quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

SARTORI DÁ STATUS DE SECRETÁRIA AO GABINETE DE POLÍTICAS SOCIAIS PARA GARANTIR MANDATO DE DEPUTADO PARA MARIA HELENA

O governador do Rio Grande do Sul, Ivo Sartori (PMDB) criou hoje sua 20ª secretaria, já que concedeu status de secretaria ao Gabinete de Políticas Sociais, comandado por sua mulher, a deputada Maria Helena Sartori. O governador e a mulher ficaram em um impasse quando Fábio Branco, o titular, e o primeiro suplente, Jovir Costella, licenciaram-se para assumir suas secretarias. Acontece que o suplente seguinte é Maria Helena, que só teria as opções de assumir ou ser nomeada secretária, porque de outra forma perderia o mandato. A solução foi criar uma secretaria e nomeá-la. Isto significa que o terceiro suplente, Ibsen Pinheiro, poderá, agora, assumir na Assembléia.

Atenção! “Bob” é o nome de um amigo de Dirceu, que já foi seu assessor e carregador de malas, que tinha autorização para sacar dinheiro do mensalão que estava no Banco Rural

Vejam esta foto:

DÚVIDA – O que será que o ajudante Bob Marques carregava na mala da foto? Documentos, autorizações de saque, fotos de Fidel Castro? Os dois, segundo Bob, são amigos há mais de vinte anos (Foto: Ernesto Rodrigues/AE)
DÚVIDA – O que será que o ajudante Bob Marques carregava na mala da foto? Documentos, autorizações de saque, fotos de Fidel Castro? Os dois, segundo Bob, são amigos há mais de vinte anos (Foto: Ernesto Rodrigues/AE)
Então, no esquema do petrolão, Dirceu era “Bob”? É uma porcaria que a gente tenha lugar reservado na memória para os escândalos, que vão se multiplicando. Fazer o quê? Faz parte da nossa profissão, infelizmente.
Recomendo aos investigadores que também puxem pela memória. No dia 3 de agosto de 2005, a VEJA publicou uma reportagem (eu a reproduzo abaixo, em azul) em que informava que Bob Marques, um assessor de Dirceu e, literalmente, carregador de malas, tinha autorização para sacar dinheiro do Mensalão do Banco Rural. É preciso ver se o “Bob” de agora não é o mesmo “Bob” de antes. Tendo a achar que sim, né? Por que tamanha falta de imaginação com os apelidos?
Leiam a reportagem intitulada “Aonde Dirceu vai, o Bob vai atrás”. O assessor recorreu à Justiça para receber da VEJA R$ 100 mil de indenização por danos morais. O pedido foi negado pelo juiz Manoel Luiz Ribeiro, da 3ª Vara Cível do Foro Regional de Pinheiros, na capital paulista (aqui a está a decisão). No dia 1º de outubro de 2012, lembrei neste blog a história do Bob.*
Não foi só o depoimento de Renilda Santiago que colocou o ex-ministro José Dirceu no epicentro do escândalo do mensalão. Um documento, apreendido pela Polícia Federal na agência do Banco Rural em Belo Horizonte, revela que, entre as pessoas autorizadas a sacar dinheiro das contas do publicitário Marcos Valério, estava um dos principais ajudantes de Dirceu, Roberto Marques, conhecido como “Bob”, que cuida da agenda e das contas do ex-chefe da Casa Civil.
A descoberta surpreendeu a bancada petista na CPI dos Correios e provocou frisson entre os oposicionistas, que vêem no documento em poder da comissão o mais forte indício até agora da ligação de Dirceu com o esquema irregular de arrecadação de fundos. O documento, um fax com papel timbrado do Banco Rural, foi enviado à agência de São Paulo no dia 15 de junho do ano passado. Nele, um funcionário da agência mineira encaminha ao colega da Avenida Paulista uma autorização para o “sr. Roberto Marques receber a quantia de 50.000, referente ao cheque 414270, da empresa SMPB Comunicação”.
Os membros da CPI já sabem que, apesar da autorização dada ao ajudante de Dirceu, o saque foi feito no dia seguinte por Luiz Carlos Mazano, contador da corretora Bonus-Banval, que também estava autorizado a realizá-lo. A corretora informou que realmente tem um funcionário com esse nome, mas que o saque teria sido feito por um homônimo. O advogado da corretora, Antônio Sérgio Pitombo, vê armação. “Quando se associa o homônimo à corretora, o que se quer é agir de má-fé e desviar o foco das investigações da CPI”, diz. Não é a primeira vez que o nome da Bonus-Banval aparece na investigação do escândalo do mensalão.
Em Brasília, as investigações identificaram saques no valor de 225.000 reais cujo autor é Benoni Nascimento de Moura, funcionário da Banval. A corretora diz que está realizando uma auditoria interna para descobrir se houve alguma irregularidade cometida pelo funcionário Benoni. Quanto a Roberto Marques, a Bonus-Banval diz que não conhece nem nunca ouviu falar do ajudante de Dirceu. Pouco se sabe ainda sobre as atividades da corretora paulista, exceto que ela empregou até o fim do ano passado como estagiária Michele Janene, filha do deputado José Janene, suspeito de ser um dos chefes do mensalão. Talvez um bônus do tipo banval.
O aparecimento de Roberto Marques deve pautar os debates da CPI dos Correios, que vai ouvir nesta semana a diretora financeira da SMPB, Simone Vasconcelos. Bob é uma espécie de secretário particular de Dirceu. Faz as vezes de motorista, de despachante e de carregador de bagagem. Funcionário da Assembléia Legislativa de São Paulo, ninguém sabe direito o que ele é realmente – só que está sempre na companhia de Dirceu. Em muitas ocasiões, foi visto circulando por gabinetes do Palácio do Planalto.
Em março deste ano, Bob, sob o comando de Dirceu, foi um dos mais ativos operadores na campanha para a presidência da Assembléia Legislativa de São Paulo. A parceria entre Bob e Dirceu é tão intensa que o assessor chegou a representar oficialmente o então ministro da Casa Civil em solenidades, como a organizada pela Associação para Prevenção e Tratamento da Aids, realizada em 2003, em São Paulo. “Sou amigo do Zé há vinte anos. Faço companhia a ele nos fins de semana e ajudo no que for possível”, afirma Bob. Dinheiro de Valério?
Ele garante que nada tem a ver com isso. É, segundo ele, coincidência ou armação. “Só em São Paulo existem 5.000 pessoas com o mesmo nome”, diz o amigo-secretário de Dirceu. “Nunca estive no Rural, não saquei dinheiro nenhum e se usaram meu nome foi indevidamente”, garante ele. O problema é que a CPI resolveu investigar e descobriu que a autorização foi, sim, dada ao assessor legislativo, embora ele não tenha sido o autor do saque. “Só pode ser então uma armação para complicar a vida do Zé Dirceu”, afirma. Esse Bob é mesmo esponja.
A confirmação de que o Roberto Marques do documento do Rural é o mesmo Bob ajudante de Dirceu foi dada a VEJA na última sexta-feira pelo deputado Carlos Abicalil, do PT de Mato Grosso. Sub-relator da CPI dos Correios, o parlamentar contou que foi procurado pelo próprio Marques na semana retrasada para tentar esclarecer o aparecimento de seu nome nos documentos contábeis do Banco Rural. Segundo o deputado, o assessor repassou o número de sua identidade e de seu CPF, para que ele pudesse conferir com os documentos em poder da CPI. O resultado da pesquisa, nas palavras do próprio deputado, foi o seguinte: “O número do RG conferia. Só não conferia o saque”, diz.
Acima, a autorização para o faz-tudo de Dirceu sacar R$ 50 mil da conta de Valério no Banco Rural. Quanta coincidência!!!
Acima, a autorização para o faz-tudo de Dirceu sacar R$ 50 mil da conta de Valério no Banco Rural. Quanta coincidência!!!
Dirceu sabia que o documento com o nome do ajudante apareceria cedo ou tarde. O próprio Roberto Marques contou ter conversado com o ex-ministro sobre o assunto muito antes de surgirem os rumores de que o papel existia. “Eu disse que não tinha nada a ver com isso.” Desde o início da semana passada, Dirceu procurava insistentemente falar com o presidente da CPI, o senador Delcidio Amaral. Na terça-feira, Delcidio foi à casa do ex-ministro, onde passou meia hora. Os dois tiveram uma conversa dura, segundo relatos ouvidos por membros da CPI.
Oficialmente, discutiram sobre o andamento dos trabalhos da comissão. O ex-ministro demonstrou grande preocupação com a velocidade da investigação e, principalmente, com o vazamento de documentos – um estranho incômodo para quem, em tese, nada tem a ver com o assunto. Dirceu também defendeu que seu depoimento era desnecessário. Por fim, fez uma proposta indecorosa ao presidente da CPI. Sugeriu a Delcidio que barganhasse seu depoimento em troca da não-convocação do presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, cujo nome também apareceu como beneficiário do dinheiro de Marcos Valério.
Delcidio desconversou. Outros parlamentares afirmam que Dirceu queria sumir ainda com a autorização de saque para Bob, sob a alegação de que era um papel avulso, sem validade jurídica. Sobre o aparecimento do nome de seu secretário particular, ajudante, amigo e, agora se sabe, pau para toda a obra, Dirceu mandou dizer que tudo indica tratar-se de uma “plantação” para prejudicá-lo. A convocação do ex-ministro para a CPI deverá ser aprovada nesta semana.
Por Reinaldo Azevedo

Fundo de Abu Dhabi assume controle de empresa de Eike Batista


O fundo de investimento Mubadala Development, de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, comunicou nesta quinta-feira que assumiu o controle da empresa de mineração de ouro AUX, que pertencia ao empresário Eike Batista, segundo o jornal americano Wall Street Journal (WSJ). O fundo estatal havia emprestado 2 bilhões de dólares a Eike Batista em 2012, mas após a derrocada de seu império, o empresário se viu obrigado a pagar sua dívida com investidores usando seus próprios ativos. A AUX detém os direitos de extração de minérios na Colômbia. "O Mubadala retomou 100% de propriedade da AUX, marcando mais um passo significativo no processo de redenção com o grupo EBX", afirmou Brian Lott, porta-voz do fundo de Abu Dhabi. O valor da operação não foi revelado. Segundo Lott, o Mubadala é atualmente acionista majoritário da empresa de entretenimento IMX, fundada por Eike Batista. Além disso, adquiriu uma participação de 10,4% na empresa de logística Prumo Logística e, juntamente com a trader Trafigura, passou a deter 65% de um porto no sul do Estado do Rio de Janeiro, construído pela MMX, outra companhia do ex-bilionário. O negócio envolvendo a AUX acontece dias após a Polícia Federal ter apreendido um iate, carros de luxo, jóias, jet skis e outros bens do empresário, que é réu em um julgamento em que é acusado de manipulação de mercado e insider trading (informação privilegiada).

Petrobras alega inviabilidade econômica em 3 campos e pára a produção


A Petrobras recebeu autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para interromper a produção da plataforma P-12, responsável pela extração de petróleo dos campos de Badejo, Linguado e Trilha, na Bacia de Campos, disseram a estatal e a autarquia. Junto com a permissão, a agência reguladora determinou que a Petrobras apresente novos planos de desenvolvimento para as áreas até o fim do ano, com estudos para a implantação de um projeto de revitalização, sob pena de devolução das áreas. Os três campos entraram em produção na década de 1980 e produziram média de apenas 1.569 barris de petróleo por dia no ano passado, de acordo com dados da agência reguladora. "O investimento necessário para manter as condições de operação dessa unidade (P-12) deixou de ser atrativo face aos atuais volumes de produção", disse a Petrobras em nota nesta quinta-feira: "A Petrobras está avaliando alternativas tecnológicas para a retomada da produção dos mesmos". Ainda segundo a Petrobras, a parada de produção da P-12 está de acordo com o planejamento estratégico da empresa. O pedido para a interrupção da extração de petróleo, que foi feito em junho do ano passado e autorizado pela ANP em janeiro deste ano, acontece em um momento em que o preço do petróleo está próximo de mínimas de cinco anos. Estimativas da Petrobras apontam que a extração do pré-sal será inviável se o preço do barril ficar abaixo dos 40 dólares. Nesta quinta-feira, o preço do barril fechou em queda de 5,47%, a 51 dólares.

O petista Aloizio Mercadante aparelha até a CGU



O pacote anticorrupção que será anunciado pela presidente Dilma Rousseff após o Carnaval inclui a criação de uma secretaria de controle das estatais, sob o guarda-chuva da Controladoria-Geral da União (CGU). O novo órgão deve ser comandado por Sérgio Seabra, secretário-adjunto de Controle Interno. Ligado ao ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, Seabra chegou a ser investigado por vazamento de informações e sua casa foi alvo de um mandado de busca e apreensão em 2013 – a investigadora da controladoria responsável pelo caso acabou recuando. Seabra é braço-direito de Francisco Bessa na CGU. Ambos trabalharam com Mercadante quando ele foi ministro da Educação. Bessa ainda esteve ao lado do ministro na Casa Civil. A dupla se junta a Valdir Simão, o ministro-chefe da CGU, outro nome de confiança do ministro. Para quem conhece Mercadante, não chega a ser novidade seu gosto pelo "controle".

The Economist critica: "Petrobras deve seguir nova política de interesse nacional, não do PT"


Jornalistas da revista britânica The Economist estiveram em Brasília há pouco mais de uma semana para sentir a temperatura da crise econômica e política no País com o objetivo de produzir uma série de reportagens. A primeira foi publicada na edição desta quinta-feira, que trata da crise na Petrobras. Com o título "De quem é o petróleo", a reportagem ironiza o slogan "O petróleo é nosso", criado no final da década de 1940 numa campanha intensa do governo para dar à Petrobras o monopólio da exploração dos campos, e questiona o leitor se o "nosso" da frase significa o povo ou os indivíduos que se beneficiaram com a corrupção na estatal.  A publicação critica a política de reestatização da Petrobras ocorrida ao longo do governo Lula e afirma que o ex-presidente viu na descoberta do pré-sal a chance de retroceder em toda a estratégia de abertura ao setor privado que vinha sendo implementada pelo governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso. A Economist afirma, em especial, que o fato de os governos petistas terem usado a Petrobras como veículo de política industrial fez com que não só ineficiências e desperdícios fossem criados, como também se abrisse um enorme ralo para escoar dinheiro da corrupção. "A política industrial expansiva do PT foi perniciosamente cara para o Brasil. Isolando a Petrobras da concorrência justo quando a empresa embarcou num dos maiores programas de investimentos do mundo provou ser um convite aberto ao roubo", afirma a reportagem. Outro erro crasso, diz a Economist, foi a política de conteúdo nacional, que fixou níveis altíssimos (acima de 65%) de uso de materiais e peças produzidos no País para abastecer a indústria naval. "Foi uma receita para atrasos e custos extras", afirma a reportagem, apontando que a falta de concorrência privou os estaleiros de economias de escala. Segundo a Economist, o Brasil precisa de uma política que adeque a Petrobras aos interesses nacionais, e não àqueles de seus gestores e do partido de situação, o PT. "Isso significa reduzir o tamanho da empresa e colocá-la na competição por mercado", afirma. A Economist ainda recomenda que a empresa use o dinheiro do petróleo para melhorar sua competitividade, infraestrutura e pesquisa, para que os fornecedores se sintam atraídos para desembarcar no Brasil — e não obrigados a fazê-lo por uma imposição do Estado.

ANS suspende venda de 70 planos de saúde




A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) suspende a partir da próxima quinta-feira a venda de 70 planos de saúde oferecidos por 11 operadoras. A medida atinge aproximadamente 580.000 clientes e vale por três meses. De acordo com o órgão, a proibição é devida ao desrespeito aos prazos máximos de atendimento e queixas como negativas indevidas de cobertura. A determinação tem por base reclamações dos clientes. Neste ciclo de avaliação dos planos, entre 19 de setembro e 18 de dezembro de 2014, foram recebidas 13.921 reclamações. Das onze operadoras com planos suspensos, oito já tinham planos em suspensão no último ciclo de avaliações, três operadoras não constam da última lista e apenas uma tem o plano suspenso pela primeira vez. Além de ter a comercialização suspensa, as operadoras que negaram indevidamente cobertura podem receber multa que varia de 80.000 reais a 100.000 reais. A ANS também anunciou a reativação de 43 planos de saúde que estavam com a venda suspensa em decisão anterior, por apresentarem comprovada melhoria no atendimento. Há hoje no País 50,8 milhões de consumidores com planos de assistência médica e 21,4 milhões com planos exclusivamente odontológicos. Desde o início do programa de monitoramento, 1.043 planos de 143 operadoras tiveram as vendas suspensas. Outros 890 planos voltaram ao mercado após comprovar melhorias no atendimento.

Juiz federal Sérgio Moro diz que "Judiciário não pode ser guardião de segredos sombrios"


Ao liberar o conteúdo da maior parte dos acordos de delação premiada feitos por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, o juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, disse que não se trata de “vazamento” de informações, mas sim do cumprimento do princípio da publicidade a processos que não estão sob segredo de justiça. “Seguindo os mandamentos constitucionais, o trato da coisa pública, aqui incluído o processo de supostos crimes contra a administração pública, deve ser feito com transparência e publicidade. Não se presta o Judiciário para ser o guardião de segredos sombrios”, afirmou. Por enquanto, permanecem sob sigilo apenas os nomes dos políticos citados como beneficiários de propina do Petrolão do PT.

Ministério Público isenta pilotos de culpa na queda do jatinho que matou Eduardo Campos


O Ministério Público Federal afirmou nesta quinta-feira que os pilotos que conduziam o jato do então presidenciável Eduardo Campos (PSB) não tiveram responsabilidade no acidente que matou o ex-governador e mais quatro assessores da campanha, além dos condutores. No dia 13 de agosto do ano passado, a aeronave modelo Cessna 560XLS+ deixou o Rio de Janeiro em direção a Santos (SP), onde caiu sobre uma área residencial após arremetida em tentativa fracassada de pouso. Em janeiro deste ano, um relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), apontou que os pilotos não tinham formação adequada para guiar aquele modelo de avião e que descumpriram a rota prevista na carta aeronáutica. O procurador federal Thiago Lacerda Nobre afirmou que ainda "não é possível saber o motivo exato da queda" e que as condições climáticas não podem ser descartadas, apesar de haver evidências que os pilotos, de fato, desrespeitaram alguns procedimentos de vôo, como encurtar o caminho para a aterrissagem. "A repentina piora das condições climáticas na região pode ter interferido na condução da aeronave, e não se sabe se os pilotos, em trânsito, haviam sido comunicados sobre essas mudanças do tempo", informou, em nota, a Procuradoria. Sobre os condutores não terem habilitação para conduzir o CessnaXLS+, o Ministério Público argumentou que eles já pilotavam o jato havia alguns meses. "Segundo regulamentos internacionais, era necessária a realização de cursos complementares, porém não houve exigências da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nesse sentido", disse a Procuradoria, que investiga o caso há seis meses. Conforme havia sido descartado no relatório da Cenipa, os investigadores também rechaçaram a hipótese de o acidente ter sido causado pela "absorção de aves pela turbina".  Em relação ao processo administrativo de pagamento de indenizações às famílias das vítimas e reparação de danos materiais, a Procuradoria afirmou que a aeronave estava com o seguro em dia. Mesmo assim, os investigadores ainda apuram se houve inadimplência por parte dos contratantes.

Brasil quer cobrar do bandido petista mensaleiro foragido Henrique Pizzolato os gastos com advogados italianos


O Ministério Público trabalha com a possibilidade de, concluído o processo de extradição do ex-diretor do Banco do Brasil, o bandido petista mensaleiro foragido Henrique Pizzolato, cobrar do próprio extraditando os custos que o governo brasileiro teve com a contratação de advogados italianos para cuidar do caso. A Advocacia-geral da União contratou dois especialistas na Itália por valores estimados em até 100.000 euros. Desde que Pizzolato foi localizado na Itália, em fevereiro do ano passado, o Ministério Público tenta economizar nos custos do processo de extradição. Em vez de traduzir todas as cerca de 8.000 páginas do acórdão do Mensalão do PT a um custo projetado de 400.000 reais, os procuradores acertaram que apenas as folhas iniciais e a parte relativa ao bandido petista mensaleiro e foragido Henrique Pizzolato deveriam ser traduzidas para o italiano e entregues às autoridades da Itália.

ANP declara que a Petrobrás é responsável pela explosão em navio-plataforma

Ambulâncias do Samu estacionadas no aeroporto de Vitória (ES) para resgatar os feridos da explosão no navio-plataforma da Petrobras

A Petrobras, como operadora dos campos Camarupim e Camarupim Norte, onde ocorreu acidente em uma plataforma na quarta-feira matando ao menos cinco pessoas, é a responsável pelas ocorrências na área, afirmou Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A autarquia informou ainda que foi aberto um processo administrativo de investigação para verificar as causas da explosão. O navio-plataforma, que pertence à BW Offshore, é afretado pela estatal junto à empresa norueguesa. Para a ANP, no entanto, quem responde por ocorrências no campo é a operadora da área petrolífera, ou seja, a Petrobras, e não a operadora da plataforma, no caso, a BW Offshore. A explosão levou a presidente Dilma Rousseff a emitir nota nesta quinta-feira para reforçar que a assistência aos trabalhadores é de responsabilidade da empresa estrangeira. "A Petrobras irá cuidar para que a BW preste toda a assistência às famílias envolvidas", disse Dilma. O acidente, que deixou outros quatro desaparecidos e 25 feridos, ocorreu apenas alguns dias depois de o petista Aldemir Bendine (o amigo da socialite Val Marchiori) assumir a presidência-executiva da estatal, em substituição à Graça Foster, que renunciou em meio às denúncias de corrupção investigadas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. A companhia BW Offshore afirmou nesta quinta-feira que todos os cinco trabalhadores mortos na explosão na plataforma no Brasil eram seus funcionários. Segundo o porta-voz da BW Offshore, Torfinn Buaroey, a "grande maioria" dos trabalhadores da FPSO Cidade de São Mateus era formada por brasileiros. Não havia noruegueses a bordo, acrescentou. 


Delatores detalham participação da empreiteira Odebrecht no esquema criminoso do Petrolão do PT


Em depoimentos prestados à Justiça, os dois principais delatores do Petrolão do PT detalham a participação da Odebrecht no mega esquema de corrupção instaurado na Petrobras. A gigante da construção é uma das únicas grandes empreiteiras do País que não teve diretores presos na Lava Jato, mas um dos braços da companhia, a Odebrecht Plantas Industriais, é alvo de inquérito policial na operação. Em declarações no âmbito do acordo de delação premiada que fecharam com a Justiça, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou que recebeu 31,5 milhões de dólares da Odebrecht em contas no Exterior. Já o doleiro Alberto Youssef afirma que a construtora pagou 10 milhões de reais em propina ao ex-deputado José Janene (PP), morto em 2010. Segundo Paulo Roberto Costa, o dinheiro depositado no Exterior não era relativo à comissão dos operadores do esquema sobre os valores pagos a partidos políticos. Tratava-se, na verdade, de um “extra" por serviços prestados. A construtora queria, segundo o delator, manter a boa relação com o ex-diretor da Petrobras. As declarações foram dadas em setembro do ano passado, mas o depoimento só foi tornado público nesta quinta-feira pela Justiça Federal. Segundo ele, o dinheiro que a empreiteira depositava vinha de contas da empresa no Exterior. A sugestão da abertura de contas em paraísos fiscais foi de Rogério Araújo, diretor da Odebrecht Plantas Industriais. Paulo Roberto Costa conta que o executivo o apresentou a Bernardo Freiburghaus, que intermediou a abertura das contas secretas. Araújo, contou o delator, chegou a procurá-lo para dizer que Paulo Roberto Costa era “um tolo, porque ajudava mais os políticos do que a si mesmo”. “A hora que você precisar de algum deles, eles vão te virar as costas”, teria dito o executivo a Paulo Roberto Costa, segundo relato do delator. Apenas na conta de uma empresa aberta no Exterior, a Quinus Servises S.A, Paulo Roberto Costa declara ter recebido 9,6 milhões de dólares. A propina para o ex-diretor era depositada em bancos na Suíça, Alemanha e Canadá. Ele afirmou que os pagamentos foram feitos de 2008 ou 2009 até 2013. E que acredita, embora não tenha certeza, que possa ter havido repasses também em 2014. Segundo ele, os depósitos continuaram a ser feitos mesmo depois que Paulo Roberto Costa deixou a Petrobras. O doleiro Alberto Youssef também implicou a gigante Odebrecht no mega esquema de corrupção instaurado na Petrobras. A construtora foi citada em depoimento prestado em 20 de novembro do ano passado, quando o delator do Petrolão do PT tratou sobre desvios em obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), localizada no município de Araucária, no Paraná. Segundo documentos tornados públicos nesta quinta-feira pela Justiça Federal do Paraná, Youssef afirma que a Odebrecht pagou 10 milhões de reais em propina. Aos investigadores, Youssef afirmou que foi procurado entre 2005 e 2006 pelo então deputado José Janene (PP), morto em 2010. Janene buscava dinheiro de propina paga pela UTC relativa a uma obra da Repar que era executada por um consórcio formado pela construtora e a Odebrecht. Segundo ele, a obra estava orçada em 2 bilhões de reais – e a “comissão” acertada com a construtora foi de 10 milhões de reais. O dinheiro, segundo ele, foi parcelado em 10 vezes. Youssef declarou que algumas vezes retirava o dinheiro na sede da UTC em São Paulo e, em outras, a propina era entregue em seu escritório por um funcionário da empresa. Youssef afirmou aos investigadores que não participou dessa negociação, fechada por Ricardo Pessoa, dono da UTC e apontado como chefe do clube do bilhão, pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e por José Janene. Cabia ao doleiro apenas recolher o dinheiro e repassar os porcentuais de Paulo Roberto Costa, do PP, e de João Cláudio Genu, ex-assessor do partido. A ele cabia 5% de comissão. O doleiro afirmou, então, que o acerto envolveu também a Odebrecht, que pagou a outra “metade” da propina: 10 milhões de reais. Ele disse que o dinheiro foi pago em dólares, e depositado em uma conta de Janene em um paraíso fiscal, aberta em nome de Rafael Ângulo Lopes. Segundo Youssef, a conta era movimentada pelo parlamentar e o dinheiro voltou para o Brasil por meio da ação de doleiros. 

Ministro Luis Roberto Barrroso não acredita que Itália negará a extradição do bandido petista mensaleiro Henrique PIzzolato


O ministro Luís Roberto Barroso, relator do processo do Mensalão do PT no Supremo Tribunal Federal, disse nesta quinta-feira não haver razões para que o governo da Itália negue a extradição do bandido petista mensaleiro e foragido Henrique Pizzolato para o Brasil. O pedido foi aceito pela Justiça italiana nesta quinta-feira, mas o Executivo terá a palavra final sobre o caso. Pizzolato foi preso em fevereiro do ano passado na Itália, após ser condenado a 12 anos e 7 meses de prisão por sua participação no Mensalão do PT. Ele era diretor de marketing do Banco do Brasil na época dos desvios. "Só seria o caso de o Executivo negar essa entrega se houver algum fundamento político relevante que justifique, e eu penso que não seja o caso", disse o ministro, pouco antes da sessão plenária do STF. O ministro também afirmou que não há analogia entre o caso de Pizzolato e o de Cesare Battisti, o terrorista italiano cuja extradição foi negada pelo governo do alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações") em 2010. Barroso, que foi advogado de Battisti, disse que o italiano cometeu crimes considerados políticos e só teve a extradição solicitada 32 anos após os delitos. "É um contexto completamente diferente", afirmou. Evidentemente, o ministro conta uma completa inverdade sobre o passado do bandido Battisti na Itália. Luís Roberto Barroso também admitiu que uma eventual decisão pela não-extradição de Pizzolato geraria um sentimento de impunidade. "Se houve uma condenação e a Itália não o entregar para que a pena seja cumprida no Brasil, certamente haverá uma sensação de impunidade. Pior do que sensação: haverá um fato real e concreto de impunidade já que há uma decisão transitada em julgado", afirmou. O ministro, entretanto, disse não acreditar que o governo italiano agirá por vingança por causa do caso Battisti.

Nova York registra recorde especial de 10 dias sem assassinatos na cidade


Nova York, antes notória por altas taxas de criminalidade, quebrou um recorde nesta quinta-feira com dez dias seguidos sem assassinatos reportados, segundo a polícia. A calmaria histórica, alcançada às 00h01 desta quinta-feira, vem depois de um ano notável – assassinatos na cidade de Nova York em 2014 caíram para 328, o mais baixo desde que o departamento de polícia da cidade começou a manter registros confiáveis em 1963. "Todos estão se comportando", disse o sargento Daniel Doody, do Departamento de Polícia nova-iorquino. A maior cidade dos Estados Unidos manteve a paz durante o início da manhã desta quinta-feira, batendo o recorde estabelecido em 2013, quando nove dias seguidos se passaram sem que uma pessoa fosse assassinada na cidade de mais de 8,5 milhões de pessoas. Oficiais creditaram os bons resultados em 2014 a um foco maior no policiamento preventivo e na repressão ao pequeno número de pessoas responsáveis pela maior parte dos crimes, sobretudo em regiões onde há gangues que atuam com tráfico de drogas. Nesta quinta-feira, o sargento Doody deu uma explicação no mínimo curiosa - se não equivocada - para o recorde de dez dias sem homicídios. “Com previsão de temperaturas frias para os próximos dias, é possível que as cabeças frias possam prevalecer ainda mais”, disse, observando que assassinatos geralmente ocorrem em estações mais quentes, quando mais pessoas estão nas ruas e o calor as deixa "rabugentas". Os assassinatos em Nova York caíram em 85% em relação ao pico em 1990. O resultado vai ao mesmo sentido da queda na taxa de criminalidade nos Estados Unidos na última década, com outras grandes cidades reportando quedas de crimes violentos em 2014, incluindo Chicago, que teve o menor número de assassinatos desde 1965. Apesar dos números favoráveis, os policiais não iniciaram o ano com muitos motivos para celebrar, devido ao luto pelos colegas Rafael Ramos e Wenjian Liu. Eles foram assassinados por Ismaaiyl Brinsley – um homem de 28 anos de idade com histórico de violência e problemas mentais – em vingança declarada pela morte do vendedor ambulante de cigarros Eric Garner, que foi sufocado num mata-leão aplicado por um policial e também pelo caso de Michael Brown, jovem desarmado morto em Ferguson. Em uma prova da divisão entre a força policial da cidade e o prefeito, Bill de Blasio, os agentes o responsabilizaram pela morte dos colegas e chegaram a virar as costas quando o político foi ao hospital para onde os dois policiais foram levados depois de serem baleados. Os atritos começaram quando De Blasio se cercou de críticas à força policial e chegou a dizer, em uma entrevista na TV, que advertiu o filho adolescente sobre a necessidade de ter cuidado redobrado em um eventual contato com a polícia.

Inadimplência do consumidor sobe 16,7% em janeiro



O índice de inadimplência do consumidor brasileiro teve alta de 16,7% em janeiro deste ano ante janeiro de 2014, o maior ritmo de crescimento dos últimos quatro meses, informou a Serasa Experian nesta quinta-feira. Na comparação com dezembro do ano passado, a inadimplência avançou 4,1%, o maior aumento para janeiro desde 2003. Segundo economistas da instituição, a alta da inadimplência em janeiro de 2015 "reflete as crescentes dificuldades que o consumidor brasileiro está encontrando para honrar seus compromissos financeiros". Entre fatores que reforçam preocupações em relação à inadimplência do consumidor, os economistas da empresa citaram aumentos sazonais de impostos e taxas como IPTU e IPVA, o realinhamento de vários preços administrados como energia elétrica, transporte urbano e combustíveis, e elevações nas taxas de juros e enfraquecimento do mercado e trabalho. Entre os tipos de dívida que compõem o indicador de inadimplência, as dívidas não bancárias - cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços - tiveram alta de 10,4% em janeiro ante dezembro, sendo as principais responsáveis pela alta. A inadimplência junto aos bancos cresceu 0,3%. Por outro lado, os títulos protestados e os cheques sem fundos apresentaram quedas de 12,3% e 9,9%, respectivamente.

Municípios não conseguem atingir metas de educação


Levantamento realizado pela ONG protopetista Todos Pela Educação com base nos resultados da Prova Brasil 2013 destaca o fraco desempenho dos alunos no ensino fundamental, principalmente em sua etapa final, que agrupa estudantes do 5º ao 9º ano. O relatório divulgado nesta quinta-feira mostra que 29,6% dos municípios alcançaram as metas propostas pela ONG em língua portuguesa e que apenas 10,8% das cidades cumpriram as metas em matemática. Ou seja, nove em cada dez municípios tiveram índices considerados inadequados nessa disciplina. A organização estabelece metas de aprendizado para alunos de 5.565 municípios brasileiros com base nos indicadores da Prova Brasil, avaliação do governo federal aplicada a cada dois anos nas escolas da rede pública. A prova tem uma escala de notas que varia de 0 a 500 pontos. Os níveis considerados adequados mudam de acordo com a etapa de ensino. O Todos Pela Educação considera que tem aprendizado adequado o aluno que atinge ou supera 200 pontos em língua portuguesa e 225 pontos em matemática no 5º ano. Para os alunos do 9º ano, a nota mínima sobe para 275 em português e 300 em matemática. O aluno do 9º ano que acerta menos de 275 pontos, por exemplo, tem dificuldades para entender o sentido de uma metáfora ou até para localizar a informação principal em um texto. Em matemática, não atingir 300 pontos significa não saber ler tabelas comparando medidas de grandezas ou estabelecer relação entre unidades de medida de tempo. "Professores pouco qualificados e falta de infraestrutura nas escolas, como laboratórios bem equipados, prejudicam a qualidade do ensino nos anos finais do ensino fundamental", diz Alejandra Meraz Velasco, coordenadora geral da ONG.
De acordo com o relatório, em 2013, apenas 48% das cidades do País atingiram os objetivos determinados pelo Todos Pela Educação relativos ao desempenho de estudantes do 5º ano em língua portuguesa — as metas variam de cidade para cidade e levam em conta a situação prévia de cada uma delas. Já em matemática, 61,7% dos municípios brasileiros cumpriram as metas estabelecidas. "O relatório corrobora o que outros indicadores, como Ideb, já mostravam: o país tem cada vez mais dificuldade para melhorar a qualidade de ensino", afirma Alejandra. O levantamento mostra ainda que, em 2011, o indicador já apresentava queda nos percentuais de municípios que atingiram as metas em relação a 2009 no 5º ano, em matemática, e no 9º ano, nas duas disciplinas. Em 2013, a queda foi verificada em relação a ambas as disciplinas, nos dois anos avaliados.
Nota dos alunos no 5º ano

Ex-preso e terrorista islâmico de Guantánamo pede asilo para outros presos na Argentina


Um ex-detento de Guantánamo que foi acolhido como refugiado pelo Uruguai foi à Argentina pedir que o governo da peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner receba alguns dos outros detentos da prisão militar americana. Jihad Ahmed Mustafa Deyab deu entrevista a quatro veículos: Barricada TV, Resumen Latinoamericano, Radio Gráfica e Radio Madre, pertencente à associação Mães da Praça de Maio. Estava vestido com a roupa laranja dos prisioneiros de Guantánamo e falou em árabe, sendo traduzido para o espanhol por um tunisiano que mora na Argentina, segundo informou o jornal La Nación. Por decisão do presidente José Mujica, o Uruguai acolheu em dezembro seis ex-detentos: três sírios, um tunisiano, um libanês e um palestino. Tratados como heróis pelo governo uruguaio e por parte da imprensa brasileira, os novos moradores do país vizinho não são, porém, vítimas inocentes da guerra ao terror empreendida pelos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Eles são jihadistas, terroristas islâmicos, ainda que de baixa patente. Todos passaram por campos de treinamento do grupo terrorista Al Qaeda ou possuíam conexões com o regime talibã, do Afeganistão. Deyab, de 43 anos, foi preso no Paquistão e serviu nas fileiras da Al Qaeda, tendo participado de operações na África e atuado como recrutador na Europa. Esse currículo serve para lembrar que ele e seus colegas foram soltos por razões políticas, não por ser inocentes. Em Montevidéu, ele e os outros ex-detentos foram abrigados em uma casa cedida por um sindicato. Os detalhes dos compromissos assumidos por Mujica não são públicos, mas sa­be-se que uma das exigências era que o grupo fosse impedido de deixar o Uruguai pelo prazo mínimo de dois anos. Mesmo que as autoridades uruguaias se empenhem em vigiar os terroristas, dificilmente serão capazes de impedir que eles saiam do país. Deyab, que desde 2013 fazia greve de fome e era alimentado à força por meio de um tubo inserido pelo nariz, lembrou disso na entrevista. “Os presos em Guantánamo sofrem muito. Antes de sair de lá estava em um lugar onde recebia comida à força, com um tubo que passava pelo nariz”, disse, alegando inocência: “Um companheiro de cela do Iêmen pediu para que eu nunca os esquecesse, e eu me emocionei muito. Nunca vou esquecer os companheiros que estão lá e é por isso que vim para aqui para lutar. O governo argentino, por exemplo, pode receber presos de Guantánamo aqui de forma humanitária”. Sobre o relatório do Senado americano sobre técnicas de tortura usadas pela CIA, ele disse ser "apenas política". "Somos vítimas da política agressiva dos EUA", afirmou, alegando ter sido torturado durante os doze anos que passou em Guantánamo. O ex-presidiário afirma que não quis voltar a seu país por causa da instabilidade, mas quer reencontrar a família o quanto antes - só não detalhou o lugar onde pretende fixar residência. O presidente muçulmano Barack Obama se comprometeu a fechar a prisão de Guantánamo antes de concluir seu segundo mandato, em 2016. Após as transferências e libertações, são 122 os detidos que permanecem em Guantánamo, a maioria de nacionalidade iemenita. No total, em 2014 foram transferidos 28 prisioneiros, incluindo seis que foram recebidos pelo Uruguai, o segundo país latino-americano que admitiu receber detidos desta prisão depois de El Salvador, que em 2012 recebeu como refugiados dois presos uigures, que posteriormente deixaram o país.

Lucro da Caixa Econômica Federal sobe 5,5% em 2014, para R$ 7,1 bilhões


A Caixa Econômica Federal anunciou nesta quinta-feira que registrou um lucro líquido de 7,1 bilhões de reais em 2014, resultado 5,5% superior ao verificado em 2013. No quarto trimestre, o lucro atingiu 1,8 bilhão de reais, valor 5,1% acima do mesmo período do ano anterior. O segundo maior banco estatal do País em ativos fechou o ano passado com uma carteira ampliada de financiamentos de 605 bilhões de reais, alta anual de 22,4%. O avanço foi liderado pelos empréstimos para habitação, item mais importante da carteira da Caixa, que teve evolução de 25,7% em 12 meses, para 339,8 bilhões de reais. O índice de inadimplência acima de 90 dias fechou o ano em 2,56%, ante 2,73% no trimestre anterior e 2,3% no quarto trimestre de 2013. A rentabilidade sobre patrimônio líquido médio ficou em 15,23%, abaixo dos 17,79% no terceiro trimestre e de 24,76% no ultimo quarto de 2013. Já as despesas da Caixa Econômica Federal com provisões para perdas com calotes somaram 3,45 bilhões de reais, um salto de 37,1% na comparação anual. Na terça-feira, o governo federal anunciou a nomeação da ex-ministra do Planejamento, Miriam Belchior, para presidir o banco no lugar de Jorge Hereda, a partir do dia 23. Nesta quarta-feira, o Banco do Brasil, outro banco público, reportou uma queda de 28,7% no lucro líquido em 2014 na comparação com 2013, para 11,246 bilhões de reais. Segundo a entidade, no quarto trimestre também houve queda de 2,2% ante o mesmo período de 2013, para 2,959 bilhões de reais. Já a carteira, que considera títulos privados e garantias, fechou 2014 em 760,9 bilhões de reais, avanço de 9,8% em 12 meses.

Central sindical ligada ao PMDB receberá R$ 15 milhões em imposto


Uma decisão do ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT), tomada no fim do ano passado e baseada em documentos com validade questionada no próprio ministério, levará a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), vinculada ao PMDB, a receber cerca de 15 milhões de reais neste ano em imposto sindical. Em despacho publicado em 5 de janeiro no Diário Oficial da União, o ministro aceitou seis "atas retificadoras" de sindicatos ligados à CSB que inflaram, de 439.000 para 621.000, o total de trabalhadores filiados à central. A manobra permitiu que a CSB atingisse o mínimo de 7% de representatividade exigido por uma lei, editada no governo de Lula X9, que incluiu as centrais na divisão do bolo do imposto. Assim, a CSB, que até já recebeu a parcela referente a janeiro, saltou de 5,4% para 7,3% em representatividade. As atas causaram estranheza no próprio ministério, que analisou os documentos em mais de quatro reuniões realizadas entre representantes de todas as centrais sindicais e o secretário de Relações do Trabalho, Manuel Messias, ao longo do ano passado. Essas atas corrigem documentos anteriormente enviados ao governo. Há um padrão em todas elas: são resultados de assembléias realizadas pelos seis sindicatos nos últimos dias do ano, onde o número de sócios é inflado. Messias afirmou , que "como servidor, não tinha como liberar esses sindicatos". Reticente com as atas retificadoras apresentadas pela CSB, o secretário deixou a decisão para o ministro. As regras atuais para análise das atas não permitiriam a Messias, apesar de sua função no Ministério do Trabalho, dar o sinal verde. Ele admitiu que os critérios de aferição do governo sobre as informações prestadas pelos sindicatos são precários. A decisão abriu uma polêmica com as demais centrais. "O ministro não pode ter esse poder de decidir sozinho", disse o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas. O registro sindical, que reconhece a existência das entidades, é baseado em um documento declaratório, uma ata, que depois precisa ser reconhecido em cartório. Essas atas são checadas por um grupo de trabalho de aferição, chefiado por Messias, que conta com representantes de todas as centrais. A CSB é conhecida no movimento sindical como "a central do PMDB". O presidente da entidade, Antônio Neto, é ligado ao vice-presidente da República, Michel Temer, e integra o diretório nacional do partido, além de ser presidente do PMDB-Sindical em São Paulo. Além disso, o diretor de assuntos parlamentares da CSB é o ex-deputado constituinte Mário Limberger, do PMDB. Um dos casos mais flagrantes de inflação de sócios é do Sindicato dos Químicos, Industriais e Engenheiros Químicos de São Paulo, filiado à CSB, que em assembléia realizada no dia 27 de dezembro de 2013 retificou informação das eleições internas realizadas um ano antes, fazendo a taxa de sócios do sindicato saltar de 1.323 pessoas para nada menos que 70 mil associados. Casos semelhantes estão nas outras atas. 

IBGE prevê colheita de 57,2 milhões de hectares na safra de 2015


O Brasil deve colher 57,2 milhões de hectares na safra de 2015, crescimento de 1,6% ante 2014, quando totalizou 56,3 milhões de hectares. As informações são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de janeiro divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Arroz, milho e soja - os três principais produtos - representaram 91,6% da estimativa da produção agrícola em 2015 e 85,4% da área a ser colhida. A área prevista para a soja na atual estimativa para o ano aumentou 3,5%, enquanto a área de arroz caiu 1,3% e a de milho recuou 0,3% na comparação com o ano passado. Em relação à produção, o levantamento prevê aumento de 3,3% na safra de arroz, alta de 10,5% na safra de soja, mas redução de 2,9% na safra de milho. A safra agrícola de 2015 será maior para 12 dos 26 principais produtos que integram o levantamento do IBGE. As culturas que apresentarão aumento na produção são: amendoim em casca 1ª safra (18,8%), arroz em casca (3,3%), aveia em grão (23,6%), batata-inglesa 1ª safra (1,2%), café em grão - arábica (0,8%), cevada em grão (23,1%), feijão em grão 1ª safra (15,2%), mamona em baga (141,0%), mandioca (3,9%), milho em grão 1ª safra (3,8%), soja em grão (10,5%) e trigo em grão (20,4%). Os 14 produtos com expectativa de queda são: algodão herbáceo em caroço (7,3%), amendoim em casca 2ª safra (11,2%), batata-inglesa 2ª safra (7,6%), batata-inglesa 3ª safra (19,4%), cacau em amêndoa (16,7%), café em grão - canephora (11,3%), cana-de-açúcar (1,4%), cebola (8,2%), feijão em grão 2ª safra (0,9%), feijão em grão 3ª safra (3,6%), laranja (1,1%), milho em grão 2ª safra (7,1%), sorgo em grão (7,4%) e triticale em grão (10,5%). A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também divulgou nesta quinta-feira sua estimativa de safra 2014/15, que está em 200,08 milhões de toneladas. Se confirmado, o número representa um aumento de 3,4% ante a safra 2013/14. A produção de soja deve alcançar 94,58 milhões de toneladas, alta de 9,8%; a 1ª safra de milho deve totalizar 30,12 milhões de toneladas (queda de 4,8%), enquanto a 2ª safra deve ficar em 48,3 milhões de toneladas (queda de 0,3%). As duas safras somam 78,40 milhões de toneladas (perda de 2,1%). A produção de algodão em pluma foi mantida em 1,54 milhão de toneladas, queda de 11% ante a safra passada. A Conab informou ainda que a expectativa para o arroz é de 12,14 milhões de toneladas (alta de 0,2%), para as três safras de feijão é de 3,32 milhões de toneladas (queda de 3,8%) e para trigo é de 5,9 milhões de toneladas. Além dos tipos de grãos pesquisados, as estimativas da Conab e do IBGE diferem em termos de metodologia, critérios para a amostragem e época do levantamento. Enquanto a Conab trabalha com ano-safra (de abril a março do ano seguinte), o IBGE usa anos-civis (de janeiro a dezembro).

Nível do Cantareira sobe pelo 7º dia e chega a 6,7%


O nível do Sistema Cantareira subiu pelo sétimo dia consecutivo e chegou a 6,7%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Assim como na quarta-feira, o nível de água acumulada no reservatório cresceu 0,3 ponto porcentual. Em sete dias, a capacidade do reservatório cresceu 1,5 ponto. A "arrancada" se deu devido às chuvas que têm caído sobre a região do manancial: até agora, choveu 143,8 milímetros no Cantareira, o equivalente a 72,2% da média histórica do mês, 199,1 milímetros. A pluviometria da quarta-feira, contudo, foi bem inferior à média dos últimos dias, apenas 3 milímetros. Para se ter uma idéia, o índice de terça-feira havia ficado em 19,7 milímetros. O nível dos demais mananciais também subiu: o Guarapiranga cresceu 0,2 ponto porcentual e atua com 55,2% da capacidade. Já o Alto Tietê e o sistema Rio Claro aumentaram 0,3 ponto cada, alcançando 13,2% e 31,7%, respectivamente. As maiores altas ficaram com o Rio Grande e o Alto Cotia: ambos subiram 0,6 ponto porcentual e têm agora 79,8% e 34,3%. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), confirmou na quarta-feira que foi descoberto um quarto volume morto no Sistema Cantareira. Segundo o governador, a quarta "reserva técnica", tem volume estimado de 40 milhões de metros cúbicos, o que equivale a aproximadamente 4% da capacidade total do manancial - quando cheio. "Na estação de Piracaia, na reserva de Cachoeira, se verificou que abaixo do chamado zero você ainda tem uma reserva de água que poderá ser utilizada, uma parte inclusive sem obras de engenharia e outra parte com obras". O governador não deu mais detalhes sobre o possível uso dessa quarta cota. Questionado sobre a possibilidade de um rodízio no fornecimento ser adiado por causa das chuvas recentes em São Paulo, Alckmin repetiu que o rodízio é uma decisão técnica da Sabesp e que não há definição sobre a adoção da medida, mas sinalizou que o corte de abastecimento será evitado enquanto for possível. "Rodízio é consumir menos água. Se nós conseguirmos isto sem precisar fechar a torneira, é melhor", afirmou, argumentando que a medida do governo de diminuir o desperdício dando desconto na conta de água garantiu uma economia de 100 bilhões de litros nos últimos meses.

Polícia Federal apreende bens de Luma de Oliveira, a ex-mulher de Eike Batista


Policiais federais estiveram na casa da ex-modelo Luma de Oliveira na manhã desta quinta-feira com mandado de busca e apreensão e levaram três veículos e outros bens como garantia de pagamento de dívidas das empresas de Eike Batista, ex-marido de Luma. A apreensão faz parte de um bloqueio de bens decretado pela Justiça para garantir o pagamento de possíveis indenizações por crimes financeiros que estão sendo investigados. Eike Batista chegou à casa de Luma, no Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro, depois dos policiais. Ele acompanhou parte da operação. Entre os bens de Luma apreendidos estão duas Toyota Hilux e uma BMW X5. Na véspera, a Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão na residência de Eike Batista, na praia de Vila Velha, em Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro. Entre os bens do empresário apreendidos está o iate Spirit of Brazil IV, avaliado em 30 milhões de reais. Além do barco, a Polícia Federal levou também uma moto aquática e outros bens de valor. A embarcação apreendida é um modelo Pershing 115, fabricado pela empresa italiana Ferretti. De acordo com informações do fabricante, o Pershing 115 tem 35 metros de comprimento, abriga três suítes e tem capacidade máxima para transportar com conforto 22 pessoas. Segundo a ordem judicial, a busca – assim como o bloqueio de bens de Eike Batista e seus familiares (filho, ex-mulher e atual esposa), também decretado na semana passada – visa garantir o eventual ressarcimento das vítimas, caso Eike Batista seja condenado pelos crimes de insider trading e manipulação de mercado. O julgamento do empresário, que já foi o homem mais rico do Brasil e o sétimo mais rico do mundo, começou em dezembro, mas foi suspenso para que alguns processos iniciados em São Paulo fossem anexados à causa. A operação faz parte da mesma decisão do Juiz Flávio Roberto de Souza, da 3ª Vara Criminal da Justiça Federal do Rio de Janeiro, que autorizou a apreensão de seis carros do empresário, em 6 de fevereiro. Um dos bens apreendidos na ocasião foi o carro modelo Lamborghini que Eike Batista usava como objeto de decoração em uma de suas salas. Além dos carros, na semana passada também foram apreendidos quadros, computadores, um piano, 16 relógios, um telefone celular e mais 90.000 reais em moeda nacional e 37.000 em outras moedas na semana passada.

Sobe para 5 o número de mortos em explosão em navio plataforma da Petrobras


Foram encontrados os corpos de dois desaparecidos após a explosão em um navio-plataforma da Petrobras no Espírito Santo, aumentando para cinco o número de mortos no acidente, informou nesta quinta-feira a dona do navio, BW Offshore. Na quarta-feira às 12h50 houve uma explosão na casa de bombas da FPSO Cidade de São Mateus e, até o fim da noite, três mortes haviam sido confirmadas. Quatro pessoas continuam desaparecidas. Ao todo, estavam a bordo do navio-plataforma, fretado pela Petrobras, 74 pessoas. Segundo a BM Offshore, o restante da tripulação foi resgatado, sendo que dois ainda estão internados em estado crítico. As operações de busca e salvamento continuaram por toda a madrugada e a produção da plataforma foi paralisada. "Por motivos de segurança, nesse momento todos os funcionários foram retirados da embarcação. Os parentes das vítimas foram informados e os funcionários estão sendo atendidos por uma equipe de apoio montada pela BW Offshore Brasil", comunicou a empresa. A unidade é operada para a Petrobras pela BW Offshore. O navio Cidade de São Mateus opera nos campos de Camarupim e Camarupim Norte no litoral do Espírito Santo, a aproximadamente 120 quilômetros da costa. "É um dia trágico para nós, nosso foco é nos funcionários e suas famílias. Não vamos descansar enquanto não encontrarmos os quatro desaparecidos. Somos gratos à Petrobras e às autoridades brasileiras pelo esforço incansável e gostaríamos de agradecer o apoio deles nesse momento”, disse Carl Arnet, CEO da BW Offshore. Na quarta-feira a Petrobras também lamentou o acidente. A estatal informou a Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP) sobre o acidente às 14 horas, mas a nota oficial foi divulgada apenas às 18 horas. A primeira hipótese com que a Petrobras trabalha para explicar o acidente é a de que um vazamento mal controlado por um técnico na casa de bombas da embarcação tenha originado a explosão. Segundo informações recebidas pelos investigadores, um técnico que trabalhava na manutenção do navio-plataforma detectou um princípio de vazamento, pensou ter consertado o problema e saiu para almoçar. Pouco tempo depois, a casa de bombas explodiu. Essa versão, porém, carece de detalhes e de comprovação. Até porque suscita algumas dúvidas que os técnicos que trabalham na gestão da crise dentro da estatal ainda estão tentando esclarecer. Em nota divulgada nesta quinta-feira, a ANP contou que na noite de quarta-feira dez bombeiros embarcaram na plataforma por helicóptero da Marinha e conseguiram localizar um corpo (já contabilizado entre os cinco mortos), mas não tiveram sucesso na localização de outros corpos devido à falta de acesso à casa de bombas. "Os dez bombeiros e as três pessoas que estavam a bordo tiveram de deixar a plataforma por volta das 2h30 da madrugada devido ao alagamento na sala de máquinas, que é contígua à sala de bombas. A plataforma ficou sem tripulação. Às 3h30, 80% do casco havia sido escaneado sem identificar danos (a água na sala de máquinas provavelmente foi proveniente da rede de incêndios)", disse em nota a agência. Na manhã desta quinta-feira, a equipe voltou a sobrevoar a região, junto com um especialista em integridade estrutural da BW. A ANP acompanha o desenrolar do acidente na sala de crise da Petrobras, em Vitória (ES).

Morre Tomie Ohtake, aos 101 anos, a grande dama das artes plásticas brasileiras


Morreu nesta quinta-feira, aos 101 anos, a artista plástica Tomie Ohtake, um dos grandes nomes das artes nacionais. Tomie estava internada desde 2 de fevereiro no hospital Sírio Libanês, com uma pneumonia, e sofreu uma parada cardíaca na terça-feira, quando seu quadro se agravou. Nesta quinta-feira, a artista teve um choque séptico, e veio a falecer por volta das 12h45. O velório, aberto ao público, será realizado nesta sexta-feira, das 8 às 14 horas, no Instituto Tomie Ohtake, que reúne e cataloga a sua obra, em São Paulo. Aquela que é chamada de “dama das artes plásticas brasileiras” pela crítica, na verdade, veio do Japão e iniciou carreira apenas com 39 anos, quando os filhos, Rui e Ricardo, já estavam crescidos. Tomie Nakakubo nasceu em 21 de novembro de 1913, em Kyoto, ao centro sul do Japão. Filha caçula e única mulher entre seis irmãos, Tomie teve uma experiência de quase morte ainda criança, em fevereiro de 1918. Com apenas 5 anos, foi diagnosticada com pneumonia, a mesma doença que a levaria a morte, e, examinada pelo médico da família, praticamente desacreditada. A menina parecia ter poucas chances de sobreviver e, para piorar, a tecnologia médica era então pouco avançada. Enquanto Tomie se recuperava, o pai, Keinosuke, sofreu um ataque cardíaco fulminante. “Ela se lembra bem do momento em que a levaram para se despedir do pai. Pela janela, podia ver a neve, já que era inverno”, contou Ricardo Ohtake, filho da artista e diretor-geral do Instituto Tomie Ohtake. A menina ficou, então, aos cuidados da mãe e dos irmãos superprotetores na espaçosa casa da rua Shijo, no centro de Kyoto, que continua de pé e na família – o endereço é atualmente de uma sobrinha em segundo grau de Tomie. Foi na cidade que ela estudou e concluiu o curso equivalente ao ensino médio brasileiro, ainda que estudar não fosse a sua atividade predileta. “Ela preferia pintar, desenhar”, contou o arquiteto Ruy Ohtake, o filho mais velho de Tomie, a partir das histórias que ouviu da mãe. Além de receber educação formal, Tomie aprendia a ser “uma senhora japonesa, dona de casa”. Apesar de ser de uma família próspera e não ter necessidade de cozinhar ou limpar a casa, a menina aprendeu a fazer de tudo – e com habilidade, segundo o filho. Tomie Ohtake saiu de Kyoto, sua cidade natal, em 1936, para visitar um irmão que morava no Brasil e por acaso, acabou ficando. A viagem de Tomie e Teisuke não deveria durar mais que alguns meses, mas, enquanto os irmãos estavam no Brasil, a Segunda Guerra Sino-Japonesa estourou na Ásia. A partir daí, os civis japoneses que estavam fora da terra natal tinham de ceder lugar nos navios para aqueles que se apresentariam no front, caso de Teisuke, que morreria em combate. Impedida de voltar, Tomie ficou com Masutaro em São Paulo, onde se apaixonou pelo colega de trabalho do irmão, o engenheiro agrônomo japonês Ushio Ohtake, com quem se casaria ainda em 1936. Em janeiro de 1938, nasce Ruy, o primeiro filho do casal, que dividia casa com Masutaro na rua da Paz, na Mooca. Entre 1940 e 1941, a família mudou de ares, trocando São Paulo pelo Rio de Janeiro, onde abriu uma filial da Produtos Científicos, no bairro do Botafogo. Mas, com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial do lado oposto ao do Japão, eles foram aconselhados a se manter longe da costa brasileira e assim retornaram à capital paulista, novamente para a rua da Paz. Em outubro de 1942, nasceria ali Ricardo, segundo filho do casal. Tomie se dedicava à criação dos filhos e ao gerenciamento da casa, ainda que não ficasse responsável pela execução das tarefas domésticas – para isso, contava com empregadas que cozinhavam e faziam a limpeza. Das roupas do marido e dos garotos, no entanto, ela fazia questão de cuidar pessoalmente. Era ela, portanto, quem punha ordem na casa. Além de dura, Tomie se porta, desde a juventude, com educação, mas também com parcimônia, até mesmo nas palavras. A arte interferiria mais na dinâmica familiar depois da passagem por São Paulo do artista japonês Keisuke Sugano, conhecido como Keiya, em 1952. No país para realizar uma exposição no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), Sugano conheceu Tomie durante a mostra e ministrou três ou quatro aulas informais de pintura na sala de estar dos Ohtake, para um pequeno grupo de amigos. O pintor, percebendo talento nos desenhos da mãe de Ruy e Ricardo, a incentivou a se aprimorar. Assim teve início a longeva carreira de Tomie nas artes plásticas. Ela tinha, então, 39 anos. “Sugano colocou um vaso de flores e pediu para os outros pintarem. Não foi um grande acontecimento, tudo aconteceu de modo natural”, lembra Ricardo. Essa foi, também, a única vez em que a pintora receberia alguma orientação artística. Nos anos seguintes, ela aprenderia tudo sozinha, tateando a arte por conta própria, sem frequentar qualquer curso. Nem por isso fez pouco. Ao contrário. Tomie construiu uma obra rica, composta de pinturas, esculturas, gravuras e peças públicas, ao longo de 60 anos. Na fase abstrata de sua pintura, a predominante da carreira, Tomie estabelece diálogos com o neoconcretismo brasileiro, representado por artistas como Lygia Clark e Hélio Oiticica, mas não se pauta por manifestos ou escolas artísticas, trilhando um caminho próprio. Único. “Tomie é uma artista que busca a experiência da imperfeição. Ela sabe que não é perfeita, como humana que é, e trabalha seus quadros com essa consciência”, disse Paulo Herkenhoff, amigo de Tomie e diretor cultural do Museu de Arte do Rio (MAR). Por isso, segundo ele, a artista criou uma geometria particular em suas telas, que se aproxima do neoconcretismo da segunda metade do século XX, definido pela geometria subjetiva. Ao mesmo tempo, ela se afastou da exatidão das formas ocidentais, com retas e círculos feitos a partir de instrumentos como régua e compasso, e compõe formas imprecisas, à mão. Para Herkenhoff, a pintura de Tomie é feita pela transmissão direta da energia do corpo à tela, a partir de descargas aplicadas em pinceladas breves e repetidas: “A pintura tem dimensão corporal. Tomie estabeleceu um diálogo entre pintar e viver, a energia vital é a mesma que risca o quadro".

BANDIDO PETISTA MENSALEIRO JOSÉ DIRCEU ERA O "BOB" DO PETROLÃO, RECEBIA DINHEIRO DE PROPINA DAS EMPREITEIRAS QUE ROUBAVAM DA PETROBRAS, DIZ A DELAÇÃO DO DOLEIRO ALBERTO YOUSSEF


O ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu, que cumpre pena por arquitetar o esquema do Mensalão do PT, teve muitos codinomes em sua vida, quando agia na clandestinidade em grupos de esquerda durante a ditadura militar. Chegou a esconder sua real identidade por quatro anos da ex-mulher. Agora, as investigações da Operação Lava Jato da Polícia Federal revelam um novo apelido do ex-chefe do Partido dos Trabalhadores e homem forte do governo Lula (alcaguete que delatava companheiros para o Dops paulista, na ditadura militar, conforme revela Romeu Tuma Jr em seu livro "Assassinato de reputações") para identificar sua parte na contabilidade do propinoduto que sangrou a Petrobras. Nas planilhas dos operadores do maior esquema de desvios de recursos públicos que se tem notícia, o bandido petista mensaleiro José Dirceu era associado à sigla (codinome) "Bob". As revelações foram feitas pelo doleiro Alberto Youssef, que durante uma década atuou como uma espécie de "banco" para lavar o dinheiro roubado da petroleira. Em uma série de depoimentos à Polícia Federal, prestados entre os dias 9 e 13 de outubro do ano passado, Youssef afirmou que o bandido petista mensaleiro José Dirceu mantinha relação muito próxima – "eram amigos", nas palavras do doleiro –, com o empresário Julio Camargo, da Toyo Setal. “Julio Camargo possuía ligações com o Partido dos Trabalhadores, notadamente com José Dirceu e Antonio Palocci”, disse ele. Segundo Youssef,  o bandido petista mensaleiro José Dirceu e o também ex-ministro "porquinho" Antonio Palocci Filho, este homem forte tanto na gestão Lula X9 quanto no início do primeiro governo Dilma Rousseff, utilizavam um jato Citation Excel, de propriedade do propineiro Julio Camargo, que ficava no Angar número 1 da companhia aérea TAM, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Mas o uso do jato não é o único elo entre o petista e o operador do Petrolão. O doleiro descreve o esquema montado por Julio Camargo: segundo ele, o empresário tinha um testa de ferro, chamado Franco, a quem Youssef reconheceu em fotografia exibida pelos policiais. Trata-se de Franco Clemente Pinto, uma espécie de contador do dinheiro roubado da estatal, que utilizava um escritório no sexto andar de um edifício comercial ao lado do Shopping Cidade Jardim, na Zona Sul da capital paulista. Franco detalhava a "contabilidade ilícita" – Youssef não informou os valores – em planilhas arquivadas em um pen drive protegido por senha. Nessas tabelas, assim como o bandido petista mensaleiro José Dirceu era "Bob", Youssef era conhecido como "Primo". Diz ainda que o empresário também instrumentalizou propina da empreiteira Camargo Corrêa para agentes públicos e bancar caixa dois de partidos. Youssef voltou a implicar o PT como beneficiário direto da propina movimentada no escândalo do Petrolão: disse que o partido recebeu propina em uma obra da empresa Toshiba, a licitação da casa de força do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Segundo ele, foram entregues 400.000 reais à cunhada do tesoureiro petista, João Vaccari Neto, chamada Marice. “O valor do PT foi negociado com João Vaccari”, disse Youssef. Uma outra parcela de 400.000 reais chegou a Vaccari pelas mãos de Rafael Ângulo Lopez, que trabalhava para o doleiro.​ Para que a Toshiba, que integrava o cartel das empreiteiras na Petrobras, pudesse participar das obras do Comperj, Alberto Yousseff disse que a empresa procurou “emissários do Partido dos Trabalhadores” e próprio João Vaccari, já que a propina deveria ser acertada também com a diretoria de Serviços da Petrobras, comandada na época pelo petista Renato Duque., indicado pelo bandido petista mensaleiro José Dirceu para o cargo na estatal​. A exemplo de Youssef, Julio Camargo também concordou em colaborar com as investigações em troca de possíveis benefícios judiciais. À Polícia Federal, o doleiro disse que Júlio Camargo possui grande quantia de dólares em contas no Exterior, enviados sob o disfarce de lucro de suas empresas. Em um de seus depoimentos, Júlio Camargo revelou, por exemplo, que a empresa Toyo Setal pagou propina de 30 milhões de dólares ao lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, apontado como o operador do PMDB no Petrolão. A propina a Baiano serviria para que a empresa sul-coreana Samsung Heavy Industries celebrasse com a Petrobras contratos para a fabricação de duas sondas de perfuração em águas profundas. O pagamento precisou de intermediação de Alberto Youssef, que providenciou contratos simulados com empresas de fachada para viabilizar parte dos recursos.

Reprodução/VEJATrecho da delação premiada de Paulo Roberto Costa

Trecho da delação premiada de Paulo Roberto Costa

Juiz da Operação Lava Jato levanta sigilo das delações premiadas de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef

O juiz federal Sérgio Moro decidiu hoje retirar o sigilo dos depoimentos de delação premiada prestados pelo doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. A decisão foi tomada após o ministro Teori Zavacki, do Supremo Tribunal Federal enviar à Justiça Federal no Parará as declarações que não envolvem citados que têm foro privilegiado. Nos depoimentos, Youssef e Costa relataram como funcionava o esquema de cobrança de propina e de superfaturamento nos contratos firmados pelas diretorias da Petrobras, fatos investigados na Operação Lava-Jato. Os dois também relatam como eram feitos os pagamentos a partidos políticos e ex-parlamentares. Na decisão, Sérgio Moro explicou que não se trata de vazamento de informações. "Seguindo os mandamentos constitucionais, o trato da coisa pública, aqui incluído o processo de supostos crimes contra a administração pública, deve ser feito com transparência e publicidade. Não se presta o Judiciário para ser o guardião de segredos sombrios", decidiu ele.

Agência de classificação de risco põe Brasil no grau especulativo; PT já tem a receita para destruir Dilma de vez: uma guinada à esquerda. Vai fundo, Soberana!

As agências de classificação de risco separam os países e empresas em dois grupos: “grau de investimento” e “especulativo”. No primeiro grupo, ficam aqueles que são considerados potenciais ou reais bons pagadores, onde os investimentos correm poucos riscos; no segundo grupo, aqueles que são tidos como potenciais ou reais maus pagadores. Até esta quarta-feira, o País estava no último degrau da escala dos bons pagadores da agência britânica “Economist Intelligence Unit”. Agora não está mais. Foi rebaixado para o primeiro patamar do grau especulativo: sua nota passou de BBB para BB. A agência possui dez degraus: AAA, AA, A, BBB, BB, B, CCC, CC, C e D.

É claro que se trata de uma péssima notícia porque isso aumenta a desconfiança dos investidores estrangeiros no Brasil. Para lembrar: a Petrobras está por pouco. No dia 4, a Fitch rebaixou a nota da empresa de “BBB” para “BBB-“. No dia 30 de janeiro, a Moody’s já havia feito a mesma coisa: de “Baa2” para “Baa3”, seguindo os passos da Standard & Poor’s, que considera a estatal “BBB-“ desde 24 de março do ano passado.
Agências de classificação de risco e suas letrinhas não são a bula papal, é claro! Também elas podem errar. O diabo é que, no Brasil, como evidenciam os dados da economia e sem-vergonhice grotesca na Petrobras, elas estão certas. Ou Joaquim Levy não estaria no Ministério da Fazenda pondo todos os seus cabelos a serviço de descobrir um caminho para ajeitar as contas.
“Segundo Robert Wood, analista da EIU, a forte deterioração nas contas públicas provocou o rebaixamento”, informa a Folha. Mas e Levy? Não ajuda na reputação. Leiam o que diz Wood: “Em nossa análise qualitativa, reconhecemos que a nova equipe econômica trouxe um ganho de credibilidade para o governo, mas isso não compensou o efeito da forte piora dos dados”. Vale dizer: Levy não faz milagres.
Infelizmente, as coisas podem piorar. A base aliada do governo no Congresso já demonstrou disposição de resistir ao pacote de austeridade baixado pela presidente Dilma e coordenado pelo ministro da Fazenda. Ninguém quer segurar a alça do caixão do petismo, sobretudo porque vem recessão por aí, e os pobres sempre pagam mais caro.
Nesta quarta-feira, como vimos, o dólar atingiu a sua mais alta cotação desde 2004, o que reflete a deterioração da confiança no Brasil. Mas o PT já teve algumas grandes idéias para resolver o problema da falta de credibilidade. Estão expressas na Resolução do Diretório Nacional, divulgada na sexta-feira passada. A receita é a seguinte, prestem atenção:
– o governo dar uma guinada à esquerda;
– apelar a forças que estejam fora do Congresso;
– aprovar imposto sobre grandes fortunas;
– lutar por reforma política que o Congresso rejeita;
– declarar que essa história de Petrobras não passa de complô da direita para desestabilizar Dilma e privatizar a estatal.
Nem o pior inimigo da governanta lhe proporia uma agenda tão energúmena. Não tem como não dar errado. Por Reinaldo Azevedo

A MORTE DO JORNALISTA MARCOS FAERMAN, 15 ANOS ATRÁS - UM ABRAÇO, MARCÃO

Na data de hoje, 12 de fevereiro de 2015, completa-se o 16º aniversário da morte do jornalista Marcos Faerman, meu cunhado, meu irmão, a pessoa que me colocou também no jornalismo. Marcos Faerman foi um jornalista antológico, produziu reportagens inigualáveis, a grande maioria publicadas no antigo e hoje extinto Jornal da Tarde. Eram reportagens sobre fatos reais, personagens reais, mas que imitavam a arte, como se fossem pequenos romances, pequenas novelas. Marcos Faerman, o Marcão, tinha paixão absoluta por aventuras, Mark Twain e outros autores geniais do gênero. Eu costumava revisar suas matérias, porque Marcão escrevia de uma vez só, com dois dedos martelando os teclados das máquinas de datilografia portáteis. Os textos saíam cheios de "x" sobre trechos que não tinham lhe agradado, e que eram anulados. Ele não prestava atenção para grafia, saía tudo como era preciso sair no momento. Mas, corrigia tudo depois, com muita atenção, e com muito risco. Cada texto era um primor maior do que anterior. Nunca me esqueço do impacto de uma matéria que escreveu: "Relato da destruição de uma família". Era o "Caso Bensadon". Marcão gostava de escrever assim, sobre pessoas anônimas, que se agigantavam em suas histórias. Lembro do dia de sua morte. Era uma sexta-feira de início de carnaval. Ele morreu ao final da tarde, por volta das 17h30, em seu apartamento, em São Paulo. Nessa hora, em Porto Alegre, eu estava chegando em casa para pegar minhas filhas e minha netinha, para irmos para a praia. Parecia que o Brasil inteiro estava indo para as praias naquele dia. Demoramos a chegar em Capão da Canoa, no litoral gaúcho. Chuviscava. No trecho final da estrada, eu ouvia Whitney Houston e cantarolava com ela, sob protestos das minhas filhas, pelo meu desafinamento. Cheguei e fui até a casa de meu pai para buscar a chave da minha casa. Meu pai veio ao meu encontro, debaixo da chuva fina, e me disse: "Tenho uma notícia ruim para ti". Instantaneamente, percebi que era com o Marcão. E era. Deixei minhas filhas em casa, voltei a Porto Alegre, peguei meu cunhado, e seguimos de carro para São Paulo, único meio para conseguir viajar. Foi a mais longa viagem da minha vida. Marcão foi velado no crematório de Vila Alpina, em São Paulo. Ele, apesar de judeu, não queria seguir o ritual de ser enterrado, tinha deixado isso expresso. Não foi impedimento para seu amigo rabino Henry Sobel comparecer ao local e fazer as rezas judáicas. Nunca mais tivemos um jornalista como o Marcão no Brasil. Foi o mais inveterado rato de livraria, que me indicava tantas leituras imprescindíveis. Mas, como tanta figura que se torna imortal, Marcão aí está até hoje, com as palavras que deixou escritas. Um abraço, Marcão.

Petrobras na lona: roubalheira, explosão de plataforma, cadáveres, desaparecidos e desastre cambial: é a tempestade perfeita!

Diz-se de Juscelino Kubitschek que construiu 50 anos em 5. Nem concordo muito com isso, uma síntese de aduladores, mas vá lá. Representou, sem dúvida, um avanço para o país. Dilma Rousseff, já escrevi aqui, veio para inovar: como prometeu em 2014 uma porção de coisas que já havia prometido em 2010, brinquei que ela pretendia fazer quatro anos em oito. Mas isso também não vai acontecer porque a presidente herdou de si mesma uma herança maldita que não é bolinho. Se pensarmos o PT como um conjunto, aí a coisa é mais séria: os valentes provaram que é possível destruir 60 anos em 12. Eu me refiro, claro, à Petrobras.

Tudo aquilo de que a empresa não precisava agora — e está tendo de enfrentá-lo — era uma disparada do dólar. Como demonstra reportagem da Folha desta quinta-feira, os efeitos são desastrosos para a empresa. Analistas classificam essa disparada da moeda americana como a “tempestade perfeita” para a estatal, que já enfrenta a crise provocada pela roubalheira institucionalizada e até a explosão de um navio-plataforma, com mortos e desaparecidos.
Atenção para a fórmula do desastre em razão da variação cambial: 75% das despesas estão em dólares (importação de gasolina e gás, royalties, despesas de exploração etc.), mas apenas 25% das receitas são em moeda forte (exportações de petróleo, venda de combustível de aviação). O relatório é do banco Goldman Sachs.
Em recente explanação a investidores, a estatal projetava chegar ao fim do ano com modestos US$ 8 bilhões em caixa. Ocorre que o pior cenário imaginado era um dólar a R$ 2,80. Nesta quarta-feira, ele chegou a R$ 2,87.
E há o problema do endividamento. Informa o jornal que, “segundo dados mais recentes da empresa, a dívida líquida subiu de R$ 221,6 bilhões em dezembro de 2013 para R$ 261,4 bilhões em setembro de 2014 por causa da variação cambial. Cálculo do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura) aponta que a variação cambial pode ter elevado essa dívida para R$ 290 bilhões”.
Pode-se discutir, claro, se o desastre que a questão cambial provoca nas contas da empresa é ou não culpa do governo. Basta olhar para outros países da América Latina e para outros emergentes para saber que é, sim. Colhe-se na economia o que foi diligentemente plantado. Não pensem que é tão fácil assim destruir as contas do País e lançá-lo no descrédito. É preciso ser obsessivamente incompetente — e teimosa! Adiante. 
Ainda que a questão cambial fosse obra da natureza, o resto não é. A Petrobras só está na pindaíba porque, em passado recente, foi usada como instrumento porco de política econômica — para segurar a inflação — e porque foi entregue a uma quadrilha. Mesmo com o dólar num patamar mais civilizado, estaria na lona.
Mas o que é que diz mesmo aquela resolução do PT? Não se pode tocar no sacrossanto modelo de partilha, aquele que impõe à estatal desembolsos bilionários de um dinheiro que ela não tem. Para citar Ivan Lessa, o partido insiste num modelo que tem os dois pés no chão. E as duas mãos também. Vocês sabem: é tudo culpa da direita e da elite branca de olho azul. Por Reinaldo Azevedo

Corte italiana autoriza extradição de Pizzolato e determina sua prisão imediata; petistas estão em pânico; ministro da Justiça da Itália vai decidir se ele fica ou vem

As más notícias para o PT não cessam. A Corte de Cassação da Itália decidiu extraditar o petista Henrique Pizzolato, ex-gerente de marketing do Banco do Brasil, anulando decisão da primeira instância. Os juízes determinaram ainda a sua prisão. Atenção! A decisão da Corte não implica que ele será necessariamente extraditado. A última palavra será dada pelo ministro da Justiça. No Brasil, ele está condenado a 12 anos e 7 meses de prisão por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Os petistas já estão em pânico. A volta de Pizzolato seria como a saída de um zumbi do armário. Ele desmoraliza as versões fantasiosas que os petistas tentam consolidar sobre o Mensalão. Se mensaleiros como José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoíno fizeram suas vaquinhas indecentes para supostamente pagar multa, Pizzolato — que, na prática, era chefiado pelo trio — deixa claro que não tinha problemas financeiros. Viveu vida de rico na Europa. Comprou nada menos de três apartamentos só no litoral da Espanha — dois deles avaliados em R$ 3 milhões. Por que será que seus chefes posam de coitadinhos?
A virtude que os petistas mais apreciam em Delúbio Soares é a sua capacidade de aguentar tudo calado, de não denunciar ninguém, de ser um homem do partido — é, em suma, a encarnação cara de pau. Já deu para perceber que Pizzolato é de outra natureza: não aguenta o tranco. Tem queixo de vidro. Por Reinaldo Azevedo