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quinta-feira, 7 de julho de 2022

Banrisul pratica assédio moral e intimidatório contra todos os funcionarios, especialmente mais velhos, e sindicato fecha agências


Diretores do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) fecharam a agência do Banrisul localizada na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, na manhã desta quarta-feira (6), após o recebimento de denúncias de assédio moral na Unidade. Conforme os relatos, a gestão vem reiteradamente praticando uma política de intimidação e medo junto a alguns trabalhadores do local. Conforme o sindicato petista dos bancários, pressão pelo cumprimento de metas, manipulação psicológica e situações de desrespeito ao quadro de funcionários são situações corriqueiras na agência. Isso é contumaz em toda a estrutura do Banrisul, especialmente no prédio da Direção Geral, no central de Porto Alegre, onde o banco estatal manteve por muitos anos a chamada "sala do limbo", uma sala sem rádio, sem televisão, sem telefone, sem computadores, onde funcionários "escolhidos" para a demissão, transferência ou outro castigo, eram segregados, obrigados a permanecer ali durante todo o período do expediente diário. Atualmente, essa "sala do limbo" foi substituída pelo muito cínico POP - Programa de Oportunidade Profissional. O funcionário (especialmente os mais velhos) são jogados no POP e isso é um sinal para que peçam para sair do banco. 

A iniciativa da direção do Sindicato dos Bancários de fechar a agência da Lomba do Pinheiro chamou a atenção de clientes, que tiveram seus direitos respeitados e o acesso garantido aos terminais eletrônicos de autoatendimento da agência. A unidade permaneceu fechada até as 12 horas.


“Após tentativa de diálogo com a gerência da Unidade, decidimos fechar a agência em consideração aos banrisulenses que vêm sendo submetidos a uma gestão de medo e perseguição. Esse tipo de gestão vem provocando o adoecimento psicológico e mental dos trabalhadores, o que resulta na diminuição do rendimento de parte do quadro de funcionários”, explica a diretora do SindBancários, Sílvia Chaves, que esteve presente no momento em que a porta de entrada do estabelecimento foi selada, barrando o acesso de trabalhadores e funcionários ao local. Conforme a diretora, a política de assédio é uma bola de neve, pois com o adoecimento dos colegas há a diminuição do desempenho individual e a sobrecarga de trabalho dos demais colegas.

Continua a denúncia do Sindicato dos Bancários: "O constrangimento é tão grande que extrapola o espaço físico da unidade bancária, criando situações embaraçosas inclusive para o comércio do entorno. Segundo depoimentos de comerciantes da região, a gestão da agência é desrespeitosa inclusive com quem não é subordinada a ela, como atendentes de farmácia, flanelinhas e caixas de armazéns e mercados".

Naturalmente, nenhum veículo da grande imprensa do Rio Grande do Sul, durante o governo do renegado tucano Eduardo Leite, dá um pio sequer sobre esta diária agressão do banco estatal contra os seus funcionários, e isso é compreensível, o fato é que todos estão devidamente "comprados" pelo governo que distribui as fartas verbas publicitárias do Banrisul. 

O diretor de Comunicação do sindicato, Gilnei Nunes, destaca que os dirigentes do SindBancários foram mal recebidos durante a primeira e única tentativa de diálogo com a gestão da Unidade.
“ Quando questionamos as instâncias superiores da agência sobre as denúncias que recebemos, fomos tratados de forma ríspida, com requintes maquiavélicos, a julgarmos pela frase que nos foi dita na ocasião: “aos amigos do rei tudo, aos inimigos, o rigor da lei”, enfatizou o diretor, ao se referir a frase do filósofo italiano, Nicolau Maquiavel, dita pela gestão no momento em que foi confrontada com as denúncias.

O presidente sindical Luciano Fetzner também acompanhou o fechamento da unidade e aproveitou para se comunicar diretamente com a categoria através das redes sociais. Em vídeo publicado na página do SindBancários no Instagram, o dirigente sindical destacou que o assédio moral não é uma situação isolada em uma ou outra unidade do Banrisul, mas um problema sistêmico que já dura há muito tempo. Para ele, chegou a hora de dar um basta em práticas violentas e intimidadoras de gestão.

“Este é um problema generalizado, não apenas no Banrisul, mas em toda a categoria. É por isso que o movimento sindical bancário incluiu uma cláusula de combate ao assédio moral e sexual na Convenção Coletiva de Trabalho que está sendo negociada com Fenaban. 


Também no último dia 30 de junho, uma quinta-feira, a direção do Sindicato dos Bancários fechou outra agência do Banrisul, a da Redenção, no bairro Bomfim, em protesto ao assédio moral institucionalizado no banco estatal gaúcho. A diretora do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região e empregada do Banrisul, Ana Guimaraens, conta que esse foi o primeiro dia de paralisações que serão realizadas pela categoria nas agências do banco, “até que mude essa política de terror dentro do ambiente de trabalho”. “Viemos dar um recado muito claro para a direção e superintendência do Banrisul, chega de assédio moral. Não é de hoje que estamos tentando um diálogo junto à direção para que os funcionários sejam tratados com consideração e dignidade. Todos os empregados do Banrisul merecem respeito, o colega que trabalha no caixa, na plataforma, o operador de negócios, o gerente, todos merecem respeito. É inaceitável a gestão por coação e desrespeito”, afirma Ana, que conta ainda que chegam ao sindicato relatos diários de humilhações pelos funcionários, de colegas chorando no local de trabalho e até reclamação de clientes.


Após constantes denúncias dos bancários e bancárias do Banrisul, o sindicato tem buscado, sem sucesso, retorno da direção quanto às demandas apresentadas. Na última semana, dirigentes sindicais fizeram um ato em frente a Superintendência Regional do Banrisul, na Avenida 24 de Outubro, pedindo por respeito aos trabalhadores. Segundo o diretor do SindBancários e empregado do Banrisul, Gerson Reis, as mobilizações serão feitas até que o banco escute e reconheça as situações de assédio dentro de suas unidades. “Este é o papel do sindicato: a gente é demandado e está aqui para defender os colegas e buscar melhores condições de trabalho, porque eles não estão aguentando mais. A diretoria cobra do superintendente, o superintendente cobra dos gerentes e os gerentes cobram dos funcionários. Vai estourar no elo mais fraco, que são os funcionários”, denuncia.

Luciano Fetzner, presidente do SindBancários, lembra que essa situação não é um problema apenas desta ou daquela agência, mas da estrutura de assédio organizacional do Banrisul. “Isso porque o banco está com falta de funcionários, sobrecarga de trabalho, metas abusivas e esse cenário adoece toda equipe, da faxineira ao gerente geral. E reflete inclusive no mau atendimento à população, que fica cada vez pior, dentro de um projeto que a gente sabe bem qual é a intenção, que é vender a ideia de que privatizar o banco é a melhor solução”, observa o dirigente.


A diretora do SindBancários, Ana Guimaraens, conta como o Banrisul faz para humilhar, rebaixar, aterrorizar os funcionários: "Uma das formas do assédio é preparar uma ata de reunião com um funcionário, procedimento que não é permitido e nem consta em nenhuma resolução normativa do banco. Essa ata serve para registrar condutas que possam prejudicar o empregado. Á revelia, gerentes têm usado a ata para constranger os colegas e preparar os processos administrativos para posterior demissão. É uma ferramenta criada dentro das agências, da cabeça de gestores, como uma forma de coação, de total desrespeito e desconsideração com o profissional”. Continua Ana Guimaraens: "Essa que chamamos de ata da humilhação funciona da seguinte forma: chamam o funcionário para uma reunião e apresentam uma série de situações em que ele não agiu exatamente como eles queriam, infantilizando a relação de trabalho, como se os funcionários não soubessem suas atribuições e precisassem ser tratados como crianças. Cobram coisas como ‘aquele dia tu não atendeu direito’, ‘no outro dia tu fez tal coisa, mas não era assim que tinha que ser feito’; um total desrespeito à capacidade funcional dos colegas”, conta a dirigente.

O que antes era situação isolada em algumas unidades, hoje é a política de Recursos Humanos do Banrisul. O assédio institucional é a regra. A responsabilidade é da gestão do banco, nomeada pelo governo do Rio Grande de Sul, pelo renegado tucano Eduardo Leite, que os pressiona. São esses mesmos gestores que assediam superintendentes. Os superintendentes assediam gerentes, que assediam gerentes de negócios e supervisores, que assediam funcionários. O sistema do Banrisul está doente e os trabalhadores também.

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