Ginsburg foi diagnosticada com o câncer de pâncreas no ano passado, mas não foi a primeira vez que ela passou por tratamentos sérios. Em 1999, foi tratada para um câncer de cólon, e enfrentou um câncer de pâncreas também em 2009. Em dezembro de 2018 também foi tratada de um câncer no pulmão. Sua última hospitalização foi em 14 de julho, por conta de uma infecção relacionada ao tratamento.
Ruth Ginsburg foi nomeada pelo ex-presidente democrata Bill Clinton em 1993, e se tornou a segunda mulher a integrar a Suprema Corte. Após a aposentadoria da juíza Sandra Day O'Connor, em 2006, Ruth Ginsburg se manteve como a única mulher na corte até a indicação de Sonia Sotomayor em 2009 e Elena Kagan em 2010. Na Suprema Corte, Ruth Ginsburg tinha a reputação de ser uma dura questionadora com tendência liberal. Marcada por decisões que enfrentavam a discriminação sexual, ela foi a responsável pela admissão de mulheres, em 1996, no Instituto Militar da Virgínia.
Durante a administração do presidente democrata muçulmano Barack Obama, alguns liberais insistiram com que Ginsburg renunciasse ao cargo. Isso para que o democrata pudesse nomear seu sucessor, mas ela rejeitou o pedido. Os juízes da Suprema Corte, os juízes do tribunal de apelações e os juízes dos tribunais distritais são nomeados pelo presidente dos Estados Unidos e confirmados pelo Senado, segundo a Constituição norte-americana.
O presidente Donald Trump poderá indicar um substituto para Ruth Ginsburg logo nos próximos dias. A lista de possíveis indicados para o assento na corte incluiria pelo menos uma representante mulher. O líder dos senadores democratas, Chuck Schumer, já se pronunciou e disse que o assento de Ruth Ginsburg não deveria ser ocupado antes das eleições de novembro. Atualmente, sem a juíza, a corte se mantém com cinco juízes conservadores e três liberais.
Já o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, disse que a casa vai apoiar a indicação de Trump para a vaga de Ginsburg. Ao ser informado da morte da juíza, Trump disse a jornalistas que lamentava sua morte e que "concordando ou não" ela foi uma "mulher maravilhosa que viveu uma vida maravilhosa".
Não é a primeira vez que um juiz da Suprema Corte morre em ano eleitoral. Em 2016, o então juiz Antonin Scalia morreu, deixando o cargo vago em ano eleitoral – e último do mandato do então presidente Barack Obama, que nomeou Merrick Garland para a vaga na Suprema Corte.
Para que um juiz seja confirmado na Suprema Corte dos Estados Unidos, a nomeação presidencial precisa passar por aprovação do Senado. Em 2016, a maioria no Senado americano era, como hoje, republicana – e adversária de Obama, democrata. O Senado se recusou a considerar a nomeação de Garland, e ele nunca assumiu a vaga. Os senadores alegaram que quem deveria escolher o próximo juiz era o presidente que fosse eleito, e não Obama. Em 2017, depois que assumiu a Casa Branca, Trump nomeou Neil Gorsuch para o cargo.
Tido como conservador, Gorsuch surpreendeu e votou a favor, em junho, de uma lei que protegia a população LGBT de discriminação no trabalho. A legislação foi aprovada na corte por 6 votos a 3. No ano seguinte à nomeação e posse de Gorsuch, o juiz Anthony Kennedy se aposentou. Para ocupar a vaga, Trump nomeou Brett Kavanaugh, dando início a um longo impasse – porque havia acusações de assédio sexual contra ele. Em outubro de 2018, mais de três meses depois da aposentadoria de Anthony Kennedy, Kavanaugh assumiu o posto na Suprema Corte dos Estados Unidos. (G1)

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