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sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Discurso de Lula, aprovando a eternidade de Chavez, provoca reações
Na noite de quarta-feira, na abertura da 13ª Conferência Nacional de Saúde, o presidente Lula elogiou o médico paulista Adib Jatene, por sua defesa da CPMF. E esse foi o mote para ele iniciar outro discurso no modelo chavista. Disse ele: “A verdade é a seguinte. Essas pessoas, sobretudo os ricos, porque pobre não paga CPMF, vamos ser claros. CPMF é coisa de rico, não é coisa de pobre, essas pessoas precisariam, sobretudo uma parte empresarial, não apenas reclamar do que pagam, mas dizer publicamente também quanto ganham, quanto lucraram nesses quatro anos”. E daí ele derivou para defender o seu colega Hugo Chavez, o cantinflesco tiranete de Caracas que quer se eternizar no poder, promovendo alterações totalitárias na constituição do país. Pela manhã, na quarta-feira, Lula também já tinha feito uma desbragada defesa de Chavez. Elogiou-lhe a dignidade. Enalteceu-lhe a compostura democrática. Lula perdeu a vergonha, fez essas declarações no momento em que parte do Congresso Nacional, com José Sarney à frente, ameaça vetar o ingresso da Venezuela no Mercosul, sob a alegação de que o vizinho não respeita os valores democráticos. Mas, Lula foi enfático sobre o Cantinflas caribenho: “"Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar o Chávez. Agora por falta de democracia na Venezuela não é. Estou há cinco anos no poder. Vou chegar a oito anos. Eu participei de duas eleições. O que eu sei é que a Venezuela já teve três referendos, já teve três eleições não sei para onde, já teve quatro plebiscitos. O que não falta é discussão”. Ou seja, Lula defendeu o direito de Chavez de alterar a Constituição para obter um “terceiro mandato”. Isso significa que ele está dando o sinal verde aos seus seguidores, para que tentem o mesmo caminho. Continuou Lula, enfileirando argumentos nessa sua tentativa: “Por que ninguém se queixou quando Margaret Thatcher ficou tantos anos no poder?” Também citou dois outros ex-chefes de Estado de regimes parlamentaristas: o espanhol Felipe Gonzalez e o alemão Helmut Kohl: “Ninguém se queixa do Felipe González, que ficou tantos anos; ninguém se queixa do Mitterrand, que ficou tantos anos; ninguém se queixa do Helmut Kohl, que ficou quase 16 anos”. O pior aconteceu quando ele passou a defender o papelão promovido por Chavez em Santiago, quando o rei espanhol Juan Carlos se viu obrigado a mandá-lo se calar. Lula considerou que “não houve exagero” da parte de Chávez ao chamar o ex-primeiro-ministro espanhol José María Asnar de “fascista”. “Houve uma fala do Chávez, que o rei achou que era demais, que era uma crítica ao ex-primeiro-ministro da Espanha que tinha apoiado o golpe venezuelano no primeiro momento. Essas coisas acontecem. Obviamente, a diferença qual é? Que o rei estava na reunião. Quem falou ‘cala-te’ foi o rei, não foi um de nós, porque, entre nós, nós divergimos muito”.
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