A siderúrgica CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) venceu nesta sexta-feira o leilão de privatização da geradora de energia elétrica gaúcha CEEE-G, após disputar o ativo em modo viva voz com a Auren Energia. Por meio da Companhia Florestal do Brasil, a CSN ofereceu R$ 928 milhões pela geradora hidrelétrica, representando um ágio de 10,93% sobre o preço mínimo de R$ 836,9 milhões definido em edital. A oferta bateu a última proposta oferecida pela Auren Energia, do grupo Votorantim e do CPPIB, que havia ofertado R$ 927,2 milhões.
Em 2021, visando à privatização, o governo do Rio Grande do Sul desverticalizou sua concessionária integrada Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) em três empresas diferentes: distribuidora CEEE-D, transmissora CEEE-T e geradora CEEE-G. Depois de vender a distribuidora (para a Equatorial em março de 2021 e a transmissora para a CPFL, em julho de 2021, o governo do Estado fez nesta sexta-feira sua segunda tentativa de leilão da geradora, desta vez bem-sucedida.
A primeira tentativa foi no início deste ano, quando o Rio Grande do Sul estabeleceu o preço mínimo em R$ 1,25 bilhão para sua participação de, aproximadamente, 66% na CEEE-G, mas isso foi visto como muito alto, acabando sem licitantes. Para esta segunda tentativa, o preço mínimo foi reduzido em cerca de 30%. O vencedor do leilão deverá pagar uma taxa de concessão mínima de R$ 1,66 bilhão para novos contratos de concessão de 30 anos e mudanças do regime de cotas para produtor independente.
A unidade CEEE-G é composta por 15 unidades hidrelétricas consolidadas, todas localizadas no Rio Grande do Sul (três comercializando energia no mercado livre e 12 em regime de cotas – a serem alteradas para produtor independente com novos contratos) totalizando 921 MW de capacidade instalada (407 MW médios de capacidade assegurada). A empresa também detém participações em oito unidades hidrelétricas e cinco ativos eólicos, totalizando 350 MW de capacidade instalada (160 MW médios de capacidade assegurada) na participação da CEEE-G.
O vencedor do leilão deve concluir a construção do complexo eólico Povo Novo (52,5 MW de capacidade instalada, R$ 250 milhões de capex restante previsto), que enfrentou problemas com fornecedores, e tem a opção de adicionar 82 MW de capacidade instalada (34,4 MWavg assegurada) por meio da expansão e repotenciação das UHEs existentes. Na avaliação do BBI, no cenário-base, o valor patrimonial total da CEEE-G é de, aproximadamente, R$ 1,7 bilhão.
Com essa privatização finalmente sai de cima dos ombros dos contribuintes gaúchos essa desgraça estatal chamada CEEE, um complexo energético que foi fundado durante o governo de Leonel Brizola, no final da década de 50 do século passado, que acabou se constituindo em um poderoso fator de atraso para a economia do Rio Grande do Sul. Consumida por seus empregados em milhares de ações trabalhistas, o complexo CEEE já não tinha qualquer capacidade de investimento, nem para trocar um poste da rede elétrica, desde a década de 70. O ex-governador Antonio Britto iniciou o seu processo de privatização, tendo perdido a oportunidade de vender esse trambolho em boas condições na década de 90. O povo do Rio Grande do Sul ainda teve que aturar por mais 30 anos essa grande desgraça, verdadeiro símbolo de como uma classe política e elites atrasadas podem emperrar o progresso de uma sociedade.

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