
Na quarta-feira, o presidente Lula teve duas conversas reservadas sobre a fidelidade de sua base aliada. Em uma delas, com um auxiliar direto, revelou-se agoniado para “fechar os buracos” abertos em seu consórcio partidário, um “queijo suíço”, segundo suas palavras. Na outra, com um senador de suas relações, Lula mostrou-se confiante no “bom senso” dos senadores. Lula detectou 14 votos cambaleantes em sua tropa de 53 aliados. Desse total, oito são considerados mais problemáticos que os demais. Isso é um problema grande, diante do fato de que o governo precisar de 49 votos na próxima semana para aprovar a prorrogação da CPMF. Os oito senadores que mais perturbam o governo Lula são os seguintes: 1) Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), 2) Mão Santa (PMDB-PI), 3) Pedro Simon (PMDB-RS), 4) Expedito Júnior (PMDB-RO), 5) Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), 6) Flávio Arns (PT-PR), 7) Patrícia Sabóia (PDT-CE) e 8) César Borges (PR-BA). Já são tidos como casos perdidos os senadores Jarbas, Mão Santa e Simon. E são vistos como uma negociação cara os senadores Mozarildo e Expedito. O governo acha que pode virar os votos de Arns e Patrícia. E entende que César Borges fugiu ao seu controle. Mas, não é tudo, ainda há o problema com mais senadores, da fase aliada, que representam um perigo potencial grande: 1) Jefferson Peres (PDT-AM), 2) Osmar Dias (PDT-PR), 3) Cristovam Buarque (PDT-DF), 4) Sérgio Zambiasi (PTB-RS), 5) Geraldo Mesquita (PMDB-AC) e 6) Romeu Tuma (PTB-SP). A bancada do PDT, que o governo imaginava fechada com a CPMF, entrou em explosão. Zambiasi, Mesquita e Tuma têm uma atitude errática que perturba o governo Lula. O presidente não consegue entender como encontra tanta dificuldade para aprovar a CPMF se seu governo é popular. Ele foi informado de que o senador Cesar Borges está em avançadas negociações para voltar a seu partido, o DEM. Lula também ficou surpreso com a entrada em campo, nos últimos dias, do presidente do PTB, deputado federal cassado Roberto Jefferson, que convocou uma reunião da executiva do partido para o dia 28 de novembro. É possível que ele pretenda fechar questão colocando o partido contra a CMPF. Seria o sinal para os senadores Mozarildo Cavalcanti e Sérgio Zambiasi votarem contra. Lula também se auto-atribuiu a tarefa de chamar os governadores à responsabilidade. Na quarta-feira, pela manhã, em entrevista, realçou a “contradição” da bancada de senadores do PSDB, que ameaça rejeitar uma CPMF que todos os governadores do partido querem ver aprovada. À noite, na abertura da 13ª Conferência Nacional da Saúde, disse que os adversários da CPMF terão de arcar com as conseqüências da eventual rejeição do tributo. Com esse tipo de pregação, o presidente mira em especial os governadores tucanos José Serra (São Paulo), Aécio Neves (Minas Gerais), Teotônio Vilela Filho (Alagoas), Cassio Cunha Lima (Paraíba) e Yeda Crusius (Rio Grande do Sul).
Nenhum comentário:
Postar um comentário