Uma operação conjunta das Polícias Civil e Militar do Pará prendeu nesta segunda-feira 32 pessoas suspeitas de liderar bando que invadia fazendas na região sul do Estado e exigia dinheiro dos fazendeiros para deixar as propriedades. O bando, que se intitulava LCP (Liga dos Camponeses Pobres), arregimentava famílias pobres de Redenção, a 921 quilômetros de Belém, para dar às invasões um caráter de movimento social, segundo a Polícia Civil. Há cerca de 400 pessoas acampadas em áreas invadidas pela LCP. O delegado-geral da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassuly, um dos coordenadores da operação, disse que os líderes do bando estavam envolvidos com roubo a banco e de carga, e também usavam as fazendas como base para as ações criminosas. Segundo o delegado Alberone Lobato, da Delegacia de Conflitos Agrários, várias pessoas contra as quais não havia mandado de prisão decretado foram presas em flagrante por porte ilegal de arma. Foram encontradas mais de 40 armas irregulares de diversos calibres, algumas de uso restrito, e munição. Além de pessoas ligadas à LCP, foi preso o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Maria das Barreiras. "A LCP e o presidente do sindicato arregimentavam pessoas para invadir as fazendas e dar um cunho de movimento social. Havia na área mais de 70 pessoas armadas que queriam grilar a área e extorquir dinheiro dos fazendeiros", disse Lobato. Segundo o delegado, alguns dos integrantes do bando conseguiram fugir. A governadora petista Ana Júlia Carepa é a grande responsável pelo banditismo que toma conta do Pará. Ela decidiu que a Polícia Militar no Estado não intervém em conflitos que ela considera “sociais”. Vinte e cinco fazendas já foram invadidas no sul do Pará. Vinte delas ainda estão ocupadas e oito foram destruídas. A Justiça concedeu mandados de reintegração de posse a nove fazendeiros. Nenhum deles foi cumprido, porque a governadora Ana Júlia Carepa impede. A decisão da governadora beneficiou não só os sem-terra como também três quadrilhas de malfeitores que aterrorizam o sul do estado. Esses bandos invadem fazendas e cobram resgate dos seus proprietários. Quando não recebem o dinheiro, matam animais, queimam pastos e arruinam edificações. Em dezembro do ano passado, uma das gangues incendiou os currais e a sede da Fazenda Rodeio, em Bannach. O prejuízo ultrapassou 1 milhão de reais. Em setembro, outros bandidos tomaram a Fazenda Mirim, em Redenção, e exigiram 50.000 reais do empresário Darci Capeleto para desocupá-la. Se ele não pagasse, sua fazenda seria entregue aos sem-terra. Em meio à impunidade, uma recém-criada organização de sem-terra começou a aterrorizar a região: a Liga dos Camponeses Pobres, que mantém relações com remanescentes do Sendero Luminoso, o grupo terrorista de orientação maoísta que matou 30.000 pessoas no Peru nas décadas de 80 e 90. Os integrantes da liga andam encapuzados e armados. Dois deles contaram que a organização funciona com o dinheiro que cobra de pessoas interessadas em ganhar lotes da reforma agrária. Quem paga 10 reais por mês pode manter uma barraca nas áreas ocupadas. No mês passado, quarenta integrantes da liga invadiram a Fazenda Forkilha, em Santa Maria das Barreiras. Atualmente, a Forkilha está tomada por 1.000 pessoas acampadas, algumas das quais têm casa própria em cidades da região. Os métodos desses marginais são tão violentos que assustam até as outras organizações de sem-terra que atuam na região.
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