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quarta-feira, 3 de julho de 2019

Defesa de Lula pede afastamento do desembargador Thompson Flores da ação do sítio de Atibaia no TRF-4


A defesa do bandido corrupto e ex-presidente petista Lula solicitou ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) o afastamento do desembargador federal Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz no processo do sítio de Atibaia. Lula foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro pela Justiça Federal do Paraná, em fevereiro deste ano. Ainda não há data para julgamento em segunda instância. No documento, os advogados listam argumentos que, segundo eles, tornam o desembargador suspeito para julgar Lula. Thompson passou a integrar a 8ª Turma no fim do mês de junho, após deixar a presidência do tribunal. Um dos argumentos lembra o dia 8 de julho do ano passado, quando Thompson determinou que Lula continuasse preso após um desembargador plantonista ter ordenado a soltura, o que ocasionou uma sequência de decisões divergentes sobre o caso dentro da ação do triplex do Guarujá - a primeira condenação do bandido corrupto na Lava Jato. "Concorde-se ou não com o seu teor, em um regime democrático, a ordem de soltura só poderia ser desconstituída por um órgão colegiado deste Tribunal Recursal ou pelas instâncias superiores (STJ ou STF), observado o devido processo legal", diz a defesa. Por fim, a defesa pede que o delegado federal Rogério Augusto Viana Galloro seja ouvido como testemunha. Os advogados citam que ele recebeu uma ligação de Thompson Flores pedindo para não soltar Lula. Os advogados citam, também, uma nota de Thompson sobre a ligação, em que ele confirma o contato, mas nega que tenha dado ordens. "O pretendido testemunho do Dr. Rogério Galloro, pede-se vênia para repetir, é fundamental à descoberta da verdade", segue a petição. Também são listadas entrevistas de Thompson para veículos de imprensa e alguns elogios feitos por ele ao ministro Sérgio Moro, que antes julgava casos da Lava Jato na primeira instância, em Curitiba. 

Ainda na segunda-feira (1º), o relator da Lava Jato no TRF-4, João Pedro Gebran Neto, decidiu enviar o pedido de suspeição contra Thompson Flores para análise da 4ª Seção do tribunal. Os advogados de Lula também entraram com um novo pedido para que o procurador do Ministério Público Federal, Maurício Gotardo Gerum, não atue no caso. Essa solicitação igualmente deverá ser analisada pela 4ª Seção. Segundo Gebran, "compete às Seções processar e julgar 'o incidente de impedimento ou suspeição alegado contra Desembargador Federal de Turma ou membro do Ministério Público Federal que perante ela atue.'" A 4ª Seção do tribunal é composta pelos integrantes das 7ª e 8ª Turmas, totalizando seis desembargadores - Thompson Flores integra a 8ª Turma, assim como Gebran. Esse foi o quarto pedido de suspeição da defesa de Lula neste processo - sendo que dois se destinam ao procurador do Ministério Público Federal. Os advogados também já solicitaram o afastamento de Gebran, no fim de maio, e o próprio negou o pedido que ainda deverá ser analisado, da mesma forma, pela 4ª Seção. 

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