
Em sessão marcada por bate-boca entre aliados da deputada Janaína Paschoal (PSL) e do presidente Cauê Macris (PSDB), o tucano foi reeleito nesta sexta-feira, 15, para comandar a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) por mais dois anos, com o descarado apoio petista, em acordo íntimo com petistas. Com apoio de 21 partidos, incluindo PT e PSB, Cauê Macris obteve 70 votos, contra 16 votos de Janaína. Daniel José (Novo) e Mônica Seixas (PSOL) tiveram 4 votos cada um. A eleição de Cauê mantém uma hegemonia de praticamente 24 anos do PSDB na Casa - a exceção foi a vitória do atual vice-governador Rodrigo Garcia (DEM) em 2005. A votação foi marcada por um clima de tensão desde o início. O bate-boca começou quando o líder do PSL, Gil Diniz, questionou a legalidade da candidatura de Cauê à reeleição. Ele leu artigo da Constituição Estadual que diz que "é vedada a recondução (de membro da Mesa Diretora) para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente". Na quinta-feira, 14, Diniz entrou com mandado de segurança na Justiça para tentar barrar a candidatura do presidente da Assembléia, mas o pedido foi indeferido.

A troca de farpas prosseguiu durante o processo de votação, com deputados do PSL criticando a aliança entre PT e PSDB pelo controle da Mesa Diretora. "Não tem preço ver o PT brigando pelo PSDB", berrou Janaína ao declarar seu voto. O petista José Américo (PT) rebateu dizendo que vota no PSDB "pela democracia e contra o fascismo que você (Janaina) representa". Posteriormente, Carla Zambeli, deputada federal do PSL, entrou no Plenário, mas Cauê Macris, que presidia a mesa, mandou retirá-la. Houve novo tumulto. Cauê acabou liberando a permanência dela, e disse que não sabia que se tratava de parlamentar. Antes sem representação na Casa, o PSL, partido do presidente da República, Jair Bolsonaro, elegeu 15 deputados no Estado de São Paulo em 2018. Partidos da esquerda, como o PT, apoiaram a candidatura de Macris com a intenção de impedir o comando do PSL na Casa. Enio Tato, do PT, recebeu 70 votos e foi eleito 1° secretário.
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