A Ucrânia comunicou ontem que o ataque russo quebrou a promessa do país de não atacar a infraestrutura e exportação de grãos. Desde que Vladimir Putin, presidente da Rússia, invadiu à Ucrânia, em fevereiro deste ano, a Marinha russa bloqueou as rotas marítimas comerciais da Ucrânia, lançou ataques com mísseis em seus portos e infraestrutura de armazenamento de grãos e atacou navios civis de transporte. “A Rússia vai assumir total responsabilidade pelo aprofundamento da crise alimentar global”, comunicou ontem o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia. A pasta ainda acusou Putin de “cuspir no rosto” de António Guterres, secretário-geral da ONU, e de Recep Tayyip Erdoğan, presidente da Turquia. O ministro da Defesa da Turquia Hulusi Akar confirmou que a carga que havia no porto no momento do ataque não foi afetada. Portanto, as atividades continuam no local.
O acordo dos grãos firmado entre a Rússia e a Ucrânia ecoou como um “farol de esperança”. Tratava-se da primeira negociação entre os dois lados no conflito, que já dura cinco meses. A Ucrânia está com dificuldades para escoar a safra desde que a Rússia deu início à invasão ao país. Cerca de 95% da exportação dos grãos ucranianos ocorria pelo Mar Negro, até a rota ser bloqueada pelos russos.
Em 14 de julho, a Rússia havia anunciado uma tratativa prévia envolvendo a exportação de grãos. Na data, o secretário-geral da ONU se disse “otimista” e classificou o avanço como um “raio de esperança para aliviar o sofrimento humano e aliviar a fome em todo o mundo”. O Programa Alimentar Mundial da ONU, por exemplo, depende da Ucrânia para garantir cerca de metade do seu estoque. Em 2021, a Ucrânia forneceu quase 9% das exportações globais de trigo, além de 13% das de milho e cevada.

Nenhum comentário:
Postar um comentário