
Na contramão da nova diretriz de política econômica voltada para a redução dos incentivos tributários, o Instituto Aço Brasil, que representa as empresas siderúrgicas, pediu ao ministro da economia, Paulo Guedes, a volta do Reintegra – programa caro para os cofres do governo que garante crédito tributário calculado com base nas receita obtida nas exportações de produtos industrializados. O Reintegra praticamente acabou com o programa ao reduzir a alíquota de 2% para 0,1% no pacote montado pelo governo Michel Temer para bancar o subsídio ao diesel depois da greve dos caminhoneiros. Agora, a indústria siderúrgica, que enfrenta hoje um cenário de forte concorrência internacional, grande volume de excedentes no mundo e barreiras comerciais dos países, quer que a alíquota suba para o patamar entre 2% e 3%. No Reintegra, quanto maior a alíquota, mais crédito os exportadores recebem do governo. A previsão do governo é de uma economia de R$ 10 bilhões em 2019 com a redução alíquota.
Após almoço com Guedes, o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello, defendeu o aumento do incentivo e manifestou especial preocupação com o risco de uma redução do Imposto de Importação do aço – hoje em média de 12% – pela equipe econômica. “É uma temeridade reduzir o Imposto de Importação sem resolver o problema do Custo Brasil", disse ele. Marco Polo disse que o setor não é contra a ampliação da abertura comercial desde que sejam corrigidas as "anomalias competitivas". O dirigente destacou que o Brasil não pode ser considerado uma economia fechada e ponderou que o resto do mundo está se fechando. “Não queremos nenhum grau de protecionismo, mas a possibilidade de competir em igualdade de condições com os importados", afirmou ele, destacando que a indústria investe, se capacita, e o importado é que é beneficiado. Durante almoço, os representantes do setor apresentaram mapa ao ministro mostrando que a América Latina, incluindo o Brasil, é o único local do mundo que está aberto no setor. Esses caras do aço, sempre capitaneados pelo liberal de mentirinha, Jorge Gerdau Johannpeter, aquele que só fala em liberalismo mas vive nas tetas do Estado, não sabem existir de outra maneira que não seja à base de regalias estatais.
Segundo ele, a decisão da União Europeia de impor novas barreiras ao aço brasileiro já estava no radar e representa um efeito dominó puxado por outros países. "A China aumentou a exportação de aço em 28% para a América Latina", reclamou. O dirigente disse que fez uma brincadeira com Guedes ao apresentar um desenho em que mostra o Brasil com um "piano nas costas de encargos trabalhistas e um grilhão no pé de elevada carga tributária" e ao lado um grito de "Corra que o chinês vem aí". Essa foi justamente a frase dita pelo ministro durante o seu discurso de posse no cargo. "Espero que ele que não esqueça o que disse", afirmou Marco Polo.
O presidente do Instituto lembrou que impostos cumulativos no sistema tributário brasileiro são elevados diminuindo a competitividade do produto nacional. Segundo ele, o produto nacional tem uma perda de competitividade em US$ 80,00 por tonelada. Ele destacou o excedente "monumental" que existe hoje de aço no mundo, um total de 550 milhões de toneladas. Para efeito de comparação, ele citou que o Brasil tem capacidade de produção de 50 milhões de toneladas. Ele reclamou também que as empresas brasileiras que investiram muito nos últimos anos estão alijadas do desenvolvimento do setor de óleo e gás no Brasil.
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