sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Marqueteiro de Dilma desabafa contra rivais

"Estamos vivendo um momento raro na nossa política, que é o dos derrotados fanfarrões. Tenho escutado muita coisa calado, mas acho que é uma hora boa de desabafar". É com essa introdução que o marqueteiro João Santana, responsável pela propaganda de Dilma Rousseff à reeleição, começa a expor suas impressões sobre aquela que ficou marcada como a mais acirrada disputa pela Presidência desde a redemocratização. Em formato de entrevista, a inédita avaliação aparece no livro "João Santana - um marqueteiro no poder", perfil biográfico escrito pelo jornalista Luiz Maklouf Carvalho.

O marqueteiro João Santana e Dilma durante debate em 2010

Desabafo é mesmo o tom da conversa. "É mentira que nossa campanha tenha feito uso profissional da baixaria", diz ele, sobre a acusação do marqueteiro de Aécio Neves (PSDB), Paulo Vasconcelos, feita à Folha em novembro. "Mas é verdade que a dele fez uso amador da mediocridade", completa, após pedir "humildade e autocrítica" do concorrente, "um marqueteiro de segunda divisão [...] que está caindo para a terceira". Comandante em chefe da publicidade do estado-maior petista desde a reeleição de Lula, em 2006, Santana parece bastante incomodado com a acusação de ter feito uma campanha baixa e agressiva. "É a acusação mais falsa, mais hipócrita, mais frágil e sem sustentação da história eleitoral brasileira", protesta. "Fala-se muito que fizemos jogo sujo com Marina Silva, 'uma mulher santa'. Ora, nosso embate com Marina foi 100% político e 200% programático. Você não encontra uma agressão pessoal ou moral. Marina não revidou ou por ingenuidade, ou por fragilidade teórica, ou por soberba". O polêmico filme que associava independência do Banco Central (proposta de Marina) ao desaparecimento da comida na mesa de uma família pobre foi defendido com ênfase pelo marqueteiro. "Se dizíamos que uma política ortodoxa poderia causar retração no emprego e na renda, por que Marina não disse o contrário? Se acreditava tanto em sua proposta, por que não disse que a independência levaria a classe operária ao paraíso? O filme funcionou porque era verossímil", diz. Santana passa então ao papel de acusador: "Foi Marina, aliás, quem começou a bater. A dizer, por exemplo, que a presidenta Dilma era incompetente, que comandava um governo de corruptos, que era legítima representante da velha e carcomida política [...] Isso é campanha positiva?" A lista de reclamações contra o PSDB é grande. Uma delas: "Aécio foi verdadeiro quando acusou, injustamente, o irmão da presidenta de nepotismo?" Outra: "Eles têm coragem de dizer quem espalhou, na véspera da eleição, que [o doleiro Alberto] Youssef tinha sido envenenado?" O marqueteiro diz ter sido bem sucedido ao conseguir recuperar "o déficit comunicacional do governo", mostrando atributos que, segundo ele, o eleitorado desconhecia. Em outro trecho, aponta o que julga ser o erro dos rivais: "Vários políticos e analistas vinham acreditando na própria mentira que eles criaram, a de que o governo Dilma era um grande fracasso", afirma, antes de começar a falar de emprego, Bolsa Família, ascensão social, Mais Médicos. O livro de Maklouf é bem mais que uma sessão de desabafo. Não tem a pretensão de ser uma biografa, conforme o próprio autor. Mas, baseado em muitas entrevistas, o perfil conta, de forma direta, resumida e divertida, vários episódios da vida de Santana.

Juiz da Lava Jato diz ao STF que vice-presidente da empreiteira Camargo Correa tem boas condições de saúde e pode continuar preso


O juiz da 13ª vara da Justiça Federal do Paraná, Sérgio Moro, enviou documento ao Supremo Tribunal Federal, no qual relata que o vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite, preso na Operação Lava Jato, "tem boas condições de saúde". A defesa do executivo da Camargo Corrêa entrou com um pedido de habeas corpus no Supremo no último dia 15, pedindo que a prisão fosse revogada sob a justificativa de que Leite sofre de hipertensão. Na petição, o advogado solicita ainda o cumprimento da prisão em regime domiciliar. O parecer de Moro ao Supremo ocorreu após pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Ricardo Lewandowski, que cumpre o plantão da Corte durante o recesso do Judiciário. Ao receber o pedido de habeas corpus, o ministro solicitou informações sobre o estado de saúde de Leite para que pudesse decidir se concederia ou não a liminar. Lewandowski pediu também para ser informado sobre as condições "da estrutura de atendimento médico a ele disponibilizada na unidade prisional em que custodiado" para que ele emitisse sua decisão. Sobre o atendimento médico na carceragem, Sérgio Moro relatou que "embora a Superintendência da Polícia Federal no Paraná não possua unidade médica instalada, o Serviço de Atendimento Médico mantém durante o período regular de expediente um médico na sede". O juiz acrescentou ainda que, em caso de alguma crise de hipertensão do preso, a Polícia Federal promoverá atendimento emergencial e, se necessário, "pronto deslocamento a um hospital privado, como já foi feito em uma oportunidade". Dias depois de ter sido preso após a deflagração da sétima fase da Lava Jato, Leite passou mal e chegou a ser levado a um hospital em Curitiba. Leite foi preso na sétima fase da Operação Lava Jato, deflagrada em novembro de 2014, que investiga um esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás. Desde então, o executivo vem tendo pedidos de liberdade negados por diferentes instâncias da Justiça. No dia 13, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de liberdade do executivo de outros dois dirigentes da construtora. Após o parecer de Moro, caberá à ministra Cármen Lúcia, que assumirá a presidência da Suprema Corte na próxima segunda, 26, a decisão sobre o pedido de habeas corpus, já que Lewandowski entrou em férias nesta sexta. Os advogados do vice-presidente da Camargo Corrêa também entregaram à Justiça Federal no começo de janeiro, um atestado médico que afirma que o executivo tem transtorno afetivo bipolar. Em um dos documentos anexados pela defesa, do dia 7 de janeiro, o psiquiatra afirma que está tratando o executivo desde 5 de dezembro e que ele teve 'piora dos sintomas de angústia, ansiedade, insônia, choro e irritabilidade'. Segundo ele, a doença de Hermelino Leite estava sendo tratada da maneira errada.

Homem que atropelou e matou o filho da atriz Cissa Guimarães é condenado a sete anos de prisão

Rafael de Souza Bussamra foi condenado nesta sexta-feira, 23, a sete anos de reclusão (regime fechado) e mais cinco anos e nove meses de detenção (regime semiaberto) por atropelar e matar o estudante Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães. O pai de Rafael Bussamra, Roberto Martins Bussamra, foi condenado a oito anos e dois meses de reclusão (regime fechado) e mais nove meses de detenção (regime semiaberto). A sentença é do juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, da 16ª Vara Federal do Rio de Janeiro. O crime aconteceu na madrugada de 20 de julho de 2010, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. O jovem foi atropelado no Túnel Acústico, que estava fechado ao trânsito para manutenção. O estudante andava de skate com dois amigos, João Pedro Gonçalves e Luiz Quinderé. Dois carros entraram na galeria em alta velocidade, disputando um racha. Um dos veículos, o Siena dirigido por Rafael Bussamra, atropelou Rafael Mascarenhas. O rapaz tinha 18 anos e cursava Engenharia Civil na PUC do Rio de Janeiro. O motorista fugiu sem prestar socorro. 

Rafael de Souza Bussamra na época em que atropelou o filho de Cissa Guimarães
Em sua fuga, Rafael Bussamra teve o carro parado por uma viatura policial, segundo imagens de câmeras. O sargento Marcello José Leal Martins e o cabo Marcelo de Souza Bigon, da Polícia Militar, alegaram que liberaram Bussamra porque não viram indícios de atropelamento no veículo. No dia 22 de julho, ao ser apresentado à delegacia, porém, o Siena tinha parte da frente destruída, o que não poderia ter sido ignorado pelos agentes. Raphael Bussamra afirmou que os policiais exigiram R$ 10 mil. Receberam R$ 1 mil de Roberto Bussamra. Rafael Bussamra foi condenado pelos crimes de corrupção ativa, homicídio culposo, inovação artificiosa em caso de acidente automobilístico, afastamento do local do acidente para fugir à responsabilidade penal e participação em competição automobilística não autorizada. Ele também teve a carteira de habilitação suspensa por quatro anos e meio. Já Roberto Bussamra foi sentenciado pelos crimes de corrupção ativa e inovação artificiosa em caso de acidente automobilístico. Na sentença, o juiz criticou o pai por corromper os policiais militares para tentar acobertar o crime do filho. "O caso vertente retrata não apenas policiais que acobertam e omitem o crime (sendo, por isso, também criminosos), mas também os falsos pais que superprotegem os filhos criando pessoas socialmente desajustadas. Impõe-se uma reflexão sobre o tipo de sociedade que pretendemos para as futuras gerações ou, mais ainda, que tipo de cidadãos somos. Afinal é essa uma das dificuldades atuais da humanidade no plano da ética. De nada vale o Estado reconhecer a dignidade da pessoa se a conduta de cada indivíduo não se pautar por ela".

Ex-prefeito de Campo Grande é réu em processo por aterro irregular de R$ 4,9 milhões

O ex-prefeito de Campo Grande (MS), Nelson Trad Filho (PMDB-MS), sete pessoas e a empresa Anfer Construções tornaram-se em réus em ação de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público Federal. Eles são acusados de participar de esquema de fraude, superfaturamento, pagamento indevido e autorização ilegal de uso do Aterro Sanitário Dom Barbosa II, na capital sul-mato-grossense. A Justiça Federal aceitou a ação de improbidade em dezembro do ano passado, e a informação foi divulgada nesta sexta-feira, 23, pela Procuradoria. Segundo a decisão judicial, um relatório da Controladoria-Geral da União apontou fortes indícios de que, durante o processo de licitação destinado à contratação de empresa para implantação do aterro sanitário, ‘houve direcionamento/favorecimento da vencedora Anfer Construções e Comércio Ltda".


A CGU apurou também que houve superfaturamento de R$ 114.474,23 nos itens pagos à empresa. A obra, iniciada em 2006, teve o custo total estimado em R$ 4.926.771,24. Paralisada durante três anos e meio, ela foi inaugurada mesmo estando inacabada. A investigação do MPF baseou-se em relatórios da Controladoria-Geral da União, Polícia Federal e Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Se forem condenados, todos estarão sujeitos as sanções estabelecidas na Lei da Improbidade Administrativa, que prevê ressarcimento integral do dano aos cofres públicos, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa civil e proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente. Nelson Trad Filho foi terceiro colocado nas eleições de 2014 para governador do Estado. O peemedebista teve 16% dos votos no primeiro turno. Ele foi prefeito de Campo Grande por duas vezes, entre 2005 e 2012.


Justiça manda a prefeitura de São Paulo entregar notas de empresas do doleiro Youssef para a Polícia Federal

O juiz Sérgio Fernando Moro, responsável pelas ações da Lava Jato na Justiça Federal do Paraná, determinou que a prefeitura de São Paulo forneça cópias de todas as notas fiscais emitidas pelas empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef situadas no município entre 2004 e 2014. A decisão do magistrado atende à solicitação da Polícia Federal que já havia solicitado o acesso aos dados à Secretaria de Finanças do município, no fim do ano passado. Na ocasião, o diretor do Departamento de Arrecadação e Cobrança da Prefeitura, Pedro Ivo Gândra, alegou impedimento em liberar os documentos, “visto que tratam de dados de contribuinte que contêm informações de cunho econômico, financeiro e comercial, obtidas pela Fazenda Pública Municipal em razão de seu ofício”.


Gândra sustentou que a divulgação de tais dados é vedada em face do sigilo fiscal previsto no artigo 198 da Lei 5172/66 (Código Tributário Nacional). Agora, com a determinação da Justiça, a Polícia Federal voltou a solicitar os dados para a Secretaria nesta sexta-feira. No pedido, o delegado Eduardo Mauat da Silva requer que a Secretaria encaminhe os dados “com a maior breviedade possível”. As empresas de fachada de Youssef registradas na capital paulista são a CSA Project Finance Consultoria e Intermediação de Negócios Empresariais, GFD Investimentos, MO Consultoria Comercial e Laudos Estatísticos, Empreiteira Rigidez e RCI Software e Hardware. A Polícia Federal acredita que o rastreamento das notas fiscais emitidas pelas empresas, que o próprio doleiro já admitiu serem de fachada, pode levar à identificação de outros personagens e de outros destinos de propinas.

Polícia Federal diz que deputado do PP teria recebido R$ 159 mil de esquema do Petrolão


O juiz Sérgio Fernando Moro, responsável pelas ações da Lava Jato na Justiça Federal do Paraná, encaminhou ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, indícios do envolvimento do deputado federal Nelson Meurer (PP/PR) no esquema de lavagem de dinheiro e desvios na Petrobrás. Os indícios foram descobertos pela Polícia Federal durante a análise do sistema de contabilidade paralela do Posto da Torre, em Brasília, do doleiro Carlos Habib Chater. Réu na Lava Jato, Chater é acusado de utilizar o seu negócio para lavar dinheiro e distribuir propinas a políticos indicados pelo doleiro Alberto Youssef. Ao analisar a contabilidade, peritos da Polícia Federal identificaram uma movimentação total de R$ 159 mil nas contas do posto registradas em nome de “Nelson” e de “Nelson Meurer”, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009. Diante disso, a Polícia Federal informou o juiz Sérgio Moro, que decidiu encaminhar o laudo ao Supremo Tribunal Federal para que avalie as medidas a serem tomadas.

VEJA A TABELA COM A CONTABILIDADE PARALELA DO POSTO DA TORRE NA QUAL MEURER É CITADO:


Nelson Meurer foi citado na delação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa como um dos 28 políticos beneficiários do esquema de propinas e corrupção na Petrobrás. O PP, sigla de Nelson Meurer, tem papel de protagonista no escândalo, segundo a investigação. A força-tarefa da Lava Jato acredita que os desvios na petrolífera ocorrem há pelos menos 15 anos. Mas foi o ex-deputado José Janene (PP-PR), réu no processo do Mensalão do PT morto em 2010, quem organizou a corrupção na estatal, fazendo com que as cúpulas das siglas envolvidas fossem beneficiadas diretamente. Nas palavras de um investigador, “Janene transformou a corrupção no varejo em esquema de organização partidária”. O modelo que ele teria criado consistia em concentrar a negociação e o pagamento de propinas num diretor, e não mais em vários agentes públicos dentro da estatal. Janene foi também o padrinho político de Alberto Youssef e quem indicou Paulo Roberto Costa à diretoria de Abastecimento da Petrobrás, em 2004. Dentre os 28 políticos citados pelo ex-diretor em sua delação, 10 são do PP, o partido com mais políticos envolvidos no esquema da Petrobrás, segundo Paulo Roberto Costa. O próprio Youssef, ao citar os políticos envolvidos no escândalo, afirmou a investigadores da Operação Lava Jato que “só sobram dois no PP”.

JUSTIÇA ARGENTINA MANDA DIVULGAR A ÍNTEGRA DO RELATÓRIO DO ASSASSINADO PROMOTOR NISMAN COM ACUSAÇÕES CONTRA A PRESIDENTE PERONISTA POPULISTA CRISTINA KIRSCHNER

Quarenta e oito horas após ser encontrado o corpo do promotor Alberto Nisman, a Justiça argentina divulgou a peça do relatório que incrimina o governo argentino de conluio com os iranianos, no intuito de encobrir a responsabilidade de altos funcionários iranianos no atentado que chocou a Argentina, em 1994, quando um carro-bomba explodiu defronte ao prédio da AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina), em Buenos Aires, matando 85 pessoas. Leia a íntegra do relatório produzido pelo promotor: http://contenidos2.tn.com.ar/2015/01/21/denunciafinal.pdf

70 ANOS DA LIBERTAÇÃO DE AUSCHWITZ NÓS JAMAIS ESQUECEREMOS – E O MUNDO?

No próximo dia 27 de janeiro, terça-feira, o mundo estará relembrando o Dia Internacional Em memória das Vítimas do Holocausto, instituído pela ONU, na mesma data em que ocorreu a libertação do Campo de Auschwitz, em 1945, o maior centro de morte e degradação humana da História. Passaram-se 70 anos do dia em que as tropas soviéticas entraram no “campo da morte” e liberaram o que restava de seres humanos doentes e cambaleantes. Em Auschwitz foram mortos mais de 1,5 milhão de seres humanos.


Situado em território polonês, o campo nazista de extermínio foi peça fundamental na destruição da maior comunidade judaica da Europa, dos anos 30/40. Antes da Segunda Guerra Mundial, existiam 3,2 milhões de judeus poloneses. Após o término da guerra, restaram na Polônia apenas 200 mil judeus. Éramos 18 milhões de judeus em todo mundo, depois da guerra sobraram 12 milhões. Perdemos 6 milhões de irmãos. Nós, judeus, jamais esqueceremos os horrores do Holocausto e do preconceito, mas será que esta geração de jovens europeus também conhece e repudia os horrores do Holocausto e da discriminação em geral? A resposta é não! Recentes pesquisas mostram a ignorância dos jovens europeus sobre o passado nazista na Europa, sobre a monstruosidade do que foi o Holocausto e muitos jovens deixam-se levar por atuais apologias racistas, discriminatórias e xenofóbicas. Passeatas noturnas com tochas, ao estilo nazista, voltam a assolar a Europa, e o ódio da extrema-direita vai ganhando novos adeptos a cada momento. É urgente colocar um basta na ignorância histórica relembrando, a cada momento, o que foi o ódio racial nos anos 30/40.
NÓS JAMAIS ESQUECEREMOS – E O MUNDO?
HOLOCAUSTO NUNCA MAIS:
JAMAIS DE JUDEUS OU DE QUALQUER ETNIA OU MINORIA!!!


Torah iraquiana de 200 anos chega a Israel


Um rolo da Toráh, escrita há 200 anos, realizou uma viagem incomum e misteriosa de Bagdá para Jerusalém, onde foi recebida com doces e música em uma cerimônia de dedicação eufórica na quinta-feira passada. Especialistas israelenses em tradição dos escribas judeus que restauraram o pergaminho hebreu dizem que foi escrito há dois séculos, por dois escribas diferentes no norte do Iraque, com tinta romã, um material de escrita raramente utilizado. O pergaminho é um remanescente de 2.500 anos de idade da comunidade judaica do Iraque, uma das mais antigas do mundo, que praticamente desapareceram quando muitos judeus deixaram o país após a criação do Estado judeu, em 1948. Apenas poucos judeus vivem hoje no Iraque, após décadas de guerra e de instabilidade. As autoridades iraquianas proibiram os judeus que partiram para Israel de levar objetos rituais e outros bens com eles. Durante a invasão do Iraque, em 2003, soldados americanos descobriram antigas Torahs e outros documentos comunitários no porão alagado da sede da inteligência iraquiana em Bagdá, e levaram os manuscritos para os Estados Unidos, para a restauração. Eles começaram a ser exibidos nos Estados Unidos, e as autoridades americanas prometeram devolver os itens para o Iraque. Funcionários do Ministério das Relações Exteriores de Israel dizem que a Torah é propriedade judaica e pertence ao Estado judeu.

Justiça Federal proíbe bares de Jurerê Internacional de avançar sobre área da praia

Os beachs clubs, postos e quiosques da Praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis, não poderão realizar atividades na área de areia, fora de seu espaço físico, nem emitir barulho acima dos limites da legislação municipal. A decisão foi proferida na quarta-feira (21/01), pelo relator do processo no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), desembargador federal Fernando Quadros da Silva. A medida ampliou efeitos de liminar da Justiça Federal de Santa Catarina, que já havia proibido os estabelecimentos de instalar equipamentos (mesas, guarda-sóis, etc) na área comum de praia, exceto nos dias 31 de dezembro e 1º de janeiro. Considerando que a medida não sanava os danos ambientais existentes, a União, por meio da Advocacia-Geral da União, ingressou com agravo de instrumento. Ao analisar o caso, o TRF4 determinou a remoção de estruturas fixas e provisórias nas áreas que impeçam a livre circulação de pedestres, no prazo de 20 dias a partir do recebimento da intimação pelas partes, sob pena de multa de R$ 10.000,00 por dia de atraso; a proibição de festas com venda de convites acima da capacidade interna dos quiosques, sob pena de multa de R$ 675.000,00; e a proibição da emissão de barulhos e ruídos acima do limite municipal, sob pena de multa de R$ 5.000,00. As restrições à instalação de equipamentos na faixa de areia e à expansão dos estabelecimentos foram mantidos. Para o desembargador Quadros da Silva, apesar dos estabelecimentos gerarem desenvolvimento econômico para a região, os ganhos são desproporcionais aos danos ambientais e sociais advindos da apropriação privada do espaço de praia – não cumprindo os requisitos de “desenvolvimento sustentável” elaborados pela Comissão Mundial sobre Meio Ambientes e Desenvolvimento, das Nações Unidas. Com base no art. 225 da Constituição Federal, que resguarda e protege o ecossistema, o magistrado afirma que “o perigo da demora (de decidir) decorre da potencial lesividade da atividade da agravante, bem como da irreversibilidade dos danos eventualmente causados ao meio ambiente. O julgamento do mérito do recurso de agravo será realizado pela 3ª Turma do TRF4. O mérito da ação está sendo analisado pela Justiça Federal de Santa Catarina. Os beach clubs são frequentemente alvos de polêmica envolvendo a União, o município de Florianópolis, associações de moradores locais e entidades ambientais. Em 2013, o TRF já havia julgado liminar que pedia a interdição dos quiosques, suspendendo a decisão. Atualmente, a Justiça Federal de Santa Catarina avalia denúncia do Ministério Público Federal que pede a demolição dos beach clubs e de um hotel de luxo da região de Jurerê. O processo é o AI 50011920620154040000/TRF

O delator Paulo Roberto Costa disse à Polícia Federal que Fernando Baiano tinha um operador que morava na Suiça

O ex-diretor de abastecimento da Petrobras, o delator Paulo Roberto Costa, disse em depoimento à Polícia Federal que o empresário Fernando Soares, o "Baiano", trabalhava com um operador que morava na Suíça, chamado Diego. A informação se tornou pública na noite de ontem, quando a Justiça do Paraná disponibilizou parte do depoimento que Paulo Roberto Costa concedeu em sua delação premiada. Foi a primeira vez que apareceu o nome de um operador do esquema no país, onde se suspeita que esteja parte do dinheiro desviado da Petrobras em esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato. Procuradores do caso estão em contato com as autoridades suíças para rastrear o dinheiro e remetê-lo ao Brasil. Baiano é apontado pelos investigadores como operador do PMDB no esquema que desviava dinheiro em contratos com a Petrobras. Ele e o partido negam irregularidades. Paulo Roberto Costa disse que esteve com Baiano no Vilartes Bank, em Liechteinstein, em 2007 ou 2008. Na ocasião, Paulo Roberto Costa conheceu "um operador de Fernando chamado Diego, que morava na Suíça e vinha ao Brasil uma vez por ano, aproximadamente", e que Diego "era quem cuidava das operações financeiras no Exterior no interesse de Fernando Baiano", de acordo com o documento. Paulo Roberto Costa disse ainda que Fernando Baiano é "uma pessoa muito bem articulada, tendo muitos contatos no mundo político e empresarial" e também "um homem muito rico". Paulo Roberto Costa listou imóveis que, segundo ele, pertencem a Fernando Baiano, mas que provavelmente não estão em seu nome, "pois o mesmo não teria como comprovar a origem dos recursos usados para adquirir todos estes bens". Segundo o delator Paulo Roberto Costa, Baiano teria uma cobertura de 1,2 mil metros quadrados no condomínio Atlântico Sul, na orla de Barra da Tijuca, área nobre do Rio de Janeiro; uma casa nos Estados Unidos; uma casa em Trancoso, litoral sul da Bahia; e outra casa em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Paulo Roberto Costa disse que Baiano tem também, uma lancha, ativos no Exterior e uma academia no Rio de Janeiro. Segundo o ex-diretor, "é provável que os bens estejam em nome de empresas offshore" comandadas por Baiano.

Empresa do bandido petista mensaleiro José Dirceu teria função semelhantes às do doleiro Alberto Youssef, é a suspeita da Polícia Federal na Operação Lava Jato


A força-tarefa da Operação Lava Jato suspeita que a JD Assessoria e Consultoria, do ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, condenado no mensalão, cumpria a mesma função das empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef, alvo central da investigação sobre desvios, fraudes e corrupção na Petrobrás. Elas emitiam notas fiscais para as maiores empreiteiras do País por assessorias e outros serviços fictícios. A JD também soltou notas fiscais por serviços que não teriam sido realizados, segundo suspeitam os investigadores. Os investigadores rastrearam a movimentação financeira de pessoas jurídicas controladas por Youssef. Ao analisarem os lançamentos contábeis das construtoras, todas alvo da Lava Jato, no período de 2009 a 2013, os investigadores “confirmaram a transferência de vultosos recursos” às empresas do doleiro. A força-tarefa constatou que MO Consultoria, GFD Investimentos empreiteira Rigidez, todas vinculadas a Youssef, emitiam notas fiscais frias para camuflar a captação e o destino de valores repassados pelas empreiteiras. Políticos e caixa 2 de partidos teriam sido os beneficiários das operações protagonizadas pelo doleiro e pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. Foi nessa etapa da apuração que a Receita Federal identificou que também a empresa do ex-ministro, JD Assessoria e Consultoria Ltda, “recebeu vultosos recursos” da Galvão Engenharia, da Construtora OAS e da UTC Engenharia, três das empreiteiras sob suspeita de formarem um cartel na estatal petrolífera. O Fisco verificou que, entre julho de 2009 e dezembro de 2011, a empresa de José Dirceu e de seu irmão, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, recebeu, em média, R$ 25 mil mensais da Galvão Engenharia, sob a rubrica genérica de “consultoria”, totalizando cerca de R$ 725 mil. Da Construtora OAS, a empresa JD recebeu, em média, R$ 30 mil mensais, também por “consultoria” e “subempreiteiros”, de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, somando cerca de R$ 720 mil. A Receita identificou, ainda, créditos da UTC Engenharia em favor da empresa do ex-ministro do governo Lula: R$ 1,377 milhão no ano de 2012 e R$ 939 mil em 2013, neste caso por “consultoria, assessoria e auditoria”. “Verifica-se, portanto, que no período de 2009 a 2013, a empresa JD Assessoria recebeu a expressiva quantia de R$ 3,761 milhões a título de consultoria, das empreiteiras acima listadas, as quais estão sendo investigadas justamente pelo pagamento de serviços de consultoria fictícios a empresas diversas para viabilizar a distribuição de recursos espoliados do Poder Público”, assinalou a juíza federal Gabriela Hardt. Gabriela decretou inicialmente a quebra do sigilo bancário e fiscal exclusivamente da JD Assessoria e Consultoria, no dia 8 de janeiro. No dia seguinte, Depois, informada pelo pedido do Ministério Público Federal que o ex-ministro e seu irmão são os detentores das cotas da empresa, ela estendeu a ordem para as contas bancárias e as declarações de rendas de José Dirceu e Luiz Eduardo. “O objetivo da quebra é justamente identificar eventuais outros pagamentos suspeitos nas contas das pessoas ora investigadas”, destacou a juíza: “Há causa provável para a quebra de sigilo fiscal e bancário requerida pela autoridade policial, uma vez que necessária para verificar se os investigados foram ou não beneficiários do esquema de distribuição de recursos desviados da Petrobrás". Gabriela Hardt destaca que “em processos por crimes financeiros e de lavagem, o rastreamento patrimonial financeiro da origem e destino dos valores é imprescindível”. Segundo o Ministério Público Federal “valores desviados das obras, em montantes milionários” foram repassados para empresas controladas por Youssef, especialmente a MO Consultoria e a GDF Investimentos, em pagamentos simulados de serviços. “Aprofundando as investigações, foram colacionadas provas de um esquema criminoso de certa magnitude estruturado para desviar recursos de obras da Petrobrás, mediante fraudes a licitações, cartel de empreiteiras, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagem indevida a dirigentes e gerentes da empresa estatal”, destaca a juíza. “Havendo suspeita nas transações efetuadas pelos investigados, é evidentemente necessária a quebra do sigilo”, argumenta a magistrada: “Havendo causa lícita para as transações apontadas pela Receita Federal, oportunamente será permitida a produção de prova neste sentido". Ela ponderou que “não é possível, na presente conjectura, afirmar em definitivo a (i)ilicitude dos pagamentos havidos, daí a imprescindibilidade da quebra requerida”. “Não há, ademais, outra forma de colher a prova”, finalizou a juíza.

Licença prorrogada, de maneira inexplicável

Machado: mais um mês?
Machado: mais um mês?
Sérgio Machado tem dito aos mais próximos que irá renovar ainda por muito tempo sua licença da presidência da Transpetro. Por ter sido citado por Paulo Roberto Costa, Machado licenciou-se em novembro por 30 dias. Desde então, vem renovando mensalmente o pedido. Ontem, renovou de novo até março. Por que Dilma Rousseff aceita manter um interino por tanto tempo no cargo de uma das maiores empresas do Brasil é um enigma – que talvez só a aliança com Renan Calheiros possa explicar. (Por Lauro Jardim)

Missão de Lula para o petista Delcídio Amaral: acalmar o assustado Nestor Cerveró

Cerveró, fera ferida
Cerveró, uma fera ferida
Delcídio Amaral recebeu esta semana de Lula uma missão espinhosa: acalmar Nestor Cerveró. Ao longo do ano passado, Cerveró procurou Delcídio em diversas ocasiões, dizendo-se com medo e pedindo respaldo. (Por Lauro Jardim)
É o tipo da tarefa ingrata no momento atual. Quase parecendo série de televisão: "Missão impossível"

Os irmãos Brizola decidem ficar no PDT

brizola neto
Mudança de partido descartada
A família Brizola – Brizola Neto, Juliana Brizola e Leonel Brizola Neto, todos irmãos  – decidiu que não sairá do PDT. Sondagens do PSOL e do PTB  não animaram o trio. (Por Lauro Jardim)

Novo depoimento de Venina, o Petrolão está fedendo

venina
Novo depoimento à PF
A ex-gerente de Abastecimento da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca, voltará a prestar depoimento no dia 4 de fevereiro para os investigadores da Lava Jato. (Por Lauro Jardim)

Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, diz que modelo de seguro-desemprego está ultrapassado


O novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que o atual modelo de seguro-desemprego brasileiro está "completamente ultrapassado". Em entrevista ao jornal Financial Times, ele usou a expressão "out-of-date" (obsoleto) para definir o sistema de benefícios previdenciários do País. Levy também reforçou sua intenção de "se livrar de subsídios e ajustar preços", como os de energia, e voltou a falar em cortes em "diversas áreas". As declarações foram dadas em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial. Levy também afirmou que o País passa por um período de austeridade e reformas e defendeu mudanças em programas sociais do governo - sem reduzir, no entanto, o Bolsa Família. Ele admitiu que esse período de ajustes pode impactar o desenvolvimento econômico. "Acredito que a economia parada não pode ser descartada como uma possibilidade, embora o PIB no Brasil seja resiliente", afirmou. Ainda em relação aos ajustes, Levy acrescentou que "assim que sua equipe colocar a casa em ordem, a reação será positiva", em referência ao compromisso do atual governo em resgatar a credibilidade e a confiança do mercado. Ao se referir às mudanças do cenário externo, Levy afirmou que também é hora de o Brasil mudar. Para ele, "políticas anticíclicas têm seus limites, especialmente quando se vê as duas maiores economias do mundo (Estados Unidos e China) mudando de postura”. O ministro disse que considera a presidente Dilma Rousseff (PT) uma pessoa "muito decidida e que entende suas escolhas". Apontado por ser um "estranho no ninho", por sua postura ortodoxa, Levy disse que não está sozinho no governo e acrescentou que outras reformas estão sendo feitas em outros ministérios, como de Energia e Agricultura. A entrevista foi dada poucos dias após o governo anunciar um pacote de ajustes fiscais para elevar a arrecadação federal em mais de 20 bilhões de reais neste ano. O pacote inclui a retomada da cobrança da Cide, o imposto sobre combustíveis; a elevação de 9,25% para 11,75% da alíquota do PIS/Cofins para produtos importados; a equiparação do atacadista ao industrial para a cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre setor de cosméticos e o aumento da faixa para operações de crédito (IOF) de 1,5% para 3%.

Brasil tem o quarto Big Mac mais caro do mundo


O Brasil possui o quarto Big Mac mais caro do mundo, apontou o Índice Big Mac calculado este mês pela revista The Economist. O preço do lanche no País, de 5,21 dólares (13,50 reais), fez o Brasil subir uma posição no ranking em relação ao último levantamento, feito em julho do ano passado. O indicador foi criado pela publicação britânica em 1986 e mostra a diferença no poder de compra e na variação da taxa de câmbio entre países, com base na teoria da Paridade do Poder de Compra. Segundo ela, as taxas de câmbio devem se ajustar para equiparar o preço de um determinado produto como o Big Mac ao redor do mundo. A moeda adotada como referência é o dólar americano. O mesmo lanche nos Estados Unidos sai por 4,79 dólares, o que significa que o Índice Big Mac brasileiro acumulou alta de 8,7% em janeiro. Em julho, o preço do Big Mac no Brasil era de 5,86 dólares (13 reais). Em janeiro do ano passado, o valor do lanche era de 5,25 dólares (12,40 reais). De acordo com o levantamento, a Suíça possui o Big Mac mais caro do mundo (7,54 dólares). Já a Ucrânia possui o lanche mais barato (1,20 dólares), a frente de Rússia (1,36 dólares), Índia (1,89 dólares), Malásia (2,11 dólares) e África do Sul (2,22 dólares).

Ministério Público de Portugal investiga participação de ex-presidente de telefônica no Mensalão do PT

A denúncia do publicitário Marcos Valério de que o PT recebeu 2,6 milhões de euros da Portugal Telecom começou a ser investigada pelo Ministério Público de Portugal. Segundo a imprensa daquele país, o ex-presidente da telefônica Miguel Horta e Costa prestou depoimento no último dia 9 no Departamento Central de Investigação e Ação Penal. O depoimento foi solicitado pela Polícia Federal brasileira por meio de carta rogatória, mas as autoridades portuguesas resolveram abrir uma investigação local contra Costa por corrupção no comércio internacional. No Brasil, o caso tramita em um inquérito da Polícia Federal mantido em segredo. O depoimento foi pedido em outubro do ano passado. Os policiais já teriam recebido as declarações do português, mas não divulgaram o material. O caso começou a ser investigado em 2012, depois que Marcos Valério, condenado por operar o esquema do mensalão, denunciou o pagamento feito ao PT durante o governo Lula. Em troca, a Portugal Telecom obteria facilidade na compra da Telemig. Segundo Marcos Valério, a propina foi negociada entre Paulo Roberto Costa e o então presidente, o alcaguete Lula X9, no Palácio do Planalto. De acordo com Marcos Valério, o dinheiro foi transferido por meio de uma fornecedora da Portugal Telecom em Macau, na China, a publicitários brasileiros que trabalharam em campanhas eleitorais do PT. Marcos Valério disse que uma viagem que ele fez em companhia do advogado Rogério Tolentino e o ex-secretário do PTB, Emerson Palmiere, a Portugal, em 2005, foi parte da negociação para o pagamento. A oposição vai encaminhar requerimento de informações ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e tentar aprovar no Senado a criação de uma comissão externa para ter acesso ao processo aberto em Portugal. Ontem líder da minoria na Câmara e senador eleito Ronaldo Caiado (DEM-GO) anunciou que vai requerer ao Ministério Público brasileiro acesso às respostas dadas por Paulo Roberto Costa. "Nós vamos agir em duas frentes para saber se há previsão de ouvir o ex-presidente Lula aqui. Primeiro vou solicitar ao procurador Rodrigo Janot o envio de informações sobre o depoimento do ex-executivo da Portugal Telecom. Se ele não teve acesso ao processo que corre em Portugal, então nós vamos propor a criação de uma comissão externa do Senado para ir lá acompanhar o processo. Se o ministro Janot já estiver de posse dessas informações e der conhecimento ao Senado, não há necessidade de irmos lá", explicou Caiado. O presidente e líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN), acredita que, nessa investigação, Lula pode ser incriminado. "A providência de requerer o depoimento do senhor Miguel Horta é o primeiro e fundamental passo. Se o processo não anda aqui, pode andar lá. Portugal e Espanha estão dando especialíssima atenção a investigações de crimes do colarinho branco envolvendo políticos. Se há conexão com o PT e Lula, aqui, vai ter desdobramentos. Lula pode acabar sendo apanhado por uma circunstância secundária ao Mensalão", afirmou Agripino Maia. Logo após as eleições do ano passado, em dezembro, Lula foi ouvido como testemunha em um dos dois novos inquéritos abertos para investigar as denúncias de suposto envolvimento do PT e de Lula no Mensalão. Segundo a revista Época noticiou, na noite do dia 03 de dezembro Lula recebeu na pista do Aeroporto de Congonhas a carta precatória assinada pelo delegado federal Rodrigo Luis Sanfurgo de Carvalho, chefe da área de repressão a crimes financeiros e desvio de recursos públicos em São Paulo. O depoimento aconteceu no dia 09 de dezembro. Procurado para falar sobre o andamento da investigação em Portugal e da ação da oposição, ele respondeu, pela assessoria, que não tem novidades. "É a mesma do Marcos Valério, de 2012, não? Sem novidades. Falou disso na época para a Imprensa", respondeu ontem a assessoria do ex-presidente Lula X9.

Google em vias de oferecer serviço de telefonia móvel nos Estados Unidos, e autoridades já temem que a gigante tenha controle absoluto dos dados de usuários


O Google está a poucos passos de começar a vender pacotes de telefonia móvel nos Estados Unidos. Segundo reportagem do diário Wall Street Journal, o gigante das buscas está alugando a rede de dados das operadoras Sprint e T-Mobile, que têm capacidade ociosa, para oferecer o serviço de internet móvel sob sua marca. Chamado de Nova, o projeto está sendo testado nos corredores da companhia em Mountain View e, de acordo com o site The Information, deve ser lançado até o fim de 2015. O Google não informa qual é a estratégia, mas analistas acreditam que o interesse da companhia é ampliar o alcance de sua marca e garantir uma rede segura para seus produtos. O tipo de operação entre Google e operadoras é bastante comum nos Estados Unidos. Empresas como Cricket Wireless, Pure Talk e Republic Wireless são algumas que adotam a estratégia. No caso do Google, porém, o processo deve ser mais complicado. Autoridades americanas estão preocupadas que a companhia, ao ganhar acesso também aos dados de telefonia, tenha muito controle sobre informações dos usuários. Segundo os jornais do país, o Nova será analisado com cautela pelos órgãos reguladores. 

Governo do Rio de Janeiro já tem plano de racionamento de água


Um dia após o anúncio de que o nível do maior dos quatro reservatórios que abastecem o Rio de Janeiro zerou, o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, afirmou que a crise hídrica por que passa o Sudeste brasileiro é a pior em 84 anos – e que a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) tem um plano de racionamento caso a situação a longo prazo permaneça crítica. Em entrevista ao telejornal Bom Dia Rio, da Rede Globo, Corrêa afirmou que a Cedae dispõe de um plano com todas as medidas de contingência a serem adotadas em caso de agravamento da crise. "Não descartamos nenhuma possibilidade, em longo prazo, de fazer medidas de contenção, de racionamento", disse. "Absolutamente não está descartado o racionamento", frisou. Ele pediu a colaboração de população do Estado diante da situação dos reservatórios. "A perspectiva é de chuva para os próximos 10 dias, mas o ano será crítico", admitiu. "A chuva que virá não nos tranquiliza. Ou se toma consciência coletiva, ou nenhuma medida está descartada", salientou. No curto prazo, o secretário afirma que o risco maior é para empresas situadas na bacia do Rio Guandu. "Nós podemos ter de dizer a elas que é preciso parar de operar", disse. Isso porque a prioridade do governo é o abastecimento humano. Na quarta-feira, o nível do reservatório de Paraibuna chegou a zero, segundo boletim do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), e atingiu, portanto, o chamado volume morto. O Paraibuna é apontado como a "caixa d'água" da bacia do rio Paraíba do Sul, que passa por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e é usado tanto para geração de eletricidade quanto para abastecimento de água. Outros reservatórios estão se esvaziando. O de Santa Branca, pertencente à Light, por exemplo, apresenta nível de 0,65%, com entrada de 27 metros cúbicos de água por segundo e saída de 40 metros cúbicos por segundo; o de Funil (Furnas) tem nível de 4,15%, com 65 metros cúbicos por segundo de entrada e 137 metros cúbicos por segundo de saída; já no reservatório de Jaguari (Cesp), o nível alcança 2%, com cinco metros cúbicos de água por segundo entrando e 11 metros cúbicos por segundo saindo.

Morre o jornalista João Carlos Terlera

O jornalista João Carlos Terlera, ex-editor de Política de Zero Hora e durante 20 anos seu principal colunista da área, como também servidor da Assembléia do Rio Grande do Sul, morreu nesta madrugada, por falência múltipla de órgãos. Ele tinha 73 anos e estava internado desde o dia 19 de setembro no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre. O velório começou as 12 horas, no Salão Júlio de Castilhos do Palácio Farroupilha, sede da Assembléia, e o sepultamento será às 18 horas, no Cemitério João XXIII. João Carlos Terlera foi o principal colunista político do Rio Grande do Sul durante décadas. 

Chuvas elevam níveis de reservatórios que atendem cidades da Grande São Paulo

Cinco dos seis sistemas que abastecem a Grande São Paulo registraram aumento no volume armazenado hoje (23), informou a Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp), empresa que administra os sistemas. As elevações dos níveis ocorreram após um dia chuvoso em toda a região. Principal sistema de abastecimento da capital, o Cantareira, que atende a mais de 6 milhões de pessoas, teve nova queda. O nível do Cantareira, que ontem (22) chegou a 5,4%, baixou hoje para 5,3%. A precipitação na região dos reservatórios atingiu 0,6 milímetros (mm). Desde o início de janeiro, choveu 64,9mm, enquanto a média histórica para o mês é 271,1mm. No Sistema Rio Grande, que abastece os municípios de Diadema, São Bernardo do Campo e parte de Santo André, foram registrados 31,2 mm de chuva. Com isso, o nível dos reservatórios subiu de 69,1%, marca de ontem, para 70,3%. A capacidade do Sistema Alto Tietê aumentou de 10,1% para 10,3%. As últimas chuvas registraram a marca de 13,3mm. No acumulado do mês, o registro é 54,9mm. A média para janeiro nos reservatórios é 251,5mm. Além da zona leste paulistana, o sistema atende a mais nove cidades. O Sistema Guarapiranga teve elevação de 0,4 ponto percentual no volume de água e está com 38,5% da capacidade. Este mês, os reservatórios receberam 152,6mm de chuva. A média histórica para janeiro no sistema é 229,3mm. O Guarapiranga atende a zona sul de São Paulo. O Alto Cotia, que ontem estava com 27,9%, subiu hoje para 28,5% da capacidade. A elevação ocorreu após a chuva de 20,4mm, um terço dos 63mm registrados ao longo do mês. Para janeiro, a média de chuva nos reservatórios é 232mm. Essas represas fornecem água para as cidades de Cotia, Embu, Itapecerica da Serra, Embu-Guaçu e Vargem Grande. No Sistema Rio Claro, as chuvas também alcançaram 20mm, elevando o nível das represas de 24,9% para 30,6%. Nesse sistema, a média de chuva para janeiro é 298,9mm e, até o momento, foram registrados 144,7mm. O sistema atende a parte da zona leste da capital e aos municípios de Ribeirão Pires, Mauá e Santo André.

Mesmo com dólar em alta, gastos de brasileiros no Exterior batem recorde

Os gastos de brasileiros no Exterior passaram de US$ 24,987 bilhões, em 2013, para US$ 25,608 bilhões, em 2014, crescimento de 2,48%. O valor voltou a ser recorde, mesmo com o dólar em alta. A conta de viagens internacionais apresentou déficit de US$ 18,695 bilhões no ano passado, cifra também recorde. Os dados foram divulgados hoje (23) pelo Banco Central. De acordo com o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, a tendência é uma redução no ritmo de crescimento das viagens dos brasileiros ao Exterior. Para ele, o principal fator de influência é a valorização do dólar. “É natural que, em um determinado momento, isso (gastos recorde de brasileiros em viagens ao Exterior) mostrasse uma acomodação. A tendência é ter, em 2015, comportamento semelhante ao de 2014”, disse Maciel. Em 2014, ano de Copa do Mundo, os gastos de estrangeiros no Brasil ficaram em US$ 6,914,00 crescendo 3,13%, na comparação com o ano anterior. As receitas ficaram aquém do que era esperado pelo Banco Central. “Chegamos a fazer uma estimativa do impacto da Copa, que ficou próxima de US$ 1 bilhão”, disse Maciel. Segundo ele, fatores externos podem ter influenciado. “Há uma correspondência do ritmo de crescimento da atividade global com receitas de viagens previstas no País”, destacou. Quanto ao déficit recorde de US$ 90,9 bilhões das transações correntes do País no ano passado, Maciel atribuiu o resultado principalmente à balança comercial. Para ele, a balança tende a se recuperar este ano, em função da taxa de câmbio – já que o dólar valorizado favorece exportações -, do aumento no volume de comércio internacional e da perspectiva de melhora da conta-petróleo brasileira.

Petrobras admite que balanço pode mostrar perdas e revisão de ativos

A Petrobras divulgou hoje (23) nota de esclarecimento na qual admite que análises nos números do balanço do terceiro trimestre de 2014, necessárias para o fechamento e divulgação das demonstrações contábeis do período, “poderão resultar no reconhecimento de perdas e consequente revisão do ativo imobilizado a serem refletidas nos resultados do referido balanço”. A nota foi divulgada por causa de matéria publicada no jornal O Globo de hoje, informando que, na divulgação do balanço do terceiro trimestre, prevista para a próxima segunda-feira (26), a empresa poderá relatar perdas de R$ 10 bilhões relacionadas a casos de corrupção. De acordo com a matéria, a redução de investimentos decorrentes das dificuldades de captações de recursos no mercado externo levarão a cortes de 30% nos investimentos de aproximadamente US$ 44 bilhões, conforme o Plano de Negócios 2014-2018. “A companhia reitera que está revisando o planejamento para 2015, implementando uma série de ações voltadas para preservação do caixa, de forma a viabilizar investimentos sem necessidade de efetuar novas captações. Tais medidas incluem a antecipação de recebíveis, redução do ritmo dos investimentos em projetos, revisão de estratégias de preços de produtos e redução de custos operacionais em atividades ainda não alcançadas pelos programas estruturantes”, informa a nota da Petrobras. Sem negar as informações e os valores citados na matéria, a empresa afirma ainda que o valor do ajuste, assim como o percentual de corte nos investimentos (constantes da matéria) ainda estão sendo analisados. "Portanto", conclui a nota, "a Petrobras não confirma os valores citados na matéria”,.

Núcleo político do governo do peremptório petista Tarso Genro se protege em polpudas CCs na Coordenadoria do PT na Assembléia Legislativa

Mari Perusso, a poderosa nova petista
O peremptório petista "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro, também conhecido em Porto Alegre como "garoto de ouro" (desde a década de 80), tratou de colocar uma forte assessoria política na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, na coordenadoria da bancada de seu partido, para promover a sua defesa e a de seu governo. Afinal, não esqueçam, o peremptório "grilo falante" é candidatíssimo à Presidência da República em 2018, na expectativa de que até lá se acentue o problema de saúde do ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de Reputações"). Historicamente, o "grilo falante" tem se colocado como aliado do partido trotskista clandestino DS (Democracia Socialista) que se homizia no PT. E, atualmente, a DS (organização clandestina, revolucionária) compõe o núcleo forte do governo da petista Dilma Rousseff, com as chefias da Secretaria Geral da Presidência da República (Miguel Rosseto) e das Relações Institucionais (Pepe Vargas). No governo do peremptório Tarso Genro no Palácio Piratini, a organização revolucionária clandestina DS (Democracia Socialista, trotskista) dominava todos os principais cargos (chefia da Casa Civil, Secretaria da Fazenda, Banrisul, Secretaria da Educação, comando da Brigada Militar, etc...). Assim, Tarso Genro encaminhou para a Assembléia Legislativa, para defender seu governo e atucanar o de José Ivo Sartori, a sua "tropa de elite". Mari Perusso - coordenadora-geral da bancada, foi chefe da Assessoria do Governador; João Motta - coordenador técnico, atuou como secretário do Planejamento; Arnaldo Dutra - auxiliar da bancada, é ex-presidente da Corsan; Marcos Daneluz - coordenador administrativo, é ex-deputado; Eliane Silveira - coordenadora de comunicação, atuou na Secretaria Geral do PT. O nome curioso nessa lista é o de Mari Perusso (na foto). Ela foi uma "eterna" grudada no PMDB gaúcho, como uma das chefes do partido clandestino MR8 (hoje transformado em Partido da Pátria Livre, do qual foi presidente). Subitamente, em uma das mais curiosas abduções da política gaúcha, saiu de seu eterno partido e tornou-se fervorosa petista, a ponto de se tornar agora coordenadora da bancada do partido na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. A "cristã nova" é a mais poderosa figura do PT do Rio Grande do Sul. É um sinal de que o PT gaúcho não tem mais quadros, ou não consegue atrair mais ninguém. 

Polícia Federal está investigando o publicitário baiano Nizan Guanaes, dono das agências Morya e Escala, que foram contratadas pelo peremptório petista Tarso Genro para o atender o governo gaúcho


Uma investigação paralela do chamado "Mensalão" pode respingar no publicitário Nizan Guanaes, dono das agências Morya e Escala, que foram contratadas pelo peremptório petista "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro para atender o seu governo, faturando nele mais de R$ 100 milhões. África e DM9 também são de Nizan Guanaes, que é um dos mais conhecidos publicitários do País. A apuração é fruto de uma denúncia feita pelo empresário Marcos Valério de Souza, condenado no Mensalão do PT. Segundo ele, a Portugal Telecom pagou 2,6 milhões de euros a fornecedores do PT, que atuaram nas campanhas de 2002. Um desses fornecedores seria Nizan Guanaes (na foto, ao alto, à direita). De acordo com reportagem do jornal O Globo, que por razões provavelmente comerciais omite o nome de Nizan Guanaes, o processo avançou. No último dia 9 de janeiro, foi interrogado, em Lisboa, por meio de carta rogatória, o executivo Miguel Horta e Costa, ex-presidente da Portugal Telecom. Em 2005, ele teria sido visitado pelo empresário Marcos Valério e por Emerson Palmieri, à época tesoureiro do PTB, em Lisboa. Naquele encontro, teria sido acertado o pagamento aos fornecedores do PT por meio de uma subsidiária da Portugal Telecom em Macau. Os portugueses pagaram, segundo Marcos Valério, porque tinham interesse em adquirir a Telemig Celular. Um dos credores do PT, beneficiado na transação, segundo Marcos Valério, seria o publicitário Nizan Guanaes, que, em 2002, fez a campanha ao governo do Rio de Janeiro do então candidato Jorge Bittar. Além dele, os recursos também teriam sido usados para pagar showmícios da dupla Zezé di Camargo & Luciano. Embora Nizan Guanaes seja um dos principais beneficiários da transação apontada pelo publicitário Marcos Valério, o foco do jornal O Globo, em sua reportagem de hoje, é outro: o ex-presidente e alcaguete Lula X9 (ele delatava companheiros para o Dops paulista, durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de Reputações"). De acordo com dois parlamentares da oposição, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) e o senador Agripino Maia (DEM-RN), o pagamento teria sido determinado por Lula X9. E os dois não escondem aonde querem chegar. "Nós vamos agir em duas frentes para saber se há previsão de ouvir o ex-presidente Lula aqui. Primeiro vou solicitar ao procurador Rodrigo Janot o envio de informações sobre o depoimento do ex-executivo da Portugal Telecom. Se ele não teve acesso ao processo que corre em Portugal, então nós vamos propor a criação de uma comissão externa do Senado para ir lá acompanhar o processo. Se o ministro Janot já estiver de posse dessas informações e der conhecimento ao Senado, não há necessidade de irmos lá", disse Caiado. Agripino Maia foi mais longe. "A providência de requerer o depoimento do senhor Miguel Horta é o primeiro e fundamental passo. Se o processo não anda aqui, pode andar lá. Portugal e Espanha estão dando especialíssima atenção a investigações de crimes do colarinho branco envolvendo políticos. Se há conexão com o PT e Lula, aqui, vai ter desdobramentos. Lula pode acabar sendo apanhado por uma circunstância secundária ao mensalão", afirmou.

Déficit em conta corrente em 2014 é o maior da história

As contas externas do Brasil terminaram 2014 com um déficit de 90,94 bilhões de dólares, um recorde para a série histórica do Banco Central, iniciada em 1947. O rombo superou a projeção da instituição, de um resultado negativo de 86,20 bilhões de dólares. Até então, o maior volume havia sido registrado em 2013, de 81,34 bilhões de dólares. Vale destacar que esse resultado deficitário foi 50% maior do que o verificado em 2012, de 54,24 bilhões de dólares, que até então era o pior desde 1947.

O déficit em conta corrente do ano passado ficou em 4,17% do Produto Interno Bruto (PIB), ainda de acordo com os dados do BC, o pior para um ano fechado desde 2001 (4,19%). O maior porcentual da série histórica do BC foi observado em 1974, de 6,80%.
Apenas em dezembro, o resultado ficou negativo em 10,31 bilhões de dólares. Economistas consultados pela Reuters previam saldo negativo de 9,70 bilhões de dólares no mês passado.
O Banco Central informou que os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no País somaram 6,65 bilhões de dólares em dezembro, praticamente em linha com o previsto por analistas consultados pela Reuters. No fechamento de 2014, o IED ficou em 62,49 bilhões de dólares, insuficientes para cobrir o déficit da conta corrente.
Apontada como principal vilã das contas correntes em 2014, a balança comercial registrou um déficit de 3,93 bilhões de dólares, enquanto a conta de serviços ficou negativa em 48,667 bilhões de dólares. A conta de renda também ficou no vermelho, em 40,2 bilhões de dólares.
2015 – Para este ano, a tendência é de mais dificuldades para as contas externas do país, mesmo considerando a recente valorização do dólar em relação ao real, que pode ajudar nas exportações. O governo, no entanto, mantém o otimismo. “A tendência para 2015 é que a balança comercial melhore. A primeira razão é a taxa de câmbio, depois a perspectiva de maior volume de comércio internacional e, na parte de petróleo, a expectativa de que tenhamos um saldo comercial melhor (na conta petróleo)”, afirmou o chefe do departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel. A estimativa do Banco Central é de rombo de 83,50 bilhões de dólares em 2015 nas transações correntes do País.

José Dirceu na Lava Jato: ele já mudou de cara duas vezes e de nome, mas será sempre um cara: José Dirceu. Ou: Petista é abatido quando se preparava para fazer oposição a Dilma no PT

O petista José Dirceu, que se preparava — já chego lá — para disputar novas posições de poder no PT, é um dos investigados da Operação Lava Jato. Vai ver está aí o motivo que o levou a procurar Lula não faz tempo, sem sucesso, conforme revelou a revista VEJA. O Poderoso Chefão pôs o faz-tudo Paulo Okamotto para falar com o Zé. Nunca foi do tipo que se jogou no mar para salvar um amigo ou aliado. Eh, Zé Dirceu! O homem que nunca teve um trabalho formal, ora vejam!, tornou-se um dos consultores mais bem-sucedidos do País assim que deixou a chefia da Casa Civil, onde ficou de 1º de janeiro de 2003 a 21 de junho de 2005. Ele próprio revelou, certa feita, a razão de seu sucesso como “consultor”.

Em entrevista à revista Playboy em julho de 2007, o repórter quis saber se o fato de ele ter passado pelo governo facilitava o seu trabalho. A resposta foi espantosa. Disse ele:
“O Fernando Henrique pode cobrar R$ 85 mil por palestra, e eu não posso fazer consultoria? No fundo, o que eu faço é isso: analiso a situação, aconselho. Se eu fizesse lobby, o presidente saberia no outro dia. Porque, no governo, quando eu dou um telefonema, modéstia à parte, é um telefonema! As empresas que trabalham comigo estão satisfeitas. E eu procuro trabalhar mais com empresas privadas do que com empresas que têm relações com o governo.”
Vamos ver. FHC deixou a Presidência em 2002. Todos os que o convidavam e convidam para palestras — e palestra não é consultoria — sabem que ele não tem nenhuma influência no Planalto. Será que alguém faz um convite ao tucano esperando que ele dê “um telefonema” ao governo, como o petista admitiu, então, fazer? Em agosto de 2011, reportagem da VEJA revelou que, mesmo processado pelo STF, Dirceu mantinha em Brasília uma espécie de governo paralelo.
O centro clandestino de poder ocupava um quarto no hotel Naoum. O nome do Zé não contava da lista de hóspedes. Quem pagava as diárias (R$ 500,00) era um escritório de advocacia chamado Tessele & Madalena. Um dos sócios da empresa, Hélio Madalena, já foi assessor de Dirceu. O seu trabalho mais notável foi fazer lobby para que o Brasil desse asilo ao mafioso russo Boris Berenzovski. Tudo gente fina!
A revista revelou, então, que, em apenas três dias, entre 6 e 8 de julho de 2011, o homem  recebeu uma penca de poderosos. Prestem atenção a alguns nomes da lista de notáveis que foram beijar a mão do Zé, com os cargos que exerciam então: Fernando Pimentel, ministro da Indústria e Comércio; José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras; e os senadores Walter Pinheiro (PT-BA); Lindbergh Farias (PT-RJ); Delcídio Amaral (PT-MS) e Eduardo Braga (PMDB-AM).
Encontros de Dirceu 2
Encontros de Dirceu 1
Ninguém precisa intuir, porque o próprio Dirceu confessou, que a posição que ocupara no governo e seu prestígio no PT valiam ouro. Seus “clientes”, afinal, apresentavam suas demandas a um homem sem dúvida poderoso.
E ficamos sabendo, agora, que José Dirceu é um dos investigados no escândalo do petrolão. Segundo revelou reportagem do Jornal Nacional, o Ministério Público Federal encontrou indícios de que ele foi um dos beneficiários do esquema que atuava na Petrobras. A empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda., que o petista mantém em sociedade com Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, seu irmão, recebeu R$ 3,721 milhões de três empreiteiras que estão sob investigação: R$ 725 mil da Galvão Engenharia — em parcelas de R$ 25 mil mensais; R$ 720 mil da OAS, em parcelas de R$ 30 mil, e R$ 2,276 milhões da UTC Engenharia, em dois pagamentos:  R$ 1,337 milhão e R$ 939 mil. A juíza federal Gabriela Hardt determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos irmãos e da empresa.
Vai ver as empreiteiras sabiam que um telefonema do Zé para o governo “é um telefonema”. Dirceu diz que prestou assessoria às três empresas… E o homem é eclético! Conseguiu clientes nas áreas de petróleo e gás, telefonia, construção e bancos. Curiosamente, todas elas dependem de forte regulação estatal.
Dirceu áreas
Abatido antes do voo
A notícia abate o Zé antes mesmo de ele alçar vôo. Cumprindo prisão domiciliar em Brasília, ele já realizou diversas reuniões para tentar recuperar uma posição de força no PT. Andava pensando até em articular uma nova tendência. Segundo o Estadão, já conversou, até agora, com 30 deputados e sete senadores do partido. Nos bate-papos, faz críticas abertas à presidente Dilma Russeff e aos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) e Pepe Vargas (Relações Institucionais). Na terça-feira, em seu blog, atacou as medidas recentes da área econômica.
Segundo um amigo, José Dirceu estava disposto a brigar e a “se reinventar”. Pois é… Reinventar o quê? Ele já mudou de nome e, de cara, duas vezes. Mas não há reinvenção possível. Será sempre José Dirceu. Por Reinaldo Azevedo

Empreiteiro diz que corrupção pagava base aliada e põe o PT no centro do esquema. Ou: É claro que a Petrobras não era vítima e que também houve extorsão!

Caros leitores, o segredo de aborrecer é dizer tudo, afirmava Voltaire. Então vamos lá. A defesa do empresário Gérson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix, que está preso desde o dia 14 de novembro,  entregou à Justiça Federal um documento de 85 páginas em que afirma que o superfaturamento de obras da Petrobras tinha o objetivo de “bancar os custos altos das campanhas eleitorais” e que o dinheiro pagava a base aliada do governo no Congresso. O texto sustenta ainda que o PT era o organizador do esquema: “Faz mais de 12 anos que um partido político passou a ocupar o poder no Brasil. No plano da manutenção desse partido no governo, tornou-se necessário compor com políticos de outros partidos, o que significou distribuir cargos na administração pública e em sociedades de economia mista”.

Os advogados de Mello Almada, que é acusado de corrupção ativa, organização criminosa e lavagem de dinheiro, sustentam que a Petrobras não era vítima nas ações criminosas. Ao contrário: segundo o texto, as empresas eram extorquidas, e Paulo Roberto Costa, então diretor de Abastecimento, teria sido um dos agentes dessa extorsão.
Então tá. Há duas frentes de investigação: a da Justiça Federal do Paraná, comandada pelo juiz Sérgio Moro, e a do STF, que reúne os políticos com foro especial por prerrogativa de função. É claro que a estratégia da defesa parece ser unificar o caso no Supremo. O esforço se insere no direito de defesa. Nada a opor. Se os advogados serão ou não bem-sucedidos, veremos.
É evidente que as empresas também cometeram crimes. Se estavam sendo extorquidas — e eu acho que havia, sim, extorsão também —, que se reunissem e denunciassem a canalha. Mas a gente sabe como são as coisas: todos se juntam contra o erário.
Mas eu concordo, sim, com um aspecto: a Petrobras nunca foi vítima de nada. As vítimas, nesse caso, são os brasileiros, que foram roubados. Até hoje me espanto com a, como direi?, leveza dos ombros de José Sérgio Gabrielli, presidente da estatal durante as muitas sem-vergonhices. Gabrielli é aquele que se reunia clandestinamente com José Dirceu. Então as diretorias de Serviço, Abastecimento e Internacional eram antros da corrupção, a serviço também de partidos, muito especialmente do PT, e ele realmente não sabia de nada? O próprio Alberto Youssef afirmou num depoimento que as empreiteiras sempre foram muito fiéis no pagamento da propina porque tinham outros negócios no governo e sabiam que poderiam ser prejudicadas.
Não dá mesmo, e eu concordo, para dissociar a roubalheira da Petrobras do esquema de poder que ela sustentava. Se isso vai ou não unificar os processos no STF, não sei. Uma coisa é certa: os empreiteiros não se uniram numa organização criminosa só para fraudar a Petrobras. A propina tinha um endereço: partidos políticos. Como diz o documento, era preciso remunerar a base aliada. A Petrobras, então, se transformou, sim, num centro de extorsão.
Acho que o foco dessa coisa toda está um pouco distorcido. Há uma certa fúria contra o capital privado, visto como o grande vilão da história. Já li vários textos exaltando: “Ah, desta vez os corruptores estão pagando o pato!”. Vamos com calma! O que não pode acontecer é, mais uma vez, os verdadeiros beneficiários da patifaria  saírem flanando por aí, livres, leves e soltos. José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino já estão em casa. A banqueira Kátia Rabelo e o publicitário Marcos Valério, em cana. Até parece que a dupla conseguiria fazer o mensalão sem a colaboração dos outros.
Cadê, afinal, José Sérgio Gabrielli? Por Reinaldo Azevedo

Paulo Roberto Costa confirma que levou propina para não atrapalhar compra de Pasadena. Quem pagou? Fernando Baiano, um amigo do amigão do homem…

Em depoimento à Polícia Federal, Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras que fez acordo de delação premiada, foi inequívoco: só ele recebeu US$ 1,5 milhão em propina para não criar dificuldades na compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. Como era o titular de uma diretoria poderosa, tinha como dificultar os trâmites. E com quem ele acertou a canalhice? Segundo disse, com o lobista Fernando Baiano. O pagamento foi feito no exterior, no Vilartes Bank, no paraíso fiscal de Liechteinstein. Baiano, assegurou, era um operador do PMDB, mas também trabalhava para outros partidos. Segundo Costa, o homem era muito próximo do empresário José Carlos Bumlai. Quem é Bumlai? Clique aqui para saber. Trata-se de um dos maiores e mais fiéis amigos pessoais de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2011, reportagem de VEJA começou a desvendar essa figura. Leio trechos:
“É um dos maiores pecuaristas do país, amigo do peito do ex-presidente Lula e especialista na arte de fazer dinheiro – inclusive em empreendimentos custeados com recursos públicos. Até o ano passado, ele tinha trânsito livre no Palácio do Planalto e gozava de um privilégio sonegado à maioria dos ministros: acesso irrestrito ao gabinete presidencial. Essa aproximação excepcional com o poder credenciou o pecuarista a realizar algumas missões oficiais importantes. Ele foi encarregado, por exemplo, de montar um consórcio de empresas para disputar o leilão de construção da hidrelétrica de Belo Monte, uma obra prioritária do governo federal, orçada em 25 bilhões de reais. (…)
Seus filhos também se tornaram amigos dos filhos de Lula. Amizade daquelas que dispensam formalidades, como avisar antes de uma visita, mesmo se a visita for ao local de trabalho. Em 2008, após saber que o serviço de segurança impusera dificuldades à entrada do pecuarista no Planalto, o presidente Lula ordenou que fosse fixado um cartaz com a foto de Bumlai na recepção do palácio para que o constrangimento não se repetisse. O pecuarista, dizia o cartaz com timbre do Gabinete de Segurança Institucional, estava autorizado a entrar “em qualquer tempo e qualquer circunstância”.
Há mais coisas sobre o homem. Vejam lá depois. Empreiteiras reclamavam, por exemplo, de suas intromissões na… Petrobras.
Aviso que dava a Bumlai aceso irrestrito a Lula, a qualquer hora. Um amigão!
Aviso que dava a Bumlai aceso irrestrito a Lula a qualquer hora. Um amigão!
Mas voltemos a Costa. Segundo seu depoimento, quem apareceu com o negócio de Pasadena foi Nestor Cerveró, e o que se comentava é que a propina, possivelmente paga pela Astra, a empresa belga que era dona da refinaria, foi de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões.
Costa dá a entender que os que conheciam o assunto sabiam ser um mau negócio, mas aprovado pelo Conselho de Administração — presidido à época pela então ministra Dilma Rousseff — e também pela diretoria. O presidente da empresa era José Sérgio Gabrielli. Segundo disse, as obras de adequação da refinaria ficaram a cargo do petista Renato Duque, que seria o arrecadador das propinas do PT. Ele, então, escolheu para o serviço a Odebrecht e a UTC Engenharia, ambas investigadas na Operação Lava-Jato.
Sei não… Mas é possível que a importância de Fenando Baiano ainda cresça nessa narrativa. Por Reinaldo Azevedo

COMPROVADO - SEGURANÇA DO SECRETÁRIO DE SEGURANÇA PETISTA FAZIA SEGURANÇA DO TRAFICANTE EXECUTADO EM TRAMANDAÍ - NEM BOM SEGURANÇA ELE É....

Leiam a matéria da repórter Adriana Irion, a melhor jornalista do grupo RBS, que está no jornal Zero Hora desta sexta-feira. É uma matéria demolidora. Nela, entrevista, o próprio secretário de Segurança do Rio Grande do Sul, o petista Airton Michels (procurador de Justiça), no governo do peremptório petista "grilo falante" e tenente artilheiro e poeta de mão cheia Tarso Genro, admite que seu segurança pessoa, o comissário Nilson Aneli, admitiu para ele que estava, de fato, fazendo "segurança" do traficante Xandi, no domingo, 4 de janeiro, no balneário de Tramandaí. É inacreditável, o secretário de Segurança do Rio Grande do Sul tinha  um segurança que dava segurança para um dos mais destacados traficantes do Estado. E o secretário não sabia de nada. Isso explica o estado da Segurança Pública no governo petista. E, o mais incrível, o comissário Nilson Aneli disse para o secretário que não sabia que seu contratante para o serviço de segurança pessoal era um dos maiores traficantes do Estado do Rio Grande do Sul. Mas que diabo de polícia é essa?



"O comissário da Polícia Civil Nilson Aneli fazia a segurança do traficante Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, quando a casa em que estavam, em Tramandaí, no Litoral Norte, foi atacada e o criminoso, morto com um tiro de fuzil, em 4 de janeiro. Aneli não contou isso em depoimentos à polícia, mas admitiu para seu chefe e amigo, o ex-secretário da Segurança Pública Airton Michels.
— Falamos duas vezes (depois do episódio). A primeira versão foi aquela que ele deu no jornal, que o sobrinho (um parente de Aneli foi baleado na casa) tinha ligado e tal. No outro dia de manhã, ele me ligou e disse: "Vou lhe contar a verdade, o que aconteceu é que eu estava lá fazendo segurança". Perguntei desde quando. "Foi para esse fim de semana. Me convidaram para fazer segurança, eu tinha o cara como promotor de eventos, tinha mulher, tinha criança e tal e eu precisando de dinheiro." Sendo babaquice dele ou não (sobre a possibilidade de o policial não saber que o cliente era um traficante), ele me traiu, foi desleal. Não podia estar lá — disse Michels a ZH na quinta-feira.
As suspeitas de que Aneli (foto abaixo), que durante quatro anos foi chefe da segurança de Michels, estava trabalhando para o traficante naquele domingo são fortes desde o primeiro dia da investigação, mas ele sempre negou. Comparsas de Xandi, presos no local, disseram à polícia que Aneli fazia a segurança do grupo.

Foto: Caco Konzen, Especial

Além disso, vizinhos da casa onde ocorreu o tiroteio, a uma quadra do mar, reconheceram o comissário como sendo um dos homens que saíram de dentro do imóvel atirando como reação ao ataque. O que Aneli admitiu em depoimento foi que trabalhara como segurança de um sócio da produtora de eventos Nível A, de propriedade de Xandi. Michels ressaltou que a investigação está com a polícia, que deverá esclarecer as circunstâncias do episódio e também se Aneli atuava havia mais tempo como segurança de Xandi ou de seus parceiros:
— Se ele estava fazendo (bico de segurança) durante o período que esteve comigo, é um caso seríssimo — afirmou Michels.
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil apura o possível envolvimento de Aneli com o criminoso. Em entrevistas no dia que passou o cargo ao novo titular da pasta, Wantuir Jacini, Michels afirmou acreditar na inocência de Aneli e deu uma declaração que gerou controvérsias, a de que sabia que o comissário complementava renda fazendo segurança privada.
— Isso foi mal-entendido. Eu sabia antes, anos atrás — disse na quinta.
Apesar de lotado no gabinete da mais importante autoridade de segurança do Estado, ele não tinha acesso a reuniões de assuntos da pasta nem a informações sigilosas ou de operações policiais, afirmou Michels. Aneli comandava uma equipe de quatro pessoas. Eles se revezavam acompanhando Michels em viagens e no trajeto entre a casa e o trabalho. Investigado pela Corregedoria, Aneli está de férias. 
"Ele me traiu, foi desleal comigo", diz Michels
- Nilson Aneli tinha acesso a informações sigilosas?
- Não. Jamais participou de reuniões, jamais participou de assunto da segurança pública. Eventualmente, recebia queixa de um inquérito que não estava resolvido, e, às vezes, perguntava se o Aneli conhecia policial na delegacia ou na cidade e pedia que desse uma olhada. Os demais serviços de informações trabalhavam com meu setor de inteligência. Quando era assunto mais simples, que não envolvia sigilo — e não porque eu não confiasse nele, confiava, mas porque não era tarefa dele —, algumas vezes, poucas, pedia que ele visse um ou outro caso. Nunca nada que envolvesse sigilo da segurança pública.
- Para fazer bem o serviço de segurança, como a sua proteção pessoal, é preciso informações. Era função dele esse levantamento de informações?
- Se havia algo, como agitação em presídios, e tinha informações, era para a inteligência. Ele cuidava da minha segurança e transporte, ficava no meu gabinete.
- Como policial, ele devia ter uma senha para acessar sistemas de informações, como o Consultas Integradas. O senhor sabe que grau de acesso a informações ele tinha?
- Não saberia dizer se ele tinha senha. Não sei se puxava dados ou se perguntava para alguém.
- Qual seu sentimento em relação ao que aconteceu, o que vocês conversaram?
- Estou chateado. Falei com ele duas vezes depois do fato, depois ele sumiu, não falei mais. Ele realmente não podia ter feito isso, foi uma deslealdade completa dele com a Secretaria de Segurança, com todos nós que trabalhamos da forma mais séria possível. Ele não podia fazer a segurança de ninguém. Eu sabia que antes, quando eu conheci o Aneli, tu notavas dificuldade financeira. Ele não era de frequentar minha casa, mas era de um círculo de amizades minha. O Aneli a maior parte das vezes não tinha nem carro, tu vias que o padrão de vida era nos limites do salário dele. Mas me diziam que ele fazia bicos. Quando convidei, eu disse: tu não faz mais segurança privada nenhuma. Ele disse que não faria.
- Quando o convidou para ser seu chefe de segurança, alertou para não fazer mais bico?
- Obviamente, ninguém da minha segurança deveria fazer (bico), mas muito especialmente ele.
- Em entrevista depois do episódio, o senhor disse que sabia que ele complementava renda fazendo segurança.
- Isso foi mal-entendido. Saiu errado. Eu não disse isso. Eu sabia que antes, muito antes (fazia bico). Quando convidei o Aneli, tinha ficado três anos em Brasília. Nunca mais tinha visto ele. Assumi e esses amigos em comum pediram para dar uma chance, que era um cara de toda a confiança.
- O bico é proibido, certo?
- Lógico. Se ele tava fazendo durante o período que esteve comigo é um caso seríssimo, não sei como estão as investigações.
- Essa informação nunca surgiu para o senhor?
- Nunca ninguém me informou que ele estaria fazendo segurança privada. O serviço que ele prestou de transporte e de segurança não tenho queixa, nunca atrasou, nunca faltou.
- O que ele contou quando vocês conversaram?
- Eu soube do episódio na segunda-feira (Michels estava com um filho hospitalizado). Tentei falar com ele, não estava mais com celular funcional. Lá pelas tantas, não lembro se segunda ou terça, consegui falar com ele. A primeira versão foi aquela que ele deu no jornal, que o sobrinho tinha ligado e tal. No outro dia de manhã ele me ligou e disse: "Vou lhe contar a verdade, o que aconteceu é que eu estava lá fazendo segurança". Perguntei desde quando. "Não, esse fim de semana me convidaram para fazer segurança".
- Ele disse que não sabia que o cliente era traficante?
- É. Ele (Aneli) sempre foi muito bem referido, eu gostava dele. Sendo babaquice dele ou não (sobre a possibilidade de o policial não saber que Xandi era traficante), ele me traiu, foi desleal comigo. Eu disse o seguinte para ele: essa história está mal-contada, tu tinhas de ter lealdade desde o início comigo e tu não devias estar lá.
Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, 35 anos, foi executado com um tiro de fuzil no domingo, 4 de janeiro, enquanto assava churrasco junto à piscina de casa a menos de uma quadra da orla de Tramandaí. Os suspeitos estavam em um Corsa. Um sobrinho do comissário Nilson Aneli foi atingido, além de uma mulher. Segundo testemunhas, Xandi e outras nove pessoas estavam na casa desde o Natal.