sexta-feira, 5 de setembro de 2014

JUSTIÇA DETERMINA VOLTA DE UBIRAJARA MACALÃO À ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA

Após três anos em tramitação, a Justiça gaúcha decidiu anular o processo administrativo que apurou a fraude dos selos na Assembléia Legislativa. O esquema foi revelado em 2007, e teria resultado no desvio de mais de R$ 3 milhões, em valores da época. Com a sentença, fica nula a demissão de Ubirajara Amaral Macalão, ex-diretor de Serviços Administrativos. A decisão da 3ª Vara da Fazenda Pública prevê ainda que Macalão receba os salários que ficou sem ganhar no período em que esteve afastado. O advogado Giulio Perillo espera a reintegração de Macalão ao quadro funcional da Assembléia, após a publicação da sentença. Conforme a investigação, Macalão teria desviado selos comprados pela Assembléia e revendido os serviços postais por valores abaixo do mercado. Após o escândalo, os policiais encontraram selos enterrados na casa de praia do ex-diretor. A decisão judicial, embora de primeira instância, confirma a opinião de Videversus, externada na época, que o processo administrativo realizado pela Assembléia Legislativa, por meio de sua Procuradoria, era falho e seria anulado. Não deu outra. Fica muito mal para a Procuradoria e seus procuradores.

THE ECONOMIST DIZ QUE, SE ELEITA, MARINA SILVA TERÁ DE REVER AS PROMESSAS SE QUISER CORTAR GASTOS

Reportagem publicada no site da revista britânica The Economist destaca as promessas onerosas feitas pela candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva. Dentre elas, o aumento do investimento voltado à educação para 10% do Produto Interno Bruto (PIB)  até 2019; a ampliação do Bolsa Família de 14 milhões para 24 milhões de famílias e o passe livre estudantil. Segundo a revista, Marina Silva terá de "voltar atrás em algumas dessas promessas", já que, ao mesmo tempo, ela pretende reduzir gastos públicos, sem aumentar impostos. A revista classifica a plataforma econômica da Marina Silva como "ortodoxa" e destaca alguns de seus principais pontos, como um maior rigor fiscal, a autonomia do Banco Central e câmbio flutuante. Segundo a The Economist, Marina Silva ainda promete uma reforma tributária e a uma interrupção da interferência em empresas estatais, como a Petrobras. No entanto, algumas perguntas ficam no ar, como a composição de sua equipe. Eduardo Giannetti, um de seus principais consultores na área econômica, já afirmou que não tem nenhuma pretensão ministerial. Armínio Fraga, que seria o ministro da Fazenda em um eventual governo Aécio Neves (PSDB), também nega interesse até o momento, reforça a revista. Na versão impressa, a The Economist dá amplo espaço à Marina Silva na edição que chega às bancas neste fim de semana. Além de uma reportagem sobre o avanço da ex-ministra, a revista publica editorial em que critica a falta de substância do discurso da candidata que atualmente é a principal concorrente de Dilma Rousseff (PT). "Marina Silva ainda tem de dizer mais sobre como exatamente uma pessoa relativamente estranha (outsider, em inglês) iria governar o Brasil. No momento, há muito pouca substância e muita conversa sonhadora sobre 'nova política'", diz o editorial. "No final, os eleitores do Brasil têm de fazer uma escolha entre ficar entre a Rousseff sem brilho, o Aécio amigável aos negócios ou apostar na emocionante, mas obscura Marina Silva", diz o editorial. Para a The Economist, Marina Silva precisa superar "duas preocupações". "A primeira é a reputação de intransigência que tornaria difícil administrar o Brasil, onde o multipartidarismo é a norma", diz o texto, ao lembrar que a candidata deixou o governo Lula por oposição em relação a algumas políticas ambientais. "Sua fé pentecostal faz com que ela não seja liberal em algumas áreas", completa o texto, ao citar a questão dos direitos civis dos homossexuais. A outra preocupação da The Economist é a experiência. "Ela sabe pouco sobre economia", aponta o editorial. A revista reconhece, porém, que a experiência tem benefícios questionáveis. "Dilma era considerada uma gestora competente antes de assumir o cargo, mas sua interferência ajudou empurrar o Brasil para a recessão", diz o editorial.

MARINA SILVA DIZ QUE "É TARDE DEMAIS" PARA MUDAR A EQUIPE ECONÔMICA

A candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, respondeu à sinalização feita pela presidente Dilma Rousseff, de que faria mudanças em sua equipe econômica caso seja reeleita, dizendo que é "tarde demais". "Hoje a presidente Dilma sinaliza que ela vai mudar sua equipe econômica, mas talvez seja tarde o que ela está fazendo. A sociedade brasileira é que vai mudá-la. A equipe econômica será outra, uma equipe econômica que tem compromisso com a meta de inflação, que tem compromisso com os juros baixos, recuperação da credibilidade para que haja investimento e nosso país volte a crescer", disse. O discurso da presidente foi visto como uma indicação clara da substituição do titular do Ministério da Fazenda, posto ocupado há mais de oito anos por Guido Mantega. Durante agenda de campanha em Guarulhos, Marina Silva concentrou sua fala nas respostas às críticas feitas por seus adversários e pediu que a população a ajude a fazer uma campanha limpa. "Nós estamos sofrendo ataques de nossos adversários de forma injusta, nós vamos responder sempre com a verdade, apresentando o nosso programa e as nossas propostas e contando com a mobilização da sociedade brasileira", disse.

AÉCIO NEVES DIZ QUE "BRASIL ESTÁ SEM MINISTRO DA FAZENDA"

Um dia após a presidente-candidata Dilma Rousseff antecipar que pretende mudar sua equipe ministerial em um eventual segundo mandato, apontando mudança na gestão da Fazenda, atualmente comandada por Guido Mantega, o candidato pelo PSDB à presidência, Aécio Neves, criticou a decisão tardia da petista e afirmou que o País está sem comando em uma das mais importantes pastas do governo: “O Brasil, a partir de hoje, não tem mais ministro da Fazenda”, afirmou nesta sexta-feira, durante visita a uma feira de agronegócios, no Rio Grande do Sul. “O País não pode ficar sem uma equipe econômica. Dilma desautorizou o ministro da Fazenda de forma inusitada – ou você tem um comando ou o substitui. Não se anuncia que vai substituí-lo daqui alguns meses ou nenhum dos movimentos que ele conduzir terá credibilidade”, continuou Aécio Neves. Em um governo marcado por dificuldades econômicas, com crescimento pífio e inflação acima da meta, Dilma foi repetidamente aconselhada a demitir Mantega – inclusive pelo ex-presidente Lula -, mas decidiu mantê-lo no cargo. Agora, a exato um mês das eleições, sinaliza ceder. “Eu anunciei que, se eleito, nomearei o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, como meu ministro da economia. A presidente Dilma anuncia o ex-ministro, portanto não afirma aquilo que o Brasil precisa dizer: quais as direções que nós teremos num eventual segundo mandato”, disse Aécio Neves. Durante breve visita ao Rio Grande do Sul, o candidato tucano voltou a colocar Dilma no centro dos ataques. Para Aécio Neves, o governo petista fracassou “em todos os sentidos”- mas principalmente na economia. “O atual governo nos deixará como legado uma inflação ultrapassando o teto da meta, uma recessão no país e uma perda da nossa credibilidade para os investidores. Dilma transformou o Brasil em um cemitério de obras inacabadas e com sobrepreço por toda parte”, disse. O presidenciável afirmou ainda que o país precisa superar o gargalo da infraestrutura atraindo o capital privado – setor, que, segundo ele, o governo demonizou e resultou em um tempo perdido para investimentos em empreendimentos brasileiros. Aécio Neves também criticou Marina Silva, que recuou de dois pontos de seu recém-lançado programa de governo. O candidato tucano lembrou que a candidata pelo PSB era aliada do PT e se opôs à aprovação do Plano Real e disse que o brasileiro ainda não sabe qual será a Marina que se apresentará às urnas. “Acho apenas que, em um momento em que o Brasil vai tomar uma decisão importante para o seu futuro, é importante que cada candidato mostre claramente quais são as suas convicções. A Marina que se coloca hoje é a Marina que apoia o agronegócio, que é algo que sempre apoiamos, ou é a Marina que apoiou projeto proibindo transgênicos?”, questionou. “O que eu percebo é que existe uma candidata oficial, que fracassou em todos os aspectos, e existe uma outra, forjada, construída durante mais de vinte anos de militância dentro do PT, como deputada e senadora e que agora busca mudar todas as suas posições. Eu acho até que mudança de posição é muito bem vinda. Mas uma coisa é sexta-feira ter uma posição, sábado outra e na segunda não saber mais de qual lado está”, disse. “Existe um PT que fracassou com a Dilma e existe gente que quer votar com outro PT. Nós somos oposição a tudo isso que esta aí”, disse Aécio Neves.

LASIER MARTINS REGISTRA NA POLÍCIA JOGO SUJO DE PETRALHADA NA MONTAGEM DE VÍDEO PARA DESMORALIZÁ-LO

Juliano Rodrigues contou a seguinte história, publicada hoje no blog da editoria de Política de Zero Hora, Rosane Oliveira: A tentativa de um grupo de jovens de fazer uma pegadinha com o candidato do PDT ao Senado, Lasier Martins, virou caso de polícia na quinta-feira, na Expointer. O pedetista caminhava pelo pavilhão da agricultura familiar quando foi abordado por um jovem, que estendeu a mão para trocar um cumprimento. Lasier conta que fez o gesto, mas o rapaz recolheu o braço e se atirou no chão, fingindo que tinha recebido um choque. "Ele ficou se debatendo no chão, tentando me causar um constrangimento na frente das pessoas", relata o candidato. Funcionários da campanha de Lasier notaram que outro jovem filmava a cena a alguns metros dos dois. A segurança da feira foi acionada e conseguiu deter duas pessoas, mas a câmera com a gravação tinha desaparecido. Lasier registrou ocorrência no local pela tentativa de constrangimento. "Eles vestiam camisetas do programa Vida no Sul, que faz parte de um instituto ligado ao frei Sergio Goergen, que por sua vez é ligado a movimentos sociais ao PT. Isso é uma atitude orquestrada do PT para me causar constrangimentos e afetar a minha candidatura", explica Lasier Martins.

ENSINO MÉDIO PIORA E FICA ABAIXO DA META PREVISTA PELO GOVERNO

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação, divulgou na tarde desta sexta-feira os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) relativos a 2013. O Ideb mede a qualidade do ensino nos ciclos fundamental (1º a 9º ano) e médio de escolas públicas e privadas de todo o Brasil.

Os dados revelam que há estagnação nas duas etapas. Nos anos finais do fundamental e no médio, todos os indicadores gerais ficaram abaixo das metas previstas: isso inclui as médias nacional e das redes públicas (estaduais e municipais) e privadas. A exceção foi registrada nos anos iniciais do ensino fundamental, em que a única constatação negativa ficou na rede privada, que não atingiu a meta estabelecida (confira os dados nos gráficos abaixo).
O Ideb tem dupla função. Por um lado, avalia (em uma escala de 0 a 10) a qualidade da educação que já é oferecida. Por outro, propõe metas que escolas e redes de ensino devem atingir até 2021. As metas, contudo, são modestíssimas. O Ideb prevê, por exemplo, que o conceito médio nos primeiros anos do ensino fundamental atinja só em 2021 a nota 6 — correspondente, segundo cálculo do Inep, à média alcançada em 2003 pelos alunos de nações desenvolvidas noPisa, mais importante avaliação educacional do planeta. Ou seja, se o brasileiro médio chegar a esse patamar em 2021, estará quase duas décadas atrasado.
Dentro das limitações desse cenário, o Ideb 2013 confirmou tendências dos anos anteriores. Na média, o ensino avança vagarosamente, em geral atingindo metas propostas ao país e redes de ensino. Outra tendência clara é o rebaixamento das médias a cada ciclo escolar. Assim, as notas do 5º ano são superiores às do 9º, que, por sua vez, superam as do ensino médio. “De maneira geral, o Brasil está se organizando no ensino primário. Depois disso, no segundo ciclo, quando exige-se mais sofisticação, professores mais preparados, estamos patinando”, diz Ilona Becskeházy, mestre e consultora em educação, sobre a tendência já delineada em anos anteriores.
“A melhora nas notas do ensino fundamental se deve, em primeiro lugar, à própria existência do índice. As escolas estão cada vez mais conscientes da importância das avaliações nacionais e preocupadas em não ter uma pontuação ruim. Há Estados como Minas Gerais em que a nota é divulgada na porta da escola: ninguém quer passar vergonha”, diz Claudio de Moura Castro, especialista em educação e colunista de VEJA. “Se observarmos os dados detalhadamente, contudo, veremos que as iniciativas para melhorar a qualidade do ensino e aumentar a aprovação são pulverizadas. Ou seja, nem todo mundo está avançando.”
Atraso nas notas
Neste ano, a divulgação dos dados do Ideb demorou mais do que em edições anteriores. Em 2010, os dados relativos a 2009 foram publicados no dia 1º de julho; em 2012, os números relativos a 2011 saíram no dia 14 de agosto.
Reportagem do jornal O Globo publicada na quarta-feira afirmou que o governo federal havia retido os dados na Casa Civil por razões eleitorais: um eventual resultado ruim no Ideb poderia afetar campanhas aliadas. MEC, Inep e Casa Civil se pronunciaram sobre a reportagem. Por meio de notas de conteúdo semelhante, negaram que a divulgação dos dados tivesse sido retardada deliberadamente.
O ministro da Educação, José Henrique Paim, afirmou que o atraso na divulgação dos dados foi provocado pelo aumento no número de recursos apresentados por Estados e municípios — que pediam revisão de suas notas. “Tivemos um conjunto muito grande de recursos, 30% a mais (do que em 2012). Nós queremos ter toda a segurança para divulgar esses números”, disse.
IDEB 1
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Por Reinaldo Azevedo

EX-DIRETOR DA PETROBRAS REVELA PARTICIPAÇÃO DE POLÍTICOS

Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, revelou a participação de ao menos 32 deputados e senadores, um governador e cinco partidos políticos em esquema de lavagem de dinheiro. Os envolvidos recebiam comissão de 3% em cima dos contratos da estatal petrolífera. A lista foi citada por Paulo Roberto durante depoimento para a Polícia Federal. O ex-diretor está entre os investigados da Operação Lava Jato. O esquema de lavagem de dinheiro afeta quase todas as áreas da Petrobrás, de acordo com Paulo. Ele relatou detalhes  da participação dos partidos políticos como beneficiários de recursos desviados através de comissões arranjadas. Paulo Roberto citou também nomes de grandes empreiteiras que tinham participação em contratos. O ex-diretor concordou em falar depois de ser feito acordo em que é previsto quase um perdão na Justiça, diminuindo consideravelmente a pena que poderia passar de 50 anos.

JUSTIÇA ELEITORAL PROÍBE CONSELHO DE MEDICINA DE FALAR MAL DE DILMA NA INTERNET

O ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral, deferiu liminar a favor da coligação Com a Força do Povo, que apoia a candidata Dilma Rousseff à Presidência da República, para determinar que o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) deixe de divulgar propaganda eleitoral de qualquer natureza utilizando o cadastro eletrônico de seus associados. De acordo com a coligação, o conselho teria utilizado o cadastro de seus associados para, por meio de mensagem eletrônica, manifestar posição política contrária a Dilma Rousseff. De acordo com o ministro, relator do processo no TSE, a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) impede a utilização de cadastros eletrônicos de conselhos de classe em favor de candidatos, partidos ou coligações. Ainda segundo o relator, os conselhos de classe, como autarquias que recebem “contribuição compulsória em virtude de disposição legal”, integram a Administração Pública Indireta. Nesse sentido, a eles se aplica todas as vedações eleitorais incidentes sobre a Administração Direta. O ministro ressaltou ainda o efeito multiplicador da mensagem, em prejuízo à campanha de Dilma Rousseff, não só pela quantidade de médicos ativos associados ao conselho – cerca de 11,8 mil –, mas também por se tratar de parcela da sociedade integrada por formadores de opinião. Segundo a representação apresentada pela coligação Com a Força do Povo, a correspondência eletrônica foi feita pelo endereço imprensa@cremego.org.br, e encaminhada aos médicos associados do conselho propaganda eleitoral negativa, com o seguinte teor: “classe médica goiana e brasileira está em luta. Estamos numa guerra que foi declarada pelo governo federal que, nestes últimos dois anos, vem agredindo e vilipendiando nossa categoria profissional”. A coligação de Dilma Rousseff também alega na ação que a correspondência eletrônica não tem qualquer tom de caráter informativo e, “maldosamente, destrata dados da realidade” quando diz que “o governo federal vetou a alma do Projeto de Lei do Ato Médico, que estabelecia como ato privativo do médico o diagnóstico de doença e a respectiva prescrição terapêutica; passou a autorizar indiscriminadamente a abertura de novas Escolas Médicas e o aumento do número de vagas naquelas já existentes, independentemente da qualidade que possam ter; e nos impôs o ‘Programa Mais Médicos’, ignorando a classe médica brasileira, com o objetivo de atender as demandas das relações com Cuba”.

AS INCONSISTÊNCIAS DE MARINA SILVA TÊM DE SER APONTADAS, E SOU O PRIMEIRO A FAZÊ-LO. MAS NÃO VOU DAR AS MÃOS A VIGARISTAS E PILANTRAS

Apareceram evidências de que o programa de governo de Marina Silva faz um espécie de colagem de discursos da própria candidata, de alguns trabalhos acadêmicos e, como se viu, até de um decreto de FHC. Para quem se orgulha de uma tal “rede” de colaboradores, que seria formada por especialistas e pessoas particularmente dedicadas a causas de interesse coletivo, não deixa de ser um vexame e de denotar certo improviso. Mais: o programa, na área do agronegócio, acena com a revisão de índices de produtividade para efeitos de liberação de terras para a reforma agrária, o que levaria o setor mais eficiente da economia brasileira ao colapso — além de elevar, se aplicada a proposta, a tensão do campo a níveis inéditos. Eu mesmo já apontei que o tal Eixo Um do programa do PSB apela a formas de democracia direta que poderiam degenerar em autoritarismo ou bagunça.

É absolutamente legítimo debater tudo isso. Cabe, sim, ao PT, ao PSDB e a outros chamar a atenção para o que está malparado no programa do PSB, especialmente porque, é evidente, Marina pode ser a presidente da República. Segundo as pesquisas, se a eleição ocorresse amanhã, a eleita seria ela. Assim, nada mais urgente e relevante do que abordar esses temas.
Mas vamos com cuidado aí. Leio que a Federação Única dos Petroleiros, ligada à CUT, vai organizar em ato em defesa do pré-sal. É mesmo? Ele está sendo ameaçado por quem? Conversa mole! Trata-se apenas de um braço do PT, que se alimenta do imposto sindical, a atuar contra a candidatura de Marina, que a petista Dilma Rousseff acusa de não dar o devido valor à área de petróleo. “Não podemos fazer como a Marina, que desdenha essa riqueza”, diz José Maria Rangel, dirigente da entidade.
É uma confissão de politicagem. Por que a FUP não se manifestou e não se manifesta sobre os reiterados escândalos na Petrobras? Cadê o a FUP para protestar contra a desastrada compra da refinaria de Pasadena? Cadê a FUP para mobilizar seus filiados contra a queda de 50% do valor de mercado da estatal?
Os bate-paus do petismo que estão no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal também se juntam ao PT para acusar Marina de propor o enfraquecimento dos bancos públicos, com o objetivo de privatizá-los depois. É pistolagem política. É mentira. Não há nada disso no programa de Marina. No passado, foram acusados da mesma coisa os tucanos Geraldo Alckmin e José Serra. Se Aécio estivesse em segundo lugar nas pesquisas, o alvo seria ele.
Ora vejam… Os supostamente independentes João Pedro Stedile, chefão do MST, e Guilherme Boulos, proprietário do MTST — dois promotores contumazes de invasões de propriedades públicas e privadas — também vieram a público para atacar Marina e defender o seu partido de coração e, quem sabe?, de carteirinha: o PT. Os dois querem a continuidade do atual governo porque sabem que podem impor as suas vontades, promover ilegalidades e sair impunes — contando com as prebendas que seus respectivos movimentos recebem do poder público.
O debate político é uma obrigação e uma necessidade. A ação contra Marina do corporativismo dos sindicalistas de estatais e dos esquerdistas chapas-brancas não passa de pistolagem política. No momento, seu alvo é Marina. Seria qualquer outro que disputasse a eleição com um petista. Essa gente toda, de algum modo, está mamando nas tetas do dinheiro público e tem medo de perder privilégios. Por Reinaldo Azevedo

GOVERNO FEDERAL VAI TENTAR SE EXIMIR DE DESASTRE DO IDEB

O governo federal vinha retardando a divulgação dos dados do Ideb, um indicador da qualidade de ensino. Não só se deixou de cumprir a meta, como houve queda no índice, com recuo de 3,4 para 3,2. Ainda faltam dados a respeito, que devem ser divulgados nesta tarde, mas já deu para perceber, desde ontem, que o governo federal vai repetir a frase, já tornada um clássico, do presidenciável Eduardo Jorge (PV): “Não tenho nada com isso”. Com a diferença de que Jorge, de fato, não tinha nada a ver com aquilo, mas o governo federal tem tudo a ver, sim, com a qualidade do ensino. O Planalto vai tentar jogar a responsabilidade unicamente nas costas dos Estados, mas é evidente que lhe cabe o papel de coordenar o trabalho de qualificação da educação. Mais: os Estados que exibem os melhores resultados são governados pela… oposição. O governo federal, em suma, não pode alegar nem mesmo que lhe faltou interlocução nas unidades da federação com o pior desempenho. Huuummm… Vamos ver: no petismo, a educação ficou a cargo de Tarso Genro, Fernando Haddad e Aloizio Mercadante. Ainda que a baixa qualidade da educação no Brasil não tivesse solução (e tem, claro!), uma coisa é certa: tem explicação. Por Reinaldo Azevedo

ENSINO MÉDIO PIORA E FICA ABAIXO DA META PREVISTA PELO GOVERNO

Por Fábio Takahashi, na FolhaA qualidade do ensino médio teve leva queda em 2013 em relação a 2011, revela a principal avaliação educacional do País. Segundo dados obtidos pela Folha, o índice recuou de 3,4 para 3,2 no Ideb, indicador federal que alia desempenho dos alunos em provas de português e matemática com taxas de aprovação. Com o recuo, o País não alcançou a meta para o ano, estabelecido pelo próprio governo federal, que era de 3,6. Os dados referem-se às redes estaduais, que concentram cerca de 80% das matrículas do País. O ensino médio é visto por educadores como a etapa mais problemática de todo o sistema educacional. O resultado de 2011 já apontava estagnação em relação a 2009. O ensino médio é, primordialmente, responsabilidade dos governos estaduais. A União, porém, tem o papel de induzir e sustentar políticas para melhoria. Há dois anos, quando os dados de 2011 foram apresentados, o governo federal prometeu reformular o currículo, diminuindo o número de disciplinas. A mudança ainda não foi implementada. O melhor Ideb do ensino médio foi o de Goiás (3,8), seguido de São Paulo e Rio Grande do Sul (3,7). 

Ideb
Por Reinaldo Azevedo

UCRÂNIA E REBELDES PRÓ-RUSSIA ANUNCIAM CESSAR-FOGO

A Ucrânia e os rebeldes pró-Rússia assinaram um protocolo para iniciar um cessar-fogo no leste da Ucrânia, para começar a partir das 18h00 do horário local (12h00 no horário de Brasília) desta sexta-feira informou o presidente ucraniano Petro Poroshenko. O anúncio foi feito no mesmo dia em que há relatos que novos confrontos continuam acontecendo no leste ucraniano. Mesmo com o cessar-fogo, países ocidentais estão trabalhando em novas sanções contra a Rússia, país que é acusado de influenciar as atividades separatistas no leste da Ucrânia. O Ocidente acusa Rússia de enviar armas e tropas para apoiar as milícias rebeldes. As conversas em Minsk, capital da Bielorrússia, envolvem ex-presidente ucraniano Leonid Kuchma, o embaixador russo na Ucrânia, Mikhail Zurabov e líderes das autoproclamadas ‘repúblicas’ de Donetsk e Lugansk. Um líder rebelde disse que um cessar-fogo acertado com o governo não muda o desejo de separação do restante do país. “O cessar-fogo não significa o fim da nossa política de separação”, disse Igor Plotnitsky, líder da autoproclamada República Popular de Lugansk. O acordo de cessar-fogo foi anunciado dias após o presidente russo Vladimir Putin apresentar um plano de paz de sete pontos, incluindo o fim dos ataques nas regiões de Donetsk e Lugansk, e a retirada das tropas ucranianas dessas áreas. A proposta de Putin também contempla o controle internacional do cessar-fogo, a troca de presos, a abertura de corredores de ajuda humanitária aos refugiados, a proibição de bombardeios aéreos e o envio de especialistas para a reparação da infraestrutura civil. O secretário britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond, disse nesta sexta que o Ocidente vai adotar novas sanções contra a Rússia em razão da crise na Ucrânia, mas salientou que elas poderiam ser removidas se o cessar-fogo proposto se consolidar. A Otan exigiu na quinta-feira que Moscou retirasse suas tropas da Ucrânia, e a União Europeia e os Estados Unidos estão preparando uma nova rodada de sanções econômicas contra a Rússia pela sua incursão.