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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Centro de tortura da ditadura militar nos anos 70 vira museu na Argentina

O presidente argentino Nestor Kirchner deu na terça-feira mais um passo para a abertura do Espaço da Memória, que funcionará no complexo de edifícios que pertencia à Escola de Mecânica da Marinha (Esma), apontado como o maior centro de tortura da ditadura militar argentina. Ao lado de sua mulher e sucessora, a presidente eleita Cristina Fernández de Kirchner, ele assinou o documento que transfere o ex-complexo militar para uma comissão que passará a administrá-lo e preservá-lo. Estima-se que cerca de 4.000 pessoas passaram pela Esma durante os chamados "anos de chumbo" argentinos, entre 1976 e 1983. Em 2004, o presidente Kirchner decidiu que o espaço seria dedicado à memória e homenagem dos que por ali passaram. Na terça-feira, Kirchner chamou de "heróis anônimos" os presos políticos que foram torturados pelo regime militar. "Tenho certeza de que no espírito deles estarão pensando: voltamos e ainda podemos ganhar", disse o presidente. O complexo cultural receberá ainda o Arquivo da Memória, que hoje funciona em vários edifícios na capital argentina. A expectativa é de que ambos os espaços estejam abertos ao público já no dia 1º de dezembro. O Espaço da Memória será administrado por uma comissão que terá a participação de familiares das vítimas do regime militar. O complexo contará com um instituto de educação na área de direitos humanos, que será administrado pela entidade Mães da Praça de Maio, entidade que reúne as mães de desaparecidos políticos durante a ditadura. Haverá ainda uma Casa da Identidade, onde pessoas que crêem ter sido forçosamente separadas de seus familiares ainda na infância podem procurar suas origens. Entidades como a Avós da Praça de Maio denunciam que muitas mulheres prisioneiras do regime militar argentino estavam grávidas ou com bebês recém-nascidos, que foram entregues com novos nomes a outras famílias. Graças ao trabalho que realizam, as avós já localizaram mais de 80 jovens, que, depois de exames de DNA, descobriram sua verdadeira identidade. A presidente da Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, disse que o Museu da Memória é uma "conquista" de todos, e sua criação, "um dia histórico". O complexo da ex-Esma manterá intacto, mas com cartazes explicativos, o local das torturas. Durante a cerimônia, a presidente eleita, Cristina Kirchner, que recebe a faixa presidencial no dia 10 de dezembro, pediu à Justiça argentina que "acelere" os processos contra os acusados de crimes durante a ditadura militar: “Um país sem justiça é um país desequilibrado. Quero reafirmar o compromisso de um projeto político pela memória, a verdade e a justiça".

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