O governo da Suécia decidiu solicitar formalmente a adesão à aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), disse a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, nesta segunda-feira (16), colocando o país no caminho para acabar com o não-alinhamento militar que durou toda a Guerra Fria.

Os sociais-democratas no governo da Suécia abandonaram no domingo (15) sua oposição de 73 anos sobre associar-se à Otan e esperam uma adesão rápida, após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro.A decisão de abandonar o não-alinhamento militar que tem sido um princípio central da identidade nacional sueca por dois séculos marca uma mudança radical na percepção pública na região nórdica, após o ataque da Rússia a um país vizinho. "A Europa, a Suécia e o povo sueco estão vivendo agora em uma nova e perigosa realidade", afirmou Magdalena Andersson durante um debate sobre política de segurança no Parlamento nesta segunda-feira.
No entanto, ela disse que a Suécia não quer bases militares permanentes da Otan ou armas nucleares em seu território se a adesão for aprovada. Há amplo apoio no Parlamento para uma candidatura, embora o governo não precise de aprovação para prosseguir. A Finlândia também confirmou no domingo que vai se candidatar para ingressar na aliança militar.
Um obstáculo já surgiu antes mesmo de os pedidos chegarem à sede da Otan, em Bruxelas. A Turquia surpreendeu seus aliados da Otan ao dizer que não vê os pedidos da Finlândia e da Suécia de forma positiva, principalmente citando o histórico de hospedar membros de grupos militantes curdos. O ditados islamista Tayyip Erdogan, chamou os países escandinavos de "hospedagens para organizações terroristas".
O ministro da Defesa sueco, Peter Hultqvist, disse hoje que a Suécia iniciará discussões diplomáticas com a Turquia para tentar superar as objeções de Ancara ao seu plano de ingressar na Otan. "Enviaremos um grupo de diplomatas para discutir e dialogar com a Turquia para que possamos ver como isso pode ser resolvido e sobre o que realmente se trata", afirmou Hultqvist à emissora de serviço público SVT. A Turquia disse que deseja que os países nórdicos interrompam o apoio a militantes curdos em seu território e suspendam as proibições de venda de algumas armas para a Turquia.
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