sexta-feira, 8 de agosto de 2014

MÚSICO ENCONTRADO PELAS AVÓS DA PRAÇA DE MAIO DIZ QUE DESCONFIAVA DE SUAS ORIGENS

O músico argentino Ignacio Hurban apareceu em público nesta sexta-feira (8) pela primeira vez desde que descobriu sua verdadeira identidade: é filho de desaparecidos da ditadura argentina (1976-1983) e neto de Estela de Carlotto, a presidenta da organização Avós da Praça de Maio. “Estou um pouco emocionado porque soube da notícia há pouco tempo, mas estou extremamente feliz e me sinto feliz por ver a felicidade dos outros”, disse ele em entrevista coletiva lotada de jornalistas, parentes e outros netos desaparecidos. Ignacio Hurban – ou Guido Montoya Carlotto, nome dado pela mãe, Laura –  é o neto de número 114 encontrado pelas Avós da Praça de Maio. A organização foi criada por mulheres cujos filhos estão entre os 30 mil desaparecidos da ditadura argentina, entre eles, os pais do músico encontrado esta semana.  Os militares sequestravam os ativistas e, em vez de julgá-los, os levavam para campos clandestinos de detenção. A maioria foi assassinada, sem que a família soubesse como nem onde, mas alguns sobreviveram para contar a história. Foi assim que as Avós da Praça de Maio ficaram sabendo que cerca de 500 crianças nasceram em cativeiro e, depois de terem suas identidades alteradas, foram dadas ilegalmente em adoção, muitas vezes para famílias ligadas ao regime militar. No entanto, esse não foi o caso do neto de Estela de Carlotto, que disse preferir manter o nome que usou durante 36 anos: Ignacio. Ele contou que teve uma “infância extremamente feliz”. Foi criado como filho único, no interior da província de Buenos Aires, por um casal que trabalhava para um fazendeiro. Há pouco tempo soube que tinha sido adotado, mas há muitos anos desconfiava de suas origens. Ele não deu detalhes sobre o que o fez buscar as Avós da Praça de Maio para investigar se era filho de desaparecidos. Ele disse que precisa de tempo para processar a notícia, mas quis contar o que sentia para animar outros argentinos que têm a mesma dúvida que ele a buscar a organização. “É importante construir a memória coletiva da Argentina”, disse. A história de Guido (Ignacio)  foi reconstruída a partir de relatos de sobreviventes, que conviveram com Laura Carlotto no centro clandestino de detenção La Cacha, na província de Buenos Aires. Alcira Rios esteve presa com Laura, quando ela já estava detida há dez meses. Laura foi sequestrada pelos militares em Buenos Aires, quando estava grávida de dois meses, junto com o companheiro dela, Walmir Montoya, que foi fuzilado no final de 1977. Levada a um hospital militar, Laura deu à luz um menino no dia 26 de junho de 1978. Ela chamou o filho de Guido, em homenagem a seu pai, mas só pôde ficar com a criança por cinco horas. O bebê foi levado e estava desaparecido até esta semana, quando um teste de DNA revelou sua verdadeira identidade. Trinta e seis anos depois, o músico Ignacio, que sempre pensou ser filho de Juana e Clemente Hurban, descobriu que seus verdadeiros pais estavam mortos e eram integrantes do grupo guerrilheiro Montoneros.

AÉCIO NEVES DIZ QUE VAI COMBATER O TRÁFICO DE DROGAS COM CONTROLE DAS FRONTEIRAS

O candidato à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB), disse nesta-feira (8) que, se eleito, pretende combater o tráfico de drogas, com reforço do controle das fronteiras. "O aumento do tráfico e do consumo de drogas no Brasil é uma das maiores tragédias do nosso tempo. Tragédias que vêm acabando com a vida de inúmeras, milhares de famílias do Brasil inteiro, e a questão das drogas tem que ser tratada em duas vertentes. A primeira, o tráfico com controle das nossas fronteiras, com polícia, com inteligência, com tudo que não vem acontecendo até aqui. E a segunda vertente é a da dimensão da vida", disse. O tucano visitou um centro de tratamento de dependentes químicos, acompanhado do governador de São Paulo e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin, em Botucatu, no interior paulista. O candidato também disse que, se eleito, vai investir em parcerias com os Estados para garantir a segurança pública. "Não há nenhuma parte do mundo em que o governo federal não tenha uma parcela de responsabilidade em relação à criminalidade. O combate ao tráfico de drogas, de armas e controle das fronteiras são responsabilidades da União. O que o governo vem fazendo é a terceirização de responsabilidades. No nosso governo, vai haver uma política nacional de segurança pública. Nós vamos investir no controle das nossas fronteiras, o que o atual governo não fez. Vamos fazer parceria com os Estados sem contingenciamento dos recursos de segurança pública que vem acontecendo no Brasil", disse o candidato. Durante visita à clínica, que atende 52 dependentes de álcool e drogas ilícitas, Aécio elogiou o projeto do governo paulista e conversou com pacientes. ”Nosso governo vai ter também um projeto claro, de ampliação desses centros de reabilitação que já fazíamos em Minas Gerais, por todo Brasil,” disse o tucano. Depois, Aécio Neves e Geraldo Alckmin, acompanhados do prefeito da cidade João Cury (PSDB), percorreram o centro comercial da cidade. Aécio Neves rebateu as críticas da presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, sobre os discursos pessimistas em relação à economia do país. "É bom que fique claro que o pessimismo não é em relação ao Brasil. O Brasil está aí com todas as condições de retomar um ciclo virtuoso, um crescimento sustentável por longo tempo. O pessimismo é em relação ao governo. A este governo que fracassou na condução da economia, na gestão do Estado e fracassou também na melhoria dos nossos indicadores sociais", argumentou o tucano.

BRASIL ENFRENTA RESISTÊNCIA À SUA COMPETITIVIDADE AGRÍCOLA EM ACORDOS COMERCIAIS

O embaixador Paulo Estivallet de Mesquita, diretor do Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores, disse nesta sexta-feira (8), no Rio de Janeiro,  que os países e blocos com os quais o Brasil negocia acordos querem sempre que o Brasil seja menos competitivo na área da agricultura. Mesquita participou do 33º Encontro Nacional do Comércio Exterior (Enaex), promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). O embaixador  admitiu que esse movimento já ocorre em relação ao acordo comercial que o Brasil e o Mercosul estão negociando com a União Européia: “Essa  é uma das grandes dúvidas, se esse acordo vai ser possível ou não. Em qualquer acordo, eles todos têm medo da nossa agricultura”. No sentido contrário, a preocupação no Brasil e nos demais países do Mercosul é com a abertura da economia para produtos manufaturados no Exterior: “Existe a resistência deles à abertura da agricultura e, do nosso lado, nós temos a preocupação de não acabar com a nossa indústria. Nós não podemos expô-la a uma concorrência rápida. Essa é a dificuldade de concluir o acordo”. O diretor ressaltou, entretanto, que isso não significa que não é possível alcançar o acordo com a União Européia: “Se ele  for concluído, faz muita diferença para nós porque, como é um parceiro muito grande, a gente vai ter que fazer uma certa abertura para a concorrência industrial dela”. Ele admitiu que isso abre espaço para Brasil e Mercosul negociarem depois com outros parceiros. O embaixador relatou que, do lado interno, também há fatores importantes para as negociações com grandes parceiros. Um deles é a questão  tarifária: “O fato de que as nossas tarifas são relativamente altas comparadas com as de outros países significa que, no momento em que abrir aqui o mercado interno, eu suponho que vão ter empresas que enfrentam algumas  dificuldades para se adaptar a isso”. Mesquita lembrou que existe uma decisão do Mercosul de que  todas as negociações fora da região têm de ser feitas em bloco. Segundo o embaixador, as mesmas resistências existentes no Brasil a uma negociação em separado existem também no âmbito do  Mercosul.

PRESO DESAPARECE NO MAIOR PRESÍDIO DO MARANHÃO

Depois de ser palco de motins, tentativas de fuga, brigas e do assassinato de pelo menos 14 presos só este ano, o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís (MA), registrou seu primeiro caso de desaparecimento em 2014. Em nota divulgada nesta sexta-feira (8), a Secretaria Estadual de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap) informa que Rafael Alberto Libório Gomes, 23 anos, desapareceu de uma cela do Bloco A do presídio na quinta-feira (7). Também conhecido por "Rafa" ou "Filho do Arrupiado”, Gomes é citado em processos que tramitam na Justiça maranhense nos quais diversos réus respondem, conforme sua participação, por homicídio, roubo, furto qualificado, formação de quadrilha ou bando e receptação. A secretaria disse estar “fazendo diligências internas” para, com o apoio da Polícia Civil e do Serviço de Inteligência Penitenciária, esclarecer o possível desaparecimento. A polícia trabalha com duas hipóteses:  Gomes conseguiu fugir ou foi morto e seu corpo, escondido. Nas redes sociais, alguns amigos de Gomes parecem não ter dúvidas quanto à morte do detento. “Vai deixar saudade mano. Quem está de luto aqui nem chega a respirar! Deus, quando essa guerra vai acabar? Mais um moleque de um milhão morrendo no crime”, escreveu um deles esta manhã. "Só nos resta a certeza de que estará para sempre em nossos corações. Rafael, fica com Deus, espero que esteja nos braços dele", postou outro amigo de Gomes. Esta é a segunda vez que o desaparecimento de um interno de Pedrinhas vem a público. Em abril de 2013, o detento Ronalton Silva Rabelo também foi declarado desaparecido. O caso nunca foi esclarecido. Maior estabelecimento prisional do Maranhão, o Complexo de Pedrinhas está superlotado e é palco da disputa entre facções criminosas que brigam pelo controle do tráfico de drogas no Estado. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, pelo menos 60 detentos morreram na unidade em 2013. Foi de dentro do presídio de Pedrinhas que partiram as ordens para que bandidos atacassem delegacias da região metropolitana da capital maranhense e ateassem fogo a ônibus, no início de janeiro deste ano. Em um dos cinco ônibus incendiados estava a menina Ana Clara Santos Souza, de 6 anos, que teve queimaduras em 95% do corpo e morreu dois dias depois.

A CONTADORA DE ALBERTO YOUSSEFF CONTA TUDO À REVISTA VEJA. PREFEITURAS DO PT ERAM A GRANDE FONTE DO DOLEIRO

A revista VEJA desta semana traz uma reportagem com Meire Bonfim Poza. Eis a capa.

capa da veja
Quem é ela? Meire era a contadora do doleiro Alberto Yousseff. Meire viu, ouviu e participou de algumas das maiores operações do grupo acusado de lavar R$ 10 bilhões de dinheiro desviado de obras públicas e destinado a enriquecer políticos corruptos e a corromper outros com pagamento de subornos. Qual era a fonte privilegiada da mamata? Prefeitura do PT.
Meire Poza viu malas de dinheiro saindo da sede de grandes empreiteiras, sendo embarcadas em aviões e entregues nas mãos de políticos. Durante dois anos, Meire manuseou notas fiscais frias, assinou contratos de serviços inexistentes, montou empresas de fachada, organizou planilhas de pagamento. Ela deu ares de legalidade a um dos esquemas de corrupção mais grandiosos desde o mensalão.
Meire sabe quem pagou, quem recebeu, quem é corrupto, quem é corruptor. Conheceu de perto as engrenagens que faziam girar a máquina que eterniza a mais perversa das más práticas da política brasileira. Meire Poza era a contadora do doleiro Alberto Youssef — e ela decidiu revelar tudo que viu, ouviu e fez nos dois anos em que trabalhou para o doleiro.
“O Beto era um banco de dinheiro ruim. As empreiteiras acertavam com os políticos, e o Beto entrava para fazer o trabalho sujo. Ele passava o tempo todo levando e trazendo dinheiro, sacando e depositando. Tinha a rede de empresas de fachada para conseguir notas e contratos forjados”, diz. Um dos botes mais ousados de Youssef, segundo ela, tinha como alvo prefeituras comandadas pelo PT.
O doleiro pagava propina de 10% para cada prefeito que topasse apostar em um fundo de investimento criado por ele. “E era sempre nas prefeituras do PT. Ele falava: ‘Onde tiver PT, a gente consegue colocar o fundo’”. André Vargas era um parceiro fiel. O deputado estava empenhado em fazer com que dois fundos de pensão de estatais, o Postalis (dos Correios) e a Funcef (da Caixa Econômica Federal), injetassem R$ 50 milhões em um dos projetos do doleiro.
Leiam a reportagem. É de estarrecer. As empreiteiras que fizeram contratos com a Petrobras não se saem bem na história. É um esquema de corrupção que rivaliza com o do mensalão e que, muito provavelmente, o supera no valor movimentado. Vejam qual é o “modus operandi” deles. Por Reinaldo Azevedo

TERRORISTAS ISLÂMICOS CAPTURAM CENTENAS DE MULHERES NO IRAQUE

Centenas de mulheres pertencentes à minoria étnico-religiosa yazidi foram feitas reféns pelos terroristas do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), informou Kamil Amin, porta-voz do Ministério de Direitos Humanos do Iraque. Segundo o porta-voz, as mulheres têm menos de 35 anos e estão sendo mantidas em escolas na segunda maior cidade do país, Mosul. O sequestro foi comunicado ao governo pelos familiares das vítimas. “Acreditamos que os terroristas as consideram escravas e possuem planos cruéis para elas”, disse Amin. A agência diz que fontes do governo americano confirmaram o sequestro e alertaram que as vítimas poderão ser vendidas ou obrigadas a se casarem com extremistas. No início desta semana, um parlamentar iraquiano havia feito um apelo ao governo para salvar o povo yazidi, ressaltando que mulheres estavam sendo vendidas como escravas. Em pronunciamento na quinta-feira, o presidente muçulmano Barack Obama mencionou que os jihadistas estão “conduzindo execuções em massa e escravizando mulheres yazidis”. Cerca de 50.000 integrantes dessa minoria, a metade deles crianças, de acordo com número da ONU, fugiram para montanhas na região de Sinjar depois de serem ameaçados pelos terroristas. O exército americano lançou suprimentos na área, onde não há comida ou água. Os yazidis são descendentes de curdos que seguem uma religião pré-islâmica e são considerados pelo EIIL como “adoradores do demônio”. Os Estados Unidos lançaram uma segunda rodada de ataques aéreos contra os terroristas do EIIL perto de Arbil, no norte do Iraque. Um drone e quatro caças da Marinha “eliminaram com sucesso” alvos terroristas e destruíram artilharia usada pelo grupo contra as forças curdas. No primeiro ataque, dois caças F-18 lançaram mísseis guiados a laser contra posições de artilharia controladas pelos jihadistas. Na segunda etapa, um drone MQ-1 Predator disparou contra uma posição de lançamento de morteiros. Quando os jihadistas voltaram ao local, também foram atacados e mortos, segundo o Pentágono. Pouco depois, quatro caças F/A-18 atingiram um comboio com sete veículos do EIIL e outra posição de lançamento de morteiros perto de Arbil. O governador de Arbil, Nawzad Hadi, disse que os jihadistas estavam a apenas 30 quilômetros de distância da capital do Curdistão, região mais estável do Iraque antes do avanço terrorista, pólo para companhias de petróleo americanas e onde estão assessores militares e equipes consulares dos Estados Unidos.

POR VOTO EVANGÉLICO, DILMA FAZ ORAÇÃO E CITA A "BÍBLIA"

Em busca de aproximação com o eleitorado evangélico, a presidente-candidata Dilma Rousseff visitou nesta sexta-feira a Assembleia de Deus do Brás, em São Paulo – braço da congregação de Madureira, à qual pertence o também candidato ao Planalto pastor Everaldo Pereira, do PSC. Dilma, que nunca se declarou religiosa, citou até mesmo uma passagem da Bíblia nesta sexta: “O Estado brasileiro é um Estado laico, mas, citando um salmo de Davi, queria dizer que ‘feliz é a nação cujo Deus é o Senhor’”. E prosseguiu: “Reconheço a qualidade do trabalho prestado pela Assembleia de Deus ao longo de seus 103 anos, em todos os Estados, nos rincões e áreas mais isoladas deste país, e nas periferias. A ação social de vocês contribui para a inclusão. Nós temos em comum a dedicação àqueles que mais precisam.”

Na corrida eleitoral de 2010, Dilma enfrentou resistência entre o segmento evangélico em decorrência de controvérsias sobre sua posição em relação à legalização do aborto. Na ocasião, líderes da Assembleia de Deus e do PSC, como o próprio pastor Everaldo, atuaram em defesa da petista. Naquele ano, o PSC cogitara apoiar a coligação do candidato tucano José Serra à Presidência, mas optou por apoiar o PT, tendo recebido 4,75 milhões em doação da sigla, registrada na Justiça Eleitoral. Ao longo do mandato, porém, a presidente perdeu o apoio formal do PSC – e se distanciou ainda mais dos evangélicos. O maior ponto de desgaste foi o projeto de distribuição de material com conteúdo sobre orientação sexual em escolas, batizado de “kit-gay”. O material, atribuído ao ex-ministro da Educação e atual prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), foi vetado por Dilma após a reação dos religiosos. PT e PSC também trocaram rusgas durante a passagem do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) pela presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
Dilma foi convidada a discursar no Congresso Nacional de Mulheres da Assembleia de Deus Madureira, que reuniu fiéis de todo o país. O evento ocorreu na sede da Assembleia de Deus no Brás, centro da capital paulista, presidida pelo pastor Samuel Ferreira, filiado ao PSD de Gilberto Kassab, que apoia a presidente na corrida à reeleição. A presidente afirmou aos fiéis que seu governo foi o que “mais investiu na família brasileira” e nas “mulheres”. Fez também propaganda de programas de governo como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Pronatec. “Em 2010 me comprometi a valorizar a família brasileira e a buscar proporcionar a ela condições básicas de dignidade, esperança e de cultivo dos valores mais caros para aqueles que acreditam. Porque crer é algo importante.” E prosseguiu: “Acredito naqueles que creem. Acredito no poder da oração. Não se esqueçam de orar por mim. Todos os dirigentes deste país dependem do voto do povo e da graça de Deus”, disse Dilma, que concluiu: “Deus abençôe.”
Acompanharam a presidente o governador do Distrito Federal e candidato a reeleição, Agnelo Queiroz (PT), o deputado e candidato ao Senado Geraldo Magela (PT), além do ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho (PT). O deputado Jorge Tadeu (DEM) participou do ato como integrante da Assembleia de Deus Brás e o líder do PMDB, Eduardo Cunha, como representante da bancada evangélica na Câmara. Cunha, como de praxe, colocou a presidente em uma saia-justa.
Samuel Ferreira promoveu uma homenagem a Dilma com a música evangélica Mulheres Guerreiras. A presidente assistiu à apresentação em pé, batendo palmas. Vestida de azul, Dilma também proferiu a oração do Pai Nosso com os religiosos. “Queremos que a senhora se sinta bem nessa casa e tenha paz. Diariamente cumprimos a Bíblia aqui e oramos pela senhora, para que Deus lhe dê sabedoria e firmeza – o que a senhora tem de sobra”, disse a ela o pastor. Na entrada da igreja, havia santinhos com a foto de Ferreira ao lado de candidatos evangélicos à Câmara Estadual de São Paulo pelo DEM, como o pastor Cezinha e Jorge Tadeu Mudalem. Há um mês o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, visitou a Assembleia de Deus Ministério do Belém. O tucano se reuniu com o pastor José Wellington de Bezerra da Costa, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil.
Dilma também circulou entre as religiosas, distribuiu beijos e tirou fotos. “Nunca vi um presidente reconhecer o trabalho da Assembleia de Deus. Nem o Lula, que é meu amigo. Estamos com a alma lavada”, disse o bispo Manoel Ferreira, presidente da Assembleia de Deus Ministério Madureira. “Eu hoje me senti gente – e reconhecido como ser humano que trabalha com dignidade nesse país, com a palavra de Deus”, disse o pastor Samuel. Ao fim do culto, o pastor Abner Ferreira, do Rio de Janeiro, fez uma oração por Dilma. Por Reinaldo Azevedo

DILMA, OS EVANGÉLICOS, OS POLÍTICOS, DEUS E O CAPETA

Pode haver outros, mas creio que poucos jornalistas combatem com tanta firmeza o preconceito que há no Brasil, nas camadas ditas mais cultas — no geral, são apenas pessoas orgulhosas do pouco que sabem e do muito que não sabem — contra os evangélicos. Na verdade, existe um preconceito muito forte contra os cristãos. Os católicos também são alvos constantes de desconfiança. Mas não vou tratar disso agora. O que me incomoda profundamente em período eleitoral é a busca desesperada dos políticos pelos votos dos crentes.  Muitos chegam a afirmar até uma convicção que não têm só para conquistar o eleitor.

Nesta sexta-feira, por exemplo, a presidente Dilma esteve na Assembleia de Deus do Brás, em São Paulo – um braço da Congregação de Madureira. Foi convidada a discursar no Congresso Nacional de Mulheres da Assembleia de Deus Madureira, que reuniu fiéis de todo o país. Lembrou que o Brasil é um país laico, mas citou o Salmo 33, de Davi: “Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”. Então tá bom. Eu preciso lembrar aqui algumas coisas.
Quando ministra do governo Lula, Dilma concedeu mais de uma entrevista dizendo-se favorável à legalização do aborto. Está tudo documentado. Eu lido com fatos, não com impressões. Notem, leitores: um candidato tem o direito de pensar o que quiser. Não pode, ou não deve, é fingir o que não pensa. A então ministra chegou a comparar a eliminação de um feto com a extração de um dente. Houve uma forte reação dos cristãos — e percebam que, aqui, eu não estou me posicionando sobre o aborto, mas sobre a hipocrisia política. E se inventou uma Dilma que seria contrária ao aborto.
A então candidata foi a um programa de TV e se disse católica — chegando a chamar Nossa Senhora de “deusa”. O cristianismo é monoteísta, vale dizer: crê num único Deus. Nossa Senhora, como se sabe, é uma santa. Chegou a ir a Aparecida e foi filmada persignando-se — de maneira errada, diga-se. Eleita presidente, nomeou para o Ministério da Mulheres Eleonora Menicucci, uma defensora fanática do aborto, que já havia confessado tê-lo feito, em outras mulheres, com as próprias mãos. Fatos. Eu só lido com fatos.
Os cristãos, com mais ênfase os evangélicos, fazem um intenso trabalho de convencimento contra a descriminação das drogas, por exemplo. O governo desta Dilma que vai a um templo evangélico citar um Salmo de Davi pôs em prática uma política pública escancaradamente favorável à descriminação, ainda que o faça de maneira um tanto oblíqua. Em maio de 2013, vários entes federais promoveram um seminário em Brasília, patrocinado com dinheiro público, em favor da descriminação e da legalização das drogas. Não se convidou para o evento um único representante que se opusesse a essas teses. Fatos. O governo Dilma, por intermédio do Ministério da Saúde — especialmente na atual gestão, de Arthur Chioro, combate com unhas e dentes as chamadas comunidades terapêuticas, que atuam com dependentes químicos — algumas são ligadas a igrejas evangélicas. Fatos.
No dia 27 de janeiro de 2012, no Fórum Social de Porto Alegre, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, afirmou que os petistas deveriam se preparar para travar com os evangélicos uma luta ideológica para disputar a chamada “classe C”. Entenderam? Para ele, seu partido e os cristãos dessas denominações têm interesses contraditórios.
Também não demonizo posições. Cada um pense o que quiser e dispute o coração do eleitor. O que estou cobrando é honestidade intelectual. Dilma tem o direito de defender a descriminação do aborto ou sua política simpática à descriminação das drogas. O que me desagrada, e isto vale para qualquer partido, é essa mania de alguns políticos de achar que Deus tem prazo de validade: geralmente, vai de julho a outubro dos anos pares, que são os eleitorais. Depois, quem costuma dar as cartas na política é mesmo o capeta do vale-tudo. Por Reinaldo Azevedo