A defesa do senador disse que Flávio está com compromisso na agenda parlamentar e não poderá fazer a acareação solicitada pelo Ministério Público Federal. O compromisso está marcado para as 15 horas e o empresário Paulo Marinho, que é suplente de Flávio no Semado, disse que vai à sede do Ministério Público Federal mesmo já sabendo que o senador não irá comparecer.
Flávio Bolsonaro tem prerrogativa de foro como senador e pode pela lei agendar dia, hora e local de oitivas. “Ele não irá. Não precisa justificar. A prerrogativa já diz que ele pode escolher dia, hora e local”, disse a advogada Luciana Pires. Segundo ela, Flávio vai propor outra data. “Mas não sabemos qual, verei com o senador”, disse a advogada.
A denúncia de Paulo Marinho aponta que o então deputado estadual Flávio Bolsonaro soube em 2018 antecipadamente que a Lava Jato iria promover uma operação, a Furna da Onça, e que ela atingiria a Assembléia do Estado do Rio de Janeiro.
Na operação emergiram relatórios do Coaf sobre movimentações financeiras atípicas em mais de 20 gabinetes da Assembléia Legislativa, entre eles o de Flávio. O caso ficou conhecido como a "rachadinha da Alerj". Flávio Bolsonaro é investigado no Rio no caso da rachadinha e por suposto crime eleitoral ligado a declaração de bens em eleições anteriores, além do suposto vazamento da operação Furna da Onça.
Esse Paulo Marinho é um lobista obscuro, de notórias ligações com o escritório do advogado Sérgio Bermudez. Nesse escritório trabalhava Gustavo Bebbiano, que foi secretário geral do PSL e comandou a campanha eleitoral, já que o presidente Bivar também se encontrava em campanha para reeleição como deputado federal. Foi desse Bebbiano a sugestão para que Paulo Marinho fosse o suplente de Flavio Bolsonaro ao Senado Federal. E daí surgiu essa sinistra figura na vida política dos Bolsonaro.
É inacreditável que os Bolsonaro tenham se deixado dominar por uma conspiração tão claro no entorno deles. Foi uma característica operação de infiltração, com inspiração em escritório de advocacia de notórias vinculações com a Rede Globo e com grande negócios na área pública. Especialmente, grande interesses em contratos cujos conflitos são resolvidos em cortes arbitrais. Sérgio Bermudez é praticamente o dono da corte arbitral da FGV no Rio de Janeiro.
A festa do último casamento do lobista Paulo Marinho foi realizada na mansão do advogado Sérgio Bermudez, e o juiz oficiante do casamente foi o atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux (antes disso o lobista viveu com a atriz Maitê Proença, com a qual teve uma filha).
O escritório de Bermudez também emprega a mulher do ministro Gilmar Mendes. Esse mesmo escritório, a pedido da OAB-RJ, deu o estranhíssimo parecer favorável para que o escritório de Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador ultra corrupto Sérgio Cabral, assinasse contrato com empresas prestadores de serviços ao governo estadual.
Também esse escritório deu emprego a Mariana Fux, para justificar prestação de serviços advocatícios, o que permitiu a sua indicação para desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, pelo quinto constitucional na vaga dos advogados. O jogo inteiro é por demais óbvio, só não vê quem não quer.

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