Na denúncia enviada à Justiça Federal na segunda-feira, 14, os procuradores pedem que seja decretada a reparação integral do dano, de no mínimo R$ 2.337.691,31 (em valores da época). Segundo o Ministério Público Federal em Santa Catarina, a denúncia trata de "vultosos pagamentos" realizados pelo operador de Garcia para aquisição de uma série de bens: apartamentos, terreno e 103 vagas de garagem em prédio comercial. Além disso, envolve ainda outras despesas pessoais do ex-conselheiro e de seus familiares pagas com recursos oriundos de contratações e licitações fraudadas pela organização criminosa investigada na Alcatraz. Mais uma vez o nome de Tribunal de Contas estadual está envolvido. Todos esses tribunais, no País inteiro, são antros de corrupção.
“O ex-conselheiro mantinha verdadeira ‘conta corrente’ com o operador financeiro denunciado que, por meio de uma planilha, controlava o ingresso de propinas pagas pelos prestadores de serviços do Estado e os repasses realizados ao ex-conselheiro, tanto em espécie quanto por meio do pagamento de despesas pessoais, inclusive de seus familiares, especialmente para aquisição de imóveis”, registrou a Procuradoria em nota.
Os investigadores apontam que identificaram, até o momento, repasses ocultos feitos pelo operador em nome de Garcia que somam mais de R$ 2,7 milhões. Entre tais repasses de propinas, os procuradores também apontam doações para entidades assistenciais e eventos esportivos, pagamentos realizados para assessores e motoristas particulares, buffet de luxo servido em sítio do ex-conselheiro, pagamentos de viagens para o Exterior, despesas com veículos e aquisição de móveis de luxo e até mesmo possíveis pagamentos realizados a uma jornalista, que veiculava matérias favoráveis ao ex-conselheiro. A "compra" de jornalistas é mais comum do que se imagina.
De acordo com a Procuradoria, as investigações revelaram que Garcia "se insere justamente no ápice do núcleo dos agentes públicos da organização criminosa, responsáveis por viabilizar as fraudes nos processos licitatórios e os desvios de recursos públicos, a partir de sua inegável influência política no Estado de Santa Catarina, que lhe permitiu, durante todos esses anos em que ocupou cargos públicos, articular uma extensa e complexa máquina de fraudes, desvios e corrupção espraiada pela administração pública catarinense".
A força-tarefa da Alcatraz aponta que o ex-conselheiro do Tribunal de Contas de Santa Catarina, usando tal "forte poder político", fazia diversas indicações políticas para cargos públicos no Estado, nas várias esferas e poderes. Em contrapartida, seus apadrinhados, sob suas orientações e determinações, "promoveram os mais variados interesses de seus corruptores, viabilizando contratos milionários com órgãos e entes estatais, tudo em troca de vultosas vantagens econômicas indevidas – propinas, em claro português –, gerando significativo incremento patrimonial para diversos dos agentes públicos e políticos envolvidos", diz o Ministério Público Federal.
Segundo os investigadores, entre os apadrinhados do ex-conselheiro está um ex-secretário adjunto de Administração, já denunciado e réu em diversas ações penais no âmbito da Alcatraz por fraudar diversas licitações e contratações públicas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário