sábado, 16 de fevereiro de 2019

Donald Trump declara emergência nacional para liberar recursos e construir muro com México


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou uma emergência nacional para conseguir os US$ 5,7 bilhões para construir o muro na fronteira com o México, uma de suas principais promessas de campanha. O anúncio foi feito na quinta-feira, 14, pela porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders. A medida deve desencadear uma batalha judicial sobre a legalidade do decreto. A medida, considerada radical até por políticos republicanos como Marco Rubio, Paul Ryan e Rand Paul, permite a Trump passar por cima da decisão do Congresso, que aprovou na quinta-feira, 14, um orçamento que liberou apenas US$ 1,35 bilhão para o muro, suficiente para construir 88 quilômetros – Trump quer 376 quilômetros de muro. Com o decreto, ele poderá realocar fundos federais para a obra. Trump prometeu assinar o acordo sobre o orçamento na segunda-feira, para evitar uma nova paralisação do governo. Ele já havia afirmado que não estava satisfeito com a proposta, mas queria evitar a paralisação. A decisão encerra uma guerra de dois meses entre o presidente e o Congresso sobre as verbas para a construção do muro.

O impasse provocou a maior paralisação do governo federal na história, por 35 dias. A líder da oposição e presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, rapidamente reagiu. Ela rejeita a ideia de que haja uma emergência na fronteira dos Estados Unidos com o México e afirmou que tomará medidas judiciais para reverter a decisão. A medida pode criar uma avalanche de decisões judiciais contrárias e certamente provocar uma batalha judicial que chegará à Suprema Corte. Aprovada em 1976, a Lei de Emergência Nacional dá ao presidente poderes extraordinários, como proclamar a lei marcial, restringir as liberdades civis, confiscar propriedades privadas, mobilizar a Guarda Nacional e recrutar militares. Tanto o presidente quanto o Congresso podem declarar uma emergência nacional mesmo sem uma catástrofe. George W. Bush declarou quatro emergências nacionais após o 11 de Setembro. O presidente Barack Obama declarou uma, em meio ao surto do H1N1, mais conhecido como gripe suína, e suspendeu leis de privacidade para ter acesso a relatórios médicos. “A idéia é que o presidente seja encarregado de salvaguardar a segurança e a prosperidade de uma nação e, em uma crise, deve ter o poder de agir rapidamente quando necessário”, disse Andrew Boyle, do Brennan Center. Isso significa que, embora os dados não confirmem o argumento do governo sobre os perigos na fronteira, o presidente pode decidir que isso é uma emergência nacional.

Bruce Ackerman,, professor de Direito de Yale, escreveu no New York Times que não “há como Trump usar os poderes de emergência para construir o muro” sem deixar claro de que maneira vai realocar os fundos ao Congresso. “Além disso, se um dono de terras na fronteira se sentir lesado por uma desapropriação, a batalha legal sobre a legitimidade do decreto se estenderá para um debate constitucional sobre propriedade privada". Outro perigo levantado por especialistas é o precedente aberto por Trump. Ao decretar emergência nacional em uma questão controvertida, ele estaria abrindo caminho para um presidente democrata, no futuro, decretar emergência sobre o controle de armas ou questões ambientais. “O decreto é perigosamente adequado para um líder empenhado em acumular ou reter poder”, disse a jurista Elizabeth Goitein, do Centro Brennan: “Estamos em um território político desconhecido e perigoso".

Bolsonaro avisa que ministro "cavalo de Tróia", Gustavo Bebbiano, pivô da crise das laranjas do PSL, vai sair mesmo do governo



Chamado publicamente de mentiroso pelo presidente Jair Bolsonaro, o ministro-chefe da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, não conseguiu se garantir no cargo após negociações que envolveram ministros palacianos nesta sexta-feira (15). Após se reunir com Bebianno, Bolsonaro avisou a aliados que ele será demitido - e que a saída do ministro poderá ser formalizada na segunda-feira (18). Bebianno tornou-se o centro de uma crise instalada no Palácio do Planalto após a revelação de um esquema de candidaturas laranjas do PSL, presidido pelo ministro entre janeiro e outubro de 2018. Embora tentasse um encontro pessoalmente com o presidente desde quarta-feira (13), Bebianno só foi recebido no fim da tarde, após ministros e aliados entrarem no circuito. A conversa entre Bolsonaro e Bebianno teria sido ríspida, e o presidente chegou a deixar um ato de exoneração assinado. A gota d'água, segundo integrantes do Planalto, foi o vazamento de diálogos privados, exclusivos da Presidência, entre Bolsonaro e Bebianno ao site O Antagonista e à revista Veja. Nesta semana, o presidente chegou a endossar os ataques feitos pelo seu filho, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC), em que Bebianno foi chamado de mentiroso nas redes sociais por declarar ter conversado por três vezes com Bolsonaro em meio à crise das candidaturas laranjas.

Outra declaração que comprometeu a relação entre ambos foi a entrevista à TV Record em que Bolsonaro afirmou que, se for responsabilizado pelo caso dos laranjas do PSL, Bebianno precisará retornar às suas "origens", ou seja, deixar o governo. As negociações para evitar uma queda de Bebianno na sexta-feira começaram logo cedo no Palácio da Alvorada, onde Bolsonaro ainda se recupera de uma cirurgia. Às 9 horas, foram à residência oficial os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), junto com a deputada federal Joice Hasselman (PSL-SP). Os três saíram dali com uma proposta em mãos: propor a Bebianno um acordo para que ele seguisse no cargo. O grupo disse a Bolsonaro que a demissão de um de seus auxiliares dessa forma - em crise exposta nas redes sociais - fragilizaria a imagem sobre a confiabilidade do presidente e do governo perante o Congresso e a opinião pública. Foi ponderado que isso poderia colocar em risco uma das prioridades de sua gestão: a aprovação da reforma da Previdência, que será apresentada na semana que vem. Após o aval de Bolsonaro, os três se reuniram com o chefe da Secretaria-Geral às 11h30, na Casa Civil, em encontro que não estava previsto na agenda. Onyx levou ao colega a proposta de que precisava manter discrição e silêncio para seguir como ministro.

Bebianno assentiu e depois deixou o Palácio do Planalto por uma porta lateral, usada por visitantes e raramente frequentada por autoridades. Ao ser abordado pela TV Globo, respondeu que não sabia se ficaria no cargo. Bolsonaro foi aconselhado por auxiliares a demonstrar que estava reassumindo as rédeas do governo e, contrariando recomendações médicas, apareceu de surpresa no Planalto no início da tarde. Ele chamou então 11 de seus 22 ministros, numa conversa em que pediu que sua equipe evitasse falar em crise e transmitisse à população e à imprensa um ar de normalidade. Bebianno ficou de fora do encontro, mas foi recebido na sequência, em uma agenda na qual estavam, além dele e de Bolsonaro, o vice-presidente, Hamilton Mourão, Onyx e o chefe do GSI, general Augusto Heleno. Aliados de Bolsonaro também querem que o filho Carlos reduza o tom de postagens nas redes sociais que possam comprometer o governo.

Desde quarta-feira, ele tem publicado apenas mensagens de ações governamentais e, inclusive, um elogio a Mourão, a quem já dirigiu diversas críticas recentemente. A avaliação é de que Carlos, que tem um temperamento considerado difícil, pode até, temporariamente, reduzir o tom das críticas a integrantes do governo nas redes sociais, mas que é impossível afastá-lo definitivamente. O presidente chegou a ser aconselhado a manter Bebianno "no banco de reserva", tornando-o um auxiliar de "segunda classe". A idéia era de que ele fosse submetido a um processo de esvaziamento, excluindo-o de reuniões, agendas, viagens e eventos para não "contaminar o governo" até que a Polícia Federal chegue a uma conclusão sobre as candidaturas laranjas. A postura de Carlos foi considerada inadmissível pela cúpula militar do governo. O maior crítico foi o ministro do GSI, que defendeu em conversas reservadas o afastamento do filho das redes sociais do presidente. O diagnóstico é de que o presidente se colocou em uma situação delicada diante da crise ao ter compartilhado a manifestação do filho. Segundo relatos, o presidente não esperava que Bebianno fosse insistir tanto em seguir no posto.

Se a saída do ministro for confirmada, o governo avaliava duas possibilidades: entregá-la a um parlamentar do PSL, tentando reduzir o dano com o episódio, ou extingui-la, passando as atribuições para a Casa Civil ou Secretaria de Governo. A crise foi agudizada na quarta-feira, quando Bolsonaro ainda estava em um quarto do hospital Albert Einstein, em São Paulo, e ficou irritado ao ler uma declaração de Bebianno de que eles haviam conversado três vezes no dia anterior.  Ele viu na fala de seu auxiliar uma tentativa de "se pendurar" no contato com o mandatário para escapar da responsabilidade de candidaturas laranjas do PSL. Na sala estavam apenas Bolsonaro e o filho Carlos, o mais próximo do pai e que é desafeto de Bebianno. Responsável por criar a estratégia de comunicação por meio das redes sociais do pai, Carlos foi ao Twitter contestar a declaração do ministro dizendo ter permanecido as últimas 24 horas ao lado do presidente e que a fala era uma "mentira absoluta". Na sequência, um áudio de Bolsonaro foi publicado na conta do Twitter do filho e mais tarde replicado por seu perfil.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Bancada do PSL na Câmara cobra explicação de Bebianno e poupa Bivar

Em um discurso quase homogêneo, a bancada do PSL na Câmara dos Deputados passou a cobrar explicações e eventualmente a queda do ministro Gustavo Bebianno, o "Cavalo de Tróia", da Secretaria-Geral da Presidência. Poupa, no entanto, o presidente do partido e colega deputado, Luciano Bivar (PE), pivô da crise no governo Jair Bolsonaro (PSL). A resposta dos deputados foi afinada no momento em que a temperatura esquentou com a acusação do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, que a endossou, de que Bebianno mentiu. Em entrevista na quarta-feira (14), Bolsonaro afirmou que o ministro terá de "voltar às origens", caso reste comprovado o seu envolvimento no esquema de candidaturas laranjas no PSL. "Quem estava na presidência da sigla no período em que repasses suspeitos foram feitos é quem tem que responder. Bivar não era presidente", disse o deputado Coronel Tadeu (PSL-SP), resumindo a argumentação da bancada: "Bebianno ou sai, ou explica". O ministro ficou no comando da sigla durante a campanha eleitoral, mas diz ter se ocupado apenas das candidaturas de Bolsonaro e outras pontuais. Na quarta-feira, Luciano Bivar promoveu um jantar entre deputados do partido e azeitou relações, não raro explosivas, na bancada. Um grupo ligado a Bolsonaro avalia que, se a situação de Bebianno já se tornou insustentável, a de Bivar está longe de ser confortável. Ele sofrerá efeitos politicamente e eventuais processos disciplinares internos ou pedidos de cassação, disseram. Mas a consequência imediata caberá ao ministro da Secretaria-Geral, dado o choque com a família presidencial. Segundo deputados, Bivar afirma que tem créditos com Bolsonaro por ter arrendado o PSL na campanha. O presidente, por sua vez, sustenta que o partido não tinha expressividade até a onda que o impulsionou - e, junto, 52 deputados (hoje são 54), ante um eleito em 2014. Há uma tensão entre esses grupos, mas a bancada tenta se proteger. "Ninguém vai crucificar ninguém", disse o deputado Nelson Barbudo (PSL-MT): "O PSL está coeso, inclusive em relação ao seu presidente Bivar, que trabalhou muito para o governo. Ele tem o respeito de muitos, inclusive o meu". 

Embora publicamente tentem minimizar o impacto da crise na Câmara, a expectativa em relação a seu desfecho escapa. "Cada vez que um cai, todo mundo comemora, é gol", disse Coronel Tadeu. Congressistas querem evitar críticas em público, mas se incomodam com a repercussão negativa entre o seu eleitorado que terá o escândalo no seio do governo, eleito empunhando a bandeira do combate à corrupção e velhas práticas fisiológicas. "Essa briga é problema deles, não me meto nisso. Eles que se entendam", disse Alexandre Frota (PSL-SP): "Sou muito independente no partido. Se algum dos envolvidos tiver que sair, tem que sair. Se tiver que ser expulso, tem que ser expulso. Se tiver que ser processado, tem que ser processado, e acabou o assunto". Frota afirmou que uma consequência já está clara: "A Previdência vai ser uma guerra, para todo mundo". Deputados apostam que a oposição usará o caso para dificultar o quanto puder a votação da reforma, prioritária para o governo. "Quem tenta atrapalhar é PT, PSOL, os partidos de esquerda. Eles que ficam procrastinando, obstruindo", disse o deputado Helio Lopes (PSL-RJ), conhecido como Helio Negão, ou Helio Bolsonaro, escudeiro do presidente. Segundo Joice Hasselmann (PSL-SP), "não precisa ser muito inteligente para entender que realmente há um desgaste, mas não é essa sangria desatada": "Torço para que a gente possa passar um passo a frente, que é a reforma da Previdência. A gente não pode ficar igual cachorro correndo atrás do rabo por conta de uma briguinha aqui, outra acolá". O grupo de Luciano Bivar criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição. O dinheiro foi liberado por Gustavo Bebianno. Maria de Lourdes Paixão, de 68 anos, que oficialmente concorreu a deputada federal e teve apenas 274 votos, foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o País, mais do que o próprio presidente Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa com 1,079 milhão de votos. A candidatura laranja virou alvo da Polícia Federal, da Procuradoria e da Polícia Civil.

Novo aeroporto de Florianópolis será inaugurado em outubro

A abertura do novo aeroporto de Florianópolis, prevista inicialmente para agosto, foi alterada para o dia 1º de outubro de 2019. A alteração ocorreu, segundo a Zurich Airport, empresa suíça que administra o aeroporto, após acordo com o governo de Santa Catarina e para evitar os transtornos que poderiam ocorrer pela falta de via de acesso, que ainda está sendo finalizada pelo governo catarinense. “Para minimizar o impacto que a inauguração do novo terminal teria, sem a via de acesso, no tráfego do sul da ilha e, potencialmente, nas operações aeroportuárias, a Floripa Airport definiu, em cooperação com o governo de Santa Catarina, que a data de abertura do novo terminal será 1° de outubro de 2019”, diz a nota da concessionária. Quando o novo aeroporto for inaugurado, o antigo terminal será desativado. O novo terminal começou a ser construído no dia 15 de janeiro e o investimento é de R$ 500 milhões. Com o novo terminal, a capacidade chegará a 8 milhões de passageiros por ano. O aeroporto de Florianópolis foi concedido à iniciativa privada em 2017 e a Zurich Airport vai administrá-lo por um período de 30 anos.

Senadora Soraya Thronicke diz que índio quer ser rico, e não tutelado

Soraya Thronicke, do PSL, será a presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária no Senado. Ela adiantou que atuará para desmistificar narrativas da esquerda que se enraizaram no debate sobre a questão indígena. “O dinheiro das ONGs internacionais não chega aos índios. É preciso dizer isso. Esse dinheiro, durante muito tempo, serviu para alimentar governos e braços da Igreja Católica”, atacou a parlamentar, referindo-se ao PT e ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi), vinculado à CNBB. “Enquanto isso, o índio continuou e continua miserável no Brasil. E o índio quer ser rico. Vou defender que o índio tenha terra, sim, mas que tenha a titularidade da terra, seja dono dela, para produzir e crescer de verdade”, acrescentou.

Aliados dizem que Bolsonaro decidiu manter Gustavo Bebbiano no governo


Interlocutores do presidente Jair Bolsonaro afirmam que ele decidiu atender aos apelos políticos e manter o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, no cargo. Ele está envolvido em suspeitas de desvios de recursos de campanhas do PSL e entrou em atrito com o filho do presidente, Carlos Bolsonaro. O presidente também decidiu fazer com que Carlos não interfira mais nas questões do governo. Bolsonaro ainda não conversou com Bebianno. A informação de sua permanência no governo foi dada a ele pelos colegas Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Carlos Alberto Santos Cruz (Secretaria de Governo). Ambos fazem parte do grupo que trabalhou para amainar a crise entre Bolsonaro e Bebianno e garantir a permanência do ex-presidente do PSL no governo. Bebianno, que foi chamado publicamente de mentiroso pelo presidente e seu filho Carlos, avisou que não pediria demissão, apesar da pressão, e que caberia a Bolsonaro tomar a iniciativa se quisesse. 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Bolsonaro aprova idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres na reforma da Previdência


O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, anunciou nesta quinta-feira, 14, que o presidente Jair Bolsonaro"bateu o martelo" de que as idades mínimas de aposentadoria na proposta de reforma da Previdência serão de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, após um período de 12 anos de transição. Marinho destacou que esse foi um meio termo encontrado após uma discussão de quase duas horas entre a equipe econômica e o presidente, no Palácio da Alvorada. Bolsonaro queria uma idade mínima de 60 anos para mulheres e 65 anos para homens e uma transição mais longa. Já a equipe do ministro Paulo Guedes defendia idades mínimas iguais em 65 anos para ambos os gêneros e uma transição mais curta, de 10 anos. Segundo Marinho, os detalhes da proposta só serão divulgados na próxima quarta-feira, dia 20, quando o texto será finalmente enviado ao Congresso Nacional. No mesmo dia, o presidente Bolsonaro fará um pronunciamento à Nação para explicar a proposta.

Antes disso, a proposta precisa passar por diferentes instâncias dentro do governo para verificar sua adequação jurídica e constitucionalidade. É por isso que o secretário especial informou que ainda pode haver alguma outra mudança na semana que vem, caso os órgãos jurídicos do governo apontem essa necessidade. Marinho evitou cravar qual será o impacto obtido com a reforma que foi decidida por Bolsonaro. Quando questionado sobre a fala de Guedes de que a proposta precisaria garantir uma economia de R$ 1 trilhão, ele respondeu: "Se o ministro disse..." O secretário especial fez questão de ressaltar que Bolsonaro vinha sendo atualizado constantemente das discussões em torno da proposta, a não ser o tempo em que ficou internado. A reunião de hoje ocorre um dia após o presidente receber alta médica e retornar a Brasília. 

Governo Bolsonaro vai investigar sinais de ampla corrupção em programas do MEC nos governos passados


O Ministério da Educação anunciou hoje o início de uma “ampla investigação interministerial” de indícios de corrupção em ações da pasta. Os ministros Ricardo Vélez Rodríguez e Sergio Moro assinaram um “protocolo de intenções” para apurar “indícios de corrupção, desvios e outros tipos de atos lesivos à administração pública no âmbito do MEC e de suas autarquias nas gestões anteriores”. Segundo a nota do MEC, o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, também participou da reunião em que o documento foi assinado. Entre os “exemplos emblemáticos” que a pasta afirmou ter apresentado na reunião estão “favorecimentos indevidos no Programa Universidade para Todos (ProUni), desvios no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) envolvendo o sistema S, concessão ilegal de bolsas de ensino a distância e irregularidades em universidades federais”. Também precisam ser investigadas as compras de livros e os contratos para os exames do Enem. 

Brasil utiliza banco russo para pagar Venezuela por energia usada em Roraima


O governo brasileiro utilizou um banco russo para pagar o regime do ditador Nicolás Maduro pela energia utilizada em Roraima, estado dependente da eletricidade do país vizinho desde 2001. Trata-se de uma triangulação financeira adotada pela Eletronorte para retomar os pagamentos à estatal venezuelana Corpoelec e garantir que não seja interrompido o abastecimento elétrico de Roraima, único estado não conectado ao SIN (Sistema Interligado Nacional). Os pagamentos estavam bloqueados em razão de sanções aplicadas pelos Estados Unidos, que dificultam operações bancárias com a Venezuela. A dívida acumulada pela Eletronorte pelo fornecimento de eletricidade a Roraima chegou a US$ 40 milhões. Um documento que circula na equipe econômica revela que o Brasil lançou mão da rota financeira alternativa, fazendo as remessas passarem por uma instituição financeira russa. A Rússia é uma das potências que mantém apoio a Maduro.

O primeiro depósito foi feito em dezembro, no valor de cerca de US$ 1 milhão. A quantia foi paga a título de reparação de avarias na linha de transmissão, mas o objetivo do governo era também verificar se a rota era exitosa para transferências futuras. Tampouco informaram se houve depósitos nos meses subsequentes, após a posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Com a retomada do fluxo de pagamentos, a dívida do Brasil com a Venezuela foi reduzida, com perspectivas reais de quitá-la. Houve ainda uma outra mudança para facilitar o envio do dinheiro à Venezuela. O contrato inicial previa pagamento em dólar, mas a nova rota financeira prevê a conversão da dívida para euros. Desde que chegou ao poder, Bolsonaro rompeu o diálogo com o regime chavista. Além de afirmar que Maduro é um mandatário ilegítimo, o brasileiro reconheceu o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Apesar do discurso, pessoas que acompanham o assunto afirmam que a questão precisa ser analisada fora do conflito político, uma vez que está em jogo a segurança energética de um estado.



Caracas adotou uma estratégia semelhante para receber recursos provenientes de exportação de petróleo: a petroleira estatal PDVSA pediu aos clientes que paguem seus compromissos numa conta no banco russo Gazprombank. Com isso, a Venezuela tenta fugir do cerco financeiro estabelecido pelos Estados Unidos, permitindo a entrada no país de moedas fortes (dólar e euro). Brasília chegou a discutir solucionar o débito com a Venezuela a partir de um encontro de contas com a dívida de US$ 795 milhões que Caracas contraiu com o Brasil para financiar linhas de exportação. Mas a área técnica do governo avaliou que, com a triangulação financeira, o melhor seria prosseguir com os pagamentos à Corpoelec.

Toyota confirma produção nacional de carro híbrido flex a partir deste ano




O primeiro carro movido por gasolina, etanol e eletricidade será produzido no Brasil a partir deste ano, com lançamento previsto para o último trimestre de 2019. A informação foi confirmada pelo presidente-executivo da Toyota para América Latina e Caribe, Steve St. Angelo. O anúncio foi feito em São Paulo durante a apresentação de resultados da montadora no mercado nacional. De acordo com St. Angelo, a marca emplacou pouco mais de 200 mil veículos em 2018 e prevê crescimento de 9,5% neste ano. Embora a Toyota não confirme qual será seu modelo híbrido flex, as datas previstas coincidem com o lançamento da nova geração do sedã médio Corolla. O sistema foi apresentado pela montadora japonesa em março de 2018. Na época, a empresa apresentou uma unidade do Prius capaz de rodar com gasolina, álcool ou eletricidade. A base do novo sedã é a mesma do Prius. Batizada de TNGA (sigla em inglês para nova plataforma global Toyota), permite produzir tanto modelos convencionais quanto híbridos na mesma linha de montagem. O novo Corolla híbrido foi conhecido em novembro, no Salão do Automóvel de Los Angeles. Enquanto os americanos podem comprar versões simples com motorização híbrida, essa opção deverá se restringir às configurações mais caras no mercado brasileiro. Hoje, a versão topo de linha do Corolla, chamada Altis, custa R$ 119 mil. A fábrica de Indaiatuba (interior de São Paulo) recebeu um investimento de R$ 1 bilhão em 2018. A unidade foi modernizada para poder produzir veículos sobre a plataforma TNGA. No futuro, um novo utilitário esportivo será produzido nessa base.

Ao todo, a montadora investiu R$ 2,6 bilhões nos últimos três anos. Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil, afirma que a empresa está com as contas equilibradas no país, mas a operação não é tão rentável quanto no passado. Para se tornar mais lucrativa e acelerar o retorno dos investimentos, a montadora busca aumentar as exportações. A Colômbia é um dos principais destinos dos carros da marca produzidos no Brasil.

Estudo aponta que Alemanha precisará de 266 mil imigrantes anuais para suprir mão de obra


A Alemanha precisará receber 266 mil novos imigrantes por ano nos próximos 40 anos para compensar o envelhecimento da população e cobrir as necessidades de mão de obra, revela um estudo apresentado na terça-feira, 12, pela Fundação Bertelsmann. Segundo o relatório, espera-se que até 2060 cheguem anualmente à Alemanha 114 mil pessoas de outros países da União Européia. Assim, seria preciso chegar outros 152 mil imigrantes de países de fora do bloco a cada ano. Os autores do estudo, Johann Fuchs e Alexander Kubis do Instituto para Estudos sobre o Mercado de Trabalho, e Lutz Schneider, da Universidade de Coburg, assumem que a taxa de natalidade na Alemanha aumentará, assim como o número de pessoas que trabalharão depois de 60 anos. No entanto, mesmo considerando um aumento da idade de aposentadoria aos 70 anos e a presença das mulheres no mercado de trabalho, as necessidades de mão de obra não poderão ser cobertas sem imigrantes. A força de trabalho alemã deve encolher em um terço ou cerca de 16 milhões de pessoas até 2060. Sem imigrantes, a redução do número de trabalhadores poderia ter graves consequências para a quarta maior economia do mundo. "A imigração é uma das chaves do êxito futuro. A Alemanha precisa de trabalhadores qualificados também provenientes de regiões de fora da Europa", disse Jörg Dräger, membro da Fundação Bertelsmann.

A informatização, segundo o estudo, não reduzirá as necessidades de mão de obra, mas, ao contrário, aumentará a demanda de trabalhadores altamente qualificados. A longo prazo, haverá uma redução da escassez de pessoal com formação universitária, mas se agravará a de trabalhadores com formação técnica intermédia. A imigração europeia não conseguirá cobrir as necessidades alemãs, sobretudo se se levar em conta que os países vizinhos também serão afetados pela mudança demográfica. Além disso, os estímulos para que trabalhadores de outros países europeus se mudem para a Alemanha diminuirão à medida que avança a convergência econômica dentro da União Europeia, aponta o estudo.  

No fim de 2018, o governo alemão propôs uma nova lei de imigração que visa sobretudo atrair mão de obra qualificada. A proposta, que aguarda aprovação e deve passar a valer só em 2020, mira imigrantes sem formação acadêmica de fora da UE e pretende preencher o elevado número de vagas disponíveis no mercado de trabalho alemão, contribuindo, assim, para estabilizar o sistema público de previdência social. O crescimento econômico constante desde 2010 e as políticas de incentivo às famílias de governos sucessivos nos últimos anos ajudaram a elevar a taxa de natalidade, mas ela ainda se encontra abaixo da taxa de mortalidade no país. O apoio do governo alemão a refugiados aumentou em anos recentes. Nos últimos anos, o governo gastou cerca de 28,7 bilhões de euros em fundos para acomodar e integrar os mais de um milhão de postulantes a asilo que ingressaram no país, graças às políticas de acolhida da primeira-ministra, Angela Merkel. Tais políticas, porém, tiveram um preço político para a chanceler dentro até mesmo do seu partido, que a pressionou para limitar a chegada de imigrantes ao país.

Polícia Federal apreende 1.200 quilos de cocaína em contêiner cheio de mangas no porto de Natal



A Polícia Federal no Rio Grande do Norte realizou na madrugada de terça-feira, 12, a maior apreensão de drogas da história do porto de Natal. Um carregamento de 1.275 quilos de cocaína foi encontrado em meio a frutas (caixas de mangas) no interior de um contêiner que seguiria para a Holanda. Na ação, a Polícia Federral contou com apoio logístico da Receita. Ninguém foi preso. O embarque da carga para a Europa, contendo 998 tabletes da droga, seria feito na manhã de terça-feira. A descoberta se deu em decorrência de "uma análise de situações suspeitas" no porto de Natal, onde a fiscalização da Polícia Federal vem sendo intensificada nos últimos meses. A Polícia Federal informou que as investigações terão prosseguimento visando identificar os donos da carga ilícita. Nunca como no último ano e agora os serviços policiais passaram a identificar e localizar cargas enormes de cocaína, resultado de um grande trabalho de inteligência, que visa estrangular financeiramente as organizações criminosas, quadrilhas. Sem a droga elas não conseguem alcançar os pagamentos, com os quais costumam comprar armamentos e mais droga, realimentando a cadeira criminosa. O dinheiro obtido com o tráfico também se presta para o pagamento dos bandidos que trabalham para essas quadrilhas e para o pagamento de propinas a membros do Poder Judiciário, da política, advogados e uma extensa rede de proteção de suas atividade.

 


Vale anuncia que agência americana revisará os processos de suas barragens no Brasil

O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, afirmou nesta quinta-feira (14) que a agência americana US Corps of Engineers será responsável por revisar todos os processos de barragens da mineradora após o desastre em Brumadinho (MG). "A Vale humildemente reconhece que seja lá o que a gente vinha fazendo, não funcionou", afirmou em depoimento à comissão externa da Câmara que trata da tragédia. A agência americana também poderá colaborar em melhorias do código de mineração. O US Corps of Engineers é responsável pelas avaliações de risco das barragens nos Estados Unidos. O rompimento da barragem em 25 de janeiro deixou, até o momento, 166 mortos e 155 desaparecidos.  Segundo Schvartsman, a mineradora "não pode ser condenada por um acidente, por maior que tenha sido a tragédia". Não só pode, como deve, e toda a sua diretoria já deveria estar na cadeia. O presidente da empresa afirmou ainda que a barragem não apresentava risco iminente de rompimento e que teria sido a primeira vez que uma estrutura desativada - como estava a de Brumadinho, desde 2015 - se rompeu. Schvartsman também afirmou que os gestores locais têm autonomia para tomar decisões em caso de perigo iminente, sem passar por outras instâncias da empresa. O plano de emergência da barragem previa que, em caso de rompimento da barragem, a lama destruiria as áreas industriais da mina de Córrego do Feijão, incluindo o restaurante e a sede da unidade.

O relatório é usado pelo Ministério Público de Minas Gerais em ação civil pública em que pede a adoção de medidas imediatas para evitar novos desastres, já que dez barragens, incluindo a de Brumadinho, estariam em situação de risco, segundo o documento da própria mineradora. A Vale questiona a Promotoria e diz que o estudo indica estruturas que receberam recomendações de manutenção, as quais já estariam em curso. A empresa defende ainda que a barragem de Brumadinho não corria risco iminente. Após o rompimento, os rejeitos de minério de ferro atingiram uma área administrativa da empresa, onde havia cerca de 300 funcionários e colaboradores, e também uma zona residencial de Brumadinho. O rompimento liberou cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos, que entraram no rio Paraopeba. A estimativa é a de que esse volume represente um quarto do que foi liberado no acidente com a barragem de Fundão, em Mariana, que pertencia à Samarco, empresa controlada pela Vale e pela BHP Billiton. Na ocasião, em novembro de 2015, 19 pessoas morreram, e milhares foram atingidas pelos estragos do rastro de lama, que contaminou o rio Doce e chegou até o litoral do Espírito Santo, matando animais e prejudicando o abastecimento de água.

Presidente do Banco do Brasil diz que banco seria mais eficiente se fosse privatizado

O Banco do Brasil seria mais eficiente se fosse privatizado e todos os funcionários ganhariam com isso, afirmou o novo presidente da instituição, Rubem Novaes, nesta quinta-feira (14). "Mas essa não é a política do governo, essa é uma posição pessoal. Espero que um dia se chegue a essa conclusão, mas acho que o País ainda não está preparado para essa idéia", afirmou. "Se o banco fosse privado, teria um resultado melhor do que tem hoje", acrescentou Novaes: "Temos essa ambição de dar um retorno similar ao de instituições privadas. O banco público sempre tem alguns entraves, não temos a mesma liberdade que os bancos privados para tomar certas decisões". O Banco do Brasil reportou um lucro líquido ajustado (livre de efeitos extraordinários) de R$ 13,5 bilhões, uma alta de 22% em relação ao ano anterior. Questionado se a instituição passou por uma "petização" ao longo dos governos do PT, Novaes disse que "se houve esse movimento, foi no passado já remoto". "Do grupo que encontrei hoje no banco, percebi um foco totalmente profissional da equipe. Pude notar que o ideal para nós seria manter a equipe quase intacta", disse. Novaes afirmou que o banco estuda parcerias e abertura de capital para aquelas atividades que guardam sinergia com o negócio principal do banco, como as áreas de asset, banco de investimentos, meios de pagamento e seguridade. Demais negócios que não apresentem essa dependência da rede do Bando do Brasil são passíveis de desinvestimentos. Mas o presidente do banco destacou que "não vamos fazer venda a qualquer preço": "A pior coisa é ter pressa para vender alguma coisa, porque vai desvalorizar seu ativo". Segundo Novaes, ainda não há um cálculo de quanto poderia ser embolsado com esses desinvestimentos, nem quais seriam eles. Mas ele indicou que o argentino Banco da Patagonia, do qual o Banco do Brasil detém cerca de 80%, "não tem sinergia com o banco". Sobre o Banco Votorantim, com metade do controle por parte do Banco do Brasil, Novaes disse que está "discutindo com os sócios o melhor caminho".

Juíza condena Pezão por não repassar verba obrigatória para a saúde


O ex-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), preso desde 29 de novembro na Operação Boca de Lobo por propinas de R$ 39 milhões, foi condenado pela Justiça do Estado do Rio de Janeiro por não repassar à área de saúde valores mínimos definidos em lei durante seu mandato. A juíza Alessandra Cristina Peixoto, da 8ª Vara da Fazenda Pública, desconsiderou o argumento da defesa e classificou como improbidade administrativa o fato de Pezão não ter repassado o porcentual constitucional obrigatório para o Fundo Estadual de Saúde nos anos de 2014 e 2015. Segundo a juíza, como chefe do Executivo, Pezão ‘tinha o dever de fazer o repasse para a pasta de Saúde’.