O empresário Ronei Ferrigolo (na foto) , presidente da Procergs (Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul), que está afastado do cargo, por ordem do Conselho de Administração da estatal e dos superiores hierárquicos da empresa, secretário da Fazenda, Aod Cunha de Moraes Junior, e o diretor da Despesa do Tesouro Estadual, o petista Mateus Bandeira, poderá ficar mais tempo afastado do cargo. Ocorre que agora está sob suspeição a comissão de sindicância montada pela Secretaria da Fazenda. Ela é composta por um representante da CAGE (Contadoria e Auditoria Geral do Estado), por um da Procuradoria Geral do Estado e por um do departamento jurídico da estatal Procergs. É justamente este último representante a figura suspeita na comissão. Seu nome é Pedro Ruthschilling. e ele chefia o Departamento Jurídico. Este órgão interno da empresa tem vinculação direta com a presidência da empresa, ou seja, com o empresário Ronei Ferrigolo.Por que ele não poderia participar desta sindicância? Por várias razões. Primeira: foi ele que deu o parecer à Diretoria opinando pela não reabertura da Sindicância solicitada pelo assessor que havia sido denunciado por Ferrigolo. Para quem não se lembra mais: este assessor acusa Ferrigolo, entre outras coisas, de tê-lo obrigado a pagar suas mensalidades como diretor da Federasul (Federação da Associações Comerciais do Estado do Rio Grande do Sul, entidade responsável pela indicação de Ferrigolo para a presidência da Procergs). Segunda: Pedro Ruthschilling deveria comparecer à comissão de sindicância não como membro da mesma, porém como depoente. Para esta comissão de sindicância efetivamente responder a todas os fatos levantados contra o empresário Ronei Ferrigolo, precisa investigar várias coisas apontadas por Videversus. Entre elas: o famigerado MBA, curso de pós-graduação, pago pelo Procergs, no qual o empresário Ferrigolo não apresentou o trabalho de conclusão. Mais ainda, e principal: explicar o negócio de “filho para pai”. Para os que não se recordam: quando Ferrigolo assumiu diretoria de Desenvolvimento da Procergs, em 2003 (então no PHS, apadrinhado pelo empresário e então deputado federal Roberto Argenta), ele tinha uma empresa de venda de softwares e serviços Microsoft, e vendia para órgãos públicos. Para assumir o cargo, ele passou a empresa para o nome de seu pai. A empresa se chama Processor. Ela havia participado de uma licitação na Procergs, e perdeu. Entrou na Justiça e suspendeu a licitação. Já com Ferrigolo diretor da Procergs, a estatal é levada para fazer um acordo judicial, no qual a empresa vencedora renunciou ao seu direito, repassando o contrato para a perdedora. Advinhem quem ficou com o contrato? Bingo: a Processor, do “pai” do empresário Ronei Ferrigolo. Ou seja, um autêntico negócio de filho para pai, capítulo 2. Mas, tem mais: no acordo judicial, inacreditavelmente, a Processor foi brindada com um reajuste de valor na parte de serviços, correspondente ao tempo em que o referido processo de licitação tinha ficado em suspenso por causa da liminar judicial. E o prazo do contrato foi também alterado, para a Processor ficar com um ano a mais. Bingo: capítulo 3 da novela Processor, o autêntico negócio de filho para pai. Agora, vem o principal: advinhem quem foi o advogado que assinou o acordo judicial que consagrou o negócio de “filho para pai”? Ele, ninguém menos que Pedro Ruthschilling (OAB nº 11.906). Para os que tiverem curiosidade, procurem o processo de nº 00112780045, na 5ª Vara da Fazenda Pública no Foro Central de Porto Alegre. Sua assinatura está na página 142. Isso é mais do que suficiente para colocar a comissão de sindicância sob suspeição, porque um de seus membros devia comparecer a ela como “depoente”, e não como autoridade sindicante.Assine Vitor Vieira Jornalismo
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Comissão de sindicância da Procergs sob suspeita
O empresário Ronei Ferrigolo (na foto) , presidente da Procergs (Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul), que está afastado do cargo, por ordem do Conselho de Administração da estatal e dos superiores hierárquicos da empresa, secretário da Fazenda, Aod Cunha de Moraes Junior, e o diretor da Despesa do Tesouro Estadual, o petista Mateus Bandeira, poderá ficar mais tempo afastado do cargo. Ocorre que agora está sob suspeição a comissão de sindicância montada pela Secretaria da Fazenda. Ela é composta por um representante da CAGE (Contadoria e Auditoria Geral do Estado), por um da Procuradoria Geral do Estado e por um do departamento jurídico da estatal Procergs. É justamente este último representante a figura suspeita na comissão. Seu nome é Pedro Ruthschilling. e ele chefia o Departamento Jurídico. Este órgão interno da empresa tem vinculação direta com a presidência da empresa, ou seja, com o empresário Ronei Ferrigolo.Por que ele não poderia participar desta sindicância? Por várias razões. Primeira: foi ele que deu o parecer à Diretoria opinando pela não reabertura da Sindicância solicitada pelo assessor que havia sido denunciado por Ferrigolo. Para quem não se lembra mais: este assessor acusa Ferrigolo, entre outras coisas, de tê-lo obrigado a pagar suas mensalidades como diretor da Federasul (Federação da Associações Comerciais do Estado do Rio Grande do Sul, entidade responsável pela indicação de Ferrigolo para a presidência da Procergs). Segunda: Pedro Ruthschilling deveria comparecer à comissão de sindicância não como membro da mesma, porém como depoente. Para esta comissão de sindicância efetivamente responder a todas os fatos levantados contra o empresário Ronei Ferrigolo, precisa investigar várias coisas apontadas por Videversus. Entre elas: o famigerado MBA, curso de pós-graduação, pago pelo Procergs, no qual o empresário Ferrigolo não apresentou o trabalho de conclusão. Mais ainda, e principal: explicar o negócio de “filho para pai”. Para os que não se recordam: quando Ferrigolo assumiu diretoria de Desenvolvimento da Procergs, em 2003 (então no PHS, apadrinhado pelo empresário e então deputado federal Roberto Argenta), ele tinha uma empresa de venda de softwares e serviços Microsoft, e vendia para órgãos públicos. Para assumir o cargo, ele passou a empresa para o nome de seu pai. A empresa se chama Processor. Ela havia participado de uma licitação na Procergs, e perdeu. Entrou na Justiça e suspendeu a licitação. Já com Ferrigolo diretor da Procergs, a estatal é levada para fazer um acordo judicial, no qual a empresa vencedora renunciou ao seu direito, repassando o contrato para a perdedora. Advinhem quem ficou com o contrato? Bingo: a Processor, do “pai” do empresário Ronei Ferrigolo. Ou seja, um autêntico negócio de filho para pai, capítulo 2. Mas, tem mais: no acordo judicial, inacreditavelmente, a Processor foi brindada com um reajuste de valor na parte de serviços, correspondente ao tempo em que o referido processo de licitação tinha ficado em suspenso por causa da liminar judicial. E o prazo do contrato foi também alterado, para a Processor ficar com um ano a mais. Bingo: capítulo 3 da novela Processor, o autêntico negócio de filho para pai. Agora, vem o principal: advinhem quem foi o advogado que assinou o acordo judicial que consagrou o negócio de “filho para pai”? Ele, ninguém menos que Pedro Ruthschilling (OAB nº 11.906). Para os que tiverem curiosidade, procurem o processo de nº 00112780045, na 5ª Vara da Fazenda Pública no Foro Central de Porto Alegre. Sua assinatura está na página 142. Isso é mais do que suficiente para colocar a comissão de sindicância sob suspeição, porque um de seus membros devia comparecer a ela como “depoente”, e não como autoridade sindicante.
Nenhum comentário:
Postar um comentário