O governo do PT e do presidente Lula estão fazendo uma depuração político-ideológica no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com a nomeação do novo presidente, o economista Márcio Pochmann (da Unicamp), em agosto, cinco das seis diretorias já foram trocadas, a maior parte em Brasília. No Rio de Janeiro, toda a área de macroeconomia está sendo reformulada. Quatro economistas que divergiam do governo Lula e do PT, principalmente na área fiscal, foram demitidos. O tradicional Boletim de Conjuntura será extinto e o Grupo de Conjuntura Econômica (GAC), que recentemente marcou presença no noticiário com previsões independentes de crescimento, diferentes das feitas pela equipe econômica, e pelos alertas sobre o crescimento dos gastos públicos no País, não poderá mais "fazer recomendações públicas de política econômica". No próximo mês deverão deixar o Ipea os economistas Fábio Giambiagi e Otávio Tourinho. Eles são funcionários do BNDES e o Ipea informou que o convênio de cessão vence no próximo dia sete e não será renovado. É mais um degrau na escalada de controle e domesticação dos pesquisadores do órgão de acordo com os interesses do governo Lula e do PT. Os economistas Regis Bonelli e Gervásio Rezende, especialistas em indústria e agropecuária, também foram defenestrados. Nestes casos, a nova diretoria petista encontrou a desculpa de que eles já estão aposentados e estavam “ocupando instalações” da sede carioca. Ou seja, mais stalinista é impossível. Os dois têm experiência de mais de três décadas no instituto e vinham trabalhando na produção de pesquisas e formação de pessoal mais novo. São expurgados economistas mais liberais ou neoclássicos (ortodoxos), com foco em questões fiscais, e entra um grupo que defende participação maior do Estado na economia. O professor João Sicsú, do Instituto de Economia da UFRJ, considerado um “desenvolvimentista”, substituiu o diretor de macroeconomia Paulo Levy. A mudança interrompeu uma longa trajetória de ascensão de quadros internos ao comando da diretoria. Giambiagi foi afastado do cargo de coordenador do GAC. No seu lugar, especula-se que deverá assumir o economista Miguel Bruno, hoje lotado na Escola Nacional de Ciências Estatísticas, do IBGE. Economistas da UFRJ, UFF e Cândido Mendes foram chamados para trabalhar no Ipea no Rio de Janeiro. Quem comanda o pensamento econômico no Rio de Janeiro é a economista Maria da Conceição Tavares, aquela que chorou em rede nacional de televisão defendendo os fiscais do Sarney. O Brasil inteiro sabe no que resultou aquela aventura do ex-ministro da Fazenda Dílson Funaro. Na área de macroeconomia, a nova direção extinguiu o Boletim de Conjuntura, publicação trimestral com mais de cem páginas que será substituído por uma Carta do Ipea, bem mais curta (10 páginas). Era justamente no Boletim de Conjuntura que vinham sendo veiculadas as avaliações GAC, algumas das quais divergiam frontalmente da visão de integrantes da equipe econômica do governo. Enquanto, por exemplo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendia que o País chegaria ao crescimento de 5% nos próximos cinco anos, trabalho de integrantes do GAC indicava que isso ocorreria de forma sustentada apenas em 2017. Na última divulgação do boletim, em setembro, um alerta tratava do avanço dos gastos públicos no País. O texto pregava que o ritmo de crescimento do gasto público deveria ser reduzido já em 2008, sob pena de o País chegar a uma inflação anual de 5% entre 2009 e 2010. No mês anterior, ao assumir o cargo, Pochmann fez críticas ao que qualificou de "Estado raquítico". O discurso de Pochmann valeu um elogio no site do petista histórico José Dirceu, sob o título "Uma bela estréia", em agosto. E isso diz tudo. Pochmann é o queridinho do Zé Dirceu. Ou seja, ele entrou no Ipea para impor o “pensamento da nomenklatura”. Assine Vitor Vieira Jornalismo
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Governo do PT e de Lula fazem limpeza político-ideológica no IPEA
O governo do PT e do presidente Lula estão fazendo uma depuração político-ideológica no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com a nomeação do novo presidente, o economista Márcio Pochmann (da Unicamp), em agosto, cinco das seis diretorias já foram trocadas, a maior parte em Brasília. No Rio de Janeiro, toda a área de macroeconomia está sendo reformulada. Quatro economistas que divergiam do governo Lula e do PT, principalmente na área fiscal, foram demitidos. O tradicional Boletim de Conjuntura será extinto e o Grupo de Conjuntura Econômica (GAC), que recentemente marcou presença no noticiário com previsões independentes de crescimento, diferentes das feitas pela equipe econômica, e pelos alertas sobre o crescimento dos gastos públicos no País, não poderá mais "fazer recomendações públicas de política econômica". No próximo mês deverão deixar o Ipea os economistas Fábio Giambiagi e Otávio Tourinho. Eles são funcionários do BNDES e o Ipea informou que o convênio de cessão vence no próximo dia sete e não será renovado. É mais um degrau na escalada de controle e domesticação dos pesquisadores do órgão de acordo com os interesses do governo Lula e do PT. Os economistas Regis Bonelli e Gervásio Rezende, especialistas em indústria e agropecuária, também foram defenestrados. Nestes casos, a nova diretoria petista encontrou a desculpa de que eles já estão aposentados e estavam “ocupando instalações” da sede carioca. Ou seja, mais stalinista é impossível. Os dois têm experiência de mais de três décadas no instituto e vinham trabalhando na produção de pesquisas e formação de pessoal mais novo. São expurgados economistas mais liberais ou neoclássicos (ortodoxos), com foco em questões fiscais, e entra um grupo que defende participação maior do Estado na economia. O professor João Sicsú, do Instituto de Economia da UFRJ, considerado um “desenvolvimentista”, substituiu o diretor de macroeconomia Paulo Levy. A mudança interrompeu uma longa trajetória de ascensão de quadros internos ao comando da diretoria. Giambiagi foi afastado do cargo de coordenador do GAC. No seu lugar, especula-se que deverá assumir o economista Miguel Bruno, hoje lotado na Escola Nacional de Ciências Estatísticas, do IBGE. Economistas da UFRJ, UFF e Cândido Mendes foram chamados para trabalhar no Ipea no Rio de Janeiro. Quem comanda o pensamento econômico no Rio de Janeiro é a economista Maria da Conceição Tavares, aquela que chorou em rede nacional de televisão defendendo os fiscais do Sarney. O Brasil inteiro sabe no que resultou aquela aventura do ex-ministro da Fazenda Dílson Funaro. Na área de macroeconomia, a nova direção extinguiu o Boletim de Conjuntura, publicação trimestral com mais de cem páginas que será substituído por uma Carta do Ipea, bem mais curta (10 páginas). Era justamente no Boletim de Conjuntura que vinham sendo veiculadas as avaliações GAC, algumas das quais divergiam frontalmente da visão de integrantes da equipe econômica do governo. Enquanto, por exemplo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendia que o País chegaria ao crescimento de 5% nos próximos cinco anos, trabalho de integrantes do GAC indicava que isso ocorreria de forma sustentada apenas em 2017. Na última divulgação do boletim, em setembro, um alerta tratava do avanço dos gastos públicos no País. O texto pregava que o ritmo de crescimento do gasto público deveria ser reduzido já em 2008, sob pena de o País chegar a uma inflação anual de 5% entre 2009 e 2010. No mês anterior, ao assumir o cargo, Pochmann fez críticas ao que qualificou de "Estado raquítico". O discurso de Pochmann valeu um elogio no site do petista histórico José Dirceu, sob o título "Uma bela estréia", em agosto. E isso diz tudo. Pochmann é o queridinho do Zé Dirceu. Ou seja, ele entrou no Ipea para impor o “pensamento da nomenklatura”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário