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sábado, 3 de novembro de 2018

Deltan Dallagnol diz que é mais importante mudar o ambiente que favorece a corrupção


O o procurador federal Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, saiu em defesa do juiz federal Sérgio Moro e de sua decisão de aceitar o convite para assumir o superministério da Justiça no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), na manhã de quinta-feira, 1. “Há muito tempo falo que, hoje, é mais importante para o País mudar o ambiente que favorece a corrupção do que futuros resultados da Lava Jato”, escreveu Dallagnol, em longo texto publicado no Facebook. “Minha avaliação pessoal – não estou falando neste post pelas equipes que trabalham na Lava Jato, que podem ter diferentes visões desse assunto – é de que a decisão é bastante positiva para a causa anticorrupção e para o País". De licença após o nascimento da filha no domingo, 28, Dallagnol compartilhou a notícia de que Moro havia aceito o convite. O procurador escreveu: “A foto é emblemática: o pacote das Novas Medidas Contra a Corrupção estava em suas mãos na viagem ao encontro do presidente eleito”. A Transparência Internacional encabeçou o pacote de 70 medidas contra a corrupção – versão ampliada do pacote das 10 Medidas Anticorrupção que foi enterrado no Congresso, em 2017. O plano das Novas Medidas contra a Corrupção contempla propostas tanto preventivas, mais afinadas ao discurso das esquerdas, como punitivas, recorrentes da direita. Dallganol tem sido um ativista defensor das medidas. “O juiz Sergio Moro vai ao Ministério da Justiça por um bem maior: consolidar os avanços da Lava Jato e avançar contra o crime organizado, problemas extremamente preocupantes no nosso país, assim como defender o fortalecimento da democracia, que é pressuposto da luta contra a corrupção.”

Dallagnol lembrou que tem ressaltado que “o ambiente de leis favoráveis à corrupção ainda é o mesmo de antes da Lava Jato”. Citou casos de “prescrição, nulidades, lentidão e penas lenientes favorecem a impunidade”. “A mensagem do sistema de justiça criminal é de que a corrupção compensa e inúmeros casos do passado provam isso. Nada das leis que favorecem a impunidade mudou até hoje. O que houve foi um caso que fugiu da curva da impunidade, a Lava Jato". O coordenador da Lava Jato afirma que “há muito espaço para avançar contra a corrupção”, como recuperação de valores, transparência, melhoras no sistema político e eleitoral, incentivo ao compliance, fortalecimento do controle interno e externo: “Tudo isso precisa ser feito e o ministro da Justiça tem uma posição privilegiada para articular essas mudanças". Para Dallagnol, “como Ministro da Justiça, o juiz Sergio Moro poderá impactar ainda órgãos muito importantes para o controle da corrupção, como a Polícia Federal, a CGU e o COAF, ampliando sua influência positiva dos casos em Curitiba para todo o País”.

O coodenador da Lava Jato também saiu em defesa de Moro e rebateu os ataques. “Neste momento, precisamos fazer uma análise crítica dos ataques que estão surgindo contra a reputação do juiz e da Lava Jato, como aqueles que acusam o juiz de ter, desde sempre, aspiração política.” Ele classificou de “ridículo” o argumento. “Se o juiz Sergio Moro tivesse aspiração política, ele poderia ter se tornado presidente ou senador nas últimas eleições com alta probabilidade de êxito. Mentiras como essa serão repetidas, como outras já usadas no passado, mas não vão abalar a Lava Jato, em que atuam não só um juiz, mas 14 da primeira à última instância. A imparcialidade dos atos e decisões são garantidos pelo próprio sistema recursal". Segundo o procurador, a Lava Jato seguirá em Curitiba com outros magistrados. “Há ainda bastante por fazer e será feito. Perde-se o grande talento de um juiz, mas a maior parte da equipe seguirá firme lutando contra a corrupção, como profissionais, na operação, e como cidadãos".

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