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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Procurador da República diz que empresa de Marcos Valério existia para lavar dinheiro

A denúncia entregue na quarta-feira pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, ao Supremo Tribunal Federal, procura reconstituir o surgimento da empresa SMP&B Comunicação Ltda, do publicitário mineiro Marcos Valério, envolvida no esquema de lavagem de dinheiro que, segundo o documento, financiou a campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao governo de Minas Gerais em 1998. De acordo com a denúncia, a firma se voltava prioritariamente à lavagem de dinheiro. "Eles estruturaram uma empresa que, sob o manto formal de atuação na área de comunicação e publicidade, representava de fato uma empresa voltada principalmente para o ramo de lavagem de ativos financeiros", diz um trecho da denúncia do procurador-geral da República. A SMP&B, cujos sócios atuais são os empresários Cristiano Paz e Ramon Hollerbach (50% das ações, segundo a denúncia), Clésio Andrade (40%) e Marcos Valério de Souza (10%), pertencia em 1996 apenas aos sócios Cristiano e Ramon, e passava por dificuldades financeiras. Marcos Valério foi contratado pelos dois para conseguir o ingresso de um novo sócio a fim de retomar o crescimento do negócio. Segundo a denúncia, após uma primeira recusa, devido à dívida da empresa (que chegava a R$ 12 milhões), Clésio Andrade decidiu entrar como sócio na empresa, incorporando capital no valor de R$ 1,5 milhão e exigindo a entrada de Marcos Valério para gerir financeiramente a sociedade, de acordo com a restituição. A denúncia da Procuradoria Geral afirma que Marcos Valério "nunca foi e não é do ramo publicitário ou de comunicação, era um especialista na área financeira". Segundo o texto, Valério optou por desenvolver suas atividades na área de publicidade pela "facilidade apresentada em tal setor para fraudar a execução de contratos e desviar recursos públicos". Em 1998, teria começado o esquema de desvio e lavagem de dinheiro, que custou, segundo a denúncia, pelo menos R$ 3,5 milhões ao estado de Minas Gerais. "Em outras palavras, Clésio Andrade ofereceu os serviços delituosos de sua estrutura empresarial para a prática dos crimes de peculato, bem como lavagem de capitais", diz um trecho da denúncia.

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