A estilista Vana Lopes, a primeira vítima a denunciar o médico monstro Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão pelos crimes de estupro e atentado violento ao pudor contra pacientes - com sentença reduzida para 173 anos, morreu na madrugada deste sábado (28), aos 64 anos, em São Paulo. Ela sofria de um câncer de mama em estágio avançado. A informação foi confirmada por Maria do Carmo Santos, presidente do grupo Vítimas Unidas, criado por Vana com um grupo de mulheres abusadas por Abdelmassih. Segundo Maria do Carmo, Vana teve um câncer de mama há cerca de quatro anos."Ela reuniu um conjunto de pessoas ao redor dela que vão continuar a sua luta. Ela lutou até seu último minuto. Ela deixa um legado e um monte de filhos ativistas. A luta pelas mulheres vítimas fica um pouco menor, mas vamos seguir", continuou.
Vana vivia em Portugal com o marido. Ela voltou ao Brasil nos últimos dias por conta de uma possibilidade de tratamento. Na noite de ontem, Vana teve duas convulsões e entrou em parada cardíaca. Ela deixa uma filha, uma neta e uma bisneta. Vana foi a primeira vítima a denunciar Roger Abdelmassih. Ela fazia tratamento de fertilização in vitro na tentativa de engravidar quando foi violentada pelo ex-médico, em 1993. Na época, a vítima foi até a delegacia denunciar Abdelmassih, foi encaminhada para fazer exame de corpo de delito e depois foi até o Conselho Regional de Medicina.
Abdelmassih só foi indiciado em junho de 2009 por estupro e atentado violento ao pudor contra 39 pacientes. Ele chegou a ficar preso de 17 de agosto a 24 de dezembro de 2009, mas recebeu do Supremo Tribunal Federal o direito de responder o processo em liberdade. O habeas corpus foi revogado pela Justiça em janeiro de 2011, quando ex-médico tentou renovar seu passaporte, o que sugeria a possibilidade de que ele tentaria sair do Brasil. Como a prisão foi decretada e ele deixou de se apresentar, passou a ser procurado pela polícia.
Em 2011, Vana criou a página "Vítimas Unidas" que coletava informações sobre novas vítimas de Roger e sobre o possível paradeiro dele. Em agosto de 2014, Abdelmassih foi preso em Assunção, capital do Paraguai. No dia da prisão, Vana e outras vítimas esperaram pela chegada do ex-médico no Aeroporto de Congonhas para mostrar que elas "têm rosto".

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