sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Intenção de compra para o Natal é a menor em 6 anos

A árvore de Natal dos brasileiros deve ficar mais modesta este ano, diante da sinalização de que as compras serão mais enxutas e a busca por promoções será maior. Um quesito especial da Sondagem do Consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a intenção de compras de Natal pelas famílias atingiu o menor nível desde 2008, no auge da crise mundial. Ao todo, 43% dos entrevistados pretendem gastar menos neste fim de ano. Para o comércio, os sinais são de vendas fracas na data comemorativa mais relevante para o setor. O indicador que calcula a intenção dos gastos dos consumidores para o Natal ficou em 69 pontos, queda de 11,6% em relação a 2013 – a pergunta é feita nas sondagens de novembro. Enquanto quase metade das famílias deve apertar o cinto do orçamento natalino, apenas 12% pretendem ampliar os gastos com presentes. Os demais manterão o valor reservado à data no ano passado. Em 2013, 34,2% dos consumidores pretendiam reduzir as compras. Os dados mostram que o consumidor brasileiro será “especialmente parcimonioso com os gastos de Natal este ano”. Desde o início de 2014, economistas da FGV destacam a postura cautelosa das famílias, diante de uma percepção menos favorável sobre a economia, do crédito mais caro, do peso maior da inflação no orçamento doméstico e da insegurança em relação ao mercado de trabalho. Só neste ano o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) já recuou 14%, ao menor patamar desde dezembro de 2008. “O quesito mostra que a cautela em relação às compras se transfere para o Natal”, afirma a economista da FGV, Tabi Thuler Santos, responsável pelo levantamento. “As expectativas pioraram em novembro, e há perspectiva de aumento de juros e inflação alta. Não esperamos recuperação da confiança no curto prazo”, acrescenta. Com mais gente querendo poupar, o preço médio previsto para os presentes também caiu para R$ 59,64 neste ano. Trata-se do menor valor de toda a série histórica apurada pela FGV. Ao todo, mais pessoas pretendem dar presentes cujo custo fique em até R$ 20,00. “Pode ser que o consumidor esteja buscando comprar em promoções”, afirma Tabi. Para o comércio, que já amargou um ano de vendas fracas, o resultado indica que o Natal não será alentador.

Itu suspende racionamento de água após dez meses

Depois de dez meses de racionamento, os moradores de Itu, município do interior do São Paulo, voltam a poder contar com água nas torneiras. A concessionária Águas de Itu anunciou nesta sexta-feira, 5, a suspensão da medida que deixava os 165 mil moradores sem abastecimento em dias alternados. A cidade, uma das primeiras a adotar o racionamento, conviveu com protestos da população e tornou-se símbolo da crise hídrica que atingiu o Estado de São Paulo em 2014. A empresa esclareceu que, nos primeiros dias após o fim do rodízio ainda pode haver problemas localizados de falta de água e por isso a frota de caminhões-pipa continuará disponível para atender casos pontuais. A decisão de retomar o abastecimento pleno foi tomada depois de reuniões com o comitê de gestão da água, criado no auge da estiagem. Foi constatado que, com a volta das chuvas, os seis reservatórios que abastecem o sistema de captação atingiram níveis de segurança para garantir o abastecimento. Também foi levada em conta a previsão de chuvas para os próximos meses. As condições meteorológicas serão monitoradas. "É importante que as chuvas previstas ocorram para que se possa manter a normalidade no abastecimento", informou a empresa, ressalvando que qualquer mudança será comunicada à população. As campanhas para economia de água serão mantidas. O racionamento foi adotado por meio de decreto municipal no início de fevereiro deste ano. A medida foi necessária em razão da redução nos níveis dos mananciais de abastecimento da cidade, afetados pela estiagem. Até o final de outubro, Itu registrou o menor índice de chuvas em 77 anos. No auge da crise, as represas baixaram ao nível de 2% da capacidade. Algumas regiões da cidade chegaram a ficar 20 dias sem água. A população se revoltou e foi às ruas em seguidas manifestações de protesto - três delas terminaram em confrontos com a polícia, após a invasão e depredação do prédio da Câmara e o cerco à prefeitura. Ruas e rodovias foram interditadas, veículos foram incendiados e caminhões-pipas foram saqueados. Esses veículos passaram a circular com escolta policial.

TSE investiga empresa contrata pelo PT por quase R$ 1 milhão

O Tribunal Superior Eleitoral suspeita de irregularidades em um contrato firmado entre uma empresa de Santa Catarina e a campanha da presidente petista Dilma Rousseff à reeleição para a prestação de serviços de informática. A prestação de contas da campanha petista será julgada até 10 de dezembro. Servidores analisaram as contas da empresa UMTI, que recebeu 874.332,25 do PT. Localizada em Florianópolis, a empresa emitiu notas em valores que variam de  41.268 a 160.328 reais. Quantias referentes, segundo as notas, à locação de computadores e impressoras, além de suporte técnico. Apesar de a UMTI ter CNPJ ativo desde 2003, a prefeitura da capital catarinense só concedeu autorização para emissão de notas fiscais à firma em setembro deste ano, já durante campanha eleitoral. Em vista disso, técnicos do TSE solicitaram uma investigação sobre a situação da empresa à Receita Federal. De acordo com o jornal, o endereço que aparece como sede da empresa nas notas fiscais é, na verdade, a residência do dono, Davi Unfer. Ele afirmou que a situação é resultado da tentativa de transferência da sede do Rio Grande do Sul para Florianópolis. Segundo um funcionário da Karnopp Imóveis, responsável pela administração do imóvel, a sede da UMTI em Santa Cruz do Sul (RS) foi vendida por 48.000 reais e está fechada. Unfer afirma ainda que se aproximou do comitê petista em 2010, quando teria prestado serviços de informática em Brasília. O empresário disse que locou 40 equipamentos e contratou quatro funcionários temporários para trabalhar na campanha petista. O PT apresentou à Justiça Eleitoral, porém, um contrato que aponta a locação de 80 computadores e 20 notebooks, além da contratação de cinco pessoas.

Banco do Brasil deve garantir quase metade da meta fiscal de 2014

O Banco do Brasil deve responder por quase 50% do superávit primário previsto para 2014. O Tesouro espera ganhar 4,5 bilhões de reais com o pagamento de Imposto de Renda (IR) na operação entre Banco do Brasil e Cielo, que se associaram para formar uma nova empresa no setor de cartões no mês passado. O ganho previsto representa 45% da economia prevista de 10 bilhões de reais, conforme o último relatório de receitas e despesas. Esta receita extraordinária não está explicitamente contabilizada no decreto de gastos preparado pelo governo, mas, faz parte da programação de caixa do Tesouro para fechar as contas do ano. O recolhimento do IR será resultado do pagamento de mais de 8 bilhões de reais que a Cielo fará ao banco estatal. Apesar do aparente otimismo do governo, autoridades que acompanharam a negociação argumentam que os pagamentos de IR só ocorrerão se o negócio for aprovado pelo Banco Central e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Assim, se a análise não for concluída este ano, os recursos só entrarão no caixa da União em 2015.

Com duas empresas, leilão de energia A-1 não atrai geradoras

O leilão A-1 de energia existente, realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na manhã desta sexta-feira, durou menos de 20 minutos e confirmou a expectativa de que os preços de referência estabelecidos pelo Ministério de Minas e Energia não eram atrativos para os geradores. Apenas duas empresas estatais, Furnas e Petrobras, ofereceram energia. Foram negociados 622 MW médios, ao preço de 197,09 reais o megawatt/hora, segundo dados no sistema de acompanhamento da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em um total de 3,2 bilhões de reais em contratos. A Petrobras vendeu energia das térmicas Aureliano Chaves, em Minas Gerais, e Rômulo Almeida, na Bahia. Furnas vendeu 352 megawatts médios, por três anos, a um preço de 201 reais por megawatt/hora. Na ponta compradora aparecem 33 distribuidoras de energia, com destaque para a CEA, do Amapá, e a RGE, da CPFL no Rio Grande do Sul. A demanda das distribuidoras, de acordo com especialistas, oscila entre 2.500 MW e 3.000 MW médios para 2015, o que obrigará o governo federal a adotar alternativas para reduzir a exposição dessas empresas. O principal desafio dos leilões de energia de curto prazo desde o ano passado é obter geradoras interessadas em participar com a venda de energia nessas competições. Os preços máximos definidos pelo governo federal nos leilões têm ficado muito aquém das previsões de mercado. Assim, as geradoras têm optado por obter mais ganhos com as negociações no mercado de curto prazo num momento em que a escassez de chuva para abastecer reservatórios das hidrelétricas e forte geração térmica acionada elevam as possibilidades de lucro.

Canadá autoriza Burger King a comprar canadense Tim Hortons

O governo do Canadá aprovou a oferta de 11 bilhões de dólares feita pelo Burger King para a compra da varejista de café canadense Tim Hortons, removendo mais um obstáculo para a criação da terceira maior cadeia de restaurantes fast-food do mundo. Segundo ranking da revista Forbes, publicado este ano, as principais redes são Mc Donald's, KFC e Subway. O acordo, que é em parte financiado por Warren Buffett, desencadeou um intenso debate nos Estados Unidos. Isso porque alguns legisladores acusaram o Burger King de comprar a empresa canadense para poder mudar sua sede para o país vizinho por razões fiscais. O Burger King nega que a aquisição tenha sido motivada por razões tributárias. Segundo informações do governo do Canadá, a sede global da companhia combinada - que deve somar 23 bilhões de dólares em vendas em mais de 18 mil restaurantes - será baseada em Oakville, cidade no entorno de Toronto. A localização da sede foi uma das várias exigências que o Burger King aceitou para ter a proposta de aquisição aprovada, disso o ministro da Indústria do Canadá, James Moore. A empresa também se comprometeu a manter os níveis de emprego nas lojas canadenses da Tim Hortons e a expandir a rede de cafés para um presença global num ritmo muito maior do que o previsto anteriormente. Atualmente, o Burger King tem sede em Miami, mas é controlado pela empresa norte-americana e brasileira 3G Capital. "Nosso governo está satisfeito em ver companhias como o Burger King investindo na economia canadense e se beneficiando dos nossos baixos impostos e mercados abertos", disse Moore. Segundo a lei canadense, autoridades do governo precisam avaliar os investimentos e as aquisições de ativos locais por estrangeiros afim de verificar se tais negócios são benéficos a economia do país.

Ex-chefe de segurança da China é preso por corrupção

O ex-chefe de segurança da China, Zhou Yongkang, foi preso sob a acusação de corrupção e expulso do Partido Comunista. Zhou, de 72 anos, é o primeiro ex-membro da elite do Comitê Permanente do Politiburo, o órgão supremo do Partido Comunista, a ser investigado por corrupção. Ao longo dos cinco anos em que integrou o comitê, de 2007 a 2012, ele supervisionou as forças de segurança e policiais, os tribunais, as promotorias e as prisões. Ele deixou o poder em novembro de 2012, no mesmo congresso que apontou Xi Jinping como líder do partido. Ele caiu em desgraça depois que vários antigos associados e parentes foram denunciados por corrupção. Pouco depois de sua retirada do Politburo, o presidente e seus aliados iniciaram investigações que atingiram as bases de poder de Zhou, especialmente na província de Sichuan, no sudoeste do país, e também no maior conglomerado de petróleo e gás do país, a Corporação Nacional de Petróleo da China, onde Zhou foi administrador geral. A notícia sobre a prisão e a expulsão de Zhou foi divulgada pela agência estatal de notícias Xinhua, que não deu detalhes sobre as acusações que pesam contra ele. Citou, no entanto, acusações de aceitar suborno, ajudar familiares e comparsas a drenar ativos do governo e vazar segredos de Estado e do partido. Os investigadores concluíram que o ex-chefe de segurança “explorou sua posição para obter ganhos ilegais para várias pessoas, e direta ou indiretamente por meio de sua família recebeu grandes quantidades de suborno”, afirmou a Xinhua. Ele também “explorou seus poderes para ajudar parentes, amantes e amigos a conseguir ganhos significativos por meio de suas atividades econômicas”. Zhou também revelou segredos do partido e de Estado e trocou favores e dinheiro por sexo com várias mulheres, acrescentou a agência estatal. Em relação à acusação de abuso de poder para enriquecer familiares e amigos, o argumento parece ter ligação com sua influência no setor de energia. O filho, a cunhada e a sogra do filho tinham ativos que totalizavam cerca de 160 bilhões de dólares, em grande parte a partir de indústrias de petróleo e gás. Desde que chegou ao poder, o presidente Xi Jinping lançou uma campanha de combate à corrupção. Analistas, no entanto, dizem que a investigação contra Zhou pode ter motivos políticos, uma vez que sua exclusão da legenda ajudará Xi a consolidar sua base governista. O objetivo final seria excluir os que se opõem às suas reformas políticas e melhorar a imagem do partido. As ações, contudo, tiveram pouco impacto na percepção da China como um país profundamente corrupto. Em um ranking publicado esta semana, a ONG Transparência Internacional apontou uma queda de vinte posições da China, passando de 80 para a 100 na lista. Porta-voz do grupo que coordenou o trabalho, Thomas Coobes explica que a percepção da corrupção não melhora porque os chineses consideram a campanha de combate de Xi Jinping incompleta, motivada politicamente e opaca. Zhou manteve por muitos anos um relacionamento próximo com o ex-chefe do Partido Comunista na cidade de Chongqing, Bo Xilai. No ano passado, Bo foi condenado à prisão perpétua por receber propina. A mulher do político, Gu Kailai, teve uma sentença à pena de morte suspensa em 2012 pelo assassinato de Neil Heywood, um empresário britânico. A condenação de Bo foi vista como a maior reviravolta na elite política da China nas últimas décadas e revelou ao mundo as divisões internas do Partido Comunista sobre como o caso deveria ser tratado pela Justiça.

Ercy Costa, mãe de Elis Regina, morre aos 92 anos

A mãe de Elis Regina, Ercy Carvalho Costa, morreu às 11 horas desta sexta-feira na Casa de Repouso Vivenda Santa Fé, no bairro da Lapa, Zona Oeste de São Paulo, onde estava internada. Dona Ercy tinha 92 anos. A Casa de Repouso informa que "ela morreu sem sofrimento". Além de ter perdido Elis Regina em 1982, vítima de uma parada cardiorrespiratória decorrente da ingestão de cocaína e álcool, Ercy viu morrer também seu filho mais novo, Rogério Costa, vítima de acidente automobilístico. Seu marido, Romeu, pai de Elis, havia morrido em 1984, dois anos depois da filha.

Conselho da Oi aprova venda da Portugal Telecom à Altice

O Conselho de Administração da empresa brasileira de telecomunicações Oi aprovou a venda da Portugal Telecom (PT) para a Altice. No entanto, o negócio, avaliado em 7,4 bilhões de euros, ainda depende do apoio dos acionistas da PT, que podem preferir a oferta pública de aquisição de ações (OPA) proposta pela empresária angolana Isabel dos Santos. A administração da PT vai submeter a venda à aprovação de seus acionistas em assembleia. Procurada, a Oi disse que não iria se pronunciar. O Conselho da Oi estava em negociações com a Altice, que ofereceu 7,4 bilhões de euros pelos ativos portugueses. A PT é a maior acionista da operadora brasileira, com 25,6% do capital. O grupo Altice foi o primeiro a fazer proposta pela PT. A oferta original era de 7,025 bilhões de euros. Os fundos Apax Partners e Bain Capital propuseram 7,075 bilhões de euros. Na semana passada, Apax e Bain se associaram à portuguesa Semapa para derrubar a oferta da Altice, mas a francesa venceu. Com a venda dos ativos portugueses, a Oi, que tem dívida de 48 bilhões de reais, aumenta o fôlego para participar da consolidação do setor. Há dois caminhos mais prováveis nesse processo atualmente. O primeiro é o fatiamento da TIM Brasil pelas concorrentes Oi, Vivo e Claro, proposta que está sendo elaborada pelo BTG Pactual. Outro cenário em avaliação pela controladora da TIM, a Telecom Italia, é uma fusão com a Oi.

Suíça vai transferir processo do cartel de trens para o Brasil

A Suíça vai transferir para o Brasil todos os processos criminais existentes contra os suspeitos no caso do cartel dos trens de São Paulo. Isso significa que a Justiça brasileira receberá de forma integral os detalhes das contas dos envolvidos que atualmente estão bloqueadas. A informação foi dada a uma delegação de procuradores e promotores brasileiros que, nesta semana, estiveram em Berna para trocar informações sobre o caso envolvendo as empresas Alstom e Siemens e funcionários públicos nacionais. Na segunda-feira, a Polícia Federal indiciou 33 pessoas suspeitas de envolvimento no cartel do setor metroferroviário que operou em São Paulo entre 1998 e 2008, nos governos de Márcio Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB. Entre os indiciados está o atual presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Mário Bandeira. As informações permitirão que o Ministério Público no Brasil e promotores paulistas possam aprofundar as investigações contra João Roberto Zaniboni, ex-diretor da CPTM, o lobista Arthur Teixeira e o também ex-diretor da CPTM, Ademir Venâncio de Araújo, que detém cinco contas na Suíça com um montante bloqueado de 1,2 milhão de dólares. Os três são considerados peças fundamentais para entender de que forma as multinacionais Alstom e Siemens operavam para garantir contratos. Outro foco do processo é o ex-juiz do Tribunal de Contas, Robson Marinho. Na Suíça, eles estavam sendo investigados por lavagem de dinheiro e todas suas contas haviam sido bloqueadas. Com a transferência, todos os extratos bancários e todas as informações seriam também entregues. "Esse é o cenário de pesadelo para os suspeitos", disse Silvio Marques, promotor paulista que fez parte da delegação. Para que seja concretizada, a transferência do processo ainda precisa passar pelo Ministério da Justiça na Suíça. O Brasil não seria contrário em aceitar o processo. No caso das contas do ex-prefeito Paulo Maluf no Exterior, o Supremo chegou a pedir a Luxemburgo, França e Jersey que os processos fossem transferidos ao Brasil. A meta tanto dos suíços quanto dos brasileiros é identificar o percurso do dinheiro encontrado em contas em Zurique e que poderiam ser propina paga por empresas como a Alstom e a Siemens para garantir contratos públicos no Brasil. Há meses os brasileiros vinham pedindo para que as informações sobre as contas desses suspeitos e, até agora, Berna tinha evitado abrir seus arquivos. Nesta sexta-feira, porém, fontes do Ministério Público suíço confirmaram que o acesso aos detalhes das contas já bloqueadas foi garantido aos brasileiros. Os documentos seguem nas próximas semanas por meio dos canais oficiais. Mas as informações passadas aos brasileiros durante as reuniões apontaram para novas evidências e novas provas de como as propinas eram pagas pelas multinacionais. A delegação brasileira, composta pelo procurador da República, Rodrigo de Grandis, e pelo promotor de Justiça, Silvio Marques, admitiu que ficou "surpresa" com a indicação dos suíços. Quando retornar ao Brasil, na semana que vem, De Grandis vai avaliar o informe preparado pela Polícia Federal e decidir como incorporar as informações dos suíços. "Vamos avaliar qual é a melhor estratégia", disse. Para ele, os extratos bancários e documentos dos suíços "certamente" vão além da apuração realizada até agora no Brasil desde o início do caso. Em um esforço de demonstrar que existe uma cooperação, um dia antes da reunião de Berna, a Polícia Federal fez busca na residência e no escritório de Zaniboni - uma operação executada justamente a pedido do Ministério Público da Suíça ainda em 2011 e jamais realizada. Berna abriu investigação sobre a origem os mais de 826.000 dólares que Zaniboni manteve depositado em Zurique. O ex-diretor garante que o dinheiro foi resultado de uma consultoria que prestou. Os suíços haviam concluído o caso que existia contra a Alstom, após a multinacional ter pago uma multa milionária e encerrado o processo em Berna. Agora, no entanto, as suspeitas são contra brasileiros que teriam usado o sistema bancário suíço para lavar dinheiro fruto dessa corrupção. O que chama a atenção dos suíços é que parte do dinheiro foi depositado por Arthur Teixeira, apontado pela Polícia Federal como o pagador de propinas do cartel de trens. Dados bancários de posse dos suíços revelam de fato o nome de Teixeira e é justamente essa informação que o Brasil também quer levar de volta ao país quando deixar Berna na sexta-feira.

Transpetro prorroga licença de presidente por mais 30 dias

O Conselho de Administração da Transpetro aprovou nesta sexta-feira, 5, a prorrogação da licença do presidente da instituição, Sérgio Machado pelos próximos 30 dias. Ele havia pedido licença de 30 dias no início de novembro após a PriceWaterhouseCoopers, contratada para fazer auditoria do balanço da Petrobrás, ter se recusado a assinar o documento caso o presidente da Transpetro permanecesse no cargo. Machado foi apontado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa como envolvido em um esquema de corrupção que está sendo investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, no Paraná, Paulo Roberto Costa disse que recebeu R$ 500 mil em dinheiro das mãos de Machado, como parte do esquema de pagamento de propina envolvendo a Petrobrás. O Presidente da Transpetro tem negado as acusações afirmando que são "levianas e absurdas". O Planalto, entretanto, já havia batido o martelo sobre sua demissão, mantendo a seu padrinho político, presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o poder de indicar o substituto. A resistência do Planalto teria sido quebrada, ou pelo menos adiada, pela considerada bem sucedida atuação de Renan na votação da lei que flexibiliza o superávit primário e pela peregrinação que Sérgio Machado fez em Brasília nas últimas terça e quarta-feira em busca de apoio político. No Planalto, no entanto, apesar da prorrogação da licença, as informações são de que permanece a decisão de que não há a menor chance de Sérgio Machado retornar à presidência da Transpetro. Ele, por sua vez, não admite a hipótese de ser de demitido porque considera que esse fato o liquida politicamente, acabando com sua carreira política. Ségio Machado é ex-deputado e ex-senador e estava à frente da subsidiária de logística da Petrobras, desde o início do governo do alcaguete Lula (ele delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr, em seu livro "Assassinato de reputações"), há 11 anos. O ideal para Sergio Machado, na sua própria avaliação, é conseguir "empurrar com a barriga", se mantendo no cargo, enquanto as investigações prosseguem, acreditando que nada será provado contra ele. A segunda hipótese, que neste momento acredita ser a mais viável, já que conseguiu prorrogar sua licença por mais 30 dias, é sair do cargo, junto com o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, no final do ano, com a chegada da equipe para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Assim, na sua avaliação, a mudança seria considerada uma simples troca de ministro e seus respectivos subordinados. Enquanto fica no cargo, o presidente licenciado continuará sendo substituído pelo diretor Cláudio Ribeiro Teixeira Campos. Na quinta-feira, depois de a presidente Dilma embarcar para Quito, o ministro Edison Lobão esteve no Planalto. A notícia que existia por lá era de que a presidente pretende, na quarta-feira da semana que vem, após a aprovação da flexibilização das metas do superávit pelo Congresso, anunciar mais uma série de ministros, inclusive os do PMDB, que incluem a cota que ele representa. As especulações são de que para o ministério de Minas e Energia irá o senador Eduardo Braga. Mas ainda há muitas indefinições no desenho das pastas a serem ocupadas pelo PMDB.

Serra diz que sugeriu Campinas no trem-bala para atrasar projeto

O senador José Serra (PSDB), eleito por São Paulo, disse considerar "hilariante" o projeto do trem-bala, que ligaria São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas - o projeto foi muito citado na campanha de Dilma Rousseff à Presidência em 2010, quando Serra era o candidato tucano. Em uma apresentação informal a pessoas ligadas ao movimento Onda Azul - que se descreve como um movimento da sociedade civil que propõe atos de filiação coletiva ao PSDB -, Serra afirmou que o caso ilustra a falta de preparo do PT para governar. Para a platéia de apoiadores, Serra disse na noite de quinta-feira, 5, ter inserido Campinas no traçado do projeto, quando ele ainda era governador de São Paulo e Dilma, ministra da Casa Civil, para atrasar o projeto, que considerava "falido". O senador disse ainda que o presidente do BNDES, o petista Luciano Coutinho, de quem era próximo, concordou com sua análise e ajudou a atrasar o andamento da proposta. "Enfiei Campinas logo que veio o projeto. Para quê? Para complicar, verdade, para ganhar tempo. Peguei o Luciano Coutinho, que é o presidente do BNDES, foi meu colega, um sujeito informado, e falei ''você não vai entrar nessa loucura de trem bala, né?''. Então eu vou propor que o BNDES faça um estudo e você demora. E ele fez mesmo, demorou para burro, sabe? Para ganhar tempo", disse Serra. 


Questionado sobre o assunto após o evento, Serra disse que a sua fala ali não era "coisa para levar para jornalista", mas admitiu que usou estratégias para protelar o projeto do trem-bala, que, segundo ele, demonstrou depois não ter viabilidade econômica: "Na época eu adverti que era uma loucura e que era importante o BNDES fazer um estudo sério, mesmo que isso levasse tempo. Claro que eu imaginava também ganhar tempo, mas o BNDES de fato fez esse estudo". Durante a apresentação em tom de bate-papo com o movimento, Serra fez duras críticas ao PT. Disse que os quadros petistas não têm capacidade de governar e não sabem priorizar: "O PT é um partido bolchevique sem utopia. Eles não têm programa de governo, querem ficar no poder, uma militância fascista. São totalitários. Esse é um dado da realidade", afirmou. Serra disse também que a gestão petista levou a um empobrecimento do debate, pois o partido divide as pessoas em "anjos e demônios", impedindo a discussão racional de temas importantes como sistema político e modelo econômico: "O PT ajudou a ''burrificar'' o Brasil". O senador falou também sobre corrupção e sobre as denúncias recentes que surgiram envolvendo a Petrobras. Na avaliação de Serra, a diferença do PT com os predecessores é que o partido transformou a corrupção em "método de governo": "A corrupção não é nova, mas corrupção nunca foi tão método de governo quanto nesse período. Virou método. É isso que a gente fica abismado. Você não fica abismado de ler a grana, o volume? É uma coisa espantosa, haja cara de pau, né? Um negócio que precisaria um software, você concorda? O negócio da Petrobras você tem 50 beneficiários, 50 pagantes, 50 obras", disse à platéia. Serra criticou ainda o modelo de negociação entre o governo e a base aliada, argumentando que o fatiamento de ministérios, agências reguladoras e órgãos públicos enfraqueceu o governo: "Temos um governo fraco, de joelhos, que para votar qualquer coisinha tem que ceder o diabo". Serra falou também da ex-ministra e ex-prefeita de São Paulo, a socialite Marta Suplicy, a quem sucedeu na prefeitura. Lembrou dela como exemplo da falta de preparo de gestão petista. Serra criticou o governo da petista Marta Suplicy por ter deixado o caixa da Prefeitura com apenas R$ 18,00 e disse não ter pagado a dívida deixada por ela referente à construção de túneis na região nobre dos Jardins: "Se vocês olharem aqui a gestão mais recente (do PT), da Marta Suplicy, na Prefeitura, qual foi a obra mais importante? Os túneis dos Jardins, que devem custar em dinheiro atual R$ 1,5 bilhão, que, aliás, eu não paguei. Alguém aqui pode se horrorizar, mas nós demos calote nessa dívida". 

Justiça determina bloqueio de bens de José Roberto Arruda

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) determinou a indisponibilidade dos bens do ex-governador José Roberto Arruda (PR), acusado de envolvimento no esquema compra de apoio político conhecido com Mensalão do DEM, revelado em 2009. 


Além de Arruda, também tiveram os bens bloqueados três empresas e 16 pessoas, entre elas o ex-vice-governador Paulo Octávio, Durval Barbosa (delator do esquema) e o ex-procurador de Justiça do Distrito Federal, Domingos Lamoglia. Todos são acusados pelo Ministério Publico do Distrito Federal de cometer atos ilícitos de desvio de dinheiro público. O valor total dos bens bloqueados por decisão do juiz Álvaro Luis Ciarlini, da 2ª Vara da Fazenda Pública, ultrapassa R$ 195 milhões. A decisão, de caráter liminar, tem como base seis ações cautelares do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, apresentadas com o objetivo de impedir que os réus se desfaçam ou ocultem seu patrimônio, dificultando o eventual ressarcimento dos prejuízos aos cofres públicos. Na eleição deste ano, José Roberto Arruda chegou a liderar as pesquisas de intenção de votos para o governo do Distrito Federal. Ele, no entanto, teve de desistir da disputa após ser enquadrado como "ficha suja" pelo Tribunal Superior Eleitoral, que negou o registro da candidatura do ex-governador.

Ministro do Supremo autoriza bandido petista mensaleiro Delúbio Soares a visitar os pais no Natal.....como são cristãos esses revolucionários petistas

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o ex-tesoureiro do PT, o bandido petista mensaleiro Delúbio Soares, condenado no processo do Mensalão do PT, a viajar para Buriti Alegre, em Goiás, durante os festejos do Natal. O ex-tesoureiro pediu a Barroso autorização para viajar ao Estado de Goiás entre 24 e 30 de dezembro, onde visitará os pais. É impressionante como são "cristãos" esses revolucionários petistas. Como o ex-tesoureiro cumpre pena em regime aberto desde o fim de setembro, qualquer deslocamento para uma outra cidade além de sua residência deve ser autorizada pela Justiça. Delúbio Soares foi condenado a seis anos e oito meses de prisão por seu envolvimento no Mensalão do PT. Por ter cumprido mais de um sexto da pena, obteve autorização do Supremo no fim de setembro para ser transferido para o regime aberto. 


"Faço certo que o apenado continuará em prisão domiciliar, apenas com a mudança temporária do local de seu cumprimento, que será na residência de seus pais", escreveu Barroso em decisão proferida na quinta-feira (4). No mesmo pedido de autorização de viagem, o bandido petista mensaleiro Delúbio Soares teve novamente negada a solicitação para deslocar-se a São Paulo. Ele pediu autorização para participar de reuniões de trabalho na capital paulista entre 8 e 13 de dezembro, em evento da Central Única de Trabalhadores (CUT). Barroso escreveu que "a pretensão não merece acolhida". Embora o ministro reconheça que a viagem a São Paulo tenha motivo de trabalho, ele pondera que "se trata de apenado recém-inserido no regime de prisão domiciliar e não se demonstrou situação excepcional que justifique a viagem agora requerida. Além de Delúbio, já estão em regime aberto o ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu, o ex-deputado federal e também bandido petista José Genoino (PT), e ex-deputado federal Valdemar Costa Neto (PR) e o ex-tesoureiro do PR Jacinto Lamas, igualmente condenados no processo do Mensalão do PT. Esta semana, Barroso negou o pedido de prisão domiciliar de João Paulo Cunha, ex-presidente do PT, também condenado no processo do Mensalão. Embora já tenha cumprido o tempo de pena necessário para pedir o benefício, Barroso exige a comprovação do ressarcimento de R$ 536,4 mil à administração pública, valor do dano causado pelo crime de peculato praticado pelo ex-deputado. Barroso é o ministro-relator do STF das execuções penais dos condenados no Mensalão do PT.

Nasa: cápsula termina voo de teste com pouso no Pacífico


A cápsula não tripulada Orion, da Nasa, pousou no Oceano Pacífico depois de realizar com sucesso seu primeiro voo de teste, anunciou a agência espacial americana. O veículo voltou à Terra, como estava previsto, 4 horas e 24 minutos depois de decolar de Cabo Canaveral, na Flórida, com apoio de um foguete Delta IV. 'Lá está sua espaçonave, América", narrou Rob Navias, comentarista da Nasa, enquanto imagens aéreas mostravam, ao vivo, a cápsula pairando no ar com três paraquedas, em direção à água. A Orion pousou a 1.000 quilômetros da costa mexicana. A nave faz parte do projeto da agência espacial americano de voltar a realizar voos tripulados, com objetivo de levar astronautas a Marte, em um missão ainda sem data definida. Navias descreveu o vôo de testes como "perfeito" e "uma etapa significativa para o programa espacial americano". Os controladores de vôo disseram que o veículo se encontra em condição estável e será retirado da água por uma equipe formada por membros da Nasa, da Marinha americana e da Lockheed Martin, empresa americana fabricante de produtos aeroespaciais. No vôo de teste, a cápsula deu duas voltas ao redor da Terra, percorrendo mais de 96.000 quilômetros e atingindo altitude de 5.800 quilômetros, cerca de catorze vezes a distância da Estação Espacial Internacional (ISS) em relação à Terra. Durante a descida de volta ao planeta, a nave ultrapassou os 32.000 quilômetros por hora, gerando temperaturas de mais de 2.200 graus Celsius — 80% da temperatura que seria atingida por uma missão lunar.

Irmãos de ministro da Agricultura deixam prisão no Mato Grosso


Os irmãos do ministro da Agricultura, Neri Geller (PMDB) deixaram o Centro de Custódia de Cuiabá (CCC) na noite de quinta-feira, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira pela Secretaria de Segurança Pública do Mato Grosso. Odair e Milton Gelle estavam presos desde 27 de novembro sob a acusação de integrar uma quadrilha de fraudadores de loteamentos da reforma agrária no interior mato-grossense, desarticulada pela Polícia Federal na operação Terra Prometida. Os irmãos Geller foram beneficiados por habeas corpus obtido na quarta-feira pelo advogado do produtor rural Antônio Mattei, detido no presídio de Ferrugem, em Sinop (MT). Depois de aceitar os argumentos do advogado Valber Mello, o juiz federal Pablo Zuniga Dourado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, decidiu estender o benefício para os demais envolvidos. A Operação Terra Prometida pôs fim a uma organização criminosa com atuação na região de Lucas do Rio Verde (MT) e Itanhangá (MT). O grupo fraudava documentação de concessão em terras em dois loteamentos, o de Itanhangá e o de Tapuráh. As investigações da Polícia Federal começaram em 2010 e identificaram irregularidades na concessão e manutenção de lotes destinados à reforma agrária. Entre os integrantes da organização estão oito servidores do Incra. A fraude foi avaliada até agora em 1 bilhão de reais. De acordo com a decisão do juiz, oito investigados presos desde 27 de novembro foram liberados na noite da quinta-feira. O advogado dos irmãos Geller, Murilo Freire, disse nesta sexta-feira que aguardará o fim da instrução criminal para que possa apresentar a defesa dos seus clientes. Segundo ele, os Geller estão tranquilos com relação às acusações. A revogação das prisões preventivas prevalecerá até o julgamento do mérito do pedido de habeas corpus. O juiz determinou que a prisão dos acusados fosse substituída por medidas restritivas como a proibição de se ausentarem de seus domicílios por período superior a um mês. O ministro Neri Geller afirmou nesta quarta-feira que não está brigando pela sua permanência na pasta. O ministério deve ser assumido pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), convidada pela presidente Dilma Rousseff para comandar Agricultura a partir de 2015. "Não estou brigando para ficar no ministério. Não falo uma palavra contra a senadora Kátia Abreu. Sou colega dela. Não vou atacá-la porque sei que ela é uma liderança e pode ser ministra", disse. O ministro participou de audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara, onde se defendeu do suposto envolvimento em grilagem de terras investigada pela Polícia Federal. "Não tenho nenhum problema em ser investigado, só gostaria que fossem justos. Eu não sou poderoso. Eu cheguei no ministério pela força do trabalho. Eu trabalhei durante um ano e meio das 7 às 22 horas (como secretário da pasta até virar ministro)", afirmou.

Lobista da Toyo Setal ajuda Polícia Federal a rastrear fortuna no Exterior do petista Renato Duque

O lobista Júlio Camargo, ligado ao grupo Toyo Setal, faturou 73 milhões de reais da construtora Camargo Corrêa entre 2010 e 2012 para garantir a assinatura de contratos com a Petrobras. Os pagamentos foram rastreados pela força-tarefa que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, desvendado pela Operação Lava Jato, por meio da quebra do sigilo fiscal da construtora. Os dados corroboram informações já prestadas pelo lobista em acordo de delação premiada. Aos investigadores, Júlio Camargo afirmou que pagava propina a executivos da estatal para obter os contratos para as empresas às quais prestava seus serviços. Parte do dinheiro recebido pelo lobista foi utilizada, segundo ele, para subornar o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, e o ex-gerente de Serviços da estatal, Pedro Barusco. Júlio Camargo atuava como intermediador para diferentes empresas interessadas em fechar contratos da Petrobras. Mas tinha com a Camargo Corrêa um relacionamento diferenciado. O principal contato do lobista na empreiteira era o vice-presidente comercial Eduardo Hermelino Leite, preso desde 14 de novembro, quando foi deflagrada a sétima etapa da Operação Lava Jato. A situação dos três executivos da construtora presos se complicou depois que o lobista fechou, em outubro, um acordo de delação premiada. Ele aceitou devolver 40 milhões de reais aos cofres públicos pelos crimes que cometeu. Nos depoimentos, o lobista contou que chegou a pagar 6 milhões de reais de propina para a Diretoria de Serviços por um contrato da Refinaria Henrique Lage (Revap). Ele também afirma ter subornado Duque e Barusco, em nome da Camargo Corrêa, por uma obra do gasoduto Urucu-Manaus. Ao detalhar o relacionamento que mantinha com Leite, o lobista contou que assumiu um gasto de 400.000 dólares em compras de móveis em Miami para o vice-presidente da Camargo Corrêa, sob a promessa de ser reembolsado. Leite não devolveu o dinheiro, segundo o delator. Mas esse não foi o único agrado do lobista ao executivo. Júlio Camargo também gastou 1 milhão de reais com a empresa de design de interiores da mulher do vice-presidente da Camargo Corrêa. O dinheiro foi desembolsado como remuneração por um projeto do novo escritório dele, mas o plano não foi utilizado, porque a proposta de outra empresa foi preferida. A atuação do lobista para a construtora se restringia a garantir contratos com a Diretoria de Serviços porque a Camargo Corrêa ficou responsável diretamente pelos pagamentos de propina para a Diretoria de Abastecimento, de acordo com o delator. Ainda assim, os 73 milhões de reais pagos diretamente de 2010 a 2012 são apenas parte do total recebido por ele da construtora, porque a Camargo Corrêa também fazia pagamentos ao lobista a partir de contas bancárias de consórcios nos quais o delator tinha participação. A colaboração premiada do lobista ajuda o Ministério Público Federal a rastrear a fortuna do petista Renato Duque no Exterior. Barusco também aderiu a um acordo de delação premiada e colabora com as investigações. Júlio Camargo se comprometeu a entregar aos delegados e procuradores da República extratos bancários que identifiquem as contas utilizadas pelo ex-diretor de Serviços da Petrobras para receber propina no Exterior. Ele também vai ajudar no reconhecimento dos emissários enviados pelo petista Renato Duque para receber propina em espécie, que ele conhecia apenas pelos apelidos de Tigrão, Melancia e Eucalipto. 

IPCA acelera para 0,51% em novembro, diz IBGE; em 12 meses, fica acima da meta. De novo!

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou para 0,51% em novembro, ante 0,42% registrados no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. O resultado ficou abaixo do esperado por analistas consultados pela agência Reuters, que projetavam uma alta de 0,54% no mês passado. Em doze meses, o IPCA acumula avanço de 6,56% até novembro, contra 6,59% em outubro, mantendo-se pelo quarto mês seguido acima do teto da meta do governo, de 6,50%. Já no acumulado do ano, o IPCA teve alta de 5,58%. Mais uma vez, o segmento Alimentação e Bebidas teve a maior contribuição para a alta do IPCA no mês, com contribuição de 0,19 ponto percentual (37% do IPCA do mês) para o resultado de novembro. O item carnes permaneceu, pelo terceiro mês consecutivo, na liderança do ranking dos principais impactos, com 0,09 ponto percentual. Além das carnes, outros alimentos ficaram bem mais caros de um mês para o outro, com destaque para a batata-inglesa, cujos preços aumentaram 38,71%. Outro grupo que pressionou o índice foi o de Transportes (impacto de 0,08 ponto porcentual), principalmente por conta da alta do item combustíveis. O preço do litro da gasolina ficou quase 2% mais caro, refletindo, nas bombas, parte do reajuste de 3% nas refinarias, em vigor a partir de 7 de novembro. A energia elétrica também figura entre os principais impactos, com contribuição de 0,05 ponto percentual no índice. Diante da inflação pressionada, o Banco Central (BC) intensificou o ritmo de aperto monetário nesta semana e elevou a taxa básica Selic em 0,50 ponto percentual, a 11,75% ao ano. Mas, embora o BC tenha indicado que pode reduzir a intensidade da alta em breve, o movimento reforçou as sinalizações dadas pela nova equipe econômica - com Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa no Planejamento e Alexandre Tombini mantido no BC – de maior rigor fiscal e combate à inflação.

O Brasil tem jeito: privatização de estatais e quase extinção de cargos de confiança. Vai encarar, Dilma, ou só embromar?

Escrevo: “Tanto Paulo Roberto Costa como Youssef afirmam que o esquema da Petrobras era apenas uma das cabeças da hidra. É claro que a empresa não reúne condições particulares para ser tomada por uma quadrilha. Vigoram ali as condições estruturais presentes nas demais estatais e na administração. Logo… Até hoje ninguém se dispôs a me explicar por que um partido político reivindica a diretoria de operações de uma estatal. Com que propósito?” Muito bem! Ao revogar o pedido de prisão preventiva de Gerson de Mello Almada, vice-presidente da empresa Engevix, que está na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, o juiz Sérgio Moro afirmou haver indícios de que “os crimes transcenderam a Petrobras”, classificando de “perturbadora” uma tabela apreendida em março com o doleiro Alberto Youssef. Ela traz uma lista com 750 obras públicas de infraestrutura. No papel, constavam “a entidade pública contratante, a proposta, o valor e o cliente do referido operador, sendo este sempre uma empreiteira”. Pois é. O alerta que fiz não é o primeiro. Há tempo afirmo aqui que a Petrobras é apenas uma das franjas da organização criminosa que tomou conta do país. Como é que a gente coíbe a roubalheira? Se vocês querem saber, severas as leis até que são. O problema está na lentidão com que são aplicadas e na forma de organização do estado brasileiro. Eis a palavra-chave para abrir as portas do enigma: estado. A corrupção não é nova no Brasil nem foi inventada pelo PT. Criadas as condições ideais, estejam certos, ela floresce em qualquer lugar: no Brasil, na Somália ou na Suécia. São as instituições e a certeza da punição que contêm os maus apetites humanos. Vamos pensar de maneira lógica, uma dificuldade frequente no Brasil. E se a Embraer ainda fosse estatal? Resposta: ela estaria tomada pela máquina corrupta. E se a Vale ainda fosse estatal? Ela estaria tomada pela máquina corrupta. E se a telefonia ainda fosse estatal? Ela estaria tomada pela máquina corrupta. Vale dizer: mais estatais, mais poder aos corruptos. A relação é direta. Sim, claro! Além das disposições objetivas — as tais condições —, é preciso que haja um partido que faça da corrupção um método, uma categoria de pensamento, um norte ético. A corrupção atinge proporções inéditas no país porque, nos 12 anos do mandarinato petista, o estado, mesmo sem aquelas empresas privatizadas em governos anteriores, passou a ter uma presença na economia só comparável à que havia no regime militar — que, todos sabemos, era essencialmente menos corrupto, o que não quer dizer que fosse desejável em muitos outros aspectos. É que a moral dos quartéis é mais severa do que a dos políticos. Não se agiganta o estado impunemente. Acreditem: mesmo quando administrado por homens individualmente honestos, ele passa a atender a interesses de corporações, de grupos de pressão, de voluntariosos organizados que reivindicam para si o direito de comandar os destinos do País. Se Dilma realmente quisesse deixar uma herança virtuosa, se tudo não passasse de embromação para fazer passar o tempo, se tivesse, de fato, a disposição de moralizar a vida pública, como prega em discursos, ela começaria o seu período de reformas não pela política, mas pela administração: profissionalize todos os postos das estatais, reduza os cargos federais de livre nomeação à sua dimensão mínima e reinicie o programa de privatizações. Começando pela Petrobras. Vamos lá, Dilma, deixe a esquerda raivosa e a direita perplexa, como disse Collor um dia — só que sem a farsa! É claro que estou fazendo uma ironia. Não vai acontecer. Só estou evidenciando que o Brasil tem jeito. O que não tem jeito no País é a canalha que se apossa do bem público em proveito próprio. E ela é ainda mais safada quando alega fazer isso em nome de uma ideologia. Por Reinaldo Azevedo

Petrobras corre o risco de perder grau de investimento, diz Moody's

Logo da Petrobrás


A Petrobras corre o risco de ser excluída do seleto grupo de empresas com acesso a grandes investidores internacionais, como fundos de pensão e de investimento. O alerta foi feito na quinta-feira pela vice-presidente e analista sênior da agência de classificação de risco Moody's, Nymia Cortes de Almeida. Um dia depois de rebaixar a nota individual da empresa de baa3 para ba1, a agência informou que "há a possibilidade" também de rebaixamento da nota global da Petrobras, que, com isso, poderá perder o selo de grau de investimento. Tudo vai depender da capacidade do Tesouro Nacional de apoiar a estatal caso ela tenha dificuldade de arcar com compromissos financeiros e de captar recursos no exterior que garantam a continuidade do pesado plano de investimentos para os próximos anos. A agência enxerga dois riscos para a empresa. Primeiro, o de não conseguir atender às exigências impostas pela auditora financeira PricewaterhouseCoopers (PwC) e, com isso, perder a confiança dos investidores e a liquidez. O segundo é de, ao mesmo tempo, a União, principal acionista da estatal, ter dificuldade de acesso a recursos do mercado. A PwC se negou a validar o resultado financeiro da petroleira relativo ao terceiro trimestre deste ano diante das denúncias de existência de um esquema de corrupção na empresa, investigado pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. A auditoria fez uma série de exigências de controle interno à companhia. A avaliação da Moody's é que a primeira medida da empresa em resposta à PwC, a de criação de uma diretoria de governança corporativa, é muito positiva, mas acredita também que a medida não é suficiente e que o restabelecimento da confiança do mercado não acontecerá rapidamente. Vice-presidente e analista sênior da agência, Nymia Cortes de Almeida reconhece ser "alto" o apoio do governo à petroleira, por causa da importância da empresa para a economia nacional. "Mas, se a gente imaginar que esse apoio pode ser menor do que o necessário, a nota global da empresa poderá ser rebaixada", afirmou. Não só o desempenho da nova equipe econômica da presidente reeleita Dilma Rousseff poderá afetar a nota da Petrobras, mas, principalmente, a demonstração do Tesouro de que se mantém capaz de ter acesso ao mercado. Segundo Nymia Cortes, a avaliação do risco da empresa não depende tanto do alcance das metas de crescimento econômico, medido pelo Produto Interno Bruto (PIB), ou do superávit primário. A agência vai observar nos próximos meses, principalmente, a facilidade da União de obter recursos. Para a Petrobras perder o selo de grau de investimento, teria que ser rebaixada em um nível e meio, o que reduziria o acesso da petroleira ao mercado e ainda tornaria mais caro qualquer financiamento. A Moody's já rebaixou na última quarta-feira a classificação individual da Petrobras, de baa3 para ba1. Neste caso, avalia apenas a gestão da companhia, independentemente de um possível apoio do governo. A nota global da companhia permanece em Baa2, com perspectiva negativa. Nymia disse acreditar na afirmação do diretor Financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, de que a companhia tem dinheiro em caixa suficiente para não precisar ir a mercado nos próximos seis meses. No entanto, ela considera que esse prazo é curto para uma companhia com a dimensão e os desafios de investimento da Petrobras.

Dilma, o crescimento, os juros, a amoxicilina e o clavulanato de potássio

O governo divulgou a expectativa de crescimento da economia para o ano que vem. O número despencou de 2% para… 0,8%. Eis aí: de repente, pimba! E temos uma projeção 60% menor. É que a anterior ainda estava sob a esfera de influência — ou a metafísica — de Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento), que foram se tornando, com o tempo, sinônimos de piada, uma menos engraçada do que o outro. Mas a notícia importante do dia, nesse particular, nem é essa. O governo desistiu — alvíssaras! — de fazer suas próprias projeções de crescimento e de anunciá-las para a crença de ninguém. Agora, deixa claro, ele vai apostar no que apostar o boletim Focus, que traduz o consenso de mercado. Mantega passou boa parte do tempo afirmando que as expectativas dos agentes econômicos eram muito pessimistas. Pois é… Ocorre que eles sempre estavam certos, e ele, sempre errado. Com um pouco mais de esperteza e ginga, o ministro demitido teria feito o quê no passado? Ora, adotado o número que ele achava “pessimista”. Caso fosse surpreendido, ótimo! Caso o número se cumprisse, ele não teria passado por, digamos, ligeiro… Mas admito que é uma operação mental de alguma complexidade. Ajustar a previsão de crescimento aos números de mercado faz parte da “Operação Credibilidade” que está em curso. Na parte mais substantiva desse esforço, está a elevação da taxa de juros, o que deixa muita gente pacificada, ainda que a eficácia de tal medida seja viciosa, com risco de matar o paciente (já explico). Acontece que o governo passou muito tempo fingindo que tudo ia bem e achando que poderia renunciar à alopatia, numa conversão, digamos assim, à homeopatia doidivanas. Agora, precisa mostrar seu lado de fanático alopata para parecer sério. Só pra constar: eu não estou negando, no parágrafo anterior, que elevação de juros concorra para a queda da inflação. É um dos remédios, assim como a amoxicilina elimina uma porção de bactérias, entendem? Só que há aquelas que se tornam resistentes à substância — sem que esta deixe de ser antibiótica. Aí é preciso ministrar junto o clavulanato de potássio. Vejam bem: o Brasil já vinha tomando amoxicilina em doses cavalares, né? Os juros já eram os mais altos do mundo. E a inflação resistiu. Sinal de que o paciente não precisa só de mais amoxicilina. Qual será o clavulanato para contornar a infecção? Por Reinaldo Azevedo