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domingo, 23 de setembro de 2007

Ex-presidente Alberto Fujimori já está preso no Peru

O ex-presidente peruano Alberto Fujimori desembarcou neste sábado no Peru e já foi encaminhado para o seu local prisão provisória em Lima: a Direção de Operações Especiais da Polícia Nacional. Nesse local, Fujimori deve passar por um exame médico e deve ficar detido por pelo menos 15 dias, até que seja decidido o local definitivo em que deve residir durante o processo por casos de violação dos Direitos Humanos e de corrupção. Coberto por uma capa de chuva escura, ele desceu do helicóptero da polícia peruana que o transportou da Base Aérea de Las Palmas, no distrito de Surco, e subiu em veículo blindado de cor escura. O processo contra Fujimori por casos de violação dos Direitos Humanos e de corrupção começará dentro de uma semana, informou a procuradora-geral do Peru, Adelaida Bolívar. Se as decisões da Justiça peruana forem emitidas depois de 28 de julho de 2008, quando Fujimori completa 70 anos, ele poderá cumprir uma eventual pena de prisão domiciliar, devido a idade avançada. A procuradoria peruana tentará agilizar ao máximo os trabalhos para que o processo seja concluído em menos de nove meses. O procurador Carlos Briceño, encarregado do caso Fujimori pela justiça peruana, disse na sexta-feira que o julgamento deve ser rápido, podendo durar entre três e quatro meses. A promotoria peruana pediu penas de até 10 anos para as acusações de corrupção e de até 30 anos para delitos de violação dos Direitos Humanos. Fujimori será julgado por uma sala especial da Corte Suprema que será presidida pelo magistrado César San Martín. A extradição encerra um longo capítulo do caso Fujimori, iniciado em janeiro de 2006 quando Lima apresentou a Santiago o pedido de extradição. Fujimori volta ao Peru quase sete anos depois de ter abandonado o país, ainda como presidente, em novembro de 2000. Ele renunciou ao cargo quando já estava em Tóquio, por fax, em meio a um escândalo de corrupção. A lista de acusações a Alberto Fujimori é a seguinte: 1) homicídio qualificado, lesões graves e desaparecimento forçado em Barrios Altos (1991), onde morreram 15 pessoas que participavam de uma festa; as acusações se repetem para outro grupo, da Universidade La Cantuta (1992), cujas vítimas foram um professor e nove alunos; estes crimes foram cometidos pelo grupo paramilitar Colina, comandado por Vladimiro Montesinos, então assessor presidencial de Fujimori; por estes crime Fujimori pode pegar pena mínima de 15 anos e máxima de 25; 2) homicídio qualificado, desaparecimento forçado e torturas praticadas nos porões do Serviço de Inteligência do Exército (SIE) por agentes do organismo, crimes denunciados desde 1997, com pena mínima de 15 anos e máxima de 25; 3) desvio de dinheiro público, atentado contra a fé pública e formação de quadrilha por pagar US$ 15 milhões (R$ 28 milhões) a Montesinos por seus dez anos de serviço ao governo de Fujimori; após receber o pagamento, o ex-assessor fugiu para o Panamá (pena de até oito anos); 4) formação de quadrilha e corrupção ativa por pagamentos a parlamentares de outros partidos para apoiarem a reeleição no ano 2000, como foi comprovado em uma série de vídeos gravados pelo próprio Montesinos (crime que guarda uma semelhança muito grande com o ocorrido recentemente em outra grande nação da América do Sul: este crime tem pena prevista de cinco anos): 5) ocultação de provas, usurpação de funções e abuso de autoridade por ordenar a invasão ilegal da residência de Montesinos para apreensão de vídeos e documentos incriminatórios (pena mínima de oito anos); 6) violação do segredo das comunicações, desvio de fundos públicos e formação de quadrilha por espionagem telefônica de dezenas de políticos, empresários, jornalistas e funcionários ordenado por Montesinos (pena de até cinco anos); 7) crime contra a administração pública, usurpação de funções e desvio de fundos públicos pela compra da linha editorial de diversos meios de comunicação (pena de até dez anos). Parece tudo muito familiar.

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