terça-feira, 21 de abril de 2015

PSDB decide apoiar terceirização de atividades-fim


O PSDB parece ter formado uma maioria em apoio ao projeto de lei que prevê a terceirização das atividades-fim, e não apenas das atividades-meio. Inicialmente, os tucanos endossaram a proposta. Mas, na semana passada, sob pressão dos sindicatos e temendo uma repercussão negativa, a bancada se dividiu: em uma consulta interna feita pelo líder Carlos Sampaio, o placar ficou empatado em 26 a 26. Agora, porém, uma maioria voltou a se formar a favor do projeto original. Um dos fatores que pesaram foi o apelo do presidente da sigla, Aécio Neves, pela união partidária. Agora, pelo menos 32 deputados defendem o projeto original. A votação das emendas deve acontecer nesta quarta-feira. O PT trabalha para limitar o alcance da medida. Ainda assim, a proposta original deve prevalecer. "O projeto deve ser aprovado com uma margem confortável", afirma o líder da oposição, Bruno Araújo (PSDB-PE). O PSDB não tem mesmo estatura para desempenhar o papel de oposição no Brasil. 

O que sobra para a petista Ideli Salvati? Um carguinho de adida na Embaixada do Brasil em Madrid


Desalojada da Secretaria de Direitos Humanos para dar lugar ao petista trotskista gaúcha Pepe Vargas, demitido via imprensa da Secretaria de Relações Institucionais, a também petista Ideli Salvatti está cada vez mais longe dos Correios - confirmada sua demissão do ministério, petistas fizeram circular a informação de que ela pudesse assumir a presidência da estatal. Não há, contudo, acordo dentro do partido que possibilite a transição: o atual presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, também é quadro da sigla. Ganha cada vez mais força dentro do PT a tese de que o destino de Ideli seja um cargo na embaixada brasileira em Madri. Ideli Salvati já foi uma das estrelas do PT, principalmente durante a CPI dos Correios, aquela do Mensalão do PT, onde reinou com suas gritarias como chefa da tropa de choque do PT. Agora está reduzida a isso, a um simples cargo de adida em Embaixada no Exterior. Ou seja, é o fim da linha.  

Alemanha começa o julgamento do "contador" do campo de concentração de Auschwitz


Começou nesta terça-feira na Alemanha o julgamento de Oskar Gröning, conhecido como o "contador de Auschwitz". Logo na fase das perguntas dos promotores, Gröning admitiu sua "responsabilidade moral" na morte de deportados no campo de extermínio e pediu perdão para suas famílias. O julgamento está acontecendo em Lüneburg, que fica no centro do país. "Para mim não há dúvida de que sou moralmente cúmplice", afirmou Gröning, de 93 anos, que é acusado de participação no assassinato de 300.000 pessoas mortas nas câmaras de gás de Auschwitz, em 1944. O réu também se declarou à disposição da Justiça. Gröning, que serviu no campo a partir de 1942, admitiu que desde sua chegada no local sabia que judeus eram mortos em câmaras de gás. O processo contra Gröning é considerado um dos últimos grandes julgamentos por crimes nazistas, em função da idade avançada dos envolvidos e das vítimas. Gröning chegou para a audiência caminhando com a ajuda de um andador e acompanhado por um de seus advogados. Entre as mais de 60 acusações particulares do caso, há sobreviventes do holocausto e também familiares de vítimas de Auschwitz. A promotoria sustenta que Gröning, encarregado de expropriar os pertences dos prisioneiros que chegavam a Auschwitz e de enviar o dinheiro tomado para a SS (Schutzstaffel, o esquadrão de elite nazista), em Berlim, contribuiu para dar apoio econômico ao regime e sua máquina de morte. A acusação contra Gröning remonta ao verão de 1944, quando durante a denominada "Operação Hungria" chegaram ao campo de concentração e extermínio 425.000 deportados desse país e pelo menos 300.000 foram executados nas câmaras de gás. O julgamento só é possível devido a uma nova interpretação da lei de genocídios. Após o término dos julgamentos de Auschwitz, em Frankfurt, em 1965, as cortes alemãs entenderam que apenas as pessoas que participaram diretamente de execuções nos campos de extermínio poderiam ser punidas. A interpretação da lei começou a sofrer alterações em 2007, quando Mounir al-Motassedeq recebeu uma pena de quinze anos de prisão de um tribunal de Hamburgo por sua participação acessória nos atentados do 11 de setembro. Motassedeq conhecia os terroristas que sequestraram os aviões e sabia dos planos de atacar os Estados Unidos, mas não fez nada para impedi-los. O precedente legal para a abertura de novos processos contra guardas nazistas ocorreu em 2011, quando o ucraniano John Demjanjuk foi condenado em Munique a cinco anos de prisão por cumplicidade na morte de mais de 29.000 judeus no campo nazista de Sobibor, onde serviu como voluntário. A ocasião marcou a primeira vez que um nazista foi punido sem que houvesse prova direta do seu envolvimento no extermínio de qualquer prisioneiro. Após o processo, o Escritório Central Investigador dos Crimes do Nazismo decidiu reabrir outros 30 casos. Para as cortes criminais alemãs, é passível de punição o fato de alguém ser conscientemente cúmplice de um genocídio, mesmo que lateralmente.

Empreiteiro delator diz que o bandido petista mensaleiro José Dirceu fez lobby por contrato na Petrobras


O executivo Julio Camargo, da Toyo Setal, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou em novo depoimento prestado no dia 8 de abril, que o ex-ministro da Casa Civil e bandido petista mensaleiro condenado José Dirceu interveio pela contratação da empresa junto ao ex-presidente da Petrobras, o também petista José Sérgio Gabrielli. O depoimento faz parte do material encaminhado pela Polícia Federal ontem ao Supremo Tribunal Federal relativo aos inquéritos que apuram envolvimento de políticos no esquema de corrupção e propina na estatal. Julio Camargo disse à Polícia Federal que conheceu o petista em uma festa de aniversário do ex-ministro, quando ele já tinha deixado a Casa Civil. O convite foi feito por um amigo em comum. Os dois tiveram mais de vinte encontros, segundo os relatos de Júlio Camargo, a maioria no escritório ou residência do bandido petista mensaleiro José Dirceu. Ou seja, a ex-mulher de José Dirceu, Evanise Santos, executiva do grupo Espírito Santo no Brasil, também deverá ter informações a prestar. No novo depoimento, Julio Camargo afirma que tinha meios de dar suporte financeiro à Petrobras, mas em contrapartida a estatal deveria celebrar contrato com um consórcio do qual a Toyo fazia parte. Diante da sinalização de mudança da Petrobras desse modelo de negócio, o executivo teria buscado ajuda de José Dirceu. O ex-ministro disse, segundo o relato de Camargo, "ter feito gestão junto a Gabrielli no sentido de entender por qual razão a Petrobras havia mudado a sistemática". Ele declara que doou valores ao PT, mas destaca que nunca ofereceu vantagens "devidas ou indevidas" a José Dirceu. O executivo lembra ter dado apenas um uísque e um vinho ao ex-ministro, o último como presente em um aniversário. Apesar disso, Júlio Camargo diz ter autorizado viagens de José Dirceu em seu avião em "várias oportunidades", mas não se lembra de o petista ter feito menção a ninguém da Petrobras nas viagens. Já o petista Sérgio Gabrielli disse não se lembrar de nenhuma discussão sobre modelo de contratação da Toyo. "Não tenho a menor idéia sobre o que se refere sua consulta. Não lembro de nenhuma discussão geral sobre modelo de contratação da Toyo e é muito difícil lembrar, sem maiores detalhes, especialmente sem relacionar qual projeto esta questão poderia estar associada. Quanto a conversas deste teor com José Dirceu tenho certeza que nunca tive", afirmou o ex-presidente da estatal. O advogado de José Dirceu nas investigações relativas à Lava Jato, Roberto Podval, afirmou que o depoimento de Júlio Camargo aponta que nenhum negócio foi firmado. Podval diz ainda "não ver ilicitude" no caso, uma vez que José Dirceu não estava mais no governo e possui empresa de consultoria. José Dirceu e o executivo da Toyo também conversaram sobre Venezuela, segundo o delator. A Toyo enfrentava problemas na execução de contratos no País e José Dirceu chegou a sinalizar que "conseguiria uma entrada" de Camargo com o presidente da PDVSA, estatal venezuelana responsável pela exploração de petróleo, de acordo com o depoimento. O executivo não teve autorização da Toyo para continuar com a negociação, conforme a delação. O executivo da Toyo relata ainda ter se encontrado com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em duas ocasiões. Os dois trataram sobre questões do setor portuário. Na época, estava em tramitação no Congresso a medida provisória conhecida como MP dos portos, que regulamentou o setor. Cunha teria perguntado a Camargo se haveria disponibilidade de a Toyo, por meio de banco japonês, conseguir financiamento para projetos de investimentos nos portos. O peemedebista teria prometido "fazer gestões" para a contratação da Toyo caso o financiamento fosse obtido. As conversas cessaram depois que Júlio Camargo afirmou que não conseguiria obter o financiamento. Cunha disse ter sido procurado por diversas pessoas na época da tramitação da MP dos Portos. Uma delas poderia ter sido Camargo, segundo o presidente da Câmara. Ele destaca que o executivo queria investir e a nova legislação previa investimentos privados em áreas externas dos portos. O depoimento de Julio Camargo foi uma das diligências solicitadas pela Procuradoria-Geral da República no inquérito que investiga o senador Edison Lobão (PMDB). O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse em delação premiada que recebeu do parlamentar a solicitação da entrega de 1 milhão de reais. O doleiro Alberto Youssef disse que já foi levar dinheiro para o Maranhão em razão de uma operação com Julio Camargo e que não sabe quem era o destinatário dos valores. No depoimento do início de abril, Julio Camargo negou ter dado a Youssef valores para pagamentos no Maranhão ou para pagamentos de interesse de políticos do Estado.

MINEIROS PROTESTAM NA ENTREGA DA MEDALHA DA INCONFIDÊNCIA, ATÉ STEDILE FOI MEDALHADO PELO PETISTA FERNANDO PIMENTEL


Manifestantes foram às ruas de Belo Horizonte e de Ouro Preto (MG) neste feriado de Tiradentes para protestar contra a escolha dos homenageados que receberam a Medalha da Inconfidência. A homenagem, principal honraria concedida pelo Estado de Minas Gerais, foi feita pelo governador Fernando Pimentel (PT), que entregou a medalha a 141 personalidades durante cerimônia na manhã desta terça em Ouro Preto. Fernando Pimentel é um ex-terrorista que tentou sequestrar o cônsul americano em Porto Alegre e se deu mal. Entre os homenageados estava o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, que recebeu o Grande Colar da Inconfidência. Em 2013, o homenageado foi o ex-presidente da corte, Joaquim Barbosa. Durante o julgamento do Mensalão do PT, Lewandowski e Barbosa protagonizaram troca de farpas públicas. Em diversas situações, Lewandowski tomou posições a favor dos réus do Mensalão enquanto Barbosa era contra. O protesto foi organizado nas redes sociais por grupos como Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre, Basta Brasil, Brava Gente Brasileira, Movimento Pró Brasil, Minas Sem PT, entre outros. Muitos professores, que estão em campanha salarial, engrossaram a manifestação. Levando uma faixa onde se lia "A Inconfidência é dos brasileiros e não do PT", os manifestantes chegaram ao evento logo cedo, dizendo que o objetivo era repudiar a decisão de dar a Medalha da Inconfidência a "apadrinhados do PT de reputação duvidosa". Nas redes sociais, o grupo Vem Pra Rua afirmou que "Tiradentes é um herói que não merece essa afronta". Alguns manifestantes batiam tampas de panela durante o discurso de Pimentel e Lewandowski. O governador chegou a dizer, ao iniciar seu discurso, que respeitava as vozes contrárias, mesmo que elas usem "palavras equivocadas". Além de Lewandowski também foi homenageado João Pedro Stédile, presidente do Movimento Sem -Terra. Em Belo Horizonte, o protesto começou na praça Tiradentes e seguiu em direção à praça Floriano Peixoto. O governo de Minas Gerais afirmou que os homenageados são escolhidos por um conselho formado por representantes de entidades civis, professores, pesquisadores, historiadores, juristas e representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, "com plena independência de atuação". "A definição dos homenageados, portanto, tem como critérios os relevantes serviços prestados ao Estado, dentro das respectivas áreas de atuação de cada agraciado", afirmou, por nota, a assessoria. Durante a solenidade para entrega da Medalha da Inconfidência, o governador petista citou a história de Tiradentes para defender a presunção de inocência de réus, e criticou "justiçamentos" feitos para saciar "sede de vingança". Em seu discurso, o ex-terrorista Pimentel afirmou que Tiradentes "foi punido pela conveniência de não se punir mais ninguém. Foi levado ao altar dos sacrifícios para saciar a sede de vingança dos poderosos da época". "Todo réu é inocente até que sejam esgotadas todas as possibilidades de defesa. Isso não é um mantra contra os desmandos. É sim, um limite contra os desmandos, como aquele que afligiu Tiradentes", disse. Não se sabe por que ele não falou logo o nome de seu companheiro Vaccari. Sem mencionar diretamente julgamentos da história recente, como o Mensalão, o governador afirmou: "Justiçamentos podem ser tudo, menos justiça. Justiçamentos podem saciar a voracidade do arbítrio, podem apetecer a gana das vaidades, mas jamais irão alimentar a fome de justiça". Sobre o ministro Lewandowski, o petista disse que ele "já se mostrou fiel a mais sublime e nobre missão de um magistrado: ter a coragem de ir contra os aparentes consensos, guiado apenas pela solitária e genuína convicção da inocência ou da culpa, mas sem se deixar intimidar pelos clamores de um, de outro, ou de qualquer lado".

O honorarioduto do PT

Depois dos 5,5 milhões de reais que Antonio Palocci recebeu do escritório de Márcio Thomaz Bastos, descobre-se agora que a cunhada do tesoureiro do PT, Marice Corrêa de Lima, recebeu 200 mil reais do escritório de outro advogado ligado ao partido, Luiz Eduardo Greenhalgh. O que se suspeita, em ambos os casos, é que tenha se tratado de pagamento de propina. É mais uma modalidade petista de repasse de dinheiro: o honorarioduto.

Vaccari pagou Vaccari que pagou Vaccari e Vaccari

A cunhada do tesoureiro do PT disse aos investigadores da Lava Jato que recebeu 200 mil reais do próprio tesoureiro do PT, através do advogado do partido, como ressarcimento por seu envolvimento no Mensalão. O tesoureiro do PT, portanto, pagou 200 mil reais à sua cunhada que, por sua vez, repassou 345 mil reais à sua filha e outros 320 mil reais à sua mulher. A história é perfeitamente verossímil.

A cunhada vai continuar na cadeia

O juiz Sergio Moro decidiu manter a cunhada do tesoureiro do PT presa por mais cinco dias. Em seu despacho, Sergio Moro argumentou que Marice Corrêa de Lima mentiu em depoimento à Polícia Federal sobre os depósitos que fez na conta da mulher de João Vaccari Neto, Giselda Rousie de Lima. Ele citou também os antecedentes da cunhada do tesoureiro: "Há registros de envolvimento em práticas ilícitas de Marice já no escândalo do mensalão". O Ministério Público Federal pediu a conversão de sua prisão de temporária em preventiva. O juiz Sergio Moro ordenou que ela seja ouvida novamente pela Polícia Federal e, terminado o prazo de cinco dias da nova prisão temporária, decidirá se atende ao pedido do Ministério Público Federal, encarcerando-a por tempo indeterminado.

A guerra suja da Polícia Federal - a KGB petista fugiu de controle e se tornou em uma central de chantagens políticas

O blog O Antagonista, dos jornalistas Mario Sabino e Diego Mainardi, publica uma sequência de notas mostrando o que aconteceu na Polícia Federal durante o regime petista, uma verdadeira balcanização de grupos internos que se empenham em operações ilegais para a obtenções de vantagens corporativas e outras. O regime petista prostituiu a Polícia Federal, exigindo dela serviços porcos, como a abertura de inquéritos e ações para enlamear as reputações de adversários, como foi o caso, no Rio Grande do Sul da ilegal Operação Rodin, ou da ilegalíssima Operação Satiagraha, e criou um monstro, porque parcela de seus quadros aprendeu a tirar proveito sujo disso. Diz a sequência de notas de O Antagonista: "A disputa entre a Procuradoria-Geral da República e os delegados da Polícia Federal, que resultou na suspensão temporária dos depoimentos dos políticos envolvidos na Operação Lava Jato, não é uma "guerra de vaidades", como escreveram jornalistas desinformados. Assim como tantos outros neste país infeliz, é um embate entre o certo e o errado; entre o honesto e o desonesto; entre o Bem e o Mal, se quisermos ser épicos. Quem primeiro soou o alerta foi o jornalista Claudio Tognolli, no seu blog. O Antagonista, que sempre esteve ao lado dos procuradores, leu com estupor o que Claudio Tognolli apurou e publicou. Não por desconfiança do jornalista - um excelente repórter investigativo -, mas porque queríamos tentar ir um pouco além na verdade horripilante, fomos ouvir nossas próprias fontes. Antes de mais nada, elas confirmaram o que Claudio Tognolli publicou: a) Os delegados federais da Lava Jato estão empenhados, muito além do que seria razoável, na aprovação de um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que dá autonomia funcional, administrativa e financeira à Polícia Federal. Uma vez aprovada a PEC, os delegados seriam os máximos dirigentes de um "Quarto Poder" na República, completamente independente da Justiça. b) Para a aprovação dessa PEC, o presidente da Associação dos Delegados de Polícia Federal, Marcos Leôncio, estava no gabinete do senador petista Humberto Costa, investigado pela Lava Jato, quando o ministro Teori Zavascki atendeu o pedido de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, para que os depoimentos dos políticos fossem suspensos. c) Marcos Leôncio também fez lobby com dois investigados pela Lava Jato: os deputados Eduardo Cunha, do PMDB, presidente da Câmara, e Arthur Lira, do PP, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, encarregada de levar adiante ou não a PEC que interessa aos delegados da Polícia Federal. Cunha e Lira também são investigados pela Lava Jato. O que foi prometido a esses políticos? O jornalista Claudio Tognolli publicou que os delegados federais da Lava Jato ofereceram ao senador petista Humberto Costa ouvi-lo sem a presença de procuradores e com perguntas entregues antecipadamente. Pois bem, O Antagonista apurou que a mesma maracutaia foi oferecida aos deputados Eduardo Cunha, do PMDB, e Arthur Lira, do PP. Diante dessas informações, Rodrigo Janot, acertadamente, pediu a suspensão temporária dos depoimentos. O jornalista Claudio Tognolli publicou que os delegados da Lava Jato seguraram as informações sobre o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, durante a campanha eleitoral. Em troca do silêncio, arrancaram de Dilma Rousseff a assinatura da medida provisória que lhes garante privilégios nas promoções de carreira, em detrimento dos agentes e peritos da própria corporação. Dilma Rousseff vendeu a idéia de que, assim, o seu governo fortalecia a Polícia Federal, mas na verdade ela foi chantageada. O Antagonista apurou que Dilma Rousseff não foi a primeira ocupante do Palácio do Planalto a sofrer achaque. Ao balcanizar a Polícia Federal desde o escândalo do Mensalão, o PT criou um monstro. E esse monstro perdeu o freio. De acordo com um dos relatos ouvidos pelo Antagonista, delegados federais têm em seu poder diálogos de Lula, obtidos por meio de escutas telefônicas, que mostram sem nenhuma sombra de dúvida o papel do ex-presidente no esquema do Mensalão. Delegados da Polícia Federal e representantes da associação que defende os interesses desse pessoal aproveitam-se da má fama de Rodrigo Janot, criada por jornalistas, para dizer que a interrupção dos depoimentos dos políticos da Lava Jato foi uma manobra do procurador-geral da República para atrapalhar as investigações. Que os delegados da Lava Jato que tentaram ouvir os políticos envolvidos, sem o conhecimento dos procuradores, queriam apenas acelerar o processo. Balela. O que Rodrigo Janot impediu foi que se replicasse na Lava Jato um modelo adotado sob o desgoverno do PT: o achaque sistemático de políticos, não importa o partido. O modelo pode ser resumido da seguinte forma, segundo as fontes do Antagonista: a prova aparece, negocia-se com o interessado, extrai-se a prova do inquérito, a prova é destruída. "A coisa atingiu tal ponto ao longo dos últimos anos, que foi criado na Polícia Federal um Departamento de Inquéritos Especiais, ao qual só alguns poucos têm acesso. Ali são guardados os inquéritos usados para achaque. O Departamento de Inquéritos Especiais é uma central do achaque", disse uma respeitada autoridade ao Antagonista. No final da década passada, a Polícia Federal adquiriu maletas que, se localizadas próximas do alvo a ser investigado, podem realizar interceptações telefônicas. Isso elimina a necessidade de fazer escutas ambientais ou solicitar a operadoras que grampeiem telefones. Agentes da Polícia Federal relatam que, oficialmente, cinco maletas foram importadas. No entanto, vieram mais duas "de brinde" - que nunca foram tombadas. Por quê? A Polícia Federal do Brasil conta com uma maioria de profissionais abnegados e honestos, entre os quais os agentes que atuam na Operação Lava Jato, fazendo o trabalho de campo. A série que termina aqui não tem como objetivo miná-la. Pelo contrário, deveria servir para fortalecê-la. Mas, como voltamos a ouvir algumas histórias já descritas por Romeu Tuma Jr., no seu "Assassinato de Reputações", a situação está longe de melhorar desde a publicação do livro, em 2013. Que a Polícia Federal extirpe dos seus quadros quem mancha a sua reputação, tirando vantagem do conturbado quadro político-institucional vivido pelo País".

Ex-presidente do Egito é condenado a 20 anos de prisão

O ex-presidente egípcio Mouhamed Mursi, destituído do cargo pelo Exército em 2013, foi condenado hoje (21), no Cairo, a 20 anos de prisão pela detenção e tortura de manifestantes durante seu mandato. Em 2012, Morsi foi absolvido da acusação de incitação à morte de dois manifestantes e de um jornalista durante um protesto em frente ao palácio presidencial. Outras 12 pessoas, entre elas, dirigentes da Irmandade Muçulmana, organização nazista islâmica mãe de todos os grupos terroristas islâmicos, e membros do governo do ex-presidente, foram condenadas também a 20 anos de prisão. Elas foram acusadas de uso de violência e prisão e tortura de manifestantes em dezembro de 2012. Dois outros acusados foram condenados a dez anos de prisão. A defesa de Mursi anunciou que vai recorrer da decisão judicial.

CAMINHONEIROS PODERÃO PARAR O BRASIL NOVAMENTE NESTA QUINTA-FEIRA

Os caminhoneiros vão parar novamente o Brasil neste dia 23 (quinta-feira) caso suas reivindicações não sejam atendidas pelo governo petista. Nesta terça-feira (21) terminou o prazo pedido pelo governo para um entendimento com o setor de cargas e conceder a principal exigência dos caminhoneiros - a tabela de custo que possa embasar um preço mínimo para o transporte de mercadorias. Os representantes da categoria alertam para o risco de paralisação geral, caso não seja fechado acordo com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, o trotskista petista gaúcho Miguel Rossetto, na reunião prevista para esta quarta-feira. Para o deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS), relator da comissão externa da Câmara que acompanha o movimento dos caminhoneiros, a situação econômica do País em relação ao transporte de cargas piorou nestas últimas semanas: "Se não houver resposta aos pedidos, eles vão parar no dia 23. Será um problema enorme para a economia do Brasil". Osmar Terra aponta que, com a diminuição da demanda de frete, a crise se tornou mais grave. A única coisa que salva é a safra de grãos, mantendo minimamente viável o transporte de cargas. Mas, em poucas semanas, também irá terminar. Então, a crise voltará com mais força, pois o governo, até agora, não tomou nenhuma medida concreta para ajudar a resolver as questões dos caminhoneiros e permitir que enfrentem suas dificuldades. Segundo o parlamentar, o governo já deveria ter anunciado a abertura do crédito especial de R$ 50 mil com juros de 2% ao ano destinado aos caminhoneiros autônomos. Medida que, segundo ele, daria “fôlego” para os trabalhadores pagarem as dívidas em um contexto econômico desfavorável, com o aumento do diesel e queda no preço dos fretes. Terra reclama que o caminhoneiro tem que pagar para andar, o frete não vale a viagem, o custo que tem não compensa sair de casa e o frete é baixo: " Precisamos de respostas que ajudem não só a enfrentar e melhorar as condições de frete, como a diminuir os custos dos caminhoneiros. Enquanto o governo não enfrentar as questões do óleo diesel, nem permitir um crédito especial para rolar suas dívidas, ou oficializar o prazo de carência dos empréstimos e não tiver o preço mínimo de frete, vamos ter muita dificuldade de convencer a categoria a continuar trabalhando como se nada estivesse acontecendo".

PSDB reage a Cunha e diz que vai recorrer ao plenário da Câmara por impeachment de Dilma

O PSDB reagiu à declaração feita pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sinalizando que rejeitará um eventual pedido de impeachment dos partidos de oposição com base nas "pedaladas fiscais", utilização de recursos de bancos públicos para inflar artificialmente os resultados fiscais e melhorar as contas da União. Os tucanos garantem que , se o pedido de impedimento for arquivado, recorrerão ao plenário da Casa. "Se houver um pedido de impeachment pelas irregularidades no Tribunal de Contas da União e o presidente da Câmara confirmar a posição monocrática de arquivá-lo, nós recorreremos ao plenário. Isso é legal, regimental e há precedentes", disse o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), líder da minoria na Câmara. Os tucanos devem receber nesta quarta-feira uma série de pareceres jurídicos que podem fundamentar um pedido de impeachment dos partidos de oposição ao Palácio do Planalto. "Essa interpretação (do Eduardo Cunha) não faz bem ao exercício da vida pública. Ela diz que o presidente pode fazer o que quiser se puder tomar posse em um segundo mandato, porque teria imunidade", diz o parlamentar. O tucano explica, ainda, que existem precedentes para essa decisão nos pedidos de impeachment assinados pelo PT contra Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1999. "Na época houve indeferimento do então presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Mas isso foi passível de recurso e levado ao plenário para apreciação. O plenário confirmou a decisão dele", pontua o tucano. O rito do impeachment, segundo o líder da minoria, começa com o acolhimento do pedido na Câmara. Em seguida é criada uma comissão. O parecer final é votado em plenário com quórum qualificado. Se aprovado, a presidente é afastada até que o Senado, presidido excepcionalmente pelo STF, proceda a decisão final.

Presidente do Lide diz que PT foge do debate

O presidente do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), o empresário João Dória Júnior, criticou duramente a ausência de deputados e senadores do PT no 14º Fórum de Comandatuba, que realizado no final de semana prolongado (18 a 21 de abril), com a presença de empresários e lideranças de vários segmentos, sobretudo política, como o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. "Convidei 13 senadores e 15 deputados do PT e ninguém apareceu, o PT fugiu do debate", disse Dória, antes de iniciar os debates da tarde da programação, onde políticos e empresários discutirão as medidas de combate à crise brasileira. "Este é um mau exemplo dado pelo PT, não aceito fujões, eles não representam a democracia brasileira", afirmou. Após a crítica, Dória pediu desculpas à platéia, mas não arredou das críticas. O presidente do Lide disse, ainda, que é filiado ao PSDB desde o ano de 2000, mas essa não era a razão das críticas. Ele disse esta não é a primeira vez que "o PT foge do debate" no evento promovido pelo Lide.

Ex-agente de Saddam teria sido responsável por avanço do Estado Islâmico no Síria

Um ex-agente de inteligência do então ditador iraquiano Saddam Hussein foi o autor intelectual do avanço do Estado Islâmico no norte da Síria, segundo uma reportagem publicada pela revista alemã Der Spiegel baseada em documentos aos quais obteve acesso. A publicação diz que revisou 31 páginas manuscritas com gráficos, cronogramas e listas sobre um anteprojeto para um califado na Síria, obra de um homem que a revista identificou como Samir Abd Muhammad al-Khlifawi, ex-coronel do serviço de inteligência da força de defesa aérea de Saddam. O agente operava com o apelido "Haji Bakr" e notícias indicam que ele morreu em janeiro do ano passado em confrontos com rebeldes sírios. A Der Spiegel afirmou que os documentos sugerem que a tomada do norte da Síria fazia parte de um plano meticuloso supervisionado por Haji Bakr usando técnicas - incluindo vigilância, espionagem, assassinato e sequestro - aperfeiçoadas no aparato de segurança de Saddam. A colaboração de Bakr na tomada de regiões na Síria fortaleceu a posição do Estado Islâmico no vizinho Iraque. "O que Bakr deixou no papel... era nada menos que um anteprojeto para uma captura (de território na Síria)", disse Christoph Reuter, autor da reportagem. "Não era um manifesto de fé, mas um plano tecnicamente detalhado para um 'Estado de Inteligência Islâmico', um califado dirigido por uma organização que evocava a Stasi", acrescentou, referindo-se à agência da Alemanha Oriental. Depois de 2003, quando os Estados Unidos desmantelaram o Exército iraquiano, Bakr ficou desempregado. Entre 2006 e 2008, o agente esteve em centros de detenção norte-americanos, incluindo a prisão de Abu Ghraib. Em 2010, Bakr e um grupo de ex-agentes de inteligência iraquianos converteram Abu Bakr al-Baghdadi no líder oficial do Estado Islâmico, com o objetivo de dar ao grupo uma "cara religiosa", segundo a reportagem da revista. Dois anos depois, Bakr viajou ao norte da Síria para supervisionar seu plano de captura de território, optando por lançar o projeto com um grupo de combatentes estrangeiros, entre eles militantes sauditas, tunisianos, chechenos e uzbeques.

Família britânica é presa sob suspeita de tentar se juntar ao Estado Islâmico

A polícia turca prendeu um casal britânico que desapareceu com quatro filhos sob suspeita de ter deixado a Inglaterra em direção a Síria, onde tentaria se juntar ao grupo Estado Islâmico. Asif Malik e Sara Kiran foram presos em um hotel em Ancara. Os quatro filhos também foram levados sob custódia. A família deverá ser deportada. As crianças tinham entre 12 meses e 7 anos de idade. No domingo, a polícia britânica e a família de Malik fizeram um apelo para obter informações sobre o grupo que deixou a Inglaterra no início de abril. A família disse que eles haviam deixado o Reino Unido sem qualquer aviso prévio. A polícia britânica disse que Malik tinha manifestado interesse em viver em um país muçulmano. As autoridades britânicas tinham dito que não havia nenhuma indicação de que a família estava lutando na Síria e não ficou claro se eles eram favoráveis ao grupo Estado Islâmico ou o presidente sírio, Bashar al-Assad. Mas o oficial turco disse que as autoridades acreditam que a família estava procurando ir ao território controlado pelo Estado Islâmico.

Senadores vão pressionar Gilmar Mendes para julgar financiamento de campanha

Um grupo de senadores vai começar a pressionar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes para que ele libere a ação sobre financiamento de campanha, a fim de que a Corte possa concluir o julgamento sobre a questão. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pediu uma audiência com o ministro no próximo dia 29 para conversar sobre o assunto. Outros senadores, como Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), devem acompanhá-lo. A discussão sobre a proibição de doações empresariais para candidatos foi suspensa há mais de um ano por um pedido de vista de Mendes. Até agora, 6 ministros votaram a favor da medida e 1 contra. Ainda faltam os votos de quatro magistrados. Segundo Cristovam, em nenhum momento o grupo vai tentar interferir na decisão de Gilmar Mendes, apenas pedir para que ele dê o seu voto para que os demais ministros possam deliberar sobre o assunto. "Nós vamos fazer um apelo para que ele dê a posição dele, qualquer que ela seja. A gente acredita que vai ser bom para o meio político se esse processo avançar", afirmou. Mendes tem declarado que o modelo de financiamento de campanha é um tema que tem de ser discutido pelo Congresso e não pelo Supremo. Ele também costuma defender que a mudança no sistema não seria a solução para acabar com a corrupção, tese que costuma ser defendida por quem é favorável ao fim das doações eleitorais por empresas. O ministro Gilmar Mendes poderia dizer que os parlamentares façam seu trabalho, que é o de legislar, em vez de ficar esperando que o Supremo crie lei artificialmente.

Investigação de governadores na Lava Jato deve durar até seis meses

Na avaliação da vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, a procuradoria decidirá em até seis meses pelo arquivamento ou pela abertura de ação penal contra os governadores do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB) e do Acre, Tião Viana (PT), investigados no Superior Tribunal de Justiça por envolvimento na Operação Lava Jato. "Eu acho que mais de seis meses é demais. Nesse horizonte de seis meses haverá uma manifestação de mérito", disse a vice-procuradora. Em meados de março, a vice-procuradora, que é a responsável pela condução das investigações de autoridades no STJ, pediu abertura de dois inquéritos para investigar o suposto envolvimento de Pezão e Viana no esquema de corrupção da Petrobras, além de suspeitas contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e o ex-secretário de Cabral, Regis Fichtner. O governador do Acre é investigado pelo suposto recebimento de R$ 300 mil em propina da Petrobras como auxílio para campanha ao governo do Estado. Segundo a procuradoria, a solicitação do dinheiro foi feita ao doleiro Alberto Youssef e autorizada pelo ex-diretor da Petrobras. Paulo Roberto Costa. Já Pezão é investigado no mesmo inquérito em que Cabral e Fichtner, ex-chefe da Casa Civil do Rio de Janeiro, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a Procuradoria Geral da República, Cabral e Pezão agiram juntos, com a contribuição de Fichtner, para receber R$ 30 milhões de empresas contratadas pela Petrobras para a construção do Comperj. O dinheiro teria sido destinado para a campanha de Cabral e Pezão aos cargos de governador e vice, respectivamente, do Estado do Rio de Janeiro, em 2010. Sobre o andamento das investigações, Ela Wiecko explicou que os governadores já apresentaram esclarecimentos por escrito, como foi pedido pela Procuradoria Geral da República, mas não descarta a possibilidade de que eles prestem novos esclarecimentos por meio de oitiva. A vice-procuradora disse ainda que encaminhará esta semana novos pedidos de diligências ao ministro Luis Felipe Salomão, relator da Lava Jato no STJ, mas não detalhou quais são.

CPI da Petrobras ouvirá o primeiro empreiteiro na próxima quinta-feira

Pela primeira vez desde o início dos trabalhos, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras ouvirá nesta semana o depoimento de um empreiteiro envolvido na Operação Lava Jato. Após uma série de oitivas com ex-dirigentes e atuais representantes da estatal, Augusto Mendonça Neto, da Toyo Setal, deve ser pressionado na próxima quinta-feira, 23, por membros da CPI a fazer novas revelações. A expectativa é que Mendonça Neto, que fez delação premiada à Justiça Federal, confirme que a empresa repassou recursos - que seriam fruto de propina - em forma de doações ao PT. "Como ele já fez a delação, a gente acredita que ele vá responder a maioria das indagações e talvez até acrescente novas coisas", aposta o vice-presidente da CPI, Antonio Imbassahy (PSDB-BA). Os deputados sabem que Mendonça terá o cuidado de não falar nada que comprometa o conteúdo da delação premiada e esperam um longo depoimento. O primeiro executivo a ser convocado pela comissão foi Julio Faerman, da SBM Offshore, mas ele não foi localizado até o momento. Mendonça Neto seria ouvido no dia 14 deste mês, mas pediu o adiamento do depoimento em virtude de outras audiências marcadas para a mesma data. O executivo da Toyo Setal deve ser acompanhado pela advogada Beatriz Catta Preta. Estão no radar da CPI o ex-presidente da Camargo Corrêa, Antonio Carlos Miguel, e o atual diretor de óleo e gás da empresa, Paulo Augusto Santos Silva. A deputada Eliziane Gama (PPS-MA) informou que vai sugerir a convocação dos executivos que teriam participado do pagamento de propina. "As delações feitas por Dalton Avancini e de Eduardo Leite, pessoas da alta cúpula da Camargo Corrêa, evidenciam a complexidade do envolvimento das empreiteiras nesse negócio sujo que assaltou os cofres da Petrobras. A CPI tem o dever de investigar todos aqueles que forem citados e considerados suspeitos", declarou a parlamentar por meio de nota à imprensa. Na sexta-feira, 24, oito parlamentares se deslocarão até Curitiba, onde está prevista uma reunião de trabalho com o juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, para tratar do compartilhamento das informações sobre as investigações em curso. Deve participar do encontro o secretário de Segurança do Paraná, Fernando Francischini, responsável pela viabilização da oitiva dos convocados pela CPI que estão presos no sistema carcerário do Estado. Em ofício encaminhado na segunda-feira à comissão, Moro pede que os depoimentos dos investigados aos parlamentares não coincidam com as datas das audiências na Justiça Federal. O magistrado explica ainda que não será possível imprimir cópias dos investigações ou encaminhar os documentos via arquivo de mídia devido ao grande volume de páginas dos inquéritos. Ele sugere o cadastro de dois ou três funcionários designados pela CPI para que o acesso às informações seja feito via internet, como já aconteceu anteriormente em outras comissões de investigação.

Dívida da Petrobrás com os bancos públicos deve chegar a R$ 79 bilhões

Com a nova rodada de empréstimos anunciados na última sexta-feira, os recursos de bancos públicos comprometidos com a Petrobrás poderá chegar a R$ 79 bilhões. Segundo estimativa da agência de classificação de risco Moody’s, esse valor encerrou 2014 em US$ 27 bilhões, ou R$ 72,5 bilhões pelo câmbio da época. O total subirá com os R$ 6,5 bilhões conseguidos pela estatal com Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O Bradesco emprestou outros R$ 3 bilhões, como a Petrobrás informou no final da semana passada, após a Bolsa fechar. O montante comprometido considera o valor de exposição – o quanto um banco ainda tem a receber de um cliente, ou seja, o valor total contratado no financiamento, descontando o que já foi pago. Esse indicador é o que importa para a saúde financeira dos bancos e o risco de perdas com inadimplência. Em novembro, a consultoria Pricewaterhouse Coopers recusou-se a auditar o balanço financeiro do terceiro trimestre de 2014 da Petrobrás e, desde então, a companhia não tem dados auditados. Mesmo com os atrasos no balanço, os bancos toparam assumir o risco dos empréstimos à estatal. Para João Augusto Salles, analista especializado no setor bancário da consultoria Lopes Filho, “causa estranheza” no mercado os empréstimos serem aprovados antes da divulgação do balanço da Petrobrás – a companhia prometeu apresentar nesta quarta-feira, 22, os dados de 2014 com aval de auditoria independente. “Foi uma decisão política”, comentou Salles, para quem os bancos poderiam ter esperado para aprovar os financiamentos após a divulgação do balanço, principal fonte de dados para os bancos analisarem riscos e decidirem emprestar. “A coisa deveria ser feita de forma mais técnica”, completou. Uma fonte ligada aos bancos públicos informou que pelo menos uma das operações estava em negociação “há meses”. “Esse tipo de negociação sempre começa três ou quatro meses antes, com uma série de bancos concorrendo”, disse, destacando que coube à Petrobrás divulgar os novos empréstimos antes da apresentação do balanço. Do ponto de vista do risco de crédito, segundo Salles, a possibilidade de um calote não é o maior problema de emprestar para a Petrobrás. Apesar das dificuldades (por causa da Operação Lava Jato, da queda na cotação internacional do petróleo e da alta do dólar), a estatal é boa geradora de caixa e, em último caso, antes de dar calote, pode ser socorrida pelo Tesouro Nacional. Outro analista especializado no setor bancário concorda com a análise. Ele destacou, por sua vez, que os técnicos dos bancos recebem balancetes mensais dos clientes que pedem crédito e, por isso, têm informações mais atualizadas do que os balanços trimestrais, olhados pelos analistas de mercado que avaliam as companhias para recomendar – ou não – o investimento em ações. Cruzando estimativas da Moody’s e de analistas do banco UBS, os R$ 72,5 bilhões comprometidos com a Petrobrás pelos bancos públicos seriam divididos em R$ 41,7 bilhões do BNDES, R$ 19,5 bilhões do Banco do Brasil e R$ 11,3 bilhões da Caixa Econômica Federal. Com os empréstimos de sexta-feira, os valores subiriam para R$ 24 bilhões (BB) e R$ 13,3 bilhões (Caixa).

Exposição do Bradesco à Petrobrás pode alcançar R$ 12 bilhões

Em relatório divulgado no início do mês passado, a agência de risco Moody’s já considerava que os bancos públicos poderiam socorrer a Petrobrás. A exposição do Bradesco à estatal também chamou a atenção. O valor poderá chegar a R$ 12 bilhões com o novo financiamento. Em um relatório, em fevereiro, o banco UBS estimou (com base em dados de dezembro) que 2% do total de empréstimos em carteira do Bradesco estavam comprometidos com a Petrobrás. Pela carteira de crédito expandida, isso dá R$ 9,1 bilhões, além dos R$ 3 bilhões contratados na sexta-feira.

China empresta mais de US$ 5 bilhões para o governo de Maduro

Em um aparente alívio para os cofres públicos da Venezuela, a China emprestou mais US$ 5 bilhões ao governo do ditador bolivariano Nicolás Maduro. O empréstimo, anunciado na noite de domingo (19) por Maduro, é parte de um acordo pelo qual Caracas reembolsa suas dívidas despachando petróleo para a China, que carece dos recursos naturais para sustentar sua economia. Pequim já emprestou US$ 47 bilhões a Caracas no âmbito deste pacto, firmado em 2007 sob o governo do então ditador Hugo Chávez. Ou seja, a Venezuela bolivariana regrediu ao tempo do escambo, se mantém pelo escambo. O empréstimo adicional surge no momento em que a Venezuela se tornou um dos países mais afetados pela queda dos preços petroleiros, causada por uma oferta abundante no mercado. O barril venezuelano fechou a semana passada em US$ 50,00 contra US$ 90,00 em setembro – e US$ 98,00 em 2013. Este cenário é desastroso para um país onde o petróleo responde por nove de cada dez dólares arrecadados e que precisa destes mesmos dólares para importar quase tudo o que consome. Antes mesmo da degringolada petroleira, as reservas cambiais da Venezuela já haviam baixado para menos de US$ 20 bilhões devido a políticas de governo que incluem fartos subsídios e gastos sociais. Na segunda-feira (20), a chanceler venezuelana, Delcy Rodriguez, chegou ao Irã, outro país afetado pela queda dos preços petroleiros, em busca de uma estratégia comum para "estabilizar o mercado".

Levy afirma que irá concentrar esforços para reduzir desoneração

De olho no ajuste fiscal, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que vai concentrar esforços para aprovar o projeto de lei que reduz a desoneração da folha de pagamento. "Estamos focados em conseguir avançar na questão de reverter a desoneração da folha, porque ela não tem se mostrado tão efetiva", disse ele na tarde de segunda-feira (20), em Nova York. "É bem importante estarmos focados nisso para encontrar uma solução rapidamente", afirmou. De acordo com Levy, aos poucos, a compreensão das empresas sobre a medida tem aumentado. O governo tem enfrentado resistência para aprovar o projeto de lei em questão, que eleva em até 150% as alíquotas da contribuição previdenciária paga pelas empresas que são beneficiadas pela desoneração – criada em 2011 e expandida para 56 setores de forma permanente no ano passado. O ministro comentou ainda o esforço do Banco Central para que a inflação convirja para o centro da meta, de 4,5%, em 2016. "Esse é um objetivo que a gente tem que perseguir muito. Isso é muito importante, muda a percepção dos agentes econômicos, das pessoas, sobre a capacidade do Brasil ter crescimento com inflação mais baixa", disse. De acordo com o Levy, o mercado começa a ver que é possível ter uma inflação "perto da meta" em 2016. Ele lembrou que o boletim Focus, do Banco Central, aponta para uma expectativa de inflação de "5 e pouco" no ano que vem. O boletim mais recente, divulgado na segunda-feira, aponta inflação de 5,6% em 2016. "Eu acho que a gente pode fazer melhor do que isso, tem que continuar perseverando, completar o ajuste fiscal no Congresso, enfim, fazer todas aquelas etapas para que o Brasil volte a crescer", afirmou. Levy participou de encontro com investidores e de um almoço da sede do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) em Nova York. Ele lembrou que a presidente Dilma Rousseff visitará os Estados Unidos em junho, em visita de trabalho a Washington. "A presidente está vindo para os EUA e ela está querendo uma aproximação com o setor econômico. E todos nós temos que participar desse trabalho", disse. O ministro citou o trabalho do ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, na facilitação do comércio –"uma área muito importante para nós", afirmou – e da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, para melhorar o reconhecimento da qualidade da produção agropecuária brasileira. "É um trabalho conjunto, para a gente conquistar mercado, ser mais competitivo, e, inclusive, nos aproximarmos mais dos Estados Unidos, que são um grande parceiro do Brasil", disse.

Adidas usará lixo plástico marítimo em produtos a partir de 2016

A companhia alemã de artigos esportivos Adidas está se juntando a um grupo que tenta limpar os oceanos do planeta com um plano para desenvolver materiais a partir de lixo plástico marítimo que podem ser usados em seus produtos. Como resultado de sua parceria com a iniciativa "Parley for the Oceans", a Adidas anunciou também nesta segunda-feira que irá descontinuar gradativamente o uso de sacolas plásticas em suas 2.900 lojas. Grandes marcas de moda estão competindo para destacar suas credenciais éticas enquanto organizações como o Greenpeace as pressionam para que cortem seus impactos ambientais e melhorem as condições em fábricas. A varejista sueca H&M, por exemplo, prometeu triplicar a quantidade de produtos fabricados a partir de fibras recicladas até o final de 2015. Plásticos usados na indústria de bens de consumo causam poluição marinha com um "custo de capital natural", uma medida de danos ambientais, de ao menos US$ 13 bilhões por ano, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio-Ambiente (Pnuma). A Adidas disse que trabalhará com a Parley para desenvolver fibras feitas a partir de lixo marítimo reciclado para usar em suas roupas, e potencialmente em partes de calçados, a partir do ano que vem. A varejista holandesa G-STAR Raw trabalhou com a Parley no ano passado para lançar uma linha de jeans feita a partir de lixo plástico.

Promotor desiste de apelar e denúncia de Nisman deve ser encerrada

Três meses após o promotor Alberto Nisman aparecer morto em seu apartamento, em um caso ainda sem solução, a denúncia em que ele trabalhava foi praticamente encerrada. Nisman morreu poucos dias depois de denunciar a presidente Cristina Kirchner e seus aliados de protegerem os responsáveis iranianos pelo atentado à entidade judaica Amia, em 1994, em Buenos Aires. Na ocasião, 85 pessoas morreram. A denúncia do promotor foi rejeitada por duas vezes na Justiça e seria levada à Câmara Federal de Cassação Penal, uma espécie de terceira instância da Justiça argentina. Mas o promotor responsável pela apelação, Javier De Luca, desistiu de apelar, alegando que não foi comprovado crime e, portanto, não haveria possibilidade de manter a denúncia. Nisman baseava a sua denúncia em um memorando de entendimentos assinado por Irã e Argentina em 2013. Oficialmente, o governo alega que o objetivo do acordo era tentar interrogar os suspeitos iranianos. Mas Nisman acusava o governo argentino de tentar livrar os suspeitos em troca de vantagens comerciais. Segundo o promotor morto, Cristina teria comandado uma negociação que previa a retirada dos alertas vermelhos da Interpol sobre os suspeitos. Cinco deles são altas autoridades do governo de Teerã. Em seu despacho, o promotor afirma que a assinatura do memorando de entendimentos com o Irã, por si só, não é crime. Além disso, o acordo recebeu o respaldo do Congresso argentino, que aprovou a negociação. O promotor argumentou ainda que os alertas vermelhos também não foram retirados, como informou a própria Interpol, o que esvazia a hipótese de crime. "Nós, promotores, temos o dever de implementar ações que conduzam à manutenção de uma ação penal e não a sua extinção. Mas está claro que a razão de manter essa ação deve ser penal, ou seja, deve nascer de um delito", escreveu De Luca. Por falta de delito claro, não é possível seguir com um processo judicial, continuou o promotor, que fez uma comparação incomum. "Quando se recebe uma denúncia do tipo 'estão traficando drogas na casa ao lado' ou 'fulano matou beltrano' ou ainda de um roubo de uma bolsa, devemos investigá-las por que são delitos. Mas se a denúncia consiste em provar se fulano era infiel porque tem uma amante, essa investigação é vedada porque o adultério não é mais delito na Argentina", justificou. De Luca faz parte de um grupo de promotores e juízes simpáticos ao governo chamado de "Justiça Legítima" e, para críticos do governo, só assumiu o caso devido a uma manobra no trâmite do processo dentro dos tribunais. Seu antecessor, Germán Moldes, participou da marcha dos promotores em 18 de fevereiro contra a morte de Nisman e defendia a investigação. De Luca, por sua vez, criticou publicamente os colegas que protestaram. Assim que ele foi nomeado para o caso, na semana passada, a imprensa argentina passou a especular que ele não levaria a causa adiante. Se os juízes da Câmara Federal de Cassação Penal endossarem o despacho do promotor, o que está sendo considerado o cenário provável, a denúncia de Nisman deverá ser encerrada.

Dilma sanciona aumento do fundo partidário para R$ 868 milhões

A presidente Dilma Rousseff sancionou o Orçamento Geral da União de 2015 sem vetar a proposta que triplicou os recursos destinados ao fundo partidário, uma das principais fontes de receita dos partidos políticos, hoje com dificuldades de financiamento por causa da Operação Lava Jato. Em seu projeto original, o governo destinava R$ 289,5 milhões para o fundo, mas o valor foi elevado para R$ 867,5 milhões pelo relator do Orçamento no Congresso, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Em um momento de ajuste fiscal para reequilibrar as contas públicas, o caminho natural seria o veto da proposta. Mas politicamente a recomendação foi de manter o novo valor para não desagradar a base aliada da presidente no Congresso. Além disso, tecnicamente só era possível vetar toda verba destinada ao fundo, e não apenas o montante extra. Segundo um assessor, isso iria gerar uma "guerra" com a base aliada e comprometeria a votação do ajuste fiscal. Os presidentes dos partidos governistas chegaram a enviar uma carta a Dilma solicitando a sanção da verba. Todos trabalham com a redução de doações de empresas privadas após a Operação Lava Jato. Empreiteiras já informaram a dirigentes partidários que não devem doar recursos na eleição municipal do próximo ano. Autor da emenda, Jucá justifica a medida como uma "necessidade dos partidos" e "início da discussão do financiamento público das campanhas". Se o financiamento eleitoral for exclusivamente público, como defende o PT (sem apoio do PMDB), seriam necessários de R$ 5 bilhões a R$ 7 bilhões para bancar as campanhas, diz Jucá. O fundo partidário é usado para custear gastos dos partidos. Cada sigla define como utilizará o dinheiro. Muitas aplicam em campanhas, somado a doações privadas. Agora, após a sanção do Orçamento Geral da União, que será enviada ao Congresso nesta quarta (22), Dilma vai definir com sua equipe econômica o tamanho do bloqueio de verbas para garantir o cumprimento da meta de superávit primário de 2015. Provisoriamente, o governo editará um decreto mantendo o corte temporário de 33% das verbas de cada ministério, que ficará em vigor até a definição final, que deve ocorrer em maio. Um assessor da presidente diz que o corte será "forte" e "expressivo" para reequilibrar as contas públicas e ajudar o Banco Central no combate à inflação, permitindo, inclusive, que os juros comecem a cair ainda neste ano. A equipe do ministro Joaquim Levy (Fazenda) defende um corte na casa de R$ 80 bilhões para atingir a economia de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto) para pagamento de juros da dívida pública neste ano. Outra ala do governo defende um valor menor, na casa de R$ 70 bilhões. Ministros políticos querem um bloqueio ainda menor, de R$ 60 bilhões, sob o argumento de que um contingenciamento de R$ 80 bilhões levaria a uma paralisia do governo.

Justiça nega habeas corpus e Vaccari continuará preso

O desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, negou na noite de segunda-feira (20) o pedido de liberdade do tesoureiro afastado do PT, João Vaccari Neto. O magistrado considerou que, além das delações premiadas, existem "indícios de autoria e materialidade" que reforçam as suspeitas de que o dirigente petista cometeu crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Vaccari foi preso na última quarta-feira (15). Um dos indícios mais fortes contra ele foi um conjunto de pagamentos feitos por empresas controladas pelo executivo Augusto Ribeiro Mendonça Neto, da Setal Óleo e Gás, para a Editora Gráfica Atitude, controlada pelos sindicatos dos Bancários e dos Metalúrgicos do ABC, de R$ 1,5 milhão entre 2010 e 2013. Mendonça afirmou que as transferências foram feitas a pedido de Vaccari e os valores foram descontados da propina que deveria ser destinada ao PT por contratos da empreiteira com a diretoria de Serviços da Petrobras. "No que se refere à Gráfica Atitude, por exemplo, sem prejuízo de que da instrução processual se conclua em sentido contrário, vale referir que tem se revelado comum a utilização de contratos simulados de consultoria como forma de dar aparência de legalidade aos valores subtraídos dos cofres da Petrobrás na forma de contratos superfaturados e cartelizados", escreveu Gebran Neto, em seu despacho. O desembargador também mencionou a planilha encontrada no escritório do doleiro Alberto Youssef, pivô do Petrolão, que aponta duas entregas de dinheiro vivo em um endereço em São Paulo, onde reside Marice Correa Lima, cunhada de Vaccari, e os indícios de enriquecimento ilícito da filha e da mulher do ex-tesoureiro.

Agência de publicidade sob suspeita recebeu R$ 1 bilhão

A agência de publicidade Borghi Lowe, que fez pagamentos para empresas ligadas ao ex-deputado federal André Vargas (ex-PT-PR), recebeu R$ 1,07 bilhão, em valores não corrigidos pela inflação, da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Saúde entre 2008 e 2015. O BNDES confirmou que a Borghi Lowe também é, desde o dia 30 de dezembro do ano passado, uma das três agências detentoras da conta de publicidade da instituição. O valor total anual dos três contratos, segundo o banco, é de R$ 110 milhões. Até a semana passada, no entanto, o BNDES não havia efetuado "nenhum pagamento à referida agência". A Caixa Econômica Federal informou ter repassado R$ 713 milhões para a Borghi Lowe em virtude do primeiro contrato fechado com a agência, que durou de agosto de 2008 a abril de 2013; e outros R$ 236 milhões referentes ao segundo contrato, fechado em 2013 e ainda em vigência. No primeiro momento, a Borghi Lowe dividiu o trabalho de atender a Caixa com a as agências Fischer&Friends e a Nova SB. O segundo contrato é dividido com Artplan, Heads e Nova SB. No Ministério da Saúde, o contrato com a Borghi Lowe foi assinado no último dia do segundo mandato do ex-presidente Lula X9, em 31 de dezembro de 2010. Nesse caso, os gastos com publicidade associados à agência somam cerca de R$ 120 milhões. Além da Borghi, a pasta trabalha com outras três agências de publicidade: Propeg, Calia e Agnelo Pacheco. A Borghi Lowe surgiu nos autos da Operação Lava Jato durante a 11ª fase da apuração, denominada "A Origem", desencadeada em 10 de abril. Segundo a força-tarefa da investigação, o publicitário Ricardo Hoffmann – um contratado da agência que exerceu o papel de coordenador dos serviços da Borghi Lowe nos contratos da Caixa e do Ministério da Saúde – autorizou pagamentos para empresas de André Vargas e de sua família. O dinheiro foi repassado por cinco empresas subcontratadas pela Borghi Lowe nos dois contratos. Em depoimento prestado à Polícia Federal, Ricardo Hoffmann afirmou que a cúpula diretiva da agência Borghi Lowe participou dos entendimentos pela "parceria" com André Vargas.

Em carta a amigos, o "porquinho" petista Palocci diz que investem novamente contra sua honra

O ex-ministro e "porquinho" petista Antonio Palocci enviou na segunda-feira (20) uma carta por e-mail a amigos para explicar consultorias prestadas por sua empresa, a Projeto, com três grandes grupos empresariais: Pão de Açucar, JBS e Caoa. O texto é uma resposta a reportagem da revista "Época" divulgada no final de semana. Na carta, ele diz que, ''novamente'', um órgão de imprensa ''investe de maneira sensacionalista e espetaculosa contra a minha honra''. Segundo a "Época", documentos da firma de consultoria do petista, a Projeto, revelam que seu enriquecimento coincidiu com o momento em que ele assumiu a coordenação da campanha de Dilma. Alvo da Operação Lava Jato, o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil) teria recebido naquele ano, quando coordenou a primeira campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT), ao menos R$ 12 milhões de 30 empresas. A revista teve acesso à listagem das 30 empresas que teriam feito pagamentos a Palocci, parte de uma investigação sigilosa conduzida pelo Ministério Público Federal. Uma delas foi o grupo Pão de Açúcar, que pagou R$ 5,5 milhões a Palocci em 2010. O primeiro repasse, de R$ 1 milhão, foi feito pelo escritório do ex-ministro da Justiça no governo Lula, Márcio Thomaz Bastos, morto em 2014. Segundo Palocci, ''foram prestados serviços técnicos de acompanhamento da aquisição de Casas Bahia, pelo acima nominado conglomerado varejista, trabalho este executado em parceria com o Escritório de Advocacia Márcio Thomaz Bastos''. A carta diz ainda que a contratação já foi objeto de investigação e obteve do juiz federal de Brasília o arquivamento. O Ministério Público investiga ainda pagamentos recebidos pelo ex-ministro do frigorífico JBS e da concessionária Caoa, que somaram R$ 6,5 milhões. Segundo a revista, a suspeita do Ministério Público Federal é que o serviço de Palocci não foi entregue e o JBS recebeu um empréstimo do BNDES que facilitou a empresa a buscar negócios no mercado de frangos nos EUA. O ex-ministro da Casa Civil nega qualquer relação de seu trabalho com o financiamento do BNDES para a JBS. Sobre a Caoa, ele diz ter feito um serviço técnico e que, se após quatro anos, ''algumas montadoras vieram a obter prorrogação de regime tributário diferenciado do Congresso Nacional'', não há relação com sua contratação. É curioso o "porquinho" petista Antonio Palocci falar em honra, já que ele não pensou nisso quando coordenou operação para estuprar a conta bancária do caseiro Francenildo Santos na Caixa Econômica Federal quando ocupava o Ministério da Fazenda no governo de Lula X9.

Cristina Kirchner relaciona denúncia de Nisman com campanha israelense contra o Irã

A presidente peronista populista Cristina Kirchner publicou em uma rede social comentários em que relaciona a denúncia do promotor Alberto Nisman, morto há três meses, com uma suposta campanha global israelense contra o Irã. Antes de aparecer morto, Nisman denunciou a presidente, o chanceler Héctor Timerman e aliados de tentarem encobrir suspeitos iranianos responsáveis pelo atentado à entidade judaica Amia, em Buenos Aires, em 1994, no qual 85 pessoas morreram. O ponto de partida da investigação de Nisman era um memorando de entendimento assinado entre Argentina e Irã, em 2013. Na versão do governo, o acordo com o Irã permitiria interrogar os suspeitos iranianos – cinco deles são altos funcionários do governo de Teerã. Mas Nisman suspeitava que, por trás desse acordo, haveria interesses econômicos. Em sua denúncia, ele afirmou que a Argentina queria vender grãos e comprar petróleo mais barato do Irã. Com o título de "Tudo tem a ver com tudo", o artigo de Cristina Kirchner afirma que, assim como tenta derrubar o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã no Congresso americano, Israel também teria patrocinado o rechaço ao memorando da Argentina com o Irã. "Qualquer semelhança não é mera coincidência. Estamos diante de um modus operandi de caráter global, que não apenas fere seriamente as soberanias nacionais, interferindo no funcionamento dos distintos poderes dos Estados, mas gera operações políticas internacionais de qualquer tipo", afirma Cristina Kirchner. "Tudo tem a ver com a geopolítica e com o poder internacional. Algumas vezes, seus efeitos podem ser globais sobre a paz, como por exemplo impedir o acordo entre EUA e Irã, ou colaterais, como impossibilitar acordos que contribuam para que, depois de 21 anos, se possa haver verdade e justiça para as vítimas da Amia", diz. Os comentários de Cristina Kirchner se basearam em um artigo do jornal "Página 12", publicação simpática ao governo, assinado por Jorge Elbaum, que foi integrante da entidade judaica Daia e hoje trabalha para os ministérios da Economia e de Relações Exteriores. No texto, Elbaum cita um suposto encontro de Nisman com líderes da comunidade judaica em que teriam combinado reforçar os ataques ao memorando de Argentina e Irã. Segundo Elbaum, nessa ocasião, Nisman teria dito que "se fosse necessário, Paul Singer iria ajudar". Singer é o principal controlador do fundo NML Capital, líder dos chamados "abutres", que cobram na Justiça americana uma dívida de US$ 1,7 bilhão do governo argentino. O artigo do hoje funcionário de Cristina Kirchner afirma que Singer também financiou políticos americanos do Partido Republicano que fizeram críticas à Argentina. O memorando de entendimento nunca foi ratificado pelo governo do Irã e sua constitucionalidade está em discussão na Argentina. Na segunda-feira mesmo (20), lideranças judaicas argentinas desmentiram as informações de Elbaum. Disseram que nem as entidades nem Nisman tinham relação com os chamados fundos "abutres". "É parte de uma campanha que não é casual, é parte do 'mente, mente que algo ficará'", afirmou o vice-presidente da Daia, Waldo Wolff, em entrevista para a "Rádio Mitre". Wolff classificou como uma "barbaridade" o artigo de Elbaum. O vice-presidente da Daia explicou que a comunidade judaica questionou o memorando por "canais constitucionais". "Nunca um presidente tinha se apegado a um artigo de procedência duvidosa. Não temos que dar resposta, infelizmente somos as vítimas".

Executivos da Camargo Corrêa vão depor como testemunhas de acusação

Executivos da Camargo Corrêa vão depor, como testemunhas de acusação, na ação penal contra o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Em despacho emitido na segunda-feira (20), o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Moro, estabeleceu para o dia 18 de maio os depoimentos do presidente, Dalton Avancini, e do vice-presidente da empreiteira, Eduardo Hermelino Leite, no curso de uma ação penal em que o dirigente petista se tornou réu sob acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Outras 26 pessoas são acusadas no mesmo processo. Os executivos assinaram acordos de delação premiada. Em depoimento à Polícia Federal em março, Avancini afirmou ter sido procurado, em 2010, por Vaccari com um pedido de doação oficial de R$ 10 milhões para o PT para ser descontado da propina devida por contratos na diretoria de Serviços da Petrobras, controlada por Renato Duque (também preso). Já Leite admitiu que a empreiteira pagou R$ 110 milhões em propina para fechar contratos com a Petrobras entre 2007 e 2012. Desse montante, a diretoria de Serviços levou R$ 63 milhões, e a de Abastecimento, comandada por Paulo Roberto Costa, ficou com R$ 47 milhões, segundo ele. Vaccari foi preso na última quarta (15) e logo depois afastou-se da tesouraria do PT. Além das acusações de corrupção e lavagem, o petista também é investigado por formação de quadrilha em um inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal. Na semana passada, o advogado do petista, Luiz Flávio Borges D'Urso, refutou a argumentação da Procuradoria que doações legais foi uma das formas de lavar dinheiro proveniente das propinas na Petrobras.

Em depoimento à Polícia Federal, cunhada de Vaccari nega crime

Presa na Operação Lava Jato, a cunhada de João Vaccari Neto, o ex-tesoureiro do PT, Marice Corrêa de Lima prestou depoimento na tarde de segunda-feira (20) à Polícia Federal, e negou qualquer tipo de participação no esquema de desvio de dinheiro na Petrobras. A cunhada de Vaccari, presa desde sexta-feira (17), é suspeita de ser uma emissária do ex-tesoureiro e de ter participação nos desvios da Petrobras. A movimentação financeira dela foi considerada incompatível com sua renda, e há registro de uma entrega de dinheiro pelo doleiro Alberto Youssef a Marice. Em duas horas de depoimento, Marice sustentou que seu patrimônio teve origem lícita, e afirmou que todos os seus bens estão declarados no Imposto de Renda, segundo o advogado Claudio Pimentel. Ela também negou ter recebido valores de Youssef. "Não é verdade, não aconteceu", disse Pimentel na saída do depoimento. A cunhada de Vaccari também justificou a demora de dois dias para que se apresentasse à Polícia Federal a fim de cumprir a ordem de prisão – o que levantou a hipótese, entre os investigadores, de que ela estivesse ocultando provas ou transferindo dinheiro no Exterior. Marice disse que estava no Panamá para participar do Fórum Sindical das Américas. Ela ocupa o cargo de coordenadora financeira da CSA (Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas). A entidade confirma sua participação no congresso. O evento ocorreu no dia 9 de abril, mas Marice viajou antes, no dia 5. Encerrado o fórum, ela permaneceu no Panamá, de férias –concedidas a partir do dia 13. A prisão temporária da investigada vence nesta terça (21). O juiz Sergio Moro, que conduz o caso na Justiça Federal do Paraná, deve decidir ainda no feriado se a liberta ou se converte sua prisão para preventiva (sem data para saída).

PT TEME PUNIÇÕES DA LAVA JATO, PETISTAS TEMEM CASSAÇÃO E MULTA ASTRONÔMICA

As investigações da Operação Lava Jato podem levar o PT a ser cassado ou ter o registro "inviabilizado". E esse é o maior temor da cúpula petista. Dirigentes afirmaram terem sido informados por pessoas que acompanham os desdobramentos da operação de que o partido deve sofrer sanções financeiras para ressarcir os cofres públicos pelo Petrolão. As multa podem chegar a “valores astronômicos”. O Ministério Público Federal já sinalizou que pedirá punições aos partidos. O maior problema para o PT, caso as multas se concretizem em R$ 200 milhões, segundo petistas, é que a fonte do partido “secou”, o que vai “destruir” o PT.

Ministério Público suspeita da existência de dinheiro do petista Vaccari em paraíso fiscal e Polícia Federal já investiga viagem da cunhado do tesoureiro do PT


Marice Corrêa de Lima faz depósito na conta da irmã e mulher de Vaccari, Giselda Rousie de Lima, em agência do Itaú, em São Paulo 

O Ministério Público e a Polícia Federal suspeitam que o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso preventivamente, e seus familiares, mantiveram dinheiro sujo em paraísos fiscais. A mulher de Vaccari, Giselda Rousei de Lima, e a filha, Nayara Vaccari de Lima, já são investigadas por lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Agora a recente viagem da cunhada do petista, Marice Corrêa de Lima, ao Panamá, na América Central, será investigada pela força-tarefa da Operação Lava Jato. Ela viajou no início deste mês, às vésperas de ser presa pela Polícia Federal. Nesta segunda-feira, Marice foi questionada pelo delegado da Polícia Federal, Eduardo Mauat da Silva, se sua irmã Giselda ou seu cunhado Vaccari mantêm dinheiro, ativos ou investimentos no Exterior. "Acredito que não", ela respondeu. Além de operadora de propinas para Vaccari e o PT, Marice agora é apontada como uma auxiliar para que o ex-tesoureiro petista recebesse "vantagens pessoais indevidas". Segundo o Ministério Público Federal, a mulher de Vaccari recebia uma mesada paga pela irmã. Os investigadores já encontraram na conta bancária da mulher de Vaccari uma série de depósitos não identificados entre 2008 e 2014, que somam 583.400 reais. A maior parte dos depósitos (322.900 reais) foi feita de maneira fracionada (abaixo de 2.000 reais cada), uma forma de despistar os órgãos de controle. Os 260.500 reais restantes foram parar na conta de Giselda em valores maiores que 10.000 reais. Câmeras de segurança do Banco Itaú flagraram Marice fazendo depósitos do tipo para Giselda em duas ocasiões no mês passado, embora ela tenha declarado à Polícia Federal que não transferiu dinheiro para a irmã ou a sobrinha neste ano. Durante o interrogatório, o delegado interpelou Marice sobre o motivo do deslocamento ao Panamá. Ela já havia sido monitorada pela Imigração no ano passado, mas estava fora do País quanto a Polícia Federal deflagrou a 12ª fase da Lava Jato, na última quarta-feira. Uma das missões dos agentes era prendê-la e fazer buscas no apartamento de Marice em São Paulo, cujo endereço aparece em documentos e interceptações telefônicas como uma espécie de central de propina, ou money delivery (entrega de dinheiro, em inglês), conforme anotado em uma planilha apreendida. À Polícia Federal, Marice disse que estava em um compromisso profissional. Formada em Administração, ela trabalha desde 2006 como coordenadora financeira na Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA) e recebe 9.000 reais brutos, segundo declarou. Marice afirmou ao delegado que viajou no dia 5 de abril ao Panamá para "participar de uma reunião do conselho da CSA e de um Fórum Sindical das Américas". Ela disse "não ter realizado nenhuma atividade ou contato no país a pedido de sua irmã Giselda ou de Vaccari". Marice disse também que, assim que tomou conhecimento da decretação da sua prisão temporária, retornou imediatamente ao País, para se apresentar à Superintedência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), onde está presa. A versão não convenceu os procuradores da República. "Nunca é demais agregar que Marice estava no Panamá, conhecido paraíso fiscal da América Central. Em que pese a sua viagem por si só não seja ilícita, este fato associado ao contexto das atividades de Marice, aparentemente operadora de recursos ilícitos, merece no mínimo aprofundamento investigativo, pois levanta suspeitas da manutenção de depósitos ocultos no Exterior, como por diversas vezes se verificou com outros investigados nesta operação", disseram os responsáveis pela força-tarefa da Lava Jato, no pedido de prisão preventiva de Marice enviado ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DIZ QUE CUNHADA PAGAVA MESADA À MULHER DE VACCARI


A força-tarefa da Operação Lava Jato pediu nesta segunda-feira a conversão da prisão temporária de Marice Corrêa de Lima, cunhada do ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, em prisão preventiva - o prazo se encerraria nesta terça-feira. Os procuradores da República encontraram uma série de depósitos fracionados, realizados até o mês passado, feitos por Marice na conta da irmã Gisela Rousie de Lima, mulher de Vaccari. O Ministério Público Federal diz que se trata de uma mesada com recursos ilícitos. O pedido ainda precisa ser analisado pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba (PR). Se for aceito, Marice ficará presa por tempo indeterminado. "Tudo indica que Giselda (mulher de Vaccari) recebe uma espécie de "mesada" de fonte ilícita paga pela investigada Marice, sendo que os pagamentos continuam sendo feitos até março de 2015. Nesse contexto, a prisão preventiva de Marice é imprescindível para a garantia da ordem pública e econômica, pois está provado que há risco concreto de reiteração delitiva", escrevem os procuradores. A quebra do sigilo bancário de Marice revelou que ela depositou 322.900 reais, de maneira parcelada, sem origem identificada na conta da irmã, entre 2008 e 2014. Segundo o Ministério Público Federal, entre 2008 e 2012, ocorreram diversos depósitos acima de 10.000 reais, e também não identificados. Eles somam ao todo 260.500 reais. O uso de depósitos divididos em valores menores é um expediente comum em crimes de lavagem de dinheiro para não despertar suspeita das autoridades de controle do sistema financeiro nacional (Sistema de Investigação de Movimentação Bancárias - Simba), que monitoram transações bancárias de grande monta. Como os depósitos eram feitos nos caixas eletrônicos, os valores ficavam restritos ao limite de 2.000 reais, para os quais não há necessidade de identificação do depositante. No Brasil, os depósitos em dinheiro vivo acima de 10.000 reais só podem ser feitos nos caixas convencionais, que exigem o registro de quem efetua o crédito. A pedido do Ministério Público Federal, o Banco Itaú enviou imagens de Marice em agências bancárias da capital paulista realizando os depósitos na conta da irmã. As imagens foram feitas em março por câmeras de segurança em agências bancárias nos bairros Saúde e Planalto Paulista, que ficam próximas à casa de Vaccari. Questionada pela Polícia Federal durante interrogatório nesta segunda-feira, Marice negou ter feito quaisquer depósitos para Giselda neste ano. No pedido de prisão preventiva, os investigadores descreveram os depósitos de Marice flagrados pelo videomonitoramento. "O primeiro depósito foi efetivado no dia 2 de março de 2015. Das imagens enviadas pelo banco, é possível verificar Marice esperando na fila da agência. No exato momento da operação bancária identificada, as câmeras de segurança capturaram a imagem de Marice realizando o depósito em um dos caixas automáticos da agência. O segundo depósito foi efetivado no dia 6 de março de 2015. Analisando as imagens enviadas pelo banco, também restou possível identificar Marice realizando um depósito em favor de Giselda". Marice Corrêa de Lima era apontada como uma operadora auxiliar de propinas para Vaccari e o PT. Ela recebia remessas de dinheiro até em casa, conforme documentos apreendidos pela Polícia Federal e depoimento do doleiro Alberto Youssef. Mas agora os procuradores já indicam que suas atividades iam além disso: Marice também era a responsável por receber vantagens pessoais indevidas destinadas a Vaccari. A mulher do petista e a filha do casal, Nayara Vaccari de Lima, já eram investigadas por lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.