segunda-feira, 23 de abril de 2012

O PERIGOSISSIMO ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS

Desde o surgimento da avassaladora crise do sistema financeiro internacional, que começou nos Estados Unidos com o estouro da bolha imobiliária e a explosão dos chamados títulos "sub-prime", o governo brasileiro, sob o comando do "genial economista" Lula, determinou que se abrissem as portas dos cofres oficiais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES e outros instrumentos) do crédito. Um carro passou a ser financiado em até 100 meses ( oito anos e três meses), sem qualquer entrada. Ninguém do PT, do governo petista, Lula ou qualquer outro dos seus liderados, disse ao povo brasileiro que um carro implica em outros gastos, como pagamento de IPTU, garagem, estacionamento em qualquer lugar na rua, combustível, manutenção. Menos ainda que um carro não dura mais do que cinco anos. Imagine a dívida perdurar por oito anos. Pois bem.... todo mundo se atirou a comprar carros. Lula foi incensado como um gênio, o maior estadista do mundo, o único com a lanterna do conhecimento para ditar como se enfrenta uma crise econômica. Segundo ele, é preciso manter o consumo, e até aumentá-lo, para manter os empregos e a renda. Como se isso fosse um movimento inesgotável. Agora se vê o momento em que a conta é apresentada para o povo brasileiro. Conforme o Banco Central, nos últimos 12 meses, a inadimplência saltou 44%. Diz o ex-ministro Paulo Brossard: "A partir daí, quando o quadro se agrava, o financiado verificou que não terá condições para liquidar aar sua dívida, e o próprio bem empenhado deixa de ser a garantia do credor, sabido que o uso do carro reduz significativamente seu valor de venda. Ora, isto importa em reconhecer que, muito antes do termo dos 60 meses, o bem dado como garantia torna-se insuficiente para quitá-la. Segundo informam os conhecedores do mercado, um carro pode depreciar até 40% em um ano. Agora a gravidade maior veio à luz, na angústia em que se encontra o devedor que, até de graça entrega o seu automóvel, para liberar-se da dívida impagável e, cada vez mais, se repete o expediente". Esse é o ponto. Está formada a bolha. Milhares e milhares de consumidores no País não estão conseguindo pagar suas dívidas, o financiamento do seu carro. E não adianta a retomada do carro pelo agente financiador, porque o valor dele não cobre o que foi financiado e os juros. O exemplo do consumidor paulista, que deu o carro para outra pessoa que se comprometeu a ficar com a dívida restante, em troca de se livrar da sua própria dívida, não é sistema que possa ser usado por todos os consumidores endividados. Está formada a bola, e é muito mais do que sub-prime, porque não tem garantia alguma. Isso, inevitavelmente, alcançará os bancos, que estão encalacrados com gigantescas carteiras de financiamento de veículo. A situação não é nada boa. Mas, parece que está tudo bem, haja vista os altos índices de aprovação da presidente Dilma Rousseff. Uma nação caminha para a crise assim, negando-se a ver o que está à frente dos seus olhos. No caso, não há um só político que aponte os riscos que está vivendo, nenhum deputado ou senador, apesar de terem mais de 20 mil assessores que, teoricamente, deveriam fazer estudos e mostrar os resultados para os parlamentares. Preparem-se os virtuosos que não se deixaram seduzir por essa orgia de consumo sem lastro.

PROMOTORES DE JUSTIÇA ESTÃO ENVERGONHADOS OU NÃO? VÃO TIRAR ALGUMA NOTA, OU NÃO?

O chamado "Escândalo do Cachoeira", que já resultou em CPI que começa a funcionar a partir desta segunda-feira, no Congresso Nacional, expôs totalmente o Ministério Público no Brasil. O senador Demóstenes Torres, flagrado em conversas telefônicas (gravações legais, ou ilegais, isso é outra questão) nada republicanas, tinha relações umbilicais com um "empresário do jogo", Carlinhos Cachoeira. Aparentemente, nenhum problema, afinal de contas, brasileiros têm relações com "bicheiros" há muito mais de um século. Parece que ninguém criminaliza relações com a contravenção. Porém, o problema é que o senador Demóstenes Torres é um "Promotor de Justiça", membro do Ministério Público de Goiás. Mais do que isso, ele foi procurador-geral do Ministério Público de Goiás. Não poderia, em hipótese alguma, manter as relações umbilicais que mantinha com o "contraventor". Mais do que isso, não poderia ter tido a sua campanha eleitoral bancada pela jogatina e por dinheiro oriundo da corrupção, e muito menos deveria ter colocado o mandato a serviço dos interesses de Carlinhos Cachoeira e de interesses escusos. Se o ex-procurador-geral do Ministério Público de Goiás agia desse modo, cabe a pergunta: e o restante da Procuradoria Geral de Justiça goiana como está? Seguiu o seu exemplo? Alguma coisa de muito séria acontece no Planalto Central do Brasil, porque o Ministério Público do Distrito Federal também teve sua imagem devastada pelo ex-procurador-geral, procurador Leonardo Bandarra. Ele também foi pego em cenas e ligações telefônicas nada exemplares. Aquela cena exibindo sua silhueta de capacete de motoqueiro na cabeça, para não ser reconhecido pelas gravações das câmeras de segurança da casa da promotora Deborah Guerner, são patéticas. Ele e Deborah foram afastados dos cargos e são processados porque envolveram-se também em negócios nada republicanos com a mesma empresa que agora aflige Demóstenes, a Delta. E ainda a Qualix, que detinha os contratos de coleta de lixo em Brasília, e que foram repassados para a Delta. Ou seja, dois ministérios públicos já foram maculados pela sujeira do lixo, a partir do maior posto de comando. A situação é muito grave, e exigiria manifestações ruidosas de promotores por todo o País, para que deixassem claro a sua discordância com esses comportamentos. Afinal de contas, isso não é atitude digna de fiscal da lei.

Promotoria vai investigar contrato do governo de Minas Gerais com técnico Parreira

O Ministério Público de Minas Gerais abriu inquérito para investigar a contratação de Carlos Alberto Parreira, ex-técnico da seleção brasileira, para ser consultor da Copa do governo mineiro. A Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa) alegou "notório saber" para contratar Parreira, que poderá receber R$ 1,2 milhão até o Mundial de 2014. O inquérito instaurado na sexta-feira pelo promotor João Medeiros, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, quer conhecer detalhes da contratação e apurar eventual improbidade. O trabalho de Parreira será o de prestar consultoria e ajudar na preparação de 19 cidades mineiras candidatas a centro de treinamento de seleções para a Copa. Entre as suas atribuições obrigatórias estão visitas às cinco confederações de futebol. O governo de Minas Gerais quer usar o prestígio, a experiência e o conhecimento de Parreira para "seduzir", segundo ele próprio, as principais seleções para que façam de Minas Gerais suas bases no Mundial. Parreira receberá o valor de R$ 1,2 milhão nos 27 meses de contrato se cumprir toda a programação prevista. O contrato de prestação de serviços, segundo a Secopa, prevê que cada visita que Parreira fizer às confederações representará um valor 'x' a receber. Cada viagem que ele fizer à Oceania, África, Europa, Ásia, América do Sul e América do Norte representará um percentual do acordado que foi cumprido e, por isso, ele receberá sua parte.

Governo federal abre processo para impedir contratos com Delta

A Controladoria-Geral da União instaura na segunda-feira processo administrativo que pode resultar no impedimento da Delta em contratar com órgãos públicos e levar seus contratos a serem suspensos com o governo federal. A Delta é a empresa que, anualmente desde 2007, mais recebe recursos do orçamento do executivo federal. Só no ano passado foram R$ 862 milhões. De acordo com o ministro Jorge Hage, o processo será aberto devido aos indícios de irregularidades encontrados em operação da Polícia Federal no Ceará, em 2010, denominada Mão Dupla. Servidores do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e funcionários da Delta chegaram a ser presos acusados de pagamento e recebimento de propina e desvio de recursos de obras públicas. Segundo Hage, a CGU recebeu os autos da Polícia Federal no fim do ano passado e eles apontavam que as irregularidades se restringiam ao Ceará. Mas, de acordo com o ministro, com as informações provenientes da operação Monte Carlo, desencadeada em fevereiro e que apontam para problemas semelhantes da Delta também na região Centro-O este, os indícios de irregularidades cometidos pela empresa podem se caracterizar como mais amplos. "As condutas supostamente criminosas da empresa agora assumem caráter geral. Avaliamos com a Casa Civil que deveríamos formar uma comissão para analisar a possibilidade de torná-la inidônea", afirmou o ministro. Caso venha a ser declarada inidônea, a Delta não poderá firmar novos contratos com a administração pública por um período que será definido pela comissão. Em relação às centenas de contrato em vigor da empresa com os órgãos públicos, Hage informou que é preciso avaliar cada um deles, mas que é possível haver rescisão. Nesse caso, o segundo colocado pode assumir ou ser feita nova licitação.

Integrantes do MST danificaram laboratório agropecuário no Rio Grande do Sul

Integrantes do MST que invadiram as instalações do Lanagro (Laboratório Nacional Agropecuário), em Sarandi (RS), vandalizaram o local, segundo o laboratório. Três animais usados como cobaias em pesquisas foram abatidos pelos 120 militantes que invadiram o local. A área de 180 hectares havia sido invadida no dia 16 e foi desocupada pela Polícia Federal na quarta-feira. Os invasores pretendiam pressionar as autoridades a desapropriar terras no Rio Grande do Sul. Após a desocupação, os técnicos do Lanagro, que é ligado ao Ministério da Agricultura, registraram danos em casas de funcionários que cuidavam do laboratório. Havia portas quebradas e lixo nas casas, que foram reviradas pelos invasores. Objetos pessoais foram levados e carros foram pichados. Segundo o laboratório, um total de 757 bois estava na fazenda durante a invasão. Os animais são usados em testes de vacinas contra aftosa. Segundo o coordenador do Lanagro, Aguinaldo Parussolo, a invasão não vai prejudicar pesquisas e campanhas de vacinação. Os três animais abatidos ainda não haviam sido usados como cobaias. Os outros 754 bois foram misturados pelos invasores, segundo o Lanagro, que só conseguiu reagrupar os animais porque eles tinham brincos de identificação. Segundo Parussolo, o laboratório vai aumentar o número de seguranças e confinar os animais em áreas menores. O local já havia sido invadido pelo MST em 2004. O nome disso é terrorismo, crime que não é tipificado na lei brasileira.

Revista Veja sobre o Caso Cachoeira - O primeiro round

VEJA publicou em maio do ano passado uma reportagem exclusiva mostrando o que já parecia ser muito mais que uma simples coincidência: a empreiteira Delta fora alçada à condição de maior parceira do governo federal no mesmo ano em que contratou os serviços de consultoria do deputado cassado e ex-ministro José Dirceu. A Delta, mostrou a reportagem de VEJA, além de multiplicar sua carteira de obras, expandira sua atuação para setores nos quais não tinha experiência, como óleo e gás. Na ocasião, dois ex-sócios da empresa forneceram a primeira pista para desvendar essa impressionante história de sucesso. Segundo o depoimento deles, a empreiteira usava a influência que mantinha junto a políticos para obter vantagens. O próprio presidente da empresa, Fernando Cavendish, explicou como agia e qual era o preço a ser pago. Ele disse que com "6 milhões de reais comprava um senador". Sua explicação seguinte ficaria famosa: "Se eu botar 30 milhões de reais na mão de políticos, sou convidado para coisas pra c...". A conversa, gravada pelos ex-sócios, foi classificada como simples bravata por Cavendish. Não era. Ela era reveladora de um método. A Delta vai aparecer como figura de proa na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instalada na semana passada no Congresso Nacional, em Brasília, para investigar as relações do contraventor Carlos Cachoeira - preso por comandar um esquema ilegal de exploração de jogos - com políticos e empresas que têm contratos com a administração pública. A construtora figurará como a principal acusada no esquema baseado em pagar propina em troca de favores e contratos em governos. Segundo a Polícia Federal, a empreiteira usou os tentáculos de Cachoeira para corromper autoridades nos governos de Tocantins, Distrito Federal e Goiás. Cavendish e a Delta tiveram sua ação restrita a essas três unidades da Federação? Não. O esquema atuou também no âmbito federal, usando o mesmo método de subornar políticos e servidores públicos para obter contratos. A engrenagem funcionou ativamente dentro de ministérios no governo passado e engolfou até mesmo a Petrobras, a maior e a mais poderosa das estatais brasileiras. A Petrobras é o principal dínamo dos investimentos públicos do país, protagonismo acentuado com a descoberta das reservas de petróleo no pré-sal. No governo Lula, foi aparelhada politicamente por militantes do PT, que ganharam o controle de cargos de diretoria. O aparelhamento político de estatais, como sempre, termina em prejuízo para a empresa e os contribuintes. Em maio do ano passado, reportagem de VEJA revelou que o ex-ministro José Dirceu foi contratado para prestar consultoria à Delta. Sócios da empreiteira, José Quintella e Romênio Machado revelaram a natureza do trabalho encomendado ao ex-ministro: abrir as portas do governo e de estatais. No fim de 2008, a Petrobras convidou a Delta para duplicar o parque de expedição de diesel na Refinaria de Duque de Caxias (Reduc). Um convite inusitado, uma vez que a empreiteira era especializada em obras rodoviárias e construção civil. Para suprir a carência técnica e se habilitar, a Delta comprou a Sigma, empresa que já tinha diversas parcerias com a estatal. Depois dessa negociação, a empreiteira assinou um contrato com a Petrobras no valor de 130 milhões de reais. A aproximação entre a Delta e a Sigma foi feita pelo engenheiro Wagner Victer, auxiliar do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que é compadre de Cavendish. O negócio parecia bom para todos os envolvidos. A Petrobras contratou a obra por um preço considerado baixo, a Delta se cacifou para atuar no bilionário ramo do petróleo e os donos da Sigma ficariam ainda mais ricos. Mas nem tudo correu como se esperava. Cavendish e seus sócios se desentenderam ao cabo de disputas financeiras. Dos ex-sócios inconformados partiu a revelação, certamente de alto interesse para a CPI instalada na semana passada, segundo a qual, para conseguir o contrato na Petrobras, a Delta teria pago propina. Sob a condição de anonimato, um deles contou a VEJA que a Sigma, além de servir como fachada técnica para as operações da Delta, funcionou como caixa para quitar faturas em que a própria Delta preferia não aparecer como devedora. Para ocultar o pagamento de propina, segundo o relato gravado do ex-sócio, que diz temer por sua segurança, a Sigma foi orientada a simular a contratação de serviços para justificar a saída da propina. Os diretores da Delta indicavam o valor e os funcionários da estatal a ser beneficiados. A fatura era então encaminhada a José Augusto Quintella e Romênio Marcelino Machado, ex-donos da Sigma que continuaram na empresa. Seguindo orientações de Cavendish, eles providenciavam notas frias para justificar os gastos com a propina. Essas notas eram assinadas por Quintella e Machado e por Flávio Oliveira, diretor da Delta. Só funcionários da área operacional da Petrobras, segundo o ex-sócio, receberam 5 milhões de reais. Um volume ainda maior teria sido pago a dirigentes da empresa. Desse mesmo caixa saíram os recursos para pagar os trabalhos de consultor prestados por José Dirceu. Quintella e Machado não quiseram dar detalhes sobre o caso a VEJA. "Essa história será devidamente esclarecida no momento oportuno", disse Quintella, em nome dos antigos donos da Sigma. Os dois conhecem de perto a Delta. Foram eles que contaram a VEJA que Cavendish contratou, em 2009, o deputado cassado e ex-ministro José Dirceu como consultor com o objetivo de azeitar negócios junto à Petrobras, que era comandada por José Sergio Gabrielli, integrante da corrente política de Dirceu. Foi em uma reunião com Quintella e Machado que Fernando Cavendish fez seus notórios comentários sobre os preços e as vantagens de comprar autoridades. Na mesma conversa, gravada, Cavendish traçou o caminho até o cofre da Petrobras: "A Reduc foi convidada pelo jogo político da Delta. A gente foi convidado por uma articulação, um pedido que foi para cá, foi para lá...". A Petrobras não quis se pronunciar sobre os fatos narrados por Cavendish e seus ex-sócios. A Delta diz que ganhou o contrato legalmente e não pagou propina. A CPI instalada na semana passada certamente terá meios de obter de Cavendish e da própria Petrobras informações mais consistentes sobre como o jogo político levava determinadas empresas a obter contratos na estatal no tempo em que Dirceu e Gabrielli reinavam. A Delta passou a existir como empreiteira de grande porte e alcançou o posto de maior fornecedora de serviços do Estado brasileiro no governo Lula. Um "jogo político" que a CPI faria aos brasileiros o enorme benefício de elucidar. Não é pouca coisa. Segundo as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público que levaram Carlos Cachoeira à prisão, o contraventor funcionava como captador de negócios e lobista destacado da Delta Construções. Cachoeira operava em sintonia com Cláudio Abreu, designado formalmente pela empreiteira como seu representante para a Região Centro-Oeste. Os dois cuidavam de obter contratos junto aos governos do Distrito Federal, Goiás e Tocantins. Abreu tinha também missões junto a órgãos do governo federal. Foi ao cumprir uma dessas missões que ele emplacou a Delta como a principal parceira do Ministério dos Transportes e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Diretores da Delta passaram a visitar quase diariamente as dependências do ministério durante a gestão do senador Alfredo Nascimento, demitido no ano passado do cargo de ministro pela presidente Dilma Rousseff. Na semana passada, Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Dnit demitido no bojo do episódio que levou à queda do ministro Alfredo Nascimento, se disse vítima de uma trama que teria sido tecida contra ele exatamente por ter oferecido obstáculos aos interesses da Delta no órgão. Estranha linha de defesa. Foi na gestão de Pagot que a Delta mais do que dobrou seu faturamento em contratos com o Dnit, alcançando 658 milhões de reais em 2010. É quase 90% de tudo o que a empreiteira faturou no governo federal. Que obstáculo, então, foi esse? Suposta vítima de uma conspiração, Pagot, lembre-se, foi quem reuniu empresários no Ministério dos Transportes para ouvir uma explanação do deputado Valdemar Costa Neto, do PR, réu no processo do mensalão. Entre os convidados por Pagot estavam empreiteiros e consultores. Costa Neto falou da importância para o PR de tirar do papel obras bilionárias de restauração de rodovias federais. Muitos dos participantes da reunião, inclusive concorrentes da Delta, ficaram sabendo mais tarde que, se fossem escolhidos para fazer as obras, deveriam entregar ao partido propinas de 4% a 5% do valor de cada fatura paga. A investigação jornalística tem de se contentar com as informações recebidas e checadas das fontes que participaram da reunião. A CPI tem força e os meios legais para passar a limpo essa história. A Polícia Federal sustenta que recursos públicos oriundos da parceria entre a Delta e Carlinhos Cachoeira alimentaram um duto que serviu para irrigar o bolso de políticos e autoridades que os ajudavam na conquista de contratos. Entre 2010 e 2011, empresas-fantasma criadas por Cachoeira receberam da Delta nada menos que 40 milhões de reais. Rastreando o caminho do dinheiro, os policiais e promotores descobriram que parte dele foi parar na contabilidade de empresas que no mesmo período fizeram repasses a políticos - doações eleitorais declaradas, inclusive. O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM) estão entre os que receberam doações de campanha de empresas cujas contas foram irrigadas com recursos que Cachoeira recebia da Delta. Na semana passada, Cavendish foi assertivo em uma entrevista à Folha de S.Paulo. Ele disse que dá dinheiro a políticos para receber, em troca, informações sobre licitações. "Por que megaempresas fazem doações a campanhas? Vão ter informação. Não é toma lá dá cá". O método da Delta é conhecido. Para ganhar os contratos, a empresa joga o preço lá embaixo. O pulo do gato vem depois, quando a parceria já está em vigor. Em alguns casos, a empresa não executa os serviços certa de que não será incomodada pelos órgãos contratantes comandados por políticos de partidos aquinhoados com doações. Dessa forma, sobra dinheiro para abastecer os cofres da empresa e para remunerar os amigos no poder. Outra prática é inflar contratos com reajustes e aditivos. Conforme revelado por VEJA, a presidente Dilma Rousseff, antes de demitir a cúpula dos Transportes, deu um pito nos seus integrantes justamente em razão do excesso de aditivos contratuais: "Vocês precisam de babá". O procurador Marinus Marsico, representante do Ministério Público no Tribunal de Contas da União, diz que os aditivos que inflam os contratos não têm outro nome: "É roubalheira mesmo". Incentivador da CPI do Cachoeira, o ex-presidente Lula sabe dos riscos embutidos na investigação de aliados. Na quarta-feira, ele perguntou a peemedebistas: "E o Serginho, como está?". Ele se referia a Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro. Cabral é padrinho de casamento de Cavendish. Conheceram-se em 2000 e se tornaram amigos inseparáveis. O fortalecimento dessa relação foi acompanhado pelo crescimento vertiginoso da Delta em contratos com a administração fluminense. Em dez anos, a empresa conseguiu 2,2 bilhões de reais com o estado do Rio. A maior parte - 1,4 bilhão - veio depois que Cabral assumiu o governo, em 2007. Em 2003, a Delta faturou 228 milhões de reais, entre clientes públicos e privados. Em 2010, 3,5 bilhões de reais, um crescimento de 1?400%. O ritmo das doações também aumentou. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Delta doou, legalmente, meros 60.000 reais em 2002. Em 2010, doou 2,3 milhões - metade para o PT, metade para o PMDB. Com reportagem de Alessandra Medina e Ana Luiza Daltro