domingo, 15 de fevereiro de 2015

Barusco envolveu a Rolls-Royce no Petrolão, o escândalo na Petrobras

O site do jornal “Financial Times” informou hoje que o ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, envolveu a gigante Rolls-Royce no escândalo de corrupção instalado na estatal. Segundo a publicação, Barusco contou que a empresa britânica — que fabrica turbinas usadas nas plataformas da Petrobras — pagou propina para conseguir um contrato de US$ 100 milhões com a estatal. De acordo com a reportagem, Barusco disse à polícia que, só ele, recebeu da Rolls-Royce US$ 200 mil, e que isso era só uma pequena parte do acerto da propina. A informação, diz o “Financial Times”, consta nas mais de 600 páginas que registram os depoimentos prestados por ele como parte de sua delação premiada. Em nota enviada ao site, a Rolls-Royce disse que “queria deixar claro que não tolera condutas impróprias de nenhum tipo e que tomará todas as medidas necessárias para garantir isso". No Reino Unido, a empresa é investigada por ter pago propina na China e na Indonésia.

Executivos de empreiteira negociam acordo de delação para reduzir pena

Depois de quase dois meses de negociação, fracassou a tentativa da Camargo Corrêa de fechar um acordo de "leniência" com os procuradores da Operação Lava Jato. Pelo acordo, a empreiteira confessaria crimes em contratos com a Petrobras e pagaria multa em troca de uma punição menor para a empresa e três de seus principais executivos, que estão presos. Com o fracasso das negociações, os executivos começaram a discutir um acordo de delação premiada no qual eles poderiam alcançar pena menor, mas a empresa não. Três integrantes da cúpula da Camargo Corrêa estão presos na Polícia Federal de Curitiba há três meses: João Auler, presidente do conselho de administração; Dalton Avancini, presidente da construtora; e Eduardo Leite, vice-presidente da empreiteira. Outro presidente de empreiteira, Ricardo Pessoa, da UTC, também negocia um acordo de delação premiada. A Camargo Corrêa buscava um acordo de leniência para evitar ser declarada inidônea, o que a impediria de participar de obras públicas, e para contornar as acusações de que formou um cartel com suas concorrentes. A condenação pela prática de cartel redundaria em multas milionárias. A Lava Jato já conta com 13 delatores, mas não há nenhum de uma empresa de grande porte. A Camargo Corrêa seria a primeira. A negociação naufragou por duas razões principais: a empreiteira considerou que era inviável a multa exigida pelos procuradores, de R$ 1,5 bilhão, e não aceitou que seus executivos continuassem presos mesmo depois de a empresa confessar irregularidades. O valor inicial pedido pelos procuradores era de R$ 2 bilhões. A Camargo aceitaria pagar em torno de R$ 500 milhões, segundo negociadores. Um desses negociadores disse que o valor oferecido pela Camargo Correa seria um marco histórico em acordos desse tipo no Brasil, superando o recorde recuperado até agora pela Lava Jato, os US$ 97 milhões (R$ 275 milhões) devolvidos pelo ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco. A multa de R$ 2 bilhões ultrapassa o valor da empresa, de R$ 1,7 bilhão, segundo um representante da empreiteira. A avaliação de R$ 1,7 bilhão foi feita por um banco antes da deflagração da Lava Jato. Após a operação da Polícia Federal esse valor caiu, mas não há avaliações disponíveis. A empreiteira faz parte de um grupo que teve uma receita líquida de R$ 25,8 bilhões em 2013, o último dado disponível. Na avaliação de um advogado que participou das discussões, há outras razões para o fracasso: os procuradores podem estar buscando outra empreiteira grande que aceite oferecer mais informações sobre os crimes do que a Camargo topou delatar. Ele também diz suspeitar que o governo ou representantes do PT podem ter atuado para evitar que a Camargo Correa conte tudo o que sabe e coloque o partido em situação ainda mais delicada do que ele já está. A Camargo Corrêa é acusada pelos procuradores da Operação Lava Jato de ter pago cerca de R$ 40 milhões em propina para conseguir grandes contratos na construção da refinaria Abreu e Lima, no valor de R$ 5,1 bilhões, e na modernização de uma unidade da Petrobras no Paraná, a refinaria Presidente Vargas, obra orçada em R$ 2,8 bilhões. 

Israel oferece repatriação para todos os judeus que estão sendo ameaçados e perseguidos pelo terrorismo islâmico na Europa


O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, voltou a dizer hoje (15) que o país está de braços abertos para os judeus que quiserem fugir da ameaça de ataques terroristas. Ele já tinha feito o convite depois que um supermercado judaico foi palco de ataque terrorista em Paris, no dia 9 de janeiro, resultando na morte de quatro reféns. O primeiro-ministro informou que o governo israelense preparou um plano que prevê investimentos de US$ 46 milhões (cerca de R$ 129 milhões) na absorção de ondas de imigração em massa de vários países europeus. Entre eles, França, Bélgica e Ucrânia. "É claro que os judeus merecem proteção em todos os países, mas quero dizer para os judeus, para nossos irmãos e irmãs: Israel é sua casa. Eu gostaria de dizer a todos os judeus, onde quer que eles estejam: Israel é a casa de cada judeu". Netanyahu expressou solidariedade à Dinamarca, onde duas pessoas morreram por causa de ataques considerados terroristas pelas autoridades locais. "Envio nossas condolências ao povo da Dinamarca e à comunidade judaica na Dinamarca. Mais uma vez, judeus foram mortos em solo europeu pelo fato de serem judeus, e essa onda de ataques deve continuar", disse o primeiro-ministro, em Jerusalém. Nas primeiras horas da madrugada de hoje disparos feitos nas proximidades da principal sinagoga de Copenhague, em Krystalgade, resultaram na morte do segurança Dan Uzan, de 37 anos. Dois policiais ficaram feridos, mas não correm risco de morte. Horas antes, por volta das 15h30 (12h30 no Brasil) de sábado, um homem armado invadiu um café na região de Osterbro, no noroeste da capital dinamarquesa, e disparou contra os participantes de um evento sobre liberdade de expressão. O diretor de cinema Finn Norgaard, de 55 anos, morreu na hora. Três policiais ficaram feridos. O autor dos ataques foi morto por volta das 5 horas de hoje, após disparar contra a polícia no distrito de Norrebro.

Organização terrorista Estado Islâmico divulga video com decapitações em massa de cristãos egípcios


O grupo extremista Estado Islâmico divulgou, neste domingo (15), um vídeo onde exibe a decapitação de 10 homens identificados como cristãos coptas egípcios que teriam sido capturados na Líbia. No vídeo, os prisioneiros aparecem vestidos com roupas laranjas, ajoelhados e algemados com as mãos para trás. Em seguida, eles são decapitados pelos extremistas. Além das imagens da execução, o vídeo traz a informação de que é "uma mensagem assinada com sangue para a nação da cruz" e que é dirigida aos "seguidores da hostil igreja egípcia". Na última edição da revista eletrônica mantida pelos terroristas do Estado Islâmico, o grupo anunciou que havia capturado 21 cristãos coptas egípcios. 

A sibatização do PT


A falta de diálogo não é o único problema do governo. Além do bate-cabeça do Palácio do Planalto na defesa de suas ações e projetos, a presidente Dilma Rousseff enfrenta dificuldades com a bancada de seu partido, o PT, que não demonstra a mesma combatividade dos tempos em que era oposição. Levantamento realizado pelo GLOBO aponta que, dos 64 deputados petistas da atual legislatura, apenas três eram deputados antes da chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder, em 2002, e outros 21 - um terço da bancada - estão em primeiro mandato. A ampla maioria dos parlamentares é totalmente desconhecida de Dilma, que nunca teve uma atuação partidária intensa no PT. Entre os remanescentes da época que o partido combatia o governo de Fernando Henrique Cardoso, o mais experiente é Arlindo Chinaglia (SP), que está em seu sexto mandato e já presidiu a Câmara. Henrique Fontana (RS) exerce o quinto mandato. Ele já foi líder do governo e relator de uma das propostas de reforma política. Luiz Sérgio (RJ), também no quinto mandato, foi ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) por um breve período e líder da bancada. A ex-governadora Benedita da Silva (RJ), no quarto mandato como deputada, foi senadora antes de Lula chegar à Presidência. A maior parte da bancada petista se dedica mais às questões paroquiais e temas sociais, como Educação, reforma agrária e direitos humanos, do que ao enfrentamento político propriamente dito. Poucos têm atuação partidária em nível nacional. Entre os 21 novatos, há aqueles que chegam sem ter relação alguma com a vida partidária e do governo, caso do ex-presidente do Corinthians André Sanchez. Embora filiado ao partido desde 1981, ele não participava das reuniões do diretório, por exemplo. Na primeira reunião da bancada, na véspera da eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara, Sanchez ficou quieto num canto e era praticamente ignorado pelos companheiros. - O momento para o governo é muito difícil. Acredito que isso obrigará nossa bancada a amadurecer rapidamente - disse um parlamentar. A defesa do governo é feita por um número reduzido de parlamentares como Chinaglia e Fontana, Paulo Teixeira (SP), Vicente Cândido (SP), Maria do Rosário (RS), Alessandro Molon (RJ), José Mentor (SP), Carlos Zarattini (SP), Reginaldo Lopes (MG), Zé Geraldo (PA), Vicentinho (SP) e os líderes do partido Sibá Machado (AC) e do governo, José Guimarães (CE).


Sibá foi senador na vaga de Marina Silva - ele era seu suplente - e, em 2010, se elegeu deputado. A atuação sempre foi discreta, mas cresceu na CPMI da Petrobras no ano passado. Ele é um dos "pit bulls", aquele tipo de parlamentar que, nas CPIs, fazem de tudo para defender o governo. Afonso Florence (BA), que foi ministro de Desenvolvimento Agrário de Dilma, é outro nessa linha. O líder do PT diz que não vê problemas em ter uma bancada com tantos estreantes. Ele afirmou que o partido quer o diálogo, mas está preparado para o "bateu, levou". - Esse medo (de ter muitos novatos) já passou. Até dezembro, não conhecíamos de perto todos os que vieram para a Câmara, mas o mais bobo chegou até aqui, não é? Apesar de estrearem na Câmara, a maioria tem experiência nos estados. Estamos preparados para defender o governo. Queremos o diálogo, mas, se não houver condições, será na base do "bateu, levou". Estaremos pintados para a guerra, embora o objetivo seja buscar sempre o diálogo - disse. No Senado, na bancada de 14 parlamentares não há ninguém que tenha vivido os tempos de oposição na Casa. Quatro só chegaram lá neste semestre: Donizete Nogueira (TO), Fátima Bezerra (RN), Paulo Rocha (PA) e Regina Sousa (PI). Rocha é considerado um quadro do PT e deverá ter uma ação mais enfática em defesa do governo. Também é considerado um bom negociador. Dos senadores com mais de um mandato, só o líder do partido, Humberto Costa (PE), Gleisi Hoffmann (PR) e Walter Pinheiro (BA) são ponta de lança do governo. Alguns, como Marta Suplicy (SP) e Lindbergh Farias (RJ), são críticos ao governo. Os outros não têm afinidade com o microfone para defender o Palácio do Planalto.


Em fraude milionária, gestora do Postalis altera preço de títulos com tinta corretora
Fundo de pensão dos Correios perde R$ 68 milhões com esquema
POR GABRIELA VALENTE
15/02/2015 6:00 / ATUALIZADO 15/02/2015 8:22

Uma das maiores fraudes de fundos de pensão no país foi montada até com a falsificação de documentos de forma grosseira. Relatórios da Securities and Exchange Comission (SEC, a xerife do mercado financeiro americano) obtidos pelo GLOBO mostram que ao menos seis papéis de instituições financeiras na carteira do Postalis (fundo de pensão dos Correios) tiveram o valor adulterado com tinta corretora ou com um simples “corta e cola” nos processos digitalizados. A fraude, feita entre 2006 e 2009, detalhada nos relatórios da SEC, chega a US$ 24 milhões (R$ 68 milhões). Os responsáveis são sócios da Atlântica Asset Managment, gestora contratada pelo Postalis para investir o dinheiro dos carteiros em títulos da dívida brasileira no exterior. As fraudes geraram prejuízos milionários ao fundo de pensão e começaram a ser desvendadas no ano passado. O caso ganha contorno ainda mais complexo, já que o Postalis havia contratado o Bank of New York Mellon para exercer a função de administrador e fiscalizar o trabalho de gestores, entre eles, a Atlântica. Agora, cobra o banco americano na Justiça pelas perdas. O Postalis é o maior fundo de pensão em número de participantes do país — 196 mil. E contrata gestores para decidir como investir os recursos dos contribuintes. Um deles foi a Atlântica Asset Managment, que passou a aplicar recursos em notas estruturadas, um papel bem mais arriscado do que os títulos soberanos. Além disso, a gestora fraudou as notas de forma primária, para elevar os valores e desviar recursos do Postalis. O uso do líquido corretor escolar só foi possível porque o sistema financeiro americano não é tão eficiente quanto o brasileiro: até grandes operações são fechadas e liquidadas por fax. À Justiça da Flórida, a SEC explicou o artifício criado pela Atlântica e detalhou as ações do responsável pela empresa, Fabrízio Neves, e de seu parceiro José Luna. Os papéis eram vendidos para a LatAm, outra empresa controlada pelos dois, remarcados (às vezes em mais de 60%) e revendidos a empresas em paraísos fiscais. Entre elas, a offshore Spectra, que tinha como beneficiário Alexej Predtechensky (conhecido como Russo), então presidente do Postalis. A fraude ocorria no trajeto dos papéis. “Em pelo menos seis casos, Neves e Luna esconderam o esquema (...) alterando os term sheets (documento-base com os principais termos e condições para efetivar uma transação) entregues para a LatAm por emitentes das notas, seja inflando o preço original, ou removendo informação do preço. Neves dizia a Luna quais preços usar, verificava o preço do term sheet alterado, e aprovava as alterações antes de Luna enviá-las aos representantes dos fundos brasileiros. Luna usou líquido corretor escolar ou o eletrônico ‘corta e cola’ para mudar ou omitir as informações sobre o preço original dos term sheet”, diz o texto da SEC. O GLOBO não conseguiu entrar em contato com Neves e Luna. Após as fraudes virem à tona, o Postalis interpelou o BNY Mellon na Justiça para rever os valores, com o argumento que o banco é o responsável pela fiscalização dos investimentos. O GLOBO teve acesso ao contrato fechado entre o banco e o fundo de pensão. No documento, o BNY Mellon diz ter métodos eficientes de controle das transações feitas com recursos de clientes. Com base nessa premissa, o fundo dos carteiros conseguiu na Justiça o bloqueio de R$ 250 milhões do patrimônio do banco americano. O BNY Mellon é acusado pelo Postalis de gerir de forma “ruinosa” o dinheiro dos aposentados da estatal. Ao todo, o fundo teve perdas de nada menos que R$ 2 bilhões nos últimos dois anos.
FUNDO PASSA POR AUDITORIA
Para a Justiça brasileira, o banco argumentou que não teria como evitar a fraude, porque ela foi promovida pela ex-diretoria do Postalis, que conhecia mecanismos para burlar o sistema e evitar o controle da administradora. Ao GLOBO, o BNY Mellon disse que detectar ações fraudulentas desta natureza vai além do escopo de suas responsabilidades, especialmente quando foram propositalmente escondidas. “O fato de o gestor do fundo em questão ter saído do mercado local desta maneira e usar uma terceira parte para esconder suas ações indica que nós não fomos cúmplices ou responsáveis de forma alguma pela alegada fraude”, disse, em nota. O BNY se refere à Atlântica. O escritório foi fechado, segundo fontes a par das investigações, e Fabrízio Neves vive, hoje, fora do país. O banco lembra que o ex-presidente do Postalis Alexej Predtechensky é apontado por autoridades americanas como um dos responsáveis pelos crimes. Ele presidiu o fundo por seis anos e deixou o cargo em 2012. Procurado pelo GLOBO, não retornou as ligações. Para o Postalis, o BNY Mellon foi omisso. O fundo insiste que o banco tinha condições de detectar a fraude. E alega que não participou diretamente das operações, “cuja legalidade, autenticidade e confiabilidade estavam a cargo da BNY Mellon”. Mesmo com os ânimos acirrados na Justiça, o banco americano detém o poder sobre os investimentos do Postalis. Na segunda cláusula do contrato com o fundo, o texto diz que a instituição tem exclusividade no serviços de negociação dos ativos do Postalis. A cláusula é considerada usual por integrantes do mercado, mas foi a primeira vez que o Postalis assinou esse tipo de contrato. O banco deveria avisar o Postalis em 48 horas em caso de risco excessivo. Se os gestores não atendessem às notificações, o banco tinha de liquidar as operações que não estavam de acordo com as regras. Pelos serviços, o banco recebeu R$ 11,9 milhões desde 2011. Acionado pelo Postalis, o Banco Central não concluiu a fiscalização sobre a responsabilidade do BNY Mellon nas fraudes. Procurada pelo GLOBO, a SEC não se manifestou. A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) promove uma auditoria no Postalis e cogitou intervir no fundo, mas, segundo fontes, desistiu por ver sinais de que a nova diretoria está empenhada em recuperar as perdas. Em nota ao GLOBO, a Previc ressaltou que a responsabilidade pela gestão dos planos é dos dirigentes das entidades e a contratação de serviços especializados não os exime de suas responsabilidades. 

Crise política e econômica expõe divisão no "núcleo duro" do 2º mandato de Dilma

Divergências sobre como enfrentar as turbulências na política e na economia marcaram, nos últimos dias, as reuniões da presidente Dilma Rousseff com o “núcleo duro” do Palácio do Planalto. Apelidado de “G6”, o grupo é composto por seis ministros do PT que tentam, ainda sem sucesso, encontrar uma estratégia para Dilma romper o cerco político, sair das cordas e driblar o pessimismo com o governo. O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, é o maior alvo de críticas e fogo amigo no G6, no PT e na base aliada. Em conversas reservadas, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atribui a Mercadante o fracasso da articulação política do Planalto e a rota de colisão do PT com o PMDB. A eleição para o comando da Câmara foi um dos episódios da temporada de divisões do G6, que, além de Mercadante, abriga Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência), Pepe Vargas (Relações Institucionais), Jaques Wagner (Defesa), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Ricardo Berzoini (Comunicações). 


Enquanto Vargas, um dos responsáveis pelas negociações com o Congresso, defendia desde o início um acerto com Eduardo Cunha para não isolar o PT na composição da Mesa Diretora da Câmara, Mercadante não queria acordo “prévio” com o peemedebista. O governo apostou as fichas em Arlindo Chinaglia (PT-SP) e perdeu. Para o ex-presidente Lula, a estratégia de confronto adotada pelo Planalto foi “um desastre”. Logo após assumir, Eduardo Cunha impôs uma derrota atrás da outra a Dilma – da criação de uma nova CPI da Petrobrás ao Orçamento impositivo, que obriga o governo a executar emendas parlamentares e reduz seu poder de barganha na relação com o Legislativo. Desafeto do Planalto, o presidente da Câmara também não dá trégua por acreditar que Mercadante esteja patrocinando a criação de novos partidos, como o PL – organizado pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD) –, para enfraquecer o PMDB. Ele nega. 


Os gabinetes de Mercadante, Vargas e Rossetto estão localizados no 4º andar do Planalto, já batizado de “faixa de Gaza” por ser uma zona de conflitos, muitas vezes abafados. Embora esteja fora do Planalto, o titular da Defesa, Jaques Wagner, também ajuda na negociação com o Congresso e entrou na linha de tiro. Mercadante e Wagner são vistos no PT como o “plano B” para a sucessão de Dilma, em 2018, caso Lula, o candidato natural, não queira ou não possa concorrer por questões de saúde. Nos bastidores, até petistas dizem que os dois travam uma disputa velada, com luvas de pelica, pelo coração de Dilma. “Se Lula quiser ser candidato a qualquer coisa, terá o meu apoio. Isso tudo é bobagem. Eu já cumpri minha missão e não vou concorrer a mais nada, se não houver reforma política e se as regras de financiamento de campanha não mudarem”, repete Mercadante, como mantra, sempre que é questionado sobre o seu interesse na eleição de 2018. “Não existe essa disputa”, garante Wagner. Dilma está mais irritada com os “vazamentos” das discussões de seu grupo de conselheiros do que propriamente com as divergências entre os auxiliares, que vão da forma de tratar o PMDB e a base aliada ao tamanho do ajuste fiscal. Com amigos no movimento sindical, Rossetto, Vargas e Berzoini, por exemplo, avaliam que é possível amenizar o texto da medida provisória que endurece o acesso a benefícios trabalhistas, como o seguro-desemprego. Mercadante e Wagner acham que nem tanto. “O ajuste é um pit stop para abastecer o carro, acertar a máquina e arrancar de novo”, comparou Wagner. No PT, o chefe da Casa Civil é apontado ironicamente como o mentor do “sequestro” de Dilma, após as denúncias de corrupção na Petrobrás. Lula disse à presidente, na quinta-feira, que a tática do silêncio está errada. “Você precisa sair do gabinete, Dilminha”, insistiu ele. O estilo mandão de Mercadante tem se chocado com o de Rossetto, que só admite ordens da própria Dilma. Os dois já se estranharam algumas vezes e bateram boca no fim do primeiro mandato. À época, o titular da Casa Civil organizava a demissão coletiva dos ministros e pediu que Rossetto, então no Desenvolvimento Agrário, apresentasse sua carta para deixar a presidente à vontade para a troca do time. Rossetto respondeu que só obedecia a Dilma. Pouco antes da festa dos 35 anos do PT, no dia 6, em Belo Horizonte, uma reunião do G6 escancarou outro racha: a conveniência de Dilma ir ou não àquele ato. Na véspera, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, havia sido levado pela Polícia Federal para depor no inquérito que apura a corrupção na Petrobrás. A notícia “vazada” dava conta de que Mercadante era contra a ida de Dilma à capital mineira porque alegava ser preciso preservar a imagem dela, impedindo que a imprensa a associasse a Vaccari, presente à festa. O ministro divulgou nota negando a informação. Depois disso, circularam rumores de que Rossetto, e não Mercadante, teria sido o autor das ponderações feitas a Dilma. Questionado, Rossetto respondeu: “Pelo amor de Deus! Não é possível uma coisa dessas!” O fogo amigo promete continuar.

Vice-presidente é o principal articulador da mudança eleitoral

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), articula a discussão e aprovação do “voto distritão” com partidos da base e adversários. Para ele, a parcela do PT contrária à proposta pode ser convencida a mudar de idéia por meio de “intenso diálogo” ou então ser derrotada pela maioria do Congresso no voto. Se vingar, a idéia mudaria o atual sistema de eleger deputados federais, que é proporcional. Com a mudança, seriam eleitos para a Câmara os candidatos mais votados em seus Estados, assim como ocorre na disputa para senadores e cargos do Executivo.  


O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP) já conversou com o ministro das Cidades e presidente do PSD, Gilberto Kassab, com o deputado federal Miro Teixeira (PROS-RJ), com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e com o senador José Serra (PSDB-SP). Segundo ele, todos são a favor de afinar projetos para propor o “distritão”. Também afirmou que deve conseguir o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para a causa. “Sinto que hoje há uma receptividade muito grande para realizar a reforma política e, dentro dessa reforma, o tema principal é exatamente o sistema de eleição. Há ambiente, estou sentindo”, afirmou o vice-presidente, que na edição de ontem do Estado publicou artigo defendendo o novo modelo. Defensor da reforma política e da mudança no modo de eleger os deputados federais desde quando era membro da Câmara, Temer afirma: “O povo não entende como um sujeito que teve 300 votos chega à Câmara dos Deputados e quem teve 120 mil fica fora. Quando você explica a nova ideia, as pessoas entendem e aderem imediatamente”. Embora pareça simples, é um item polêmico da reforma política. Uma grande parcela do PT é resistente à proposta e propõe o “voto em lista”, que significa que cada coligação ofereceria ao eleitor uma relação com os nomes dos candidatos da aliança e caberia ao eleitor votar em uma dessas listas. Na visão de petistas, isso permitira o fortalecimento dos partidos. Para romper essa resistência, Temer defende gastar saliva. “Acredito que depende de diálogo. À medida que haja essa compreensão popular, vai ficar mais fácil de convencer o partido.” Entretanto, caso o PT ainda se oponha à proposta, ele aposta em derrotar o aliado em votação.  “Fala-se muito na eliminação das coligações partidárias. Se adotar o voto majoritário, seus partidos não vão fazer mais coligação na proporcional, porque não há interesse. E em vez de lançar 105 candidatos, como fizemos em SP, para obter o quociente eleitoral, lançaria dez. Com isso, a pregação durante a campanha torna-se mais programática e não essa de puxador de voto”, argumenta Temer. O vice-presidente defende mudanças também para a eleição de parlamentares regionais: “No caso dos deputados estaduais e dos vereadores em municípios com mais de 200 mil eleitores, por exemplo, eu optaria pela fórmula do distrital misto; ou seja, metade seria eleita pelo voto majoritário, sem quociente eleitoral, e a outra metade pelos distritos (subdivisões regionais dentro de um Estado ou município)".

Eduardo Cunha mudou eixo do poder para o Congresso


A presidente petista Dilma Rousseff entrou em pânico, e correu para pedir arrego a Lula, após concluir que o novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dez dias após assumir o cargo, mudou o “eixo do poder” para o Legislativo, retirando do Executivo a primazia de iniciativas políticas importantes. De Lula, ela ouviu queixas sobre várias suas escolhas e principalmente de sua desarticulada área de “articulação política”. Na conversa com Dilma, Lula detonou Aloizio Mercadante, que para ele sequestrou o governo, e disse achar inútil Pepe Vargas na Articulação. Papeando com políticos aliados, Lula usou até mímica para ridicularizar o trio de “articuladores” Mercadante, Miguel Rossetto e Pepe Vargas. As criticas de Lula ao governo foram reiteradas a Dilma na conversa entre os dois. Como ter sido alijado da escolha dos novos ministros. Eduardo Cunha ordenou que nenhum deputado seja barrado no seu gabinete. Quer portas abertas para governistas e oposicionistas, sem distinções.

Tiroteio perto de sinagoga em Copenhague deixa 3 feridos

Um tiroteio perto de uma sinagoga no centro de Copenhague deixou três pessoas feridas, entre elas dois policiais, informou neste domingo (horário local) a polícia da Dinamarca. Segundo a emissora de televisão pública DR, a estação central de trem e metrô de Noerreport estava sendo evacuada pela polícia. "No tiroteio, uma pessoa foi alvejada na cabeça e dois policiais foram atingidos no braço e na perna, respectivamente", comunicou a polícia na madrugada. O autor dos disparos, conforme a suspeita dos policiais, fugiu a pé do local, usando calças e sapatos pretos e uma jaqueta colorida. Segundo as autoridades, ainda não é possível dizer se o tiroteio está ou não relacionado com o atentado terrorista perpetrado horas contra um café da cidade que promovia um debate sobre fanatismo religioso e liberdade de expressão, que terminou com um morto e três policiais feridos. O evento prestava uma homenagem às vítimas do atentado contra o semanário satírico Charlie Hebdo e contou com a presença do embaixador francês na Dinamarca, François Zimeray, e do cartunista sueco Lars Vilks, ameaçado de morte por muçulmanos em 2007 por ter retratado o profeta Maomé como um cachorro. Zimeray e Vilks saíram ilesos do ataque deste sábado.