Em um esforço para desvincular sua imagem da Operação Lava Jato, a construtora Odebrecht mudou seu nome e sua marca para OEC. O sobrenome da família continua no logo da empresa, porém de forma mais discreta. As letras remetem a Odebrecht Engenharia e Construção, denominação que era utilizada apenas internamente. As cores da marca também mudaram e, ao invés do vermelho que caracterizava o conglomerado, agora o destaque é para verde, azul e cinza. A construtora é a última empresa do grupo a alterar seu nome para se distanciar do escândalo. Antes da OEC, já haviam feito o mesmo movimento a Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial), a Ocyan (ex-Odebrecht Óleo e Gás) e a OR (antiga Odebrecht Realizações Imobiliárias). Apenas a petroquímica Braskem, que já não carregava o sobrenome familiar por causa da sociedade com a Petrobras, manteve o nome. Todavia a marca também mudou abandonando a cor vermelha e a tipografia anterior. Desde a prisão do então CEO e herdeiro do grupo, o muito corrupto sinhozinho baiana Marcelo Odebrecht, por ter pago propina a políticos, em maio de 2015, a empresa estava em uma espécie de limbo. O próprio sinhozinho Odebrecht só confessou seus crimes quando fechou uma delação premiada após passar meses preso. Envolvida em uma crise de reputação, a construtora enfrentou uma brutal redução de receita e do portfolio de novas obras e acabou forçada a renegociar os títulos de dívida emitidos no Exterior, que chegam a US$ 3 bilhões (R$ 11,8 bilhões). A discussão com os credores ainda está em curso.
A mudança do nome do braço de construção da Odebrecht já vinha em discussão há bastante tempo dentro do grupo, mas enfrentava resistências. A empresa completa 75 anos em 2019 como a mais corrupta de toda a história do capitalismo brasileiro. De acordo com comunicado divulgado pela OEC, o objetivo da companhia é apresentar à sociedade as mudanças de governança que foram feitas e convencer os clientes que más práticas não serão repetidas. Isso vai ser difícil de se alcançado, especialmente porque a instituição do compliance no Brasil parece ser uma imensa farsa.
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