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terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Quase na clandestinidade, Câmara aprova aumento salarial dos deputados e do ex-presidiário



Sem alarde, sem comunicação prévia, num momento em que o Congresso Nacional vive dias tenebrosos, os deputados resolveram aumentar seus próprios salários, nesta terça-feira, 20. Todos os partidos orientaram a favor, com exceção do Novo e do Psol. O pedido de urgência para votar o reajuste hoje foi aprovado por 348 votos a 45. O plenário, contudo, estava vazio, porque os deputados podem votar on-line desde a pandemia. O reajuste afeta todos os servidores federais: Congresso Nacional, Ministério Público Federal e Tribunais Superiores, por exemplo. Foram 11 projetos de aumento de remunerações em sequência, com análise relâmpago.

Os deputados vão ganhar aumentos graduais e chegarão ao final do mandato, em 2026, com valor de R$ 46 mil — 40% a mais do que recebem hoje. Foi incluído ainda um auxílio-mudança no valor de R$ 50 mil, mesmo para quem se reelegeu e seguirá em Brasília. Em seguida, outro requerimento de urgência foi aprovado para reajustar a remuneração do presidente da República, vice e ministros. O placar foi de 295 votos a favor contra 102. O salário de ministro do Supremo Tribunal Federal também chegará a R$ 46 mil. O efeito cascata só para o Judiciário será de R$ 13 bilhões.

“É um aumento para a elite do funcionalismo. Duvido que alguém grave um vídeo agora para explicar isso para a população. Avisaram que iriam votar faltando meia hora para começar a sessão”, afirmou o deputado Tiago Mitraud (Novo-MG). “Sempre fui servidora pública. Esse é um momento absolutamente inoportuno. Urgência para reajustar salários? O país está pegando fogo”, disse Bia Kicis (PL-DF): “Deveríamos estar aqui tentando defender a Constituição e salvar o motivo pelo qual fomos eleitos, porque o STF está legislando por nós".

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