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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

BNDES diz que "não identificou fato relevante" para comunicar ao mercado no indiciamento de seu ex-presidente petista Luciano Coutinho

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) afirmou nesta sexta-feira, 24, que "não identificou nenhum fato relevante" em investigação interna sobre operações financeiras ilícitas para favorecer a JBS. Em nota, o BNDES destacou que instaurou uma Comissão de Apuração Interna sobre o caso e que "não identificou nenhum fato relevante, conforme consta de suas demonstrações financeiras publicadas em 30 de junho deste ano". Nesta quinta-feira, 23, a Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação Bullish e indiciou o ex-presidente do banco, o petista Luciano Coutinho, por participar de esquema que teria provocado um rombo de R$ 1 bilhão. A Polícia Federal indiciou Luciano Coutinho por crime contra o sistema financeiro, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e patrocínio de interesses privados perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário. Além do petista Luciano Coutinho, a Polícia Federal enquadrou criminalmente o empresário da JBS, o açougueiro bucaneiro Joesley Batista, e os ex-ministros da Fazenda nos governos Lula e Dilma, os petistas Antônio Palocci e Guido Mantega. O açougueiro bucaneiro Joesley Batista foi indiciado por crime contra o sistema financeiro, corrupção ativa e lavagem de dinheiro; Palocci, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; Mantega, por crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção passiva.

Sobre o ex-presidente petista do BNDES, a Polícia Federal assinalou no relatório final: “Desse modo, e por todo o conjunto de provas materiais e testemunhais, conclui-se que o ex-presidente Luciano Galvão Coutinho aceitou e assumiu a tarefa de encabeçar a instituição com o intuito de garantir a continuidade de um ciclo de retroalimentação de propinas, inaugurado na gestão de Guido Mantega à frente do BNDES. Reitere-se que as doações apenas foram possíveis com investimentos muito maiores do que o necessário para atingimento das finalidades de internacionalização da JBS S/A". 

O BNDES informou que contratou uma auditoria internacional independente, conduzida pelos escritórios Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP, dos Estados Unidos, e o brasileiro Levy & Salomão, para aprofundar as investigações internas e dar maior segurança às suas informações financeiras, auditadas pela KPMG e Grant Thornton.  

Sobre o petista Guido Mantega, a Polícia Federal cravou: “O papel do ex-ministro Guido Mantega foi o de um verdadeiro agente duplo, pois, ao mesmo tempo em que era o ‘gerente de projeto’ da internacionalização da empresa Friboi – JBS S/A., desde a concepção inicial do projeto, era também o responsável pela edição de atos e políticas governamentais que garantiram a execução desse projeto". Em outro trecho do relatório da Operação Bullish, a PF ainda diz sobre Mantega. “Por, na condição de ministro da Fazenda, ter favorecido em decisões macroeconômicaas do Governo a empresa Friboi- JBS S/A ao mesmo tempo em que atuava como uma espécie de lobista do empresário Joesley Mendonça Batista no Governo Federal (agora sem a atuação de intermediários), promovendo reuniões junto ao ex-presidente do BNDES, Luciano Galvão Coutinho, e gestores de Fundos de Investimento, acelerando tramitações, destravando eventuais embargos que surgissem nos projetos de investimento, conforme narrativa de Joesley Mendonça Batista, corroborada pelas provas colhidas nos autos e também na Operação Sépsis, compartilhadas com essa investigação".

A Polícia Federal destaca o que a levou a indiciar Palocci: “Em razão de ter recebido da JBS S/A o valor de quase R$ 2,5 milhões, enquanto exercia o mandato de deputado federal da base do Governo, a título de ‘consultoria’, em contratos firmados com a Projeto Consultoria, representada por sua secretária, Rita de Cássia dos Santos".

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