornal Nacional, esse novo relatório de inteligência foi pedido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro a partir da investigação de movimentação financeira atípica de assessores parlamentares da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. No primeiro relatório o alvo eram as movimentações financeiras dos funcionários da Assembleia. O Ministério Público pediu ao Coaf pra ampliar o levantamento. A suspeita é que funcionários dos gabinetes devolviam parte dos salários, em uma operação conhecida como "rachadinha". A Promotoria pediu o novo relatório ao Coaf em 14 de dezembro e foi atendido no dia 17, um dia antes de Flavio Bolsonaro ser diplomado senador. Segundo o Ministério Público, ele não tinha foro privilegiado na ocasião. 

Flávio Bolsonaro questionou a competência do Ministério Público e pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a suspensão temporária da investigação e a anulação das provas. Ele foi citado no procedimento aberto pelo Ministério Público do Rio de Janeiro contra Fabrício Queiroz. O ex-assessor de Flávio Bolsonaro é investigado por movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão durantee um ano. Na reclamação ao STF, Flávio Bolsonaro argumentou que o Ministério Público do Rio de Janeiro se utilizou do Coaf para "criar atalho e se furtar ao controle do Poder Judiciário, realizando verdadeira burla às regras constitucionais de quebra de sigilo bancário e fiscal". Flávio argumentou também que "depois de confirmada sua eleição para o cargo de senador, o Ministério Público requereu ao Coaf informações sobre dados sigilosos de sua titularidade" e que as informações do procedimento investigatório foram obtidas de forma ilegal, sem consultar a Justiça. 

Chanceler do Paraguai diz que as alternativas se esgotaram e foi precisar cortar relações com a Venezuela


Em meio a crescente pressão internacional sobre o regime do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, o Paraguai cortou relações diplomáticas com Caracas. "Cortamos relações diplomáticas com a Venezuela porque todas as outras alternativas foram esgotadas", afirmou o chanceler paraguaio, Luis Alberto Castiglioni. Para ele, a medida não é radical porque Assunção "esteve presente em todos os fóruns de países da região dedicados a discutir a questão e discutir medidas que levassem o ditador Nicolás Maduro ao diálogo, mas nada disso teve resultado". Castiglioni pediu que "as outras nações façam o mesmo, porque chegamos a um ponto em que a única solução para acabar com essa ditadura e com a crise humanitária que ela provoca é por meio do isolamento internacional". O ministro das Relações Exteriores paraguaio disse também estar esperançoso que o novo governo brasileiro, do presidente Jair Bolsonaro, tome uma decisão em favor de um reclamo do país vizinho pela extradição de dois fugitivos da Justiça local, que estão como refugiados políticos no Brasil desde dezembro de 2003, primeiro ano da gestão Lula. Trata-se de Juan Arrom e Anuncio Martí, que se encontravam presos no Paraguai aguardando julgamento, acusados de terem sequestrado a mulher de um empresário, no ano anterior, liberada após o pagamento de uma multa. Durante uma saída para receber atendimento médico, eles escaparam. "Eles se apresentaram como se fossem perseguidos políticos, pelo fato de pertenceram a um grupo de esquerda. Mas o processo contra eles era por conta de um crime comum", diz Castiglioni. Arrom e Martí, então, apelaram para Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que deve emitir uma decisão sobre o caso em fevereiro. À CIDH, Arrom e Martí afirmaram que sofreram torturas durante sua prisão, o que o Paraguai nega. "Nós do governo paraguaio acreditamos que esse órgão está politizado e desviado demais de seu objetivo inicial. Esse é um crime comum que jamais deveria ter chegado a essa instância. Queremos chamar a atenção da comunidade latino-americana para rever suas atribuições. Há coisas mais importantes que deveriam estar analisando, como a situação de abusos de direitos humanos na Venezuela, por exemplo", diz Castiglioni.

Acrescentou, ainda, que uma equipe do governo paraguaio já teria se reunido com o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araújo, e explicado a ele as razões porque desejam que Arrom e Martí sejam entregues à Justiça paraguaia. Castiglioni diz também ter esperanças de que o novo governo brasileiro colabore mais com a troca de inteligência sobre crime organizado na fronteira do que os governos anteriores: "Temos feito nossa parte, nos últimos anos já enviamos cinco delinquentes brasileiros que haviam tentado buscar refúgio aqui. Temos muita esperança com relação à nova administração brasileira". O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, é um dos líderes sul-americanos que tem sido cortejados por Bolsonaro, juntamente do chileno Sebastián Piñera, do colombiano Iván Duque e do argentino Mauricio Macri. Bolsonaro vê com bons olhos a formação de uma "aliança liberal" com países da América Latina "que estejam livres de ditaduras", como afirmou em seu plano de governo.

Brasil aumenta produtividade de grãos na safra 2018/2019

O Brasil deverá colher 237,3 milhões de toneladas de grãos em 15 culturas diferentes na safra 2018/2019. Conforme estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume representa crescimento de 9,5 milhões de toneladas em relação à safra anterior (4,2% a mais em termos proporcionais). Segundo a empresa, vinculada ao Ministério da Agricultura, a produtividade será 3% maior na comparação com a safra 2017/2018. O crescimento da safra de grãos ocorre com aumento de 1,2% da área plantada (62,5 milhões de hectares no total). Metade do volume da produção de grãos estimada é do plantio de soja (118,8 milhões de toneladas) e 38,4% advêm das colheitas de milho, colhido em duas safras por ano. A produção de soja é 0,4% menor que 2017/2018 (numa área 1,7% maior). De acordo com Cleverton Santana, superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, a cultura foi prejudicada pela falta de chuva em meados de dezembro no Paraná e em Mato Grosso do Sul, quando a lavoura estava em floração e frutificação. “As condições climáticas não nos levam a crer que teremos recorde de produtividade de soja”, assinala Santana. Segundo ele, não está prevista anormalidade em janeiro. Outras áreas de extensa produção de soja terão boa colheita, como o Mato Grosso e o chamado “Matopiba”, acrônimo criado com as iniciais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

O milho deve ter uma produção 12,9% maior. O amendoim terá alta de 10%. Arroz e feijão terão queda de mais de 7%, por causa da redução da área plantada. A Conab destaca ainda o crescimento da safra de algodão: produção 20,3% maior. A maior parte do algodão deverá ser usada para a confecção de tecidos nos mercados interno e externo. O trigo plantado no sul do país também teve ganho de produção: 27,3% a mais (total de 5,4 milhões de toneladas. Também tiveram altas outras “culturas de inverno” como aveia, canola, centeio, cevada e triticale. A Conab monitora as safras agrícolas há 40 anos. As estimativas são feitas com base em cálculo estatístico, acompanhamento de custos de produção e do pacote tecnológico usado nas lavouras, imagens de satélite (índices de vegetação) e pesquisa de campo com produtores