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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Conheça o incrível Hotel Majestic, em Barcelona, para onde foi mandado cartão da propina pelo operador Paulo Vieira para o tucano Aloysio Nunes Ferreira


O hotel Majestic em Barcelona, no qual o ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores/Governo Temer) se hospedado em 2007, é cinco estrelas e fica localizado em um ponto turístico da Catalunha. Para o endereço do hotel de luxo, segundo investigação da Operação Lava Jato, foi enviado um cartão de crédito vinculado à conta do ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, operador do PSDB, para Aloysio Nunes Ferreira como "beneficiário final". Em seu site, o Majestic afirma que o hotel é, "desde 1918 um símbolo de excelência hoteleira de 5 estrelas". Um quarto para um casal, com banheira, isolamento acústico e frigobar, por exemplo, pode custar cerca de R$ 1,1 mil a diária. A suíte exclusiva, com 140 metros quadrados, cama extragrande e terraço, pode alcançar o valor de R$ 6,7 mil. “Localizado no Passeig de Gracia, oferece um cenário intemporal ideal para visitar os edifícios próximos de Gaudí, o shopping mais exclusivo, além de estar perto da área financeira e de negócios de Barcelona. O Majestic Hotel & Spa também é um universo de experiências e tradições elegantes; viva uma noite romântica em uma de nossas suítes, saboreie uma refinada gastronomia em nossos bares e restaurantes ou deixe-se mimar em nosso centro de spa”, informa o site.



Paulo Vieira de Souza foi preso nesta terça-feira, 19, sob suspeita de lavagem de dinheiro da Odebrecht. O ex-ministro, agora já ex-presidente da Investe São Paulo, empresa do governo João Doria, foi alvo de buscas e apreensões. Vieira de Souza e Aloysio são investigados na Operação Ad Infinitum, fase 60 da Lava Jato. A Procuradoria da República afirma que o ex-diretor da Dersa manteve R$ 131 milhões em quatro contas no banco Bordier & CIE, de Genebra, em nome da offshore panamenha Groupe Nantes SA, da qual o operador é beneficiário econômico e controlador. As contas foram abertas em 2007 e mantidas até 2017. Os procuradores afirmam que a Odebrecht repassou ao operador do PSDB um total de EUR 275.776,04 em 26 de novembro de 2007, por intermédio de conta mantida em nome da offshore Klienfeld Services LTD. No ano seguinte, em 25 de março de 2008, por meio da offshore Dessarollo Lanzarote, o Groupe Nantes recebeu US$ 309.258,00. Em 19 de dezembro de 2008, por intermédio da offshore Shearwater Overseas, ligada à Andrade Gutierrez, Vieira de Souza foi beneficiário de US$ 643.774,00. “Em 24 de dezembro de 2007, portanto logo após Paulo Vieira de Souza ter recebido da Odebrecht EUR 275.776,04, cuja transferência aconteceu em 26 de novembro de 2007, um dos responsáveis por sua conta mantida em nome do Grupo Nantes na Suíça solicitou a representantes do Banco a entrega de cartão de crédito no hotel Majestic Barcelona, na Espanha, para Aloysio Nunes Ferreira Filho”, diz a investigação.

Os investigadores apontam que as contas "foram utilizadas para viabilizar diversas operações de lavagem de dinheiro". Segundo a Lava Jato, "Paulo Vieira de Souza não apenas utilizou tais contas para realizar a partir do ano de 2010 as múltiplas operações lavagem de dinheiro que resultaram na disponibilização de recursos em espécie para a Odebrecht no Brasil". Os procuradores afirmam que o operador usou as contas para, entre 2007 e 2010, "receber no exterior, em seu favor e de integrantes do PSDB, valores ilícitos transferidos pela própria Odebrecht e também pelas empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez". O Ministério Público Federal afirma que o ex-diretor da Dersa atuou em uma das camadas do sistema de lavagem de dinheiro da Odebrecht. Os investigadores relataram à Justiça que Paulo Vieira de Souza disponibilizou, a partir do segundo semestre de 2010, R$ 100 milhões em espécie ao operador financeiro Adir Assad, no Brasil. Assad entregou os valores ao Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, aos cuidados do doleiro Álvaro José Novis – que fazia pagamentos de propinas, a mando da empresa, para vários agentes públicos e políticos, inclusive da Petrobrás.

Em contrapartida, relata a investigação, a Odebrecht repassou valores, por meio de contas em nome de offshores ligadas ao Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, ao operador Rodrigo Tacla Duran. “Esse, por sua vez, repassou o dinheiro, ainda no exterior, mediante a retenção de comissões, diretamente a Paulo Vieira de Souza, ou, por vezes, a doleiros chineses, que se encarregavam de remeter os valores, também por meio de instituições bancárias estrangeiras, ao representado (Paulo Vieira de Souza)”, narrou a Lava Jato. Vieira de Souza já é réu de duas ações penais da Lava Jato em São Paulo. No processo que trata de desvios de R$ 7,7 milhões em obras de reassentamento do Rodoanel, Aloysio Nunes foi arrolado como testemunha de defesa de Tatiana, filha de Paulo, também ré na ação. No último dia 13 de fevereiro, o ministro do Supremo Gilmar Mendes atendeu um pedido da defesa de Paulo Vieira de Souza e adiou o fim deste processo. Ligado a governos do PSDB no Estado, ele foi diretor da Desenvolvimento Rodoviário S.A (Dersa), estatal paulista. Suas relações com tucanos é muito antiga. Ele desfruta da fama de que detém informações privilegiadas. Certa vez, na campanha presidencial em 2010, Vieira de Souza protagonizou episódio emblemático. Aparentemente "ignorado" pelo então candidato do PSDB José Serra, que em debate na TV Bandeirantes com sua oponente Dilma Rousseff (PT) disse "não se lembrar" do ex-diretor da Dersa, ele declarou à jornalista Andrea Michael: “Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro". O recado de Vieira de Souza soou como um aviso ao ninho tucano sobre o alcance e o peso que suas informações podem ter.

Antes de ser preso nesta terça-feira, 19, Vieira de Souza estava em recolhimento domiciliar integral e monitoramento por meio de tornozeleira eletrônica. A decisão havia sido tomada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2018. A Operação Ad Infinitum foi deflagrada por ordem da juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

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