Assine Vitor Vieira Jornalismo

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Deputado quer CPI para investigar fraude bilionária das Americanas



O rombo bilionário nas contas das Lojas Americanas, revelado na última semana e que pode alcançar os R$ 40 bilhões, deve ser alvo de investigação na Câmara dos Deputados. O deputado federal André Fufuca (PP-MA) coleta assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possível fraude no mercado de ações. O parlamentar fala em “investigar inconsistências” que foram detectadas nos lançamentos contábeis da empresa. O requerimento ainda está em fase de coleta de assinaturas para, havendo o número mínimo de apoio, ser instalada a CPI. O documento precisa de pelo menos 171 assinaturas. CPIs deixaram de ser importantes há muito tempo, desde que se descobriu que serviam de meio de achaque de investigados da parte dos parlamentares.

Na última quarta-feira (11), a Americanas divulgou informe apontando “inconsistência” da ordem de R$ 20 bilhões. O anúncio terminou na demissão do CEO da companhia, Sergio Rial, e de Andre Covre, diretor de Relações com Investidores. A empresa também fez um pedido de recuperação judicial. A situação das Lojas Americanas mexe com o mercado financeiro, Bradesco, Santander e Itaú são os maiores expostos com o grande rombo das Americanas. Pequenos investidores também devem sofrer algum prejuízo com o escândalo. Instituições financeiras, como o Nubank, têm reserva financeira aplicada em debêntures da Lojas Americanas, tido, até então, como investimento de baixo risco. Nem os fundos de tijolo escaparam do desastre causado pela Americanas (AMER3) na bolsa, mas outra classe de FIIs não foi afetada e pode “decolar”. As inconsistências contábeis divulgadas pela companhia tiveram consequências desastrosas para as ações da empresa, que caíram cerca de 78% em um dia. Além disso, culminaram na renúncia de Sérgio Rial como CEO e também do CFO, apenas uma semana após assumirem os cargos. Entretanto, o problema não ficou restrito apenas às ações da Americanas e chegou a impactar outras classes de ativos, como a de fundos imobiliários (FIIs).

Acontece que, com a notícia do rombo bilionário, alguns fundos de tijolo, isto é, que têm seu capital alocado em ativos físicos, foram penalizados. Em especial o GGR Copevi Renda (GGRC11). As contas desse FII já tiveram perdas superiores a 4%. Tanto o GGR Copevi Renda quanto os outros quatro FIIs impactados pela Americanas são fundos de tijolo que têm a varejista como inquilina. Para se ter uma ideia, cerca de 17% da receita do GGRC11 vem de contratos com a empresa. Embora a queda desses ativos em específico tenha sido motivada pela notícia da Americanas, o acontecimento chama atenção para o desempenho dessa categoria de FIIs.

Em 2022, os fundos de tijolo lideraram a queda entre os FIIs listados em bolsa. Por esse motivo, o analista de fundo imobiliários da Empiricus Research, Caio Araujo, avalia que o investidor deve buscar ativos que se beneficiem tanto da Selic quanto da inflação. Ele encontrou dois FIIs que têm potencial para renderem até 15% ao ano cada um nos próximos três anos devido a esse cenário de juros e inflação mais altos. O ‘problema’ dos fundos de tijolo não começou com as Americanas (AMER3)

A situação das Americanas chamou a atenção para o desempenho dos fundos de tijolos. Mas a verdade é que essa categoria de FIIs não tem vivido os seus melhores dias na bolsa já tem algum tempo. Esses fundos são donos de galpões logísticos, lajes corporativas, shopping centers e outros imóveis. Isso significa que a maior parte do desempenho desses ativos vem do aluguel desses espaços. Contudo, durante a pandemia de covid-19, o número de vacância aumentou expressivamente, prejudicando o rendimento dos fundos. Em seguida, a inflação e alta dos juros contribuíram para que esses ativos continuassem tendo desempenho negativo, mesmo com a retomada das atividades presenciais.

Por esses motivos, os FIIs de tijolo estão tendo um desempenho bastante negativo nos últimos meses. Isso não quer dizer que você não deva tê-los na carteira, no entanto, na visão do Caio, a escolha desses FIIs precisa ser bastante cuidadosa. Agora, se você quiser uma oportunidade de lucros atrativos com fundos imobiliários, o momento é propício para os FIIs de papel. Enquanto os fundos de tijolo têm sido penalizados por diversos fatores, os FIIs de papel podem “decolar” na bolsa e Araujo acredita no potencial de dois fundos em específico. Ao invés de investir em imóveis físicos, esses FIIs alocam o seu capital em títulos de dívida do setor imobiliário. Isto é, investimentos em renda fixa com remuneração atrelada ao IPCA ou ao CDI.

Na prática, os fundos imobiliários de papel investem em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), Letras Hipotecárias (LHs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), entre outros. Assim, esses ativos pagam mais quando a inflação e os juros sobem. Como consequência, os fundos de papel tendem a se valorizar com a alta da inflação. E o inverso também acontece. No terceiro trimestre de 2022, esses ativos sofreram quedas no valor das suas cotas por conta da deflação (inflação negativa). Contudo, Caio Araujo já havia alertado que esse movimento era passageiro e abria uma oportunidade: comprar esses ativos com desconto.

Logo após os três meses seguidos de deflação em 2022, o IPCA voltou a registrar alta. Além disso, as expectativas de inflação para 2023, divulgadas pelo Focus, renovam as projeções de alta há quatro semanas consecutivas. Nas contas do analista, esses fundos imobiliários têm potencial para:Retomar o patamar de dividend yield de dois dígitos; render até 15% ao ano, nos próximos 3 anos, somando valorização e dividendos.

Nenhum comentário: