sexta-feira, 6 de abril de 2012

Sob Ideli, Ministério da Pesca deu R$ 770 mil para ONG criar peixe e projeto nunca vingou

Durante a gestão da ministra Ideli Salvatti, o Ministério da Pesca liberou de uma só vez R$ 769,9 mil, de um contrato de R$ 869,9 mil, para a ONG de um funcionário comissionado do governo de Agnelo Queiroz (PT-DF) implantar, no entorno de Brasília, um projeto de criação de peixes que não saiu do papel. Trata-se do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Integral da Natureza - Pró-Natureza, de Salviano Antônio Guimarães Borges, diretor da Codeplan. Segundo a justificativa do projeto enviada ao ministério, o Distrito Federal, mesmo sem haver estatísticas oficiais sobre o tema, tem grande consumo e produção de peixes. Só que, 11 meses depois, nenhum viveiro foi instalado. Oficialmente, o projeto da ONG terminou na quarta-feira. No Núcleo Rural Rajadinha, em Planaltina, a 40 quilômetros da sede do ministério, mandiocas crescem no lugar dos tanques de tilápias. “O pessoal veio aqui uma vez no ano passado e ofereceu o projeto. Nós aceitamos e eles não apareceram mais. Achei que tinham desistido, mas tem 15 dias que voltaram e falaram que os tanques vão ficar prontos em julho. Parece que só agora o projeto foi aprovado e eles vão receber o dinheiro”, relata o agricultor Joami de Souza Ramos. O agricultor diz que nunca criou peixes, tampouco participou de cursos ou qualquer atividade do projeto. Na chácara ao lado, incluída no rol de beneficiários do ministério, também não há sinal de tanques. Outros moradores do núcleo confirmam que nunca participaram de capacitações. O único viveiro no local é o de um sítio que está à venda e foi construído pelo próprio morador, que ainda aguarda os peixes do projeto para começar a criação. Documentos apresentados pela ONG ao ministério e obtidos pelo Estado mostram que, antes mesmo de receber qualquer recurso, a entidade pagou R$ 75,9 mil para a Rover Consultoria Empresarial Ltda. elaborar um diagnóstico sobre a pesca no entorno. A nota fiscal foi emitida em nome de Gabriel Miranda Pontes Rogério, um chef de cozinha. Sem nenhum tanque pronto ou cursos ofertados, a Pró-Natureza solicitou em 28 de outubro do ano passado, ao ministro Luiz Sérgio (PT-RJ), um aditivo de 16 meses e mais R$ 224,7 mil. Segundo o ofício, os extras seriam para aprovação de novo cronograma. Pela proposta, entre dezembro e fevereiro de 2012 seriam oferecidos os cursos de capacitação e a obtenção das licença e outorgas para a construção dos viveiros; abril a julho, período de construção e lançamento de edital para aquisição de material; agosto e setembro, primeiro ciclo de criação de peixes; e janeiro e fevereiro de 2013, término do primeiro ciclo dos peixes. Em 22 de março deste ano, a ONG encaminhou novo ofício cobrando o aditivo financeiro,agora do ministro Marcelo Crivella (PRB-RJ). No mesmo dia, o superintendente da Pesca no Distrito Federal, o militante petista Divino Lúcio da Silva, pediu atenção especial ao projeto. O ministério chegou a alterar o nome do fiscal do contrato, obrigatório nos convênios, para que o controle ficasse sob a responsabilidade de Divino. Segundo a ONG, o projeto teria sido elaborado por Divino, indicado ao cargo pelo PT-DF, e por outros representantes do Colegiado Territorial das Águas Emendadas (Cotae).

Contra as evidências, ex-ministro petista diz que “lanchas são sucesso”

O ex-ministro da Pesca Altemir Gregolin, responsável pela compra de 28 lanchas para a pasta, classifica a iniciativa como “sucesso” - embora parte das embarcações tenha ficado abandonada sob a guarda de órgãos públicos pelo País e outra não tenha nem sequer deixado as instalações do fabricante. Uma das lanchas nunca foi usada e “descansa” há 21 meses em uma marina de luxo de Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. Sem capa protetora, também não recebe manutenção. Para o dono da marina, Antônio Barreto, o barco se tornou um “hóspede indesejado” porque o governo federal nunca pagou nenhuma das mensalidades de R$ 756,00 para a permanência. Segundo ele, a dívida ultrapassa R$ 15 mil. “O barco só sai quando pagarem o que devem”, disse. Indagado em 2011 pelo Tribunal de Contas da União, que investiga o caso, o ministério informou que o barco seria destinado à Marinha. O 2º Distrito Naval, em Salvador, disse não ter sido informado de que a receberia.

Esquema de Cachoeira tinha interceptação ilegal de e-mail

Relatórios da Polícia Federal e do Ministério Público Federal afirmam que o grupo do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, contratou serviços de interceptação ilegal de e-mails. Segundo a investigação, uma empresa de um agente aposentado da Polícia Federal, Joaquim Gomes Thomé Neto, entregava relatórios com e-mails interceptados. Trata-se da Etesp (Escola Técnica de Segurança Privada), com sede no bairro de Ramos, no Rio de Janeiro. Essa empresa foi um dos alvos de busca e apreensão durante a Operação Monte Carlo. No mandado de busca e apreensão na sede da Etesp, a Justiça pediu que fossem recolhidos agendas, documentos, computadores e mídias como CDs, DVDs e pen drives, para apurar possíveis crimes, entre eles violação de sigilo e formação de quadrilha. Na documentação, o Ministério Público e a Polícia Federal ressaltam que ainda não haviam descoberto os nomes de todas as vítimas. Há suspeitas de que políticos e jornalistas estejam entre os que tiveram seus e-mails interceptados ilegalmente pelo grupo. De acordo com os documentos apreendidos, o responsável pela contratação dos grampos cibernéticos foi o sargento aposentado da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá - apontado pelo Ministério Público Federal como o membro do grupo que levantava informações sigilosas para Cachoeira.

Governador Marconi Perillo diz que recebeu empresário a pedido de senador

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), disse que o senador Demóstenes Torres (GO) pediu para ele receber o empresário Carlinhos Cachoeira em uma audiência no ano passado na sede do governo. Perillo disse que então reuniu-se com Cachoeira, em 2011, para tratar de incentivos fiscais a indústrias do ramo farmacêutico, onde o empresário também atua. Em gravações telefônicas, o empresário acusado de comandar uma máfia de jogos ilegais, preso pela Operação Monte Carlo, discute nomeações no governo de Perillo. O governador nega que tenha relação pessoal com Cachoeira e que exista influência dele em seu governo.

Dilma diz que pessoas contrárias a hidrelétricas na Amazônia vivem “fantasia”

A presidente Dilma Rousseff (PT) aproveitou uma reunião com os integrantes do Fórum do Clima, no Palácio do Planalto, para avisar de vez aos grupos ambientalistas que lutam contra a construção de usinas hidrelétricas na Amazônia que o governo não mudará seu projeto de aumento da oferta de energia e de desenvolvimento da região. Ela chegou a dizer que essas pessoas contrárias à construção das hidrelétricas vivem em um estado de “fantasia”. Ao se referir à participação do Brasil na Rio+20, a conferência das Nações Unidas que será realizada em junho, no Rio de Janeiro, a presidente lembrou aos que estavam na reunião que o mundo real não trata de tema “absurdamente etéreo ou fantasioso”. “Ninguém numa conferência dessas também aceita, me desculpem, discutir a fantasia. Ela não tem espaço para a fantasia. Não estou falando da utopia, essa pode ter, estou falando da fantasia”, afirmou Dilma. Ela disse que o Brasil vai trabalhar pelo desenvolvimento sustentável, para tirar as pessoas da pobreza e para encontrar formas de conciliar o progresso com o respeito ao meio ambiente. Pouco antes, ao se pronunciar no Fórum do Clima, a representante das ONGs, Sílvia Alcântara, acusara o governo de promover um retrocesso na questão ambiental e de, com o pré-sal, levar o Brasil a ocupar o terceiro lugar entre os países que mais emitem gases de efeito estufa já em 2020. Num pequeno pedaço de papel, Dilma anotou tudo o que a ambientalista falou. Sem se referir diretamente ao que Sílvia havia dito, Dilma defendeu a energia de fontes hidráulicas e desdenhou da energia eólica e solar, ambas defendidas pelos grupos mais radicais como alternativa às hidrelétricas. Disse que, como presidente, tem de explicar como as pessoas vão comer, ter acesso à água e energia. “Eu não posso falar: ‘Olha, é possível só com eólica iluminar o planeta.’ Não é. Só com solar? De maneira nenhuma". A presidente disse que foi à Espanha, país citado sempre como referência no aproveitamento da energia eólica, e viu que há oito meses as pás de vento não funcionavam. “Não havia vento”, afirmou. “Eu, quando comecei a mexer com esse negócio de energia, cheguei a contar vento. Isso foi no Rio Grande do Sul”, disse a presidente. Para Dilma, a energia eólica deve servir como uma espécie de reservatório alternativo para a energia de fonte hidráulica, quando houver escassez de chuvas. “Reservatório de água a gente faz. Mas não faz reservatório de vento”, disse a presidente.

Gilberto Carvalho: Os “bandidos e vândalos” que interessam e os que não interessam

Do jornalista Reinaldo Azevedo: "Vocês se lembram de Gilberto Carvalho, não? É aquele senhor que ocupa a função de secretário-geral da Presidência da República e que é o braço operativo de Lula no governo Dilma. É também, na prática, o segundo homem do petismo. Depois de Lula, é ele quem mais conhece os segredos do partido — mais do que José Dirceu, que tem o domínio de uma ala importante do partido, sim. Mas exerce menos influência na legenda do que o outro. Adiante. Quando a Polícia Militar de São Paulo, cumprindo uma decisão da Justiça — não era uma questão de gosto, mas de obrigação — promoveu a reintegração de posse da região conhecida como Pinheirinho, Carvalho foi um dos petistas que decidiram satanizar o governo de São Paulo. Segundo este valente, o governo federal tinha um outro modo de lidar com as questões sociais. Representantes do governo federal enfiaram o pé na jaca da delinquência política. Paulo Maldos, amigo de Carvalho, secretário Nacional de Articulação Social, estava no Pinheirinho no dia da desocupação e anunciou ao mundo que tinha sido alvo de uma bala de borracha, mesmo depois de ter se identificado como representante do governo federal. E saiu por aí tirando fotos exibindo artefatos não-disparados da tal bala. Não exibiu o suposto ferimento. Não fez exame de corpo de delito. Nada! Vários grupos de esquerda sustentavam, sob indiscreto incentivo federal, a existência de supostos mortos e desaparecidos no Pinheirinho. Talvez tenha sido a operação de mídia mais canalha montada por essa gente nos últimos tempos. Muito bem! Os trabalhadores de Jirau botaram fogo nos alojamentos. Milhares de pessoas tiveram de ser removidas da área. As obras estão paradas. Parte dos operários de Belo Monte também parou. E agora? Bem, agora Gilberto Carvalho se mostra menos sensível à questão social. Vejam o que informa Rafael Moraes Moura, no Estadão Online. Volto em seguida: Carvalho vê ação em Jirau como vandalismo e banditismo Um dos interlocutores mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, condenou nesta quarta-feira, o incêndio criminoso ocorrido no início desta semana no canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau (RO), que destruiu 36 dos 57 alojamentos dos operários. Para ele, foram atos de vandalismo e banditismo. Onze pessoas foram presas no episódio. “Não consideramos essa ação que houve lá como uma ação sindical ou uma ação de mobilização, mas um vandalismo, banditismo, e como tal será tratado”, afirmou Carvalho. “Isso não é ação de trabalhador, isso não é ação sindical. Tem de ser tratado em outros termos, de questão judiciária e policial”, reforçou. Em março do ano passado, o canteiro de Jirau já havia enfrentado depredação de ônibus e alojamentos. O governo pretende entender melhor os motivos da ação, disse o ministro. “Queremos identificar de onde surgiram esses movimentos. Na vez anterior, tudo estava misturado e combinado com problemas de condições de trabalho. Desta vez não. Desta vez, os trabalhadores, por imensa maioria, resolveram voltar ao trabalho e aí nós não podemos tolerar esse ato de desordem que ofende os trabalhadores.” Para Carvalho, esse tipo de ação, em que as pessoas agem encapuzadas, não se identificam, não é típico de disputa sindical. “Isso é típico ou de vandalismo ou de algum grupo que tenha outras pretensões que nós desconhecemos. Queremos identificar e questionar essas pessoas por suas intenções". O ministro comentou que os problemas nas obras voltaram após ter sido encontrada uma solução para o impasse. “Felizmente, depois de um período tenso houve assembleias finais, tanto em Santo Antônio quanto em Jirau, e os trabalhadores das duas usinas, por grande maioria, decidiram voltar ao trabalho. Diante do desrespeito à decisão da maioria dos trabalhadores, nós resolvemos agir com radicalidade. Reforçamos a Força Nacional e queremos assegurar democraticamente o direito dos trabalhadores que decidiram por maioria voltar ao trabalho”, declarou Carvalho, após participar de reunião do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) no Palácio do Planalto. Voltei Vamos ver. Eu não apoio vandalismo na USP. Mas os petistas apoiam. Eu não apoio vandalismo no Pinheirinho (havia até uma tropa de choque criada pelo PSTU no local). Mas os petistas apoiam. Eu não apoio vandalismo na Cracolândia. Mas os petitas apoiam. Eu não apoio vandalismo no Jirau; nesse caso, os petistas também não! Eu não apoio vandalismo, pouco importa o alvo do protesto. Já os petistas pensam de modo diferente: “Vandalismo contra os nossos adversários é questão social; vandalismo contra nós é banditismo”. Esse é Gilberto Carvalho! Outra questão relevante. Eu acho que o Brasil tem, sim, de construir Jirau e Belo Monte. Neste texto, nem vou elencar os motivos e as tolices dos que acreditam que podemos abrir mão das hidrelétricas. Elas têm de ser feitas, sim! Mas sob quais condições? Esses conflitos não são inéditos. Na vez anterior, jura Carvalho, ainda havia motivos; agora, ele garante, não há mais. A afirmação não resiste a uma aproximação ainda que superficial da região. Resta evidente que falta planejamento a essas grandes obras — e isso, obviamente, é tarefa do governo. As cidades do entorno estão inchadas, atividades econômicas estão sendo prejudicadas pela explosão populacional, falta atendimento de saúde — o posto está lá, mas não os médicos. É claro que o Brasil precisa de energia elétrica e que todo aquele chororô natureba contra as usinas é só um misto de ignorância de bom coração com má fé ricamente financiada por ONGs. Isso não quer dizer que o governo esteja fazendo a coisa certa e administrando com competência os impactos sociais dessas megaobras. Este é um governo que não sabe planejar. Boquirroto Assim como Carvalho foi boquirroto ao condenar o governo de São Paulo no caso de Pinheirinho sem nem mesmo dispor de informações suficientes a respeito, está sendo boquirroto agora. Naquele caso, “vândalo e bandido”, entendia-se, era o governo de São Paulo; desta vez, “vândalos e bandidos” são os trabalhadores. E ele, igualmente, não tem dados, o que confessa. Não tem, mas é judicioso. Por que a diferença de tratamento? Porque este notável homem de estado estava e está fazendo apenas política partidária. Naquele caso, tratava-se de atingir o PSDB, um partido adversário; agora, trata-se de preservar o PT. Não descarto, não, que haja banditismo no Jirau. Como também não descartava que houvesse, e havia, banditismo no Pinheirinho. Para encerrar Imaginem o que as esquerdas financiadas não estariam fazendo agora se conflitos dessa natureza explodissem em obras gerenciadas por governos tucanos, por exemplo. Já teriam feito denúncias à OEA. Desta vez, esse bando de vendidos não quer nem saber".

Sérgio Guerra acusa vazamentos seletivos para atingir a oposição e Perillo nega vínculos com Cachoeira

O presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra, afirmou na quarta-feira que o partido “confia” no governador de Goiás, Marconi Perillo. Guerra criticou o que chamou de “vazamento seletivo” de conversas entre políticos da oposição e o contraventor Carlos Augusto Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela PF em fevereiro sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal em Goiás. Sérgio Guerra disse ainda achar “estranho” que apenas tenha sido revelado o envolvimento de políticos da oposição com Cachoeira. O senador Demóstenes Torres, suspeito de ter usado o mandato para beneficiar Cachoeira, pediu desfiliação do DEM na terça para evitar a expulsão do partido após denúncia de que usou seu mandato para favorecer o bicheiro. “Está havendo um vazamento seletivo de gravações. Sabemos que existe o envolvimento muito amplo de Cachoeira com políticos. Até agora nao saiu nome de governista. Tudo isso é muito suspeito”, afirmou o presidente do PSDB, para quem está havendo um “jogo político” na divulgação das gravações: “Os fatos têm que ser públicos. Deixem o Cachoeira falar". O deputado disse ainda que “o PSDB reitera a confiança no governador” de Goiás. “Ele é um homem público testado que já participou de campanhas eleitorais. “Não há o que investigar ainda, mas se houver vamos apurar. O mais prudente é colher mais informações para, a partir daí, tomar as atitudes necessárias". O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), afirmou na quarta-feira que conhecia o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, mas que se encontrou com ele “pouquíssimas vezes”.

O governo brasileiro entre a Lei Seca e o pé na jaca

Do jornalista Reinaldo Azevedo:Leiam o que informa Gabriel Castro na VEJA Online. Volto em seguida: Com o sinal verde do governo, a Câmara dos Deputados deve votar na próxima quarta-feira um projeto que torna desnecessário o exame do bafômetro para constatar a embriaguez de motoristas. Pela proposta, outras provas - como vídeos ou o depoimento de testemunhas - poderão ser aceitas para caracterizar o crime, quando o condutor não aceitar soprar o bafômetro nem fazer exame de sangue. O acordo foi feito na quarta-feira em uma reunião do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. “O bafômetro, que vinha sendo um instrumento necessário de acusação, passa a ser um instrumento de defesa”, justificou Cardoso. Ele afirmou que o exame de alcoolemia agora servirá para que os motoristas provem a própria inocência, se quiserem. O texto já estava em tramitação na Câmara, mas a apreciação da proposta foi acelerada depois que o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o exame de sangue ou o teste do bafômetro são necessários para que seja comprovada a embriaguez, o que inviabilizaria a aplicação da Lei Seca. “Esse projeto é uma prioridade para o governo e para a Câmara dos Deputados”, disse Marco Maia após o encontro. O projeto que será votado pela Câmara é uma adaptação da proposta do deputado Hugo Napoleão (PSC-RJ): além de ampliar o leque de provas possíveis para caracterizar o crime de dirigir embriagado, a proposta também deve aumentar as penas para os condutores flagrados com ao menos 0,6 miligramas de álcool por litro de sangue. Quem é flagrado dirigindo sob efeito de uma quantidade menor de álcool pode ser multado e perder a carteira de habilitação, mas não comete crime. Essa distinção permanecerá, apesar de muitos parlamentares defenderem a criminalização de todos motoristas que dirigirem após ter bebido, independentemente da quantidade de álcool. “Nada impede que, no futuro, nos venhamos a repactuar e adotar a tolerância zero”, disse Cardozo. Voltei Pois é… Alguém com pouca experiência de Brasil há de se perguntar: “Mas esse governo que quer reforçar a Lei Seca não é o mesmo que pagou o micão de votar uma Lei Geral da Copa omitindo-se sobre a questão da venda de álcool nos estádios, embora essa venda contrarie várias leis estaduais?” Sim, é este mesmo! E se note que houve algo mais do que omissão: o governo federal decidiu, na verdade, jogar a responsabilidade nas costas dos governadores. Assim, aprendemos que a política pública brasileira em relação ao álcool é a seguinte: numa ponta, coibir o consumo; na outra, incentivar — já que o Lula se comprometeu com a Fifa que o Brasil adotaria procedimentos contrários à sua legislação. A propósito, aproveito para lembrar um artigo que Andrea Matarazzo, que deixa amanhã a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, escreveu na Folha de sábado passado sobre o assunto. Copa sim, mas não a qualquer custo Todo grande evento que traga visibilidade ao país é bem vindo. Isso, evidentemente, se aplica à Copa do Mundo de 2014. No entanto, o Mundial de futebol parece ter entrado no rol dos temas cujo debate é interditado, já que o evento se transformou numa panaceia para todos os males brasileiros. É necessário que a Copa aconteça, mas não a qualquer custo -especialmente, não ao custo de leis brasileiras que se firmaram pelos bons resultados. A Lei Geral da Copa cria situações de exceção criadas para permitir que o público visitante goze de serviços vetados aos brasileiros em todos os outros jogos de futebol realizados país afora. Refiro-me especialmente à permissão para venda de bebidas alcoólicas nos nossos estádios durante o mundial. Em vários estados da Federação, existem leis locais proibindo a comercialização de álcool dentro e no entorno das praças desportivas. Em São Paulo, a regra vale desde 1996. Onde quer que tenha sido implantada, essa norma contribuiu de forma decisiva para a redução dos índices de violência dentro dos estádios de futebol. Tanto é assim que, desde 2007, a Confederação Brasileira de Futebol resolveu instituir a prática em todos os jogos do Campeonato Brasileiro. Em 2010, o próprio Estatuto do Torcedor foi alterado para incluir a proibição ao porte de álcool nos locais de jogos. Em São Paulo, graças à medida, o número de ocorrências policiais caiu 90% em dez anos. Em Minas, a redução foi de 75%, em um prazo ainda menor. Os dados são do relatório apresentado pelo Ministério Público à Comissão Especial da Câmara dos Deputados que avaliou a Lei da Copa. Como era de se esperar, o MP requisitou que a proibição à venda de bebidas fosse mantida. Há quem defenda que a proibição de bebida alcoólica seja suspensa argumentando que o público da Copa da Mundo é outro, formado por turistas estrangeiros e pessoas de maior poder aquisitivo. É como afirmar que os ricos e os visitantes de outros países são imunes aos efeitos do álcool. Quem defende essa posição parece esquecer que a violência nos estádios de futebol não é exclusividade brasileira -que o digam todo o histórico da Inglaterra com os hooligans e a morte, no mês passado, de 75 torcedores em um estádio do Egito. No meio disso tudo, o governo federal se mostra inábil e ausente. Primeiro, desconsiderou a autonomia dos Estados e assinou um acordo com a Fifa que garantia a venda de bebidas nos jogos, sem nenhum tipo de diálogo. Agora, optou pela saída mais fácil e resolveu se omitir: deixou esse ponto em aberto no texto da Lei Geral e jogou no colo dos Estados e municípios o ônus de um embate desigual com a Fifa -embate que, na prática, já está definido a favor de tal federação. Aos nossos Estados, restará pouco espaço para negociação, algo que é lamentável".

A Universidade de Brasília e o Comando de Caça aos Não-Comunistas

Do blog do jornalista Reinalto Azevedo: "Na página da “Aliança pela Liberdade”, chapa que comanda o Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães, da Universidade de Brasília, encontro a seguinte nota. Leiam. Volto em seguida: Na Coluna “Panorama Político” de hoje, o jornalista Ilimar Franco - O Globo, divulga a seguinte nota: Demóstenes e a Juventude do DEM A queda do senador Demóstenes Torres (GO), alvejado pelas ligações com Carlinhos Cachoeira, é um golpe no trabalho do DEM entre a Juventude. Ele era uma espécie de ícone da nova direita e vinha percorrendo o Brasil organizando a juventude em torno das ideias conservadoras do DEM. Crítico das cotas, ele tinha relação estreita com professores e a atual diretoria do DCE UnB Honestino Guimarães e participava de um movimento de oposição ao reitor José Geraldo de Souza Junior. No seu Twitter, Demóstenes chegou a escrever: “O que há na UnB é uma espécie de bullyng ideológico, e estou aguardando relatos de outras universidades”. A Aliança pela Liberdade informa que JAMAIS teve qualquer relação com o Senador Demóstenes Torres e está curiosa em saber de onde veio tal fantasia e onde ela quer chegar. Este grupo também não tem nenhuma relação com a Juventude do DEM. O que fizemos, no passado, foi expulsar do nosso grupo uma pessoa filiada a este partido, tão logo se comprovou que ele mentira para o grupo, ao negar filiação partidária quando era, de fato, filiado. No nosso entender, fizemos bem: expulsamos alguém que traiu os princípios de apartidarismo do grupo. O supracitado fato ocorreu quando ainda nem éramos gestão do DCE, há 2 anos.”A produção de mentiras e inverdades de forma tão gratuita só dá a certeza a este grupo de que estamos no caminho certo. Cabe agora ao jornalista provar o que disse e esclarecer sua informação. Nossos advogados já estão cientes do fato e buscaremos as vias necessárias para que tamanha leviandade não passe impune. Voltei A chapa faz muito bem em protestar, e me parece que Ilimar está eticamente obrigado a evidenciar essas ligações — ou, então, a nota ficará caracterizada apenas como parte de uma trabalho de “caça às bruxas da direita”. O PCdoB comanda DCEs de várias universidades Brasil afora. Nunca ninguém cobrou desses estudantes que explicassem a roubalheira das ONGs que atuavam no Ministério do Esporte. O PT está na direção de muitas entidades estudantis. Igualmente delas não se cobra que respondam pelas lambanças dos seus pares. Por que a Aliança pela Liberdade estaria comprometida pelas ações de Demóstenes? Isso é uma tentativa de satanização de uma parcela da universidade — parte considerável dela! — que não está rendida à esquerda. Ainda voltarei a essa tema, mas a grande sacanagem em curso é a seguinte: no caso de Demóstenes, não foi ele que fez lambança, mas a “direita”. A grande culpada seria mesmo a ideologia, aquele conjunto de ideias — e até o “moralismo”, como dizem. Quando aparecem os criminosos de esquerda — no Brasil, em número muito maior —, aí é preciso correr para demonstrar que se trata apenas de desvios pessoais. A ideologia restaria intacta. Não consta que Ilimar tenha escrito alguma vez que os DCEs petistas se ressentiram de ter entre os seus um patriota como José Dirceu. Por que a Aliança Pela Liberdade estaria manchada pelo desastre que colhe Demóstenes se aquela meninada nem filiação partidária tem? E noto, adicionalmente, que a coluna de Ilimar também tenta pegar os professores da UnB. Quais professores? Certamente os que não estão abrigados em correntes de esquerda. Felizmente, não existe mais CCC (Comando de Caça aos Comunistas) no Brasil. Agora existe o CCNC: Comando de Caça aos Não-Comunistas. Em nome da liberdade, é claro! A liberdade que os comunistas sempre garantiram ao povo quando no poder… A moçada da UnB faz bem em protestar e cobrar as evidências. Afinal, tem como provar que as ações de Demóstenes estão fora de seu conjunto de valores. E tem como provar também que o crime é parte da constituição moral da esquerda".

Ibope diz que maioria dos brasileiros acha o governo Dilma muito bom

Pesquisa do Ibope divulgada com 17 dias de atraso com uma nova avaliação do governo Dilma aponta que a maioria dos brasileiros considera o governo Dilma muito bom. Apesar disso, na mesma pesquisa, 65% dos brasileiros desaprovam a política de impostos; 63% reprovam a de saúde, e 61%, a de segurança pública. Mas, com tudo isso, sua gestão é acolhida por 56% dos entrevistados, segundo o Ibope. A aprovação pessoal de Dilma chegou a 77%. Assim, a presidente Dilma Rousseff bateu um novo recorde desde o início do seu mandato e ampliou a sua popularidade mesmo depois da divulgação de um crescimento modesto do PIB em 2011 e em meio a turbulências de uma crise política em sua base de apoio no Congresso. Segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada na última quarta-feira, a aprovação pessoal da presidente (aqueles que acham o jeito Dilma de governar “ótimo” ou “bom”) subiu cinco pontos percentuais desde dezembro, de 72% para 77%. É o maior índice registrado desde março do ano passado, quando a primeira pesquisa sobre seu governo foi divulgada. A presidente tem usado como trunfo em sua relação com o Congresso as altas taxas de popularidade alcançadas desde o início de seu governo. A avaliação de sua gestão, contudo, manteve-se a mesma na comparação com dezembro, estacionada em 56%. O índice tinha sido o melhor para um primeiro ano de governo desde que a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria começou a ser feita, em 1995. A pesquisa foi feita entre os dias 16 e 19 de março. Por que foi divulgada só agora?

Chefe de gabinete do governador de Goiás pede demissão

Flagrada em conversas gravadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, Eliane Gonçalves Pinheiro, chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), pediu demissão do cargo. Ela entregou ao governador a carta de exoneração na noite da última terça-feira, depois que a assessoria do governo foi procurada pela imprensa pedindo explicações sobre o envolvimento de Eliane com o grupo do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Na carta, Eliane sustenta não ser ela que a pessoa que aparece nas gravações conversando com Cachoeira. Na terça-feira, no entanto, admitiu que conhecia o contraventor desde 2003 e que até tinha um aparelho Nextel, mas que o equipamento não tinha sido dado por Cachoeira.

José Dirceu vai montar equipe de campanha de Haddad, só falta chamar Delúbio Soares para cuidar do caixa

Lula manteve reunião com José Dirceu e Rui Falcão na última segunda-feira para tratar da candidatura de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo. Há uma imoralidade intrínseca nesse encontro, no ano em que o caso do Mensalão do PT vai ser julgado. Esperava-se um mínimo de compostura de um ex-presidente da República. Discutir eleições com alguém acusado de ser chefe de quadrilha e que teve o mandato cassado por corrupção vai muito além da ética da política brasileira. É falta de vergonha na cara. No jornal Folha de S. Paulo da última quarta-feira, Catia Seabra informa que o “chefe de quadrilha” (segundo a Procuraoria Geral da República) vai ser uma das pessoas encarregadas de montar a equipe de campanha de Haddad. Haddad, que já é uma invenção eleitoral de Lula, será agora também um comandado de José Dirceu. A sua equipe de campanha obedecerá as ordens de José Dirceu e certamente se pautará pelas balizas éticas desse grande patriota e desse exemplo de ilibada reputação política. Dêem agora uma boa razão para que Delúbio Soares não seja convidado para ser o caixa de campanha. Se o chefe pode assumir tal papel de destaque, por que não o subordinado? O José Dirceu no comando da campanha é também certeza de que vem truculência por aí. O PSDB pode ir se preparando. Não será um jogo de salão. O mensalão, como sabem, foi a escolha de um método. E o homem que comandou aquele bordel político, segundo a Procuradoria Geral da República, foi José Dirceu. Ele não mudou.

Cachoeira vazava operações da Polícia Federal para chefe de gabinete do governador Marconi Perillo

O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, usou sua rede de policiais para obter informações sobre operação da Polícia Federal e vazá-las para a chefe de gabinete do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Segundo relatório da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, Cachoeira trocou telefonemas e mensagens com Eliane Gonçalves Pinheiro que, como o senador Demóstenes Torres (sem partido), também foi presenteada com um telefone criptografado comprado no Exterior para poder falar com o contraventor. Cachoeira usou o mesmo esquema de acesso a policiais para repassar informações sobre ações da Polícia Federal à construtora Delta. Em um dos trechos das gravações interceptadas com autorização judicial, o contraventor pergunta a Eliane se ela falou “pro maior” (sic). Ela responde que sim, e acrescenta: “Estou com ele aqui. Tá aqui. Imagina como que tava”. Não fica claro se “o maior” é o próprio governador. A ação em questão foi desencadeada no dia 13 de maio de 2011 com o nome de Operação Apate. O objetivo foi combater um esquema de fraudes contra a Receita Federal nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Minas Gerais. Foram expedidos 82 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão. A Receita Federal havia identificado indícios de que em Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), apresentadas por prefeituras e outros órgãos municipais, havia informações falsas sobre retenções do imposto de renda. Os operadores do esquema contavam com a colaboração de alguns prefeitos e servidores do primeiro escalão municipal. A estimativa da Receita Federal é que o prejuízo aos cofres públicos tenha alcançado cerca de R$ 200 milhões. Antes do telefonema, o contraventor trocou mensagens de texto com a chefe de gabinete de Perillo, informando da ação da Polícia Federal. O primeiro torpedo ocorreu no dia 12 de maio do ano passado, às 20h16. Ele anuncia: “vai ter busca na casa e prefeitura, ok”. E ela responde: “ok, entendi.” Depois, continua Carlinhos: “somente busca". E ainda dá conselhos: “pede a ele que tire as filhas de lá.”. Eliane tranquiliza o interlocutor: “elas estão na casa dele em Taguatinga. Vc. acha q eles vão procurar lá tbem? Ele tem as duas residências”. Carlinhos responde: “acredito q não. Uruaçu, Minaçu”, informa, referindo-se a dois municípios onde deveriam se desencadear as ações da Polícia Federal. Depois encerra: “Entendeu? Falou pro chefe?” Doze minutos depois da troca de torpedos, o contraventor telefona para Eliane para confirmar se ela recebeu as mensagens. Carlinhos: Eliane? Eliane: Estou ouvindo. Carlinhos: Falou pro maior (sic)? Eliane: Falei, estou com ele aqui. Tá aqui. Imagina como que tava. Antes de encerrar o diálogo, a chefe de gabinete de Marconi Perillo procura saber se a operação da Polícia Federal tem mais gente envolvida. Carlinhos: Não. Já, já eu te falo. O que eu sei é esses aí (sic). Num (sic) tem ninguém grande não. Mas Eliane insiste para que ele a avise sobre as novidades: Se você ficar sabendo, me fala. Tem uns pequenos aí que interessa (sic) a gente. Por meio da assessoria de imprensa, Eliane confirmou que conhece Carlinhos desde 2003. Sobre os diálogos, ela afirma, que a Eliane citada em relatório da Polícia Federal pode ser uma advogada. No relatório da Polícia Federal, Eliane é identificada pelo sobrenome, número do CPF e até os telefones utilizados por ela. A chefe de gabinete de Marconi Perillo negou que tenha recebido um Nextel de Cachoeira e afirma que foi um amigo, Wladimir Garcez, que lhe emprestou um aparelho quando ela fez uma viagem ao Exterior. Garcez é ex-vereador e, segundo a Polícia Federal, também integra o esquema de Carlinhos Cachoeira. Há vários diálogos interceptados entre os dois. Relatório da Polícia Federal mostra que Cachoeira também repassou informações para Cláudio Dias Abreu, ex-diretor da construtora Delta em Goiás. Conversas interceptadas pela Polícia Federal revelam que Abreu recorreu ao amigo para se proteger de eventual investigação sigilosa da Polícia Federal. Integrantes da organização conversam também sobre movimentação financeira supostamente irregular da empresa. Abreu recorreu aos serviços de Cachoeira em 14 de julho do ano passado para saber sobre operação que a Polícia Federal faria no Pará. "É deixa eu te falar, nós ficamos sabendo que vai ter uma operação lá no Pará, dá pra você levantar se vai ter reflexo aqui? - pede o executivo. Cachoeira diz que, se houvesse reflexo, um dos delegados subordinados à organização já teria vazado a informação. Segundo relatório da polícia, Cachoeira tinha uma extensa rede de espionagem. Em outros diálogos, aparecem referências a suposta lavagem de dinheiro utilizando fornecedores da empreiteira. O presidente do conselho da Delta, Fernando Soares, negou qualquer vínculo da empresa com Cachoeira. Segundo ele, Abreu foi afastado em 8 de março, uma semana depois da deflagração da operação.

Apartamento funcional de Demóstenes Torres servia de ponto de encontro da “Máfia do jogo” em Brasília

Grampos da Polícia Federal indicam que o apartamento funcional em que mora o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), em Brasília, serviu de ponto de encontro da cúpula da “máfia dos caça-níqueis” em Goiás e no Distrito Federal. Em conversas interceptadas pela Operação Monte Carlo, o sargento Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, apontado como um dos operadores de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, relata uma reunião de integrantes do esquema no local. No telefonema de 17 minutos, gravado em 21 de dezembro de 2010, Dadá diz a Lenine Araújo de Souza, segundo homem na hierarquia do esquema, responsável pela administração contábil do grupo, que está no Bloco C da Quadra 309, na Asa Sul, em Brasília. Trata-se do chamado bloco dos senadores, onde Demóstenes e outros parlamentares ocupam apartamentos funcionais cedidos pelo Senado. “Está aonde?”, indaga Lenine. “Aqui na 309, Bloco C, no estacionamento, na Sul, na Asa Sul”, responde o sargento. Segundo as transcrições, foram ao local Cachoeira, ao qual Dadá e outros integrantes do grupo se referem como “o homem”; Cláudio Dias de Abreu, citado no inquérito como sócio do empresário em negócios ilegais, e Wladimir Garcez Henrique, que seria seu braço direito, encarregado de obter facilidades nas Polícias Militar e Civil de Goiás. O Bloco C e o Bloco G, onde mora Demóstenes, são unidos e têm estacionamento e portaria comuns. Eram cerca de 16h40 e, na conversa, Dadá dizia estar em frente ao prédio desde a hora do almoço. “O homem está aqui, Cláudio, está aqui, não posso sair”, explicou a Lenine. Demóstenes estava em Brasília nesse dia, conforme registros do Senado. Segundo o inquérito, após o encontro no prédio, o grupo seguiu para reunião com um advogado não identificado. “Encontramos com o homem aqui na 309. A gente está indo lá pro Gustavo, advogado no Lago Sul”, diz o sargento. O inquérito da Monte Carlo comprova a extensa teia de relações do grupo, que se valia de contatos nos mais diversos órgãos. Em uma das conversas, Gleyb Ferreira da Cruz, elo de Cachoeira com o delegado federal Deuselino Valadares, comenta com um interlocutor sobre a possibilidade de “entrar com um interesse” na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para resolver um negócio de R$ 300 mil.

Ministério da Pesca desviou recursos de emendas para comprar barcos

O Ministério da Pesca usou, como justificativa para a compra de 28 lanchas-patrulha, emendas do Congresso que destinavam recursos para atividades produtivas no Pará e no Maranhão. A aquisição das embarcações, no valor total de R$ 31 milhões, é questionada pelo Tribunal de Contas da União e algumas delas estão paradas há cerca de um ano em uma marina no litoral catarinense. A empresa fornecedora também teria sido cobrada a fazer doação eleitoral ao PT de Santa Catarina. Uma das emendas usada pela pasta foi da bancada maranhense, que destinou R$ 16,7 milhões do Orçamento federal para obras de infraestrutura pesqueira na região metropolitana de São Luís, visando a geração de renda. A maior obra seria a implantação de um mercado de peixe. A proposta foi dos deputados Domingos Dutra (PT), Julião Amin (PDT) e Ribamar Alves (PSB). Outra emenda usada foi da bancada paraense, no valor de R$ 28 milhões, que previa o apoio a unidades da cadeia produtiva pesqueira, como fábricas de gelo e mecanização de cultivos. Após a compra das lanchas, a empresa fornecedora, a Intech Boating, doou R$ 150 mil em 2010 para a campanha do PT de Santa Catarina, partido do então ministro, Altemir Gregolin, e da candidata ao governo Ideli Salvatti, que depois também seria ministra da Pesca. Das 28 embarcações, 16 foram entregues e distribuídas para 14 Estados e dois órgãos federais. Maranhão e Pará receberam uma cada um: 23 das 28 lanchas estão fora de operação. O patrulhamento das águas não é competência do órgão.