sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Paulo Roberto Costa, o "porquinho" José Eduardo Cardozo e a sem-vergonhice institucionalizada

Paulo Roberto Costa disse em depoimento que não foi o único diretor da Petrobras a receber propina. Taí uma coisa em que acredito. De resto, isso já está dado, não é? Todos sabemos que há outros. E eu vou mais longe, e é este o ponto que me interessa: que razão haveria para o esquema vigorar apenas na Petrobras? Não se está diante de um desvio, mas de um método. O que me incomoda na tese do Ministério Público Federal, que sustenta a formação de cartel de empreiteiras? A suposição de que elas decidiram se unir para fraudar contratos com a Petrobras. Não! O que se viu na estatal é um modelo de relação do estado com o setor privado. E quem dá as cartas e tem o monopólio da aplicação da lei é esse estado. Isso tem história e até resquícios de teoria política. Não duvidem de que existem alguns “magos” do pensamento que acham que é assim mesmo que se faz: eles estariam apenas usando de algumas fissuras morais do “sistema” para poder implementar a sua nova ética. Coisa, em suma, de canalhas. E, claro, em meio aos ladrões que se ancoram numa, vá lá, ideologia, há os batedores de carteira de sempre, já que a bandidagem sabe reconhecer os seus iguais, ainda que estes aleguem outros propósitos. Reportagem da mais recente edição da VEJA, que já está nas bancas, demonstra que José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, começou a se mexer nos bastidores para garantir às empreiteiras que tudo se acalma a partir do Carnaval. E essa garantia foi dada muito especialmente ao advogado Sérgio Renault, defensor da UTC. O dono da UTC é Ricardo Pessoa, acusado de ser o coordenador de um certo “Clube das Empreiteiras”. É amigo pessoal de Lula e considera que foi jogado às cobras. Num manuscrito, deixou claro que a natureza do jogo é mesmo a política e sugeriu que as empreiteiras investigadas foram francas colaboradoras da campanha de reeleição de Dilma. 
A promessa de paz
Nos bastidores, corredores e porões de Brasília, afirma-se que, depois do Carnaval, sai a lista dos políticos. Segundo essa versão, passada adiante também por Cardozo (como é que ele sabe?), alguns nomes graúdos da oposição apareceriam envolvidos na lambança. Isso criaria a união necessária para que todos tentem se salvar, não fazendo virar o barco. Na conversa com Renault, Cardozo entendeu que Pessoa não está disposto a servir de boi de piranha. O ministro da Justiça também saiu agora a botar sob suspeição a investigação, indagando por que ela não abarca os anos FHC, já que pelo menos um delator premiado, Pedro Barusco, afirma ter começado a receber propina em 1997. Bem, é possível que sim. Mas vamos ver: Barusco era um quadro técnico. Em boa parte dos países, quando as empresas decidem comprar almas, procuraram esses cargos intermediários. Parece que foi o que aconteceu com o tal gerente, lá nas priscas era. No Brasil, em razão do modelo — essa estrovenga que chamam “presidencialismo de coalizão” —, os políticos é que têm a primazia. Notem: não serei eu a criminalizar a política. Cardozo tem todo o direito de achar que a presidente é inocente ou que defensores do impeachment padecem de “problema psicológico”. Articular, no entanto, uma linha de defesa, envolvendo os réus, bem, aí já é a esculhambação completa. Mas eu não esperava dele nada diferente. Ninguém recebe o carinhoso apelido de um dos “Três Porquinhos”, como Dilma o chamou (os outros eram Antonio Palocci e José Eduardo Dutra), porque goste, vamos dizer, de ambientes assépticos. Por Reinaldo Azevedo

Na nova CPI da Petrobras, todos contra o PT


Após ganhar a presidência da Câmara, de colocar na presidência da comissão especial da reforma política um representante do DEM e de escolher como líder um deputado que fez campanha para Aécio Neves (PSDB), o PMDB se prepara para impor mais uma derrota ao PT. À frente do bloco com o maior número de parlamentares na Casa, o partido pretende ter não só o presidente da CPI da Petrobras, mas também indicar para a relatoria um aliado não petista. Três parlamentares do bloco do PMDB (SD, PP, PTB, PSC, PHS, PEN, PRB, PTN, PRP, PSDC, PRTB) confirmaram negociações nesse sentido. "Somos o maior bloco, e a relatoria deve ficar conosco também", afirmou. Os peemedebistas já conversam com as outras siglas para ver quem aceitaria a missão. O PP, embora com bancada de 40 deputados, deve sair do páreo porque foi citado como beneficiário do esquema criminoso investigado na Operação Lava-Jato. O PTB é uma possibilidade, mas o líder Jovair Arantes (GO) nega que isso esteja em pauta. O PT, no entanto, não está disposto a abrir mão facilmente da relatoria. O líder Sibá Machado (AC) avisou que lutará para que seu partido tenha lugar de destaque na CPI: "Vamos lutar para ficarmos com a relatoria. O PT não abre mão". Após uma semana agitada na Câmara com a aprovação de medidas indigestas para o governo, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), resumiu ontem numa frase suas atitudes neste início da gestão dele. Entre as medidas que desagradaram ao governo estão a aprovação do orçamento impositivo e o convite aos 39 ministros de Dilma para que prestem esclarecimentos aos deputados. Para ele, o governo não tem motivos para reclamar. "Não sei se o governo gostou ou não gostou. Mas também não estamos lá para agradar ou desagradar a quem quer que seja", afirmou.

Delator Paulo Roberto Costa confirma que recebeu propina pela compra da Refinaria de Pasadena


O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, o delator Paulo Roberto Costa, confirmou hoje (13), em depoimento prestado à Justiça Federal em Curitiba, que recebeu propina do empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Segundo Paulo Roberto Costa, os pagamentos ocorreram no contrato de compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e em contratos da Andrade Gutierrez, que também participava do cartel de empreiteiras. Segundo o ex-diretor, grande parte dos pagamentos foram feitos em contas no Exterior e valores menores foram pagos no Brasil. Paulo Roberto Costa afirmou que Fernando Soares foi apresentado a ele pelo ex-diretor da Área Internacional da estatal, Nestor Cerveró. O ex-diretor também confirmou que recebeu propina do ex-consultor da Toyo Setal, Júlio Camargo, pelos contratos da Petrobras com a empresa. Paulo Roberto Costa declarou ainda que Julio Camargo tinha um ” bom relacionamento e conhecia bastante” o doleiro Alberto Youssef. Sobre Cerveró, o ex-diretor disse que não sabe se ele recebeu propina do doleiro. O advogado Nélio Machado, que representa Fernando Soares, participou da audiência e negou que o empresário tenha feito os pagamentos indevidos. Paulo Roberto Costa foi ouvido na ação penal em que o ex-diretor da Área Internacional da estatal, Nestor Cerveró, e o empresário Fernando Soares, são réus. Ele teria direito de ficar em silêncio, mas foi obrigado a responder as perguntas por ter assinado acordo de delação premiada.

MINISTÉRIO DA FAZENDA DIVULGA NOTA NEGANDO CONFISCO DA POUPANÇA

 

O Ministério da Fazenda divulgou uma nota à imprensa, nesta sexta-feira, negando rumores sobre um possível confisco da poupança ou de outras aplicações financeiras. Nos últimos dias, mensagens afirmando que haveria um plano de confisco de recursos aplicados na poupança começaram a circular em redes sociais como Whatsapp e Facebook. Questionado sobre o que motivou a nota, o Ministério da Fazenda disse que o órgão e a Caixa Econômica Federal identificaram um fluxo muito grande no Twitter e no WhatsApp de mensagens sobre confisco na poupança e, por isso, resolveram se posicionar para estancar o boato.

Morre em Minas Gerais o cirurgião plástico que mudou o rosto do terrorista Carlos Lamarca na ditadura militar

Conhecido como o cirurgião plástico que mudou o rosto do terrorista Carlos Lamarca (1937-1971), o médico Afrânio Marciliano de Freitas Azevedo morreu aos 74 anos no início da tarde desta sexta-feira (13), em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Segundo o Hospital Santa Catarina, Azevedo chegou a dar entrada no local com parada cardiorrespiratória. Discípulo de Ivo Pitanguy e comunista na juventude, o médico fez a cirurgia em Lamarca em 1969. Na época, o terrorista já era desertor do Exército – onde chegou ao posto de capitão – e procurado por todo o País pelos militares durante a ditadura de 1964-85.


Sobre a cirurgia, Azevedo contou no ano passado que foi convidado para operar Lamarca sem saber de quem se tratava, mas que acabou lucrando depois com a operação: "Fiquei famoso com o caso e ganhei muito dinheiro operando desde artistas da Bossa Nova até mulheres e familiares de generais e militares". Pela cirurgia, o médico acabou preso. Ficou 73 dias detido, mas disse que não foi torturado, provavelmente porque o pai de sua mulher era general e atuava na época no Ministério da Guerra. A prisão e a publicidade do caso acabou originando o apelido de "Cirurgião do Terror", expressão que ele não considerava pejorativa.

O então capitão Carlos Lamarca (à dir.) durante treinamento com fuzil no quartel de Quitaúna, na Grande São Paulo
Apesar da mudança no rosto, Lamarca, que liderou a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) – uma das organizações clandestinas contra o governo militar –, acabou morto durante perseguição no interior da Bahia, em 1971. Nascido em Uberlândia, Azevedo estudou na Faculdade Nacional de Medicina da Praia Vermelha, hoje UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), militou na UME (União Metropolitana dos Estudantes) e participou de movimentos contra ditadura. O cirurgião morava em Uberlândia, onde foi secretário de Educação de três prefeitos de partidos diferentes: Virgílio Galassi (1989-1992), do PDS; Paulo Ferolla (1993-1996), PTB; e Odelmo Leão (2005-2012), PP. 

Itália, Alemanha e Arábia Saudita fecham embaixadas no Iêmen

Itália, Alemanha e Arábia Saudita anunciaram nesta sexta-feira, 13, o fechamento temporário de suas embaixadas no Iêmen devido à recente onda de violência no país, onde a Al-Qaeda tem forte presença. A decisão dos dois países ocorreu após medidas semelhantes de França, Grã-Bretanha e Estados Unidos. O Ministério das Relações Exteriores da Itália disse, em um comunicado, que o embaixador e sua equipe estavam voltando para o país europeu. O governo também expressou esperança de que a mediação feita pelo enviado americano Jamal Benomar deve criar condições para permitir que a embaixada seja reaberta. Em Berlin, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Sawsan Chebli, afirmou que a equipe deixou o Iêmen nesta sexta-feira. A embaixada saudita se uniu ao restante dos países do Golfo, que fecharam suas embaixadas e retiraram seus funcionários semanas atrás. Um funcionário de segurança disse que o embaixador saudita e parte dos funcionários deixaram o país nesta sexta-feira. Em janeiro, insurgentes do movimento Houthi mantiveram presos em seus domicílios o presidente Abdu Rabbo Mansur Hadi e sua equipe ministerial, resultando em suas renúncias. Em seguida, os houthis dissolveram o parlamento e declararam que estavam assumindo o governo. 


Autoridades de segurança iemenitas informaram que um carro-bomba atingiu um quartel da polícia, mas não houve relatos imediatos sobre vítimas. Os explosivos foram detonados na frente da sede da segurança na cidade de Bayda nesta sexta-feira. Os funcionários falaram sob condição de anonimato porque não estavam autorizado a discutir o tema com jornalistas.

Ministro do TCU vê "negligência" de Dilma e ex-conselheiros no caso da compra da refinaria de Pasadena

O ministro André Luís de Carvalho, do Tribunal de Contas da União (TCU),  argumenta que a presidente Dilma Rousseff e outros ex-integrantes do Conselho de Administração da Petrobrás descumpriram a Lei das Sociedades por Ações (6.404/1976) ao aprovar, em 2006, a compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). O ministro é autor de proposta para que o tribunal reavalie o papel do conselho na polêmica aquisição. Para Carvalho, os membros do colegiado falharam ao não fiscalizar adequadamente a gestão dos diretores da empresa no negócio, estando, por isso, sujeitos a responder por "negligência, imperícia ou imprudência". Entre esses está incluído o barão do aço brasileiro, o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, que há mais de 20 anos patrocina um programa de qualidade na administração pública. 


Em julho, a corte de contas decidiu responsabilizar apenas executivos da Petrobrás por perdas de US$ 792 milhões e excluiu, a priori, os conselheiros. Mas abriu possibilidade de uma nova análise, caso surjam novos elementos para implicá-los. Conforme a legislação, aplicável a empresas como a Petrobrás, o Conselho de Administração deve "fiscalizar" a atuação dos diretores, além de "examinar, a qualquer tempo, os livros e papéis da companhia, solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração, e quaisquer outros atos. O texto prevê punições por danos causados por omissão ou atos praticados por culpa ou dolo (quando há intenção). Em 2006, Dilma era ministra da Casa Civil e presidente do conselho da estatal quando os integrantes deram aval para a compra dos primeiros 50% da refinaria. Em março do ano passado, a presidente afirmou que só votou a favor da compra porque se baseou num parecer "falho" e "incompleto", do então diretor Internacional, Nestor Cerveró. Porém, ela e os demais membros do colegiado tinham acesso a toda a documentação do negócio, na qual constavam dados completos. Nas defesas apresentadas ao TCU, alguns executivos, como o ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli, alegam que conselheiros tiveram tanta ou mais responsabilidade ao dar aval para o negócio. Na última quarta-feira, ministros do TCU discutiram a inclusão do caso do conselho em plenário, a pedido de André Luís, mas preferiram não votar o assunto, considerado complexo, antes de uma análise da área técnica e deles próprios. Eles acordaram que o assunto seja pautado para uma sessão futura. A proposta foi, então, formalizada num documento pelo ministro. O TCU apontou em julho prejuízo de US$ 792 milhões na compra de Pasadena. Após a análise de recursos, concluída na quarta, a corte definiu que 14 ex-dirigentes da Petrobrás responderão a um processo que visa a confirmar responsabilidades por danos ao erário - dez deles tiveram os bens bloqueados. Em depoimentos prestados em regime de delação premiada, o ex-diretor da área de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, admitiu ter recebido propina de US$ 1,5 milhão para não atrapalhar a aquisição. Cerveró, um dos principais responsáveis pelo negócio, está preso, acusado de participar do esquema de corrupção na estatal.

Oposição planeja pedir quebra de sigilo bancário do bandido petista mensaleiro José Dirceu na CPI da Petrobras

Mal a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás foi criada na Câmara dos Deputados, a oposição já prepara uma lista de pedidos e convocações que serão protocoladas depois do Carnaval, quando a comissão será instalada. Nesta sexta-feira, 13, o PPS informou que pedirá a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu e das empresas em que atua como sócio.  O anúncio do PPS ocorre após o depoimento do doleiro Alberto Youssef, em que ele acusa o bandido petista mensaleiro José Dirceu e o ex-ministro e "porquinho" petista Antonio Palocci de serem "as ligações" do lobista e operador de propina na Petrobrás Júlio Camargo com o PT. O líder da bancada na Câmara, Rubens Bueno (PR), disse esperar que o PT não crie obstáculos à aprovação do pedido. "Seria uma chance de ele provar que, dessa vez, não é o chefe da quadrilha", provocou em nota. O deputado disse que o partido já tem pronto os pedidos de quebra de sigilo de todas as empreiteiras e empresas fornecedoras da Petrobras que foram alvo da Operação Lava Jato. O partido vai protocolar os requerimentos de convocação e a quebra dos sigilos do tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, e do ex-diretor de serviços da estatal, o petista Renato Duque. O PSDB também prepara requerimentos à CPI e um dos primeiros alvos é o novo presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine. O tucano Otávio Leite (RJ) pedirá a convocação de Bendine e da direção da Alumini Engenharia, responsável pelas obras do Comperj.

DEPOIS DOS 40% DE JANEIRO, TARIFAS DE LUZ DA CEEE SUBIRÃO DE NOVO (30%) NO DIA 13 DE MARÇO

Os consumidores da CEEE não viram tudo depois que receberam as contas de janeiro com aumento de 40% nas contas de luz. No dia 13 de março serão mais 30%. O consumidor pode debitar tudo isto à incompetente política pública de preços administrados do governo Dilma Roussef.

Crise energética em ponto máximo exige o funcionamento da usina térmica de Uruguaiana gerando 500 mw, quase sua capacidade máxima

A Usina da AES de Uruguaiana, movida a gás, a maior do Brasil, passou a operar nesta sexta-feira perto de sua capacidade máxima, gerando 500 MW. Isto mostra o tamanho da crise energética deste momento. A usina recomeçou a operar há uma semana, porque o governo federal conseguiu convencer o governo argentino a liberar o desembarque de gás nigeriano em Baía Blanca. De lá o insumo vai até Uruguaiana por gasoduto. Há oito anos a usina não operava com carga máxima das suas duas turbinas. A capacidade instalada da usina térmica de Uruguaiana é de 649 megawatts.

Petroquímica Braskem desiste de projeto no Comperj

A petroquímica Braskem concluiu estudos sobre a adição de capacidade produtiva no Rio de Janeiro e decidiu pela expansão de sua produção no município de Duque de Caxias, desistindo por ora do projeto no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). O projeto da Braskem no Comperj previa a construção de uma unidade petroquímica na cidade de Itaboraí, mesmo local onde a Petrobras constrói uma refinaria de petróleo. Porém, uma decisão vinha sendo adiada pela Braskem, cuja idéia era utilizar o gás do pré-sal como matéria-prima para alimentar o complexo petroquímico. Segundo o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, a companhia identificou que haveria maior taxa de retorno ampliando a produção do parque atual em Duque de Caxias do que se a companhia iniciasse uma nova unidade do zero. "Havendo matéria-prima, o melhor uso é primeiro aproveitando o parque industrial existente em Duque de Caxias, antigamente chamado Rio Pol, e somente depois disso faria sentido avançar em um projeto 'greenfield' em Itaboraí", afirmou.


A Petrobras anunciou no final de janeiro que passou a revisar o cronograma de construção do Comperj e da Refinaria do Nordeste (Rnest), em Pernambuco, como um dos efeitos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Segundo a Braskem, o avanço dos planos da companhia para ampliar as instalações em Duque de Caxias dependerá da viabilização de um contrato de longo prazo para o fornecimento de matéria-prima pela petroleira: "Não é que ele (projeto do Comperj) não existe mais. Em algum lugar os estudos estão arquivados. Talvez num futuro faça sentido econômico, mas nosso empenho é mais para crescimento de capacidade em Duque de Caxias". A Braskem possui na cidade uma unidade de petroquímicos básicos e outra de produção de resinas termoplásticas. A companhia não chegou a fazer investimentos relevantes no Comperj. Até o momento, havia apenas estudos de engenharia e diálogos com Petrobras e governos. Procurada, a Petrobras ainda não se pronunciou sobre o assunto. A Braskem também informou nesta quinta-feira (13), após divulgar seu resultado do quarto trimestre, que está em conversas com a nova administração da Petrobras para um terceiro aditivo ao contrato de fornecimento de nafta para a petroquímica. "Parece mais factível a gente trabalhar uma solução (para o contrato de nafta) que dê tempo a essa equipe para se familiarizar com o assunto. Já fizemos dois aditivos de seis meses e essa seria uma meta realista e possível", disse Fadigas a jornalistas, acrescentando que considera como baixa a probabilidade da empresa alcançar uma solução de longo prazo para o impasse com a estatal. Fadigas acrescentou que a Braskem tem demandas para melhorar o aditivo do contrato, mas que o "tempo não está a nosso favor", indicando que o preço do nafta deve ser mantido em aberto. "Está longe de ser o ideal, mas entendemos que dos males o menor", acrescentou o executivo. O contrato atual de fornecimento de nafta vence no final deste mês. A Petrobras tem usado o nafta de suas refinarias na produção de gasolina, motivo pelo qual passou a importar o insumo para atender a Braskem, tentando repassar o custo à petroquímica. A Braskem tem contestado a postura da estatal e Fadigas afirmou manter a posição, já que considera que os custos de importação "não são pertinentes à indústria química", que não teria condição de absorvê-los. Atualmente, a Braskem importa 30% das necessidades de nafta e, segundo Fadigas, não seria economicamente viável nem razoável para a indústria elevar esse patamar. "O setor não foi construído para operar com matéria-prima importada", disse. Para 2015, a Braskem espera uma demanda por resinas neutra no mercado interno, em linha com as atuais projeções para o Produto Interno Brasileiro (PIB) e após ter previsto demanda estável em 2014 e observado um recuo de 1% no mercado ante o ano anterior.

Ligados a esquema na Petrobras tinham contas na Suíça com R$ 111 milhões

Pelo menos 11 pessoas ligadas com o escândalo de corrupção na Petrobras investigado na Operação Lava Jato mantiveram contas ilegais na Suíça entre 2006 e 2007, com saldo total de R$ 110,5 milhões. A informação foi revelada nesta sexta-feira (13) pelo blog do jornalista Fernando Rodrigues. A informação faz parte do chamado Swissleaks, um vazamento sobre contas secretas no país europeu mantidas pelo banco HSBC, divulgado por meio de uma associação internacional de jornalistas. Segundo o blog, o Brasil tem 6.606 contas bancárias (que atendem a 8.667 clientes) e um valor movimentado de cerca de R$ 7 bilhões –o equivalente a cerca de R$ 20 bilhões-entre 2006 e 2007. Entre os envolvidos na Lava Jato, Julio Faerman é quem manteve o maior montante no HSBC suíço: US$ 20,8 milhões. Ele é apontado como intermediador de propinas. O ex-gerente da Petrobras e delator Pedro Barusco guardou US$ 1,9 milhão na instituição. Em depoimento, Barusco já havia revelado que mantinha contas no exterior e que 90% do total de propinas recebidas por ele -algo entre R$ 40 mi e R$ 50 mi-foi enviada para bancos fora do Brasil. Oito executivos das empreiteiras Queiroz Galvão e Galvão Engenharia também mantiveram contas no HSBC suíço: Antônio de Queiroz Galvão, Maurício Galvão, João Antônio de Queiroz Galvão, Ricardo de Queiroz Galvão, Fernando de Queiroz Galvão, Dario de Queiroz Galvão, Eduardo de Queiroz Galvão e Mário de Queiroz Galvão. Também o doleiro Raul Henrique Srour, suspeito de integrar o grupo do doleiro Alberto Yousseff, tem o nome na lista de correntistas do HSBC - porém, nenhum montante está registrado em sua conta. 

Continuam desaparecidas quatro vítimas da explosão de navio plataforma da Petrobras

Dois dias depois da explosão em navio-plataforma no Espírito Santo, quatro brasileiros continuam desaparecidos, segundo a BW Offshore, empresa operadora da embarcação. Em boletim divulgado na manhã desta sexta-feira (13), a empresa revelou as nacionalidades dos cinco mortos: quatro são brasileiros e um é indiano. A BW também informou que o número de feridos subiu de 25 para 26. Os nomes dos mortos, feridos e desaparecidos continuam sob sigilo. O hospital onde estão internados os feridos críticos informou que seis pacientes permanecem na UTI, mas apenas dois deles estão em estado grave. Até quinta-feira (12), um homem de nacionalidade filipina estava em coma induzido por ter queimado parte do sistema pulmonar. Um brasileiro teve queimaduras em 43% do corpo. De acordo com a BW, uma equipe técnica confirmou que o casco do navio está intacto e especialistas avaliam se continuarão as buscas pelos desaparecidos.


As imagens gravadas por um militar mostram ferro retorcido, água subindo na casa de máquinas da embarcação e algumas das áreas atingidas pela explosão. Registrado próximo a Aracruz na tarde desta quarta-feira (11) no navio FPSO Cidade de São Mateus, o incidente é o pior em número de vítimas em plataformas contratadas ou operadas pela Petrobras desde 2001, quando 11 pessoas morreram em duas explosões. O FPSO Cidade São Mateus é um navio-plataforma de extração de óleo e gás de propriedade da empresa BW Offshore e que presta serviço para a Petrobras. Havia 74 trabalhadores na embarcação. A explosão, segundo a BW, aconteceu na casa de bombas após um vazamento de gás. Trata-se de uma plataforma de pequeno porte, com a produção de apenas 2.200 barris por dia de petróleo em águas rasas. O número corresponde a apenas 0,1% da extração total de óleo da Petrobras.

Delator diz que Pedro Corrêa recebeu R$ 5,3 milhões do esquema na Petrobras

Pedro Corrêa, ex-deputado federal pelo PP condenado no Mensalão do PT, recebeu R$ 5,3 milhões de uma só vez por meio do esquema de corrupção na Petrobras. É o que afirma o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, em depoimento prestado aos investigadores da Operação Lava Jato, sob o rito de delação premiada. O depoimento foi prestado no dia 9 de janeiro, mas só foi liberado nesta semana. "Tratava-se se um repasse extraordinário, pois não era comum que um único parlamentar do PP recebesse uma quantia dessa monta do 'caixa' de propinas do PP", diz a delação. Segundo Paulo Roberto Costa, o valor foi repassado no primeiro semestre de 2010 e serviria para a campanha eleitoral de Pedro Corrêa naquele ano. Além do valor –que estava marcado como "5,3 Pe" em uma caderneta apreendida pela Polícia Federal, e que Paulo Roberto Costa afirmou tratar-se do montante e do ex- deputado–, o delator afirma que Pedro Correa recebia "parte dos repasses periódicos destinados ao PP e oriundos das propinas pagas nos contratos firmados no âmbito da Diretoria de Abastecimento". 


Quarto condenado no Mensalão do PT a ter o nome citado durante as investigações da Operação Lava Jato, Corrêa (PP-PE) está preso no Centro de Ressocialização do Agreste, em Canhotinho (a 206 km do Recife). Ele foi condenado a 7 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto por corrupção e lavagem de dinheiro. Inicialmente, Corrêa ficaria preso na penitenciária agroindustrial São João, em Itamaracá, ilha na região metropolitana da capital pernambucana. Mas a família pediu que ele fosse transferido para Canhotinho, cidade a 115 km de Brejo da Madre de Deus, onde a mulher do ex-deputado tem uma pousada. Além disso, o município fica na área de influência política de Corrêa. Dos condenados no Mensalão do PT, também apareceram nas delações da Lava Jato o ex-ministro José Dirceu, o ex-assessor do PP João Cláudio Genu e o doleiro e operador do mercado de capitais Erivaldo Quadrado. José Dirceu foi condenado no Mensalão do PT por formação de quadrilha e corrupção ativa, e agora cumpre prisão domiciliar. Genu, condenado por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, cumpre pena em regime aberto. Quadrado foi condenado por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, teve a pena convertida em prestação de serviços.

Cristina Kirchner é indiciada com base em denúncia de Nisman

A presidente peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner, que lidera um governo tremendamente corrupto (o que é uma norma no âmbito do Foro de São Paulo) foi formalmente indiciada nesta sexta-feira com base na denúncia do promotor Alberto Nisman de que ela e vários apoiadores teriam acobertado a participação de iranianos no atentado contra um centro judaico em Buenos Aires, a Amia. Nisman apresentou a denúncia quatro dias antes de ser encontrado morto em seu apartamento. O indiciamento foi decidido pelo procurador federal Gerardo Pollicita, que analisou as quase 300 páginas do trabalho de investigação realizado por Nisman. Ele também indiciou outros citados na denúncia: o chanceler Héctor Timerman, o dirigente kirchnerista Luis D’Elia e o deputado Andrés Larroque.

Itália e Brasil negociam destino do bandido petista mensaleiro foragido Henrique Pizzolato


Os governos do Brasil e da Itália vêm fazendo reuniões para tratar do destino do ex-diretor do Banco do Brasil, o bandido petista mensaleiro foragido Henrique Pizzolato, condenado no processo do Mensalão do PT. Em Roma, ninguém esconde que a decisão sobre a extradição será tomada com base em interesses políticos. Fontes do governo do primeiro-ministro Mateo Renzi confirmaram à reportagem do jornal O Estado de S. Paulo que, antes mesmo de a Corte de Cassação dar o sinal verde para a extradição do brasileiro, os dois governos multiplicaram os encontros para tratar do tema. Ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, o bandido petista mensaleiro foragido Henrique Pizzolato foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão. Mas, há um ano e cinco meses, fugiu do País com um passaporte falso. Em primeira instância, a Corte de Bolonha negou sua extradição argumentando que as prisões brasileiras não têm condições de recebê-lo. Nessa quinta-feira, porém, a Corte de Cassação reverteu a decisão, autorizou a extradição e mandou prender Henrique Pizzolato. Agora, é o governo italiano quem terá a última palavra no caso e deve anunciar seu parecer em 45 dias. Mas Roma, que já havia se preparado para a decisão favorável da Corte pela extradição, examinou a devolução do condenado com o Brasil à luz da relação entre os dois países e levando em consideração diversos pontos de interesse, inclusive a situação de Cesare Battisti, terrorista italiano que ganhou refugio no País. A Itália espera que uma eventual entrega de Henrique Pizzolato significará a abertura de importantes espaços para os negócios e os interesses políticos do país. Reuniões de representantes de Brasília foram realizadas em diversos ministérios italianos, principalmente na chancelaria e no Ministério da Justiça. Os encontros, segundo fontes italianas, serviram para que a posição de cada um fosse escutada e para que o Brasil tivesse a ocasião de explicar o motivo pelo qual acredita que Henrique Pizzolato deve voltar. O Brasil considera haver dois cenários possíveis: se a Itália optar por privilegiar as relações bilaterais, vai sair em defesa da extradição. Se o governo seguir a norma de que não extradita italianos, Pizzolato ficará no país. Funcionários de alto escalão do governo de Renzi já teriam indicado que existe uma tendência dentro do Ministério da Justiça de privilegiar a primeira opção. Mas, segundo fontes do governo italiano, Orlando não vai agir sozinho e o destino de Pizzolato será "uma decisão de Estado". Nas últimas semanas, diversos ministérios se reuniram e o caso chegou até a presidência do país para um parecer. O Ministério da Justiça da Itália reconhece que o caso não será uma "decisão individual". Do comércio de fragatas ao setor de telecomunicações, investimentos e proteção de interesses italianos, diplomatas italianos admitem que a pauta colocada sobre a mesa por Roma é extensa. No Parlamento Italiano, o tema também é alvo de reuniões. "Essa é a hora do lobby", declarou a deputada brasileira no Parlamento Italiano, Renata Bueno. "A Itália vai ser coerente com sua postura", insistiu. Ela tem distribuído documentos e informações a diversos ministérios e parlamentares para defender a extradição de Pizzolato. Na semana que vem, tentará falar com o próprio primeiro-ministro, Mateo Renzi, sobre o caso. Fontes na Itália e no Brasil, no entanto, também reconhecem que, a partir de agora, entra em jogo a decisão do ex-ministro da Justiça, o peremptório petista "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro de não extraditar o terrorista assassino Cesare Battisti, em 2010, condenado na Itália por quatro assassinatos. Eduardo Pelella, chefe de gabinete da Procuradoria-Geral da República, reconhece que o caso Battisti "pode" pesar. Do lado italiano, sempre na condição de anonimato, representantes de Renzi indicaram que "não tem como ignorar" a decisão brasileira sobre o terrorista Battisti. Famílias das vítimas do terrorismo na Itália já se mobilizam para fazer o lobby pela "troca" e tem destacado que Pizzolato pode ser uma "oportunidade" para tirar o Brasil de uma posição de imobilismo.

Nível de reservatórios sobe de novo em São Paulo, Cantareira alcança 6,9%


O volume armazenado no Sistema Cantareira apresentou crescimento de 0,2 ponto porcentual nesta sexta-feira, conforme dados da Companhia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Sabesp). O reservatório opera agora com 6,9% de sua capacidade total. Outros três sistemas que abastecem de água a Região Metropolitana de São Paulo tiveram aumento. O Alto Tietê subiu de 13,2% para 13,3%. Já o Rio Grande passou de 79,8% para 79,9%. O Rio Claro, por sua vez, variou de 31,7% para 31,8%. Ficaram estáveis os Sistemas Guarapiranga, com 55,2% da capacidade total, e o Alto Cotia, com 34,3%. Houve menos chuva entre quinta-feira e a sexta-feira do que nos dois dias anteriores. No Cantareira, por exemplo, a pluviometria acumulada foi de 2,1 milímetros na sexta, ante 3 milímetros no período anterior. No Rio Claro foi registrado 2,6 milímetros de pluviometria, enquanto que no Alto Tietê o índice ficou em 3,2 milímetros. No Guarapiranga, no Alto Cotia e no Rio Grande não houve registro de chuva nesta sexta-feira.

Empreiteiro confirma que pagamento de "consultoria" para o bandido petista mensaleiro José Dirceu era mesmo propina do Petrolão do PT


Depois da divulgação do depoimento do doleiro Alberto Youssef à Justiça, nesta quinta-feira, o ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu recorreu à sua resposta padrão para negar envolvimento no maior propinoduto da história deste país: há dez anos, desde que o Mensalão do PT veio a público, o petista "repudia com veemência" qualquer acusação. Segundo Youssef, José Dirceu mantinha uma estreita relação com o empresário Julio Camargo, da Toyo Setal, um dos operadores dos desvios de recursos da Petrobras para o bolso de políticos e partidos. Na "contabilidade ilícita" de Júlio Camargo, o dinheiro destinado ao petista aparecia sob a sigla "Bob", uma possível referência a Bob Marques, seu assessor e carregador de malas há anos. José Dirceu não foi o único a reagir prontamente ontem. A advogada Beatriz Catta Preta, que defende Julio Camargo, classificou como “absurdas” as declarações do doleiro. Em sua edição desta semana, contudo, VEJA mostra que os indícios de que José Dirceu se beneficiou do dinheiro desviado da Petrobras não se encontram apenas no depoimento de Youssef. Diz a reportagem "O Consultor do Esquema"​, de Rodrigo Rangel e Alexandre Hisayasu: "A presença do ex-ministro no caso Petrobras já tinha sido captada no radar dos investigadores diante de uma estranha coincidência: as empreiteiras envolvidas tinham a JD Consultoria, a empresa de Dirceu, como cliente. Contratos milionários por serviços vagos ou inexistentes. Além das empreiteiras, há cervejarias, fabricante de remédio e até consultorias – sim, o consultor Dirceu, de tão competente que era, recebia pagamentos até de outras empresas com atuação no mesmo ramo que ele. Há casos de clientes que, em um curto espaço de tempo, transferiram 4 milhões de reais para as contas da consultoria de Dirceu. O auge do faturamento foi no ano eleitoral de 2010. O que será que um consultor – advogado que mal exerceu a profissão, político formado sob ideais anacrônicos de Fidel Castro e condenado por corrupção – pode oferecer de tão valioso às maiores empresas brasileiras? A resposta vem justamente de um dois contratantes. O engenheiro Gerson Almada, presidente da Engevix, uma das empreiteiras envolvidas com os desvios na Petrobras está preso há três meses. A pessoas próximas, ele disse que a empresa sempre foi obrigada a pagar propina ao ex-ministro José Dirceu, em troca dos contratos que a empreiteira firmou com a Petrobras e também para garantir a influência do ex-ministro para os contratos futuros. A Engevix é uma das construtoras que figura na lista de clientes da JD Consultoria. Almada confirmou a esses interlocutores que as “consultorias” eram uma forma de lavar o dinheiro da propina paga ao petista".

Paulo Roberto Costa depõe em ação contra Cerveró e Fernando Baiano

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, foi ouvido nesta sexta-feira pela Justiça Federal, em Curitiba. Já o doleiro Alberto Youssef apenas acompanhou um dos depoimentos previstos para esta sexta-feira. Os dois delatores da Operação Lava Jato, que desbaratou um bilionário esquema de corrupção da Petrobras, foram chamados como testemunhas de acusação no processo criminal em que foram denunciados o ex-diretor de Internacional, Nestor Cerveró, e o lobista Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano - ambos apontados como elos do PMDB na arrecadação de propina na estatal. Paulo Roberto Costa - que admitiu ser parte do esquema que arrecadava de 1% a 3% de propina em contratos da Petrobras a partir de 2004 - confrontou Cerveró e Fernando Baiano, que até agora negaram integrarem a organização criminosa denunciada pela força-tarefa da Lava Jato. O depoimento do processo em que Cerveró e Baiano são réus por desvios em contratos de construção de navios-sonda começou às 11 horas. Com os depoimentos desta sexta-feira, o juiz Sérgio Moro encerra a fase de depoimentos de acusação da sétima fase da Operação Lava Jato - batizada de Juízo Final. Deflagrada em 14 de novembro de 2014, ela mirou os executivos do cartel acusado de corromper agentes públicos da Petrobras em troca dos contratos e o esquema envolvendo o PMDB na área internacional. Cerveró e Fernando Baiano negam qualquer relação com o recebimento de propina, com crimes de lavagem de dinheiro. Por meio de suas defesas, os dois já recorreram das decisões que determinaram suas prisões, sem sucesso. Os dois estão presos na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Em sua delação premiada, o doleiro mencionou o executivo Julio Gerin Camargo como operador de propina na Petrobras com o PT. Camargo também é delator e admitiu ter pago propinas ao esquema. O doleiro vai apontar a ligação do operador de propina na Diretoria de Serviços como homem ligado ao ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu, ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, com a atuação do partido no esquema. Camargo é apontado como intermediador da multinacional japonesa Toyo Engineering do pagamento de propina em contratos envolvendo a Diretoria de Internacional, que era comandada por Cerveró.

Sebastian Vettel faz a festa pilotando o protótipo da Ferrari FXX K na pista de Fiorano


Novo piloto da Ferrari na temporada 2015 da Fórmula 1, o alemão Sebastian Vettel testou o novo protótipo da marca, o FXX K. Na manhã desta sexta-feira, na pista de Fiorano, o tetracampeão mundial deu algumas voltas no mais novo carro da montadora, que tem potência de cerca de 1.050 cv. O esportivo é equipado com um conjunto híbrido formado por um motor 6.3 V12 a gasolina combinado a um propulsor elétrico. Juntos, eles entregam 1.050 cv de potência. O FXX K é equipado com o Hy-Kers, sistema de recuperação importado da F1, que transmite a energia da frenagem para o motor e aumenta ainda mais a força do V12 - o sistema do motor elétrico adiciona cerca de 190 cv aos 860 cv originais. O preço de estimado da supermáquina, que ainda não está no mercado, é de 7 milhões de reais. Veja a condução de Sebastian Vettel no video abaixo:

Camargo Corrêa demite e renegocia com fornecedores


A construtora Camargo Corrêa demitiu nesta semana pelo menos metade de seus funcionários que trabalham no prédio administrativo da empresa. Além disso, está renegociando condições de pagamentos com fornecedores e encerrando uma série de projetos considerados não prioritários para a empresa. Em uma carta enviada no dia 10 de fevereiro a todos os trabalhadores, o presidente interino Carlos Roberto Ogeda pede a todos que contenham gastos e tomem medidas para preservar o caixa. Apesar de a carta não fazer nenhuma menção direta à Operação Lava Jato, em que diretores da construtora foram presos acusados de pagar propinas a dirigentes da Petrobras, a crise da construtora está diretamente ligada a esse fato. Mas o presidente mencionou que além da grande dificuldade do setor de construção pesada no momento, a situação foi agravada pelas condições da economia, em que pese o baixo crescimento e a alta da inflação. Isso faz com que projetos sejam adiados. “Essa conjunção de fatores nos impõe fortes restrições de crédito no mercado financeiro”, disse o presidente na carta. Segundo fontes próximas à companhia, há mais de um ano a empresa não fecha nenhum contrato novo. Isso significa que na medida em que as obras dos projetos que atualmente estão na carteira da empresa terminem, os funcionários não serão reaproveitados. No fim do ano passado, eram cerca de 20 mil funcionários. Entre as principais obras públicas, a Camargo está hoje à frente da construção da usina hidrelétrica de Jirau e faz parte do consórcio que constrói a usina de Belo Monte. Em Jirau, no entanto, a obra já está quase no fim. A carteira da empreiteira é formado hoje por projetos principalmente no setor privado. A expectativa é de que até o fim do ano, sem novos contratos, a empresa reduza pela metade seus quadros. Na quinta-feira, engenheiros, projetistas, especialistas em compras e suprimentos, ligavam para seus contatos em busca de emprego. Segundo algumas fontes próximas à companhia, com a demissão os cinco andares ocupados pela construtora em um prédio da Avenida Faria Lima serão reduzidos a três. O último balanço publicado da construtora é referente ao ano de 2013. No fim daquele ano, a empresa tinha uma dívida de 411 milhões de reais com fornecedores e outros 400 milhões de reais em empréstimos. Faturou em 2013 4,5 bilhões de reais. Mas a estimativa é de que este faturamento tenha caído pela metade. Na carta enviada aos funcionários, Ogeda chega a mencionar que os cortes estão sendo feitos para adequar a empresa “à nova dimensão de nossas receitas”. Nos últimos meses, as agências de classificação de risco têm reduzido as perspectivas de notas de crédito da construtora. Os bancos estão mais restritivos neste momento em concessão de novos empréstimos para as empresas envolvidas na operação. Além disso, a Camargo entrou na lista negra da Petrobras, que acusou 23 companhias de formação de cartel e descartou qualquer possibilidade de novos negócios. Algumas fontes ligadas à empresa dizem que este pode ser o primeiro sinal mais forte de que de fato a empresa vá deixar o setor de construção, como já foi aventado no mercado depois que estourou o escândalo da Lava Jato. O grupo Camargo Corrêa é dono de hoje de empresas importantes em diferentes setores, como a companhia de energia CPFL, uma das maiores do País, a Alpargatas, a cimenteira InterCement, a segunda maior do setor, atrás apenas da Votorantim Cimentos. A empresa é dona ainda de uma participação relevante no estaleiro Atlântico Sul, que possui um dos maiores contratos para a construção de sete sondas que serão usadas na exploração da camada pré-sal pela Petrobras. Também neste negócio a situação é difícil. O ex-funcionário da Petrobras, Pedro Barusco, em acordo de delação premiada acusa operadores ligados ao estaleiro de terem pago propina para fechar contratos de construção da sondas. Além disso, a Sete Brasil, empresa que faz a intermediação das sondas, está sem pagar os estaleiros desde novembro.

A soberana Dilma vai para a praia novamente

A presidente petista Dilma Rousseff embarcou hoje (13) no fim da manhã para a Base Naval de Aratu, na Bahia. Mais cedo, Dilma recebeu o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeir, no Palácio do Planalto. Por volta das 11h20, ela deixou o palácio de helicóptero rumo à Base Aérea de Brasília, onde embarcou para a Bahia. Dilma vai passar o feriado na base naval, acompanhada de parentes, e deve retornar a Brasília na Quarta-Feira de Cinzas (18). A Base Naval de Aratu tem sido o destino escolhido pela presidenta para descanso em feriados e recessos. No inicio de janeiro, Dilma passou alguns dias na região, logo após tomar posse para o segundo mandato.

Advogado do doleiro Alberto Youssef diz que há provas da "relação" entre o bandido petista mensaleiro José Dirceu e o empreiteiro Julio Camargo

O advogado Antônio Figueiredo Basto, que representa o doleiro Alberto Youssef, disse hoje (13) que há provas sobre a relação entre o ex-consultor da Toyo Setal, Júlio Camargo, e o ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu. Ontem (12) a advogada de Julio Camargo e a assessoria do bandido petista mensaleiro José Dirceu repudiaram as denúncias do doleiro, sem a apresentação de provas. Youssef está presente nesta sexta-feira na audiência em que o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, depõe na Justiça Federal em Curitiba. Em depoimento de delação premiada perante a força-tarefa de investigadores da Operação Lava Jato, Youssef disse que entregou dinheiro no escritório de Júlio Camargo em São Paulo e que a quantia "servia para pagamentos da Camargo Corrêa e Mitsui Toyo ao PT, sendo que as pessoas indicadas para efetivar os pagamentos à época eram o tesoureiro do PT João Vaccari e o ex-ministro José Dirceu". Para justificar as acusações, o doleiro disse ter "convicção de que os valores eram destinados ao PT e à Diretoria de Serviços da Petrobras, na pessoa do petista Renato Duque. De acordo com Basto, as acusações de Youssef não se baseiam apenas em declarações. "Isso é uma questão que tem que ser debatida nos autos. Eu tenho certeza que meu cliente Youssef está falando a verdade. Nós temos provas disso aí. Não é só a voz de meu cliente, há quebra de sigilos e outros indícios documentais. Não é só falar. A colaboração de meu cliente foi homologada pelo Supremo. Se não houvesse uma prova contundente isso não seria homologado", disse Basto. O advogado também não descartou uma acareação entre o doleiro e as pessoas citadas nos depoimentos. "O confronto vai ter que existir, inclusive pelo número de colaboradores que existem. Tenho certeza de que vai chegar uma hora que a gente vai ter que acarear todos esses caras para ver quem está falando a verdade", sugeriu Basto. Em nota à imprensa, o ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu repudiou as declarações de Yousseff de que teria envolvimento com Júlio Camargo ou com empresas investigadas pela Operação Lava Jato. Ele negou ter representado o PT em negociações com Camargo ou construtoras e disse que, depois que deixou a chefia da Casa Civil da Presidência da República, em 2005, sempre viajou em aviões de carreira ou por empresas de táxi aéreo. A nota também destaca a ausência de provas das acusações. A advogada Beatriz Catta Preta, que representa Júlio Camargo, também divulgou nota na qual afirmou que as declarações de Youssef são "temerárias porque absolutamente inverídicas". Segundo ela, todos os fatos que eram de conhecimento de Júlio Camargo foram delatados aos investigadores e não há pendências. Beatriz Catta Preta também esclareceu o suposto uso do jatinho. Segundo ela, a TAM administrava o afretamento do avião e recebia os valores dos deslocamentos. "Já quanto à ilusória e absurda conclusão de que o Sr. Julio Camargo tenha uma relação 'muito boa' com o Sr. José Dirceu, apenas porque este teria viajado em avião de sua propriedade, deve ser esclarecido que a aeronave em questão, qualificada como taxi aéreo, era deixada sob a administração da TAM, a qual tem o dever de cuidar da manutenção, hangar e afretamento da mesma. Isso significa que, ao haver interessados no afretamento da aeronave, a TAM apenas pergunta ao proprietário se utilizará o avião naquele período ou não", disse a advogada. A defesa de Renato Duque nega que ele tenha recebido valores indevidos durante o período em que esteve na Diretoria de Serviços da Petrobras. 

Universidades particulares podem reajustar matrículas pelo Fies em até 6,4%

Pressionado pelas instituições de ensino superior, o Ministério da Educação (MEC) elevou para até 6,4% o reajuste que poderá ser aplicado nas matrículas para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Anteriormente, a pasta havia bloqueado o crédito para as instituições que aumentaram as mensalidades acima de 4,5%, que é a meta de inflação fixada pelo governo. Segundo o MEC, a mudança ocorreu depois que equipes técnicas da pasta e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) analisaram as informações prestadas pelas instituições de ensino. Com o novo patamar de reajuste, o ministério anunciou que o sistema para novos contratos do Fies será aberto no dia 23. As inscrições poderão ser feitas no portal do programa. A novidade é que será estabelecido um prazo para que os estudantes solicitem o Fies. As inscrições estarão abertas até 30 de abril. Antes, a adesão podia ser feita a qualquer momento. Segundo o MEC, os estudantes que aderirem ao fundo de financiamento até 29 de março não estarão sujeitos às mudanças feitas pela portaria, no final do ano passado. Os que aderirem a partir de 30 março deverão ter obtido média de pelo menos 450 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2010 e não ter tirado zero na redação. As inscrições do Fies foram suspensas no início do ano para adequação às novas normas. Desde o final de janeiro, o sistema está aberto para renovação de contratos. As mudanças no Fies, feitas pela portaria do MEC, causaram polêmica no setor, pela possível redução de contratos. O fundo oferece cobertura da mensalidade a juros de 3,4% ao ano. O contratante só começa a quitar o financiamento 18 meses depois de formado. Desde 2010, o Fies acumula 1,9 milhão de contratos e abrange mais de 1,6 mil instituições.

Crea do Espírito Santo multará BW Offshore por atuar sem registro


O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Espírito Santo (Crea-ES) aplicará multa à empresa BW Offshore, que opera o navio-plataforma Cidade de São Mateus onde ocorreu uma explosão que matou cinco pessoas na quarta-feira (11). Segundo o Crea, a empresa não tinha registro no órgão e, portanto, estava atuando irregularmente. De acordo com o conselho, a empresa é registrada no Crea do Rio de Janeiro, mas, para atuar no Espírito Santo, seria necessário ter registro no conselho desse estado. A assessoria de imprensa do Crea informou que o valor da multa ainda será definido. A BW Offshore operava a plataforma a serviço da Petrobras, nos campos de Camurupim e Camurupim Norte, na Bacia do Espírito Santo.

Juiz Sérgio Moro autoriza tratamento psicológico para Nestor Cerveró, mas na cadeia

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato, autorizou hoje (13) tratamento psicológico para o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde ele está preso. Moro atendeu a um pedido da defesa de Cerveró, segundo a qual o ex-executivo usa medicamentos antidepressivos e faz tratamento psicoterápico há alguns anos. Para evitar deslocamentos até uma clínica e a mobilização de escolta da polícia, o tratamento só poderá ser feito nas dependências da superintendência e os advogados deverão enviar ao juiz relatórios periódicos sobre o tratamento. “Autorizo que o acompanhamento psicológico/psiquiátrico de Nestor Cerveró seja realizado nas dependências da carceragem da Polícia Federal, em lugar reservado, com periodicidade semanal ou quinzenal, segundo orientação e com duração estipulada pelo profissional a ser contratado às expensas do acusado, pela defesa, cujo nome deverá ser informado a este Juízo no prazo de cinco dias", decidiu Moro. No pedido feito ao juiz, os defensores de Cerveró anexaram laudo assinado pela psicóloga Elizabeth Carneiro, que pede autorização para começar o tratamento na prisão. Os advogados chegaram a pedir a internação dele, mas desistiram. "Declaro, para os devidos fins, que Nestor Cerveró é meu paciente há três anos e faz tratamento psicoterápico, desde essa época, para um quadro de transtorno de ansiedade. Desde o mês de abril de 2014, vem apresentando sintomas depressivos severos, necessitando assim de tratamento psicológico também para essa patologia. Apresenta-se atualmente com depressão maior, sendo extremamente danosa a interrupção do tratamento psíquico", diz a médica no laudo. De acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), no dia 16 de dezembro Cerveró sacou R$ 500 mil de um fundo de previdência privada e transferiu o valor para a filha, mesmo tendo sido alertado pela gerente do banco de que perderia 20% do valor. Em junho do ano passado, o ex-diretor da Petrobras havia transferido imóveis para seus filhos, com valores abaixo dos de mercado. Na intepretação do Ministério Público Federal, Cerveró tentou blindar o patrimônio contra as investigações da operação lava-jato e, por isso, a prisão foi requerida. A defesa nega que os saques tenham sido feitos com a intenção de se desfazer do patrimônio.

São Paulo prepara plano de contingência para pior cenário de crise de água

São Paulo terá um plano de contingência para enfrentar a crise hídrica que atinge sobretudo a região metropolitana do Estado. O anúncio foi feito hoje (13) pelo governador Geraldo Alckmin, após a primeira reunião do Comitê de Crise Hídrica, que reúne prefeituras, secretarias de governo, entidades não governamentais, universidades e institutos de defesa do consumidor. O plano era uma reivindicação dos prefeitos das cidades que são abastecidas pelos sistemas Cantareira e Alto Tietê, que têm a pior condição de reserva de água. A próxima reunião do grupo deve ocorrer em duas ou três semanas. De acordo com o governador, o documento será preparado para o pior cenário de regime de chuva que se pode chegar neste ano. “Para o caso de precisar de um rodízio, termos tudo mapeado, mas todos os esforços estão sendo feitos para superar a crise e o período seco”, disse Alckmin. O cálculo do governo aponta como situação mais crítica uma afluência – entrada de água nos reservatórios – abaixo de 8 metros cúbicos por segundo (m3/s). Hoje, a demanda é de aproximadamente 14 m3/s. O que faltaria de água – 6 m3/s – será providenciada, segundo o governador, por obras emergenciais que aumentariam a captação em outras reservas, como o Rio Guaió e as represas Guarapiranga e Rio Grande. O plano vai prever, por exemplo, como deve ser feito o abastecimento de instituições que não podem prescindir do fornecimento de água como escolas, hospitais e penitenciárias. Para o prefeito Fernando Haddad, um prazo adequado para apresentação do plano seria em torno de um mês. “O que nos foi apresentado hoje mostra que o pior cenário afasta a possibilidade de rodízio. Prepararemos tecnicamente um plano de contingência esperando não usá-lo”. Os prefeitos, além de pedir a formação do comitê e a elaboração de um plano de contingência, querem a adoção de medidas de comunicação para manter a população informada. Alckmin não descartou a possibilidade de rodízio. “Isso é uma questão que a gente avalia permanentemente, mas no fim de fevereiro, meio de março, vamos verificando. Todas as medidas já estavam sendo tomadas e agora, com o comitê técnico, serão integradas e ampliadas. Todo trabalho será feito para evitar o rodízio”. O secretário de Recursos Hídricos, Benedito Braga, disse que não há um percentual limite no Cantareira que indique a necessidade de racionamento: “Não existe ainda esse gatilho. Vamos estudar com esse plano de contingência e, se for preciso adotar alguma medida mais restritiva do que da redução de pressão, vamos ver que tipo de medida vai ser feita”.

CEEE CORTA GRAMPOS DA RESTINGA E DA DONA LEOPOLDINA. ESCOLAS DE SAMBA DESVIARAM R$ 1,2 MILHÃO EM ENERGIA

A CEEE resolveu acelerar o combate aos grampos e cortou ontem dois grampos ramais clandestinos de energia elétrica da sede de duas escolas de samba de Porto Alegre por reincidência de fraude, após duas fiscalizações realizadas nas últimas duas semanas. A operação junto às quadras das escolas Estado Maior da Restinga e Imperatriz Dona Leopoldina, localizadas respectivamente nas zonas Sul e Norte da Capital, contou com o apoio da Polícia Civil, por meio dos agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio das Concessionárias e Serviços Delegados (DRCP) e do Instituto Geral de Perícias (IGP). Recentemente, os técnicos haviam feito inspeções em 16 agremiações, o que resultou na suspensão do fornecimento, por fraude, em cinco delas. Essas duas escolas voltaram a praticar o mesmo crime. Além de não fazerem a regularização nem a negociação dos débitos junto à Empresa, ambas reativaram os ramais irregulares. A DRCP abriu processo criminal por furto qualificado contra as escolas reincidentes e a CEEE fará, por meio de processo administrativo, a cobrança do débito existente. A soma do total acumulado das duas entidades carnavalescas alcança o valor de R$ 1,2 milhão. Tem escola de samba aí que é controlada pelo PCdoB. 

PEDRO BISCH NETO É CONFIRMADO NA METROPLAN

O engenheiro Pedro Bisch Neto foi confirmado na presidência da Metroplan. Há um mês, quando o editor adiantou o nome que seria finalmente nomeado por Sartori, Bisch Neto editou duro desmentido. Ele é outro secretário que perde o prefeito Marco Alba, PMDB de Gravataí.

FORTUNATI PERDE SEU SÉTIMO AUXILIAR PARA SARTORI

O prefeito José Fortunati acaba de perder seu sétimo auxiliar para o governo Sartori. Desta vez foi Nelson Lídio Nunes, que era assessor no escritório Metro-POA. Ele será o novo presidente da EGR, que vinha sendo ocupada interinamente por Nei Michelucci. Ontem, Fortunati também perdeu sua secretária de Inovação, Débora Villela, que é a nova vice da Procergs.

Doleiro e empreiteiros tinham dinheiro em conta secreta no HSBC da Suiça

Ao menos 11 pessoas ligadas na Operação Lava Jato mantiveram contas na filial suíça do banco britânico HSBC, segundo dados do SwissLeaks divulgados no blog de Fernando Rodrigues. Entre elas, figuram o delator Pedro José Barusco Filho, ex-diretor da Petrobras, integrantes da família Queiroz Galvão, o empresário Júlio Faerman (ex-representante da holandesa SBM) e o doleiro Raul Henrique Srour. O valor total dos depósitos chegou a US$ 110,5 milhões. Documentos, obtidos pelo ICIJ (The International Consortium of Investigative Journalists) por meio do jornal francês “Le Monde”, apontam que o banco britânico, através de sua filial suíça, ajudou clientes a escapar das autoridades do fisco, incluindo ditadores, políticos, realeza, executivos e estrelas de Hollywoood. A instituição também ajudou mais de 8,7 mil brasileiros a depositar US$ 7 bilhões em contas secretas. Na delação premiada, Barusco confirmou ter aberto 19 contas em 9 bancos da Suíça para receber propinas. A Justiça suíça bloqueou os valores. Raul Henrique Srour afirmou, por meio de seu advogado, Luiz Gustavo Pujol, que manteve uma conta no HSBC na Suíça na década de 1990, mas “não reconhece nem admite” qualquer movimentação nos anos 2006/2007.Já a Queiroz Galvão afirmou, por meio de nota, que “todo o patrimônio dos acionistas da companhia são devidamente declarados à Receita Federal no Brasil''.

PDT NÃO QUER CONVERSA. O PARTIDO SÓ PENSA EM NOVAS NOMEAÇÕES

O PDT do Rio Grande do Sul está incomodado com o que chama de "falta de protagonismo" da legenda no governo estadual, de José Ivo Sartori (PMDB). Situações semelhantes levaram-no a rompimentos com os governos anteriores de Tarso Genro e Yeda Crusius. Como se percebe, o PDT tem uma vocação "governista", tanto quanto o PTB. Na quarta-feira de cinzas, trabalhistas e Sartori vão conversar, mas o PDT já avisou que não quer apenas conversar, porque quer nomear Vinicius Ribeiro, Flávio Lammel e Kalil Sehbe, preteridos em todas as listas que saíram até agora. O PDT não quer saber de nada sobre a crise das finanças públicas gaúchas, quer saber das "boquinhas" para os companheiros. 

Governo do petista Tarso Genro privilegiou a RBS com verbas publicitárias

A jornalista Bruna Andrade levantou gastos publicitários do governo do peremptório petista "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro com a RBS, publicando seus resultados no site Jornalismo B. Ela teve acesso aos dados das despesas com publicidade do governo do Estado do Rio Grande do Sul em 2012, que são os números mais recentes tabulados. 2013 e 2014 não mudaram muito, porque o governo do PT alterou pouco seus gastos com publicidade nos anos seguintes. O total gasto em 2012, sem ajuste, foi de R$ 64.736.853,55, dos quais, R$ 16.694.324,03 foram para veículos do Grupo RBS. E esse número pode ser ainda maior, já que consideramos apenas 8 das 24 rádios do grupo. Além disto, o gasto com publicidade encontrado pela jornalista não leva em consideração o que investe o Banrisul, que chega a outro tanto. E tampouco o Detran. O banco privilegia ainda mais a RBS. Neste início de governo Sartori, nada se sabe ainda sobre o que gastará o governo com publicidade, muito embora o Banrisul prossiga com sua mídia. O Piratini ainda não definiu com que verbas contará, mas é certo que a administração delas fica com a secretaria de Comunicação, que ainda terá que realizar licitação para a escolha de novas agências. O governo Tarso Genro só conseguiu fazer a sua dois anos depois de iniciado o mandato, usando duas das agências escolhidas pelo governo anterior.

Decreto do governo Sartori estabelece corte de 25%

Foi publicado no Diário Oficial desta sexta-feira novo decreto do governador José Ivo Sartori visando forçar economia para fazer frente às dificuldades financeiras. O decreto estabelece o corte de cerca de 25% nos gastos em custeio das secretarias, órgãos da administração indireta e fundações. O prazo de vigência da medida é até o fim do ano. Nos casos de áreas específicas, como educação e saúde, apesar de não escaparem da contenção, há ordem para que os valores disponibilizados não fiquem abaixo dos praticados no último ano da administração Tarso Genro.

Obra do PAC, a construção da Barragem da Arvorezinha, em Bagé, terá de recomeçar do zero

O inquérito policial que investiga a parte criminal da construção da Barragem da Arvorezinha entrou na fase de conclusão. A previsão é de que o mesmo seja entregue à Justiça Federal entre março e abril de 2015. Recentemente, a Polícia Federal recebeu o laudo da perícia criminal realizada no início deste ano, um documento de 400 páginas. A constatação dos peritos é de que todo o projeto da barragem está condenado. O delegado titular da Delegacia de Polícia Federal de Bagé, Mauro Silveira, explica que este é um trabalho muito complexo, por isso ainda não foi concluído. "Esta investigação não é somente em Bagé, também abrange a obra de irrigação da Costa Doce, em Arambaré (RS). E a perícia precisa de tempo para as análises. Em Bagé já foi concluída, mas em Arambaré não", revela. O delegado Sérgio Rovani é quem comanda a investigação. Na barragem da Arvorezinha, um engenheiro e um topógrafo, analisaram as planilhas oficiais, ou seja, aquelas que as empresas Engeplus e Marco Projetos e Construções apresentavam para comprovar os gastos, com o que há na construção e com os documentos encontrados nos computadores apreendidos. "A definição que veio no laudo pericial é que os projetos das empresas são condenados. Para se habilitarem a participar da licitação, as empresas lançaram dados que sabiam que não havia como serem feitos, pois custaria mais. Aí eles começaram a pedir os aditivos, por isso que a obra iniciou em R$ 19 milhões e quando foi embargada já estaria custando R$ 49 milhões", exemplifica. A perícia também constatou que os materiais utilizados na construção eram de má qualidade, muito inferiores aos que eram apresentados nas planilhas. Por isso a obra teria que recomeçar do zero, pois caso a próxima empresa que assumir der continuidade ao que já foi executado, há riscos da estrutura não aguentar. "A prospecção é que tenham sido gastos R$ 5,5 milhões do dinheiro público no que está feito até agora. Por isso que quando a obra foi embargada, nós pedimos o sequestro dos bens das empresas e seus responsáveis, para que esteja garantida a devolução aos cofres públicos deste dinheiro. A estimativa é que, desde o embargo, em junho de 2013, até agora, tenha sido evitado o mau uso de R$ 10 milhões da verba destinada à obra", salienta Silveira. A empresa Marco Projeto e Construções é de parentes do conselheiro Marco Peixoto, do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul. O próximo passo, segundo o delegado, é a perícia contábil, que é feita por um especialista da área que identifica o que as empresas receberam, o que elas gastaram e se houve desvio de dinheiro. Os principais suspeitos são os responsáveis pelas empresas Magna Engenharia, Engeplus e Marco Projetos e Construções. Desde o princípio, os responsáveis por estas empresas são suspeitos de manter uma relação societária, o que é proibido pela lei que regulamenta as licitações. Isto é, os donos da Engeplus e os da Marco Projetos e Construções eram sócios em uma terceira empresa, a Magna Engenharia. Além disso, a Engeplus foi contratada para fiscalizar a obra da barragem da Arvorezinha, que era executada pela Marco Projetos e Construções. Logo, um sócio fiscalizaria o outro. Esta suspeita já foi confirmada pela Polícia Federal. A polícia ainda não chegou aos nomes das pessoas envolvidas, já que falta a perícia contábil e também as oitivas, isto é, as entrevistas com os envolvidos no caso. Conforme Silveira, acredita-se que 27 pessoas serão chamadas para darem seus depoimentos. Os envolvidos podem ser indiciados por fraude à licitação, peculato, associação criminosa, crime ambiental e falsificação de documentos. As empresas não podem se manifestar publicamente sobre o assunto, devido a uma decisão judicial. A investigação criminal iniciou em junho de 2012, quando surgiram as primeiras suspeitas de fraude. A partir de agosto do mesmo ano, com a autorização da Justiça Federal, os policiais iniciaram as escutas telefônicas, as quais duraram oito meses, através da qual foi possível constatar algumas negociações e irregularidades. O assunto tornou-se público em junho de 2013, com o embargo da obra e a Operação Paralelo 31-S e sequestro de bens das empresas, assim como abertura da ação cível. Foram apreendidos muitos documentos em papel, além de sete terabytes em documentação eletrônica, o que foi analisado um a um pela Polícia Federal desde então até julho de 2014. Em novembro deste ano foi concluída a perícia criminal.

Delator do Petrolão diz que OAS usou Arena do Grêmio para receber dinheiro de Caixa 2


Documentos liberados nesta quinta-feira pela 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná revelam que a empreiteira OAS utilizou um escritório na Arena do Grêmio para receber dinheiro do Petrolão. O doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da Operação Lava-Jato – que investiga um esquema bilionário de corrupção na Petrobras –, afirmou à Justiça que as verbas eram depositadas em contas no Exterior e entregues em sedes da OAS no Brasil, a mando da empresa, entre elas a Arena. Youssef informou aos procuradores e ao juiz Sérgio Moro que não se tratava de dinheiro sujo da Petrobras. Segundo ele, o executivo João Procópio – seu "laranja – mantinha uma conta em nome da empresa Santa Tereza Services para acolher depósitos de caixa 2 e que, a partir dela, remetia os valores para Leonardo Meirelles, réu na Lava-Jato considerado o testa de ferro do doleiro. Meirelles, de acordo com Youssef, movimentava o dinheiro em bancos de Hong Kong "a fim de promover o retorno desses valores ao País mediante operações de cabo". O doleiro declarou que ganhava uma comissão de 3% sobre o valor dos depósitos, "incluindo o serviço de entrega no Brasil em quaisquer lugares que fossem determinados pela empreiteira". "(Youssef) Perguntado se essa movimentação marginal de recursos (caixa 2) era de conhecimento da empresa, afirma acreditar que sim, pois entregou valores que provinham do Exterior nas sedes da OAS em Porto Alegre e Rio de Janeiro. Que a sigla 'POA' refere-se à entrega de valores junto ao estádio do Grêmio onde a OAS mantinha um escritório e onde entregou R$ 66 mil e R$ 500 mil, sendo que a mesma sigla refere-se à entrega de valores em um endereço residencial, em valores similares; que, quem fazia essa entregas eram Rafael Angulo e Adarico Negromonte, os quais viajaram em aviões comerciais", aponta a delação. O endereço residencial citado fica em Canoas, na Avenida Guilherme Schell, número 2.952. O intermediador era José Ricardo Nogueira Breghirolli, funcionário da empreiteira, preso em novembro. Em contato em 3 de dezembro de 2013, por mensagens de celular, ele pede a Youssef que repasse R$ 57 mil a uma pessoa em Canoas. O texto diz para “procurar por Carlos Fontana". O doleiro responde que quem vai procurar Fontana é “Adarico”. Conforme observado pelo juiz federal Sergio Moro, que comanda as investigações da Lava-Jato, o doleiro faz referência direta a Adarico Negromonte Filho, subordinado do doleiro e encarregado de transporte de valores em espécie.

O bandido petista mensaleiro José Dirceu "trabalha" em novo escritório de advocacia e terá salário de R$ 4 mil


O ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu, condenado a 7 anos e 11 meses de prisão no processo do Mensalão do PT, está trabalhando desde o último dia 26 no escritório de advocacia Tessele Madalena, no centro de Brasília, Contratado como assistente administrativo, ele irá receber R$ 4 mil por mês pelos serviços. No ano passado, José Dirceu chegou a trabalhar noutro escritório de advocacia, de José Gerardo Grossi, também em Brasília. Com o serviço, pôde descontar dias de sua pena e antecipar sua progressão para o regime aberto, que aconteceu em novembro passado. Desde então José Dirceu estava sem trabalhar. Chegou a cogitar uma alteração em sua antiga empresa de consultoria e a usaria para vender textos e palestras, o que acabou não acontecendo. No regime aberto, cumprido em prisão domiciliar, o condenado é obrigado a passar todas as noites em sua residência, não pode frequentar bares e nem sair da cidade sem autorização da Justiça. Para a garantia do benefício, no entanto, é preciso estar trabalhando. O bandido petista mensaleiro José Dirceu tinha 90 dias para enviar à Justiça comprovação de novo emprego. No documento, assinado pelos advogados José Luis Oliveira Lima, Rodrigo Dall'Acqua e Anna Luiza de Sousa, foram encaminhados o contrato e carteira de trabalho do ex-ministro assinada por seus novos patrões. O escritório Tessele Madalena já foi parceiro do antigo escritório de advocacia de José Dirceu, o Oliveira e Silva e Ribeiro Advogados. Eles tiveram um contrato de sociedade e o Tessele pagava o aluguel de quartos num hotel de Brasília, que era usado pelo ex-ministro. Encontros de José Dirceu com deputados, senadores e com o ex-presidente da Petrobras no local foram alvos de uma matéria da revista "Veja" em 2011. À época, o escritório emitiu nota dizendo que havia um acordo de cooperação técnica com a banca de José Dirceu.  O ex-ministro, em Brasília, era liberado para usar a estrutura alugada por Tessele Madalena, assim como os advogados parceiros podiam usar o escritório de José Dirceu em São Paulo.

As conversas impróprias do ministro da Justiça


Desde a morte do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos no ano passado, o PT perdeu seu grande estrategista em momentos de crise. Chamado carinhosamente de “God” (Deus, em inglês) pelos amigos, o onipresente MTB foi convocado para coordenar a defesa das empreiteiras tão logo deflagrada a Operação Lava-Jato. Ele tinha uma meta clara: livrar seus clientes de penas pesadas na Justiça e, de quebra, o governo petista da acusação de patrocinar um novo esquema de corrupção para remunerar sua base aliada no Congresso. Negociador nato, Thomaz Bastos se dedicava a convencer o Ministério Público Federal de que a roubalheira na Petrobras não passava de um cartel entre empresas - e que, como tal, deveria ser punido e superado com o pagamento de uma multa bilionária. Nada além disso. A morte tirou o criminalista cerebral da mesa de negociação. Marcio Thomaz Bastos deixou um vácuo. O governo perdeu sua ponte preferencial com as empreiteiras, o diálogo entre as partes foi interrompido, e as ameaças passaram a dominar as conversas reservadas. Foi nesse clima de ebulição que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, assumiu o papel de bombeiro. Ex-deputado pelo PT e candidato há anos a uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cardozo se lançou numa ofensiva para acalmar as construtoras acusadas de envolvimento no petrolão, que ameaçam implicar a presidente Dilma Rousseff e o antecessor Lula no caso se não forem socorridas. Há duas semanas, o ministro recebeu em seu gabinete, em Brasília, o advogado Sérgio Renault, defensor da UTC, que estava acompanhado do ex-deputado petista Sigmaringa Seixas. O relato da conversa percorreu os gabinetes de Brasília e os escritórios de advocacia como um sopro de esperança para políticos e empresários acusados de se beneficiar do dinheiro desviado da Petrobras. Não sem razão. Na reunião, que não constou da agenda oficial, Cardozo disse a Renault que a Operação Lava-Jato mudaria de rumo radicalmente, aliviando as agruras dos suspeitos de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. O ministro afirmou ainda que as investigações do caso envolveriam nomes de oposicionistas, o que, segundo a tradição da política nacional, facilitaria a costura de um acordo para que todos se safem. Depois disso, Cardozo fez algumas considerações sobre os próximos passos e, concluindo, desaconselhou a UTC a fechar um acordo de delação premiada. Era tudo o que os outros convivas queriam ouvir. Para defender a UTC, segundo documentos apreendidos pela polícia, o escritório de Renault receberá 2 milhões de reais. Além disso, se conseguir anular as provas e as delações premiadas que complicam a vida de seu cliente, amealharia mais 1,5 milhão de reais. Renault esgrime a tese de que a Lava-jato está apinhada de irregularidades, como a coação de investigados. No encontro, Cardozo disse o mesmo ao advogado, ecoando uma análise jurídica repetida como mantra pelos líderes petistas. Depois da reunião no ministério, representantes de UTC e Camargo Corrêa recuaram nas conversas com o Ministério Público para um acordo de delação premiada. A OAS manteve-se distante da mesa de negociação. “Na quarta-feira (um dia depois do encontro em Brasília), fomos orientados a suspender as conversas com os procuradores”, confidencia um dos advogados do caso. Cardozo não operou esse milagre sozinho. “Chegou o recado de que o Lula entrará para valer no caso e assumirá a linha de frente. Isso aumentou a esperança de que o governo não deixe as empresas na mão”, diz outro advogado de uma empreiteira. Procurados por VEJA, Cardozo, Renault e Sigmaringa tropeçaram nas próprias contradições ao tentar esclarecer a reunião no Ministério da Justiça, classificada por eles como um mero bate-papo entre amigos sobre assuntos banais. Cardozo disse inicialmente que não se reuniu com Renault. Depois, admitiu o encontro. A primeira reação de Sigmaringa também foi negar a audiência com Renault no gabinete do ministro, para, em seguida, recuar. Os amigos compartilham, como se vê, do mesmo problema de memória. Na versão de Cardozo, a reunião teria sido obra do acaso. Sigmaringa, um “amigo de longa data”, teria ido visitá-lo. Renault, que estava em Brasília e tinha um almoço marcado com o ex-deputado, decidiu se encontrar com Sigmaringa também no ministério. Pimba! Por uma conjunção cósmica, o advogado da UTC, empresa investigada pela Polícia Federal, acabou no gabinete de José Eduardo Cardozo.

Procurador Geral da República apresenta denúncias da Lava Jato contra políticos depois do carnaval

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar ao Supremo Tribunal Federal pedidos de abertura de inquérito contra parlamentares suspeitos de envolvimento nas fraudes em contratos de empreiteiras com a Petrobras logo depois do Carnaval. As informações sobre a decisão do procurador-geral chegaram a pelo menos três ministros, dois do STF e um do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Janot deve pedir investigação sobre 42 fraudes narradas pelos ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, ao longo das investigações da Operação Lava Jato. Janot, que estava nos Estados Unidos, tem se recusado a tratar do assunto. Mas, antes disso, emitiu sinais a alguns ministros de que fará os pedidos de investigação antes do final deste mês. Os dados que darão base aos pedidos de investigação estão sendo coletados e sistematizados por uma força-tarefa criada em dezembro para dar agilidade aos procedimentos relacionados à Lava Jato no STF. Os procuradores estão trabalhando em ritmo intenso para atender aos prazos traçados inicialmente e apresentar o resultado ao procurador-geral em até duas semanas, segundo uma autoridade que acompanha o caso de perto. A indefinição sobre os alvos prováveis dos inquéritos tem causado inquietação no Congresso Nacional e até no governo. Nas denúncias que fizeram sobre fraudes em contratos de empreiteiras com a Petrobras, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef teriam mencionado os nomes de 30 a 40 políticos, entre eles deputados, senadores e ex-governadores. São situações que podem ter forte impacto sobre a nova CPI da Petrobras, que será instalada depois do Carnaval, e também na agenda no Congresso Nacional. Costa e Youssef confessaram crimes e apontaram o envolvimento de políticos e empreiteiras com fraudes na Petrobras. Além do relato sobre os casos específicos de corrupção, os dois se comprometeram a devolver aproximadamente R$ 130 milhões, soma de recursos mantidos em contas bancárias e bens adquiridos a partir de desvios na Petrobras. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal terão também que acelerar as investigações da Lava Jato que estão sendo oficiadas pela 13ª Federal do Paraná. Segundo um ministro, são grandes as chances do STF mandar soltar executivos das empreiteiras e outros acusados que ainda estão presos na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. 

Meu nome é Bob!


O doleiro Alberto Youssef afirmou, em delação premiada à Justiça, em outubro, que o consultor Júlio Camargo — que já admitiu ter intermediado propina no esquema da Petrobras — tinha uma relação “muito boa” com o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. De acordo com Youssef, Dirceu usava o jatinho do consultor com frequência. Na contabilidade de Camargo o nome de Dirceu aparecia como “Bob”. “Julio Camargo possuía ligações com o Partido dos Trabalhadores, notadamente com José Dirceu e Antonio Palocci”, diz parte do trecho da delação premiada de Youssef à Polícia Federal. De acordo com o doleiro, o responsável pela contabilidade de Júlio Camargo, Franco Clemente Pinto, carregava sempre nas reuniões um pendrive com toda a movimentação financeira do consultor, apontado pela força tarefa da Operação Lava-Jato como o responsável pelo pagamento de propina da Camargo Corrêa e da Toyo Setal. “Franco é homem de confiança de Júlio Camargo e o responsável pela contabilidade de pagamentos ilícitos a título de propina e caixa 2″, diz o depoimento.

DILMA PREFERE OS CONSELHOS DE ASSESSOR A LULA

Dilma tem dado mais ouvidos ao assistente pessoal Anderson Dornelles do que ao ex-presidente Lula, antigo guru e padrinho político. O gaúcho de 35 anos, que Dilma conheceu quando ele tinha 13 anos, como seu office-boy, é chamado por ela de “Bebê” ou “Menino”, e acabou promovido de “porta-celular” a confidente e até conselheiro político. Ele se dirige a ministros como se fosse um deles. Anderson ficou ainda mais próximo de Dilma, na medida em que cresceu o desprezo dela por ajudantes de ordem militares. Aloizio Mercadante (Casa Civil), que afastou de Dilma todos os seus antigos assessores, não conseguiu (ainda) “queimar” Anderson. Dornelles controla o celular, o tablet e a agenda de Dilma, e não é apenas um garoto de recados. É mesmo a voz da presidente.

ATRASO NO SETOR ELÉTRICO DÁ PREJUÍZO BILIONÁRIO

Além da incapacidade de realizar projetos de geração e transmissão, diretores de Engenharia de estatais do setor elétrico como Eletrobras, Eletronorte, Eletrosul, Chesf e Furnas, prepostos do PT, fixaram um modelo de negócio vulnerável à corrupção. Eles definem projetos, fazem “chamamento” (e não licitação) e escolhem parceiros de EPEs (Empresas de Propósito Específico) constituídas para a execução das obras. Apesar de “minoritárias” nas EPEs, as estatais é que mandam. As empresas escolhidas pelos diretores petistas ficam com 51% das EPEs e as estatais com 49%. Por isso, a EPE é considerada privada. Apesar dos 49% da EPE, estatais do setor elétrico, por seus diretores de Engenharia, definem tudo, principalmente contratos. Sem licitação. Na estatal Chesf, o PT “aparelhou” de 34 das 52 EPEs, indicando como diretores militantes incapazes, impondo ritmo de cágado às obras. Tanta incapacidade provocou atraso em 272 obras na área de energia e prejuízo R$ 65 bilhões ao Brasil, segundo estudo da Firjan. 

Conselho Federal de Medicina acusa governo petista de não aplicar mais de R$ 9 bilhões na Saúde


O Conselho Federal de Medicina (CFM) acusou o governo, em nota divulgada nesta quinta-feira (12), de deixar de aplicar mais de R$ 9 bilhões na saúde pública em 2014, mas, também por meio de nota, o Ministério da Saúde respondeu que” tem assegurado investimento crescente, estável e contínuo para a saúde pública em todo o País e cumpre rigorosamente o que determina a Constituição”. Segundo o CFM, enquanto o valor total destinado para a pasta foi R$ 108,3 bilhões no ano passado, foram aplicados R$ 99,2 bilhões, 91% da verba disponível. A entidade fez os cálculos baseada no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e informa que mais da metade dos recursos que deixaram de ser aplicados iria para investimento: de quase R$ 9,4 bilhões previstos, até o último dia do ano o valor aplicado foi R$ 5,2 bilhões, 56% do autorizado. Ampliando o período de análise, a entidade médica diz que, entre 2003 e 2014, foram autorizados R$ 80,5 bilhões específicos para obras e aquisição de equipamentos, enquanto o gasto efetivo foi R$ 31,5 bilhões. “Materializando essa conta, basta dizer que, com essa verba que deixou de ser aplicada, seria possível construir 110 mil Unidades Básicas de Saúde, edificar 33 mil Unidades de Pronto Atendimento ou aumentar em quase 900 o número de hospitais públicos de médio porte”, afirma a nota. Segundo a nota do Ministério da Saúde, em 2014 o orçamento federal, exclusivamente executado em ações e serviços públicos de saúde, chegou a R$ 91,9 bilhões, acima da regra prevista na Emenda Constitucional 29, que determina que a União deve aplicar na saúde o mesmo valor destinado ao orçamento no ano anterior, mais a variação nominal do PIB. Ainda de acordo com a nota, na última década o Ministério da Saúde executou 99% dos recursos liberados para o seu orçamento. Para 2015, a previsão é de R$ 99,4 bilhões, exclusivamente em ações e serviços públicos de saúde.

Justiça determina reintegração de Maluf na presidência do diretório do PP em São Paulo


O deputado Paulo Maluf deverá ser reintegrado à presidência do diretório estadual do Partido Progressista (PP) em São Paulo. A determinação é da 4ª turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Eleito presidente do diretório, Maluf foi afastado dessa função em dezembro do ano passado, quando o presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), decidiu dissolver o diretório. Em julho de 2013, Maluf foi reeleito para a presidência do PP de São Paulo, para um mandato de dois anos, que se encerra em julho deste ano. Contudo, com a dissolução do diretório estadual no final do ano passado, ele foi afastado e substituído pelo deputado federal Guilherme Mussi, que na ocasião disse que o partido precisava de uma oxigenada. A direção da sigla alegou, na época, que alguns membros do antigo diretório estavam sendo prejudicados por aquela gestão. Mussi foi o deputado do PP mais votado nas eleições gerais do ano passado. Segundo o advogado Eduardo Nobre, sócio do Leite, Tosto e Barros, que representou Maluf neste processo, a decisão de dissolver o diretório foi grave porque foi tomada “sem a possibilidade do exercício do direito de defesa dos membros do diretório”. Por conta disso, Maluf recorreu à Justiça. O relator do caso no TJ-DF, Cruz Macedo, disse que “é possível vislumbrar a possibilidade de lesão grave e de difícil reparação imputável ao recorrente, que ocupava a presidência do Diretório Estadual do partido em São Paulo com mandato que expira apenas em junho de 2015, estando privado de exercer as funções partidárias para as quais estaria legitimado até decisão em contrário”. Ele entendeu que Maluf deve voltar à presidência do diretório do PP até que o mérito da questão seja analisado.

Banrisul apresenta lucro 12,3% menor em 2014, desempenho muito ruim na era petista

O Banrisul reuniu a imprensa nesta quinta-feira de manhã para informar que a instituição registrou lucro líquido de R$ 691,4 milhões em 2014, valor 12,3% menor que o registrado em 2013. O lucro líquido recorrente totalizou R$ 753,0 milhões, 4,9% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, com rentabilidade de 13,9% sobre o patrimônio líquido médio. O banco vem registrando desempenho deplorável. É o caso da Caixa Econômica Federal, por exemplo, que também nesta quinta-feira anunciou que encerrou o ano passado com lucro líquido de R$ 7,1 bilhões, resultado 5,5% maior do que o apurado em 2013. Bancos públicos de igual ou maior porte, conseguiram resultados muito melhores. O desempenho recorrente alcançado em 2014 reflete, segundo o banco, o aumento das receitas e das despesas com juros, a elevação do fluxo de provisões com crédito, o incremento de receitas com serviços e tarifas bancárias e o aumento de despesas administrativas. Ao final de dezembro do ano passado, os ativos totais alcançaram saldo de R$ 59,562 bilhões, expansão de 11,9% em relação a dezembro de 2013.  O patrimônio líquido do banco alcançou R$ 5,671 bilhões em dezembro de 2014, 10,1% acima da posição de dezembro de 2013 e 4,6% acima do saldo de setembro de 2014.