Depois de anos de graves dificuldades para garantir o abastecimento -especialmente nos verões de 2021 e 2022-, a situação energética estabilizou-se nos últimos meses, mas com a virada do ano registaram-se grandes quedas específicas na capacidade de produção. A UNE, dependente do Ministério de Energia e Minas, calcula para o horário de maior consumo, no período noturno, capacidade de geração elétrica de 1.975 megawatts (MW) e demanda máxima de 2.880 MW. Desta forma, o déficit será de 905 MW e o impacto – o que será efetivamente desligado – atingirá 975 MW nos “horários de ponta”.
O sistema eléctrico cubano encontra-se numa situação precária, evidente nas frequentes falhas e quebras das suas obsoletas centrais terrestres, devido à crónica falta de investimentos e manutenção. A falta de divisas do Estado também tem dificultado a importação de combustíveis, o que afeta a produção de energia. Nos últimos cinco anos, o regime cubano alugou até sete centrais flutuantes à empresa turca Karpowership para aliviar a falta de capacidade de produção, uma solução rápida mas temporária, poluente e dispendiosa.
Os cortes frequentes no fornecimento de eletricidade prejudicam a economia – que em 2023 contraiu entre 1 e 2% – e alimentam o descontentamento social numa sociedade já gravemente afetada por uma crise econômica há três anos. Os apagões têm sido um dos desencadeadores de protestos nos últimos anos, incluindo os de 11 de julho de 2021, os maiores em décadas.
O ditador de Cuba, o torturador comunista Miguel Díaz-Canel, e altos funcionários do regime lançaram uma ofensiva política na segunda-feira, poucos dias antes de um aumento de cinco vezes nos preços da gasolina e de aumentos de impostos, apelando aos militantes comunistas para unirem forças para enfrentar a crise econômica. O regime cubano anunciou no final de dezembro uma série de medidas – incluindo aumentos nos preços dos combustíveis e dos transportes públicos – destinadas a reduzir o défice orçamental. Os economistas locais descrevem as medidas como inadequadas e afirmam que ameaçam um aumento da inflação.
Em um relatório sobre a primeira reunião do Conselho de Ministros de 2024, publicado segunda-feira na imprensa local, o ditador Díaz-Canel exortou os líderes políticos a prepararem-se para participar e discutir as medidas com a população cubana em um debate nacional à medida que saem da implementação do novos regulamentos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário