O empresário Henrique Constantino, dono da empresa aérea Gol, confirmou em sua delação premiada, homologada pela Justiça Federal, que pagou propina para Luís Cláudio Lula da Silva, o Luleco, por meio de patrocínio à liga de futebol americano. A transação, segundo Henrique Constantino, foi intermediada pelo deputado federal Vicente Cândido (PT). No acordo de delação premiada assinado com o Ministério Público Federal, homologado hoje pelo juiz federal Wallisney Oliveira, o empresário Henrique Constantino se compromete a pagar mais de R$ 70,7 milhões de indenização. O valor é dez vezes o total do desvio delatado no caso específico envolvendo a ação penal que apura a concessão do trecho oeste da rodovia Marechal Rondon (SP-300). Novos valores poderão ser cobrados de acordo com o apurado nas demais frentes de investigação, relatadas nos anexos da delação.
Henrique Constantino, dono da Gol, também disse em sua delação premiada ter pago propina a Rodrigo Maia, o chefão do Centrão, verdadeiro sucessor de Eduardo Cunha, por meio da Abear (Associação Brasileira de Empresas Aéreas). A informação está no anexo 7 do acordo de colaboração premiada. Além de Rodrigo Maia, também são citados como beneficiários o presidente do MDB, Romero Jucá, o petista Vicente Cândido, o "progressista" Ciro Nogueira, além do petista Marco Maia, Edinho Araújo, Otávio Leite, Bruno Araújo e outros. O “benefício financeiro”, segundo ele, teria relação com a aprovação da abertura do capital das companhias aéreas a estrangeiros. Os envelopes da delação premiada contêm os seguintes anexos:
Anexo 1: benefício financeiro pago a Lúcio Funaro em contrapartida à obtenção de financiamento em favor da Via Rondon junto ao FI-FGTS;
Anexo II: Novos Negócios com Lúcio Funaro e benefício financeiro a Geddel Vieira Lima;
Anexo III: Benefício financeiro a Lúcio Funaro e a Eduardo Cunha em contrapartida à medida Legislativa junto ao Congresso Nacional;
Anexo 4: Benefício financeiro a Lúcio Funaro e a Eduardo Cunha em contrapartida à medida legislativa junto à Câmara Legislativa do Distrito Federal;
Anexo 5: Benefício Legislativo ao Setor de Aviação Comercial;
Anexo 6: Doações não contabilizadas à campanha do petista Fernando Pimentel;
Anexo 7: Benefício Financeiro a parlamentares ou ex-parlamentares (Marco Maia, Romero Jucá, Rodrigo Maia, Edinho Araújo, Vicente Cândido, Otávio Leite, Bruno Araújo e Ciro Nogueira e outros) por meio da ABEAR;
Anexo 8: Geração simulada de Receita, intermediada por Lúcio Funaro, através de contratos fictícios entre empresas do colaborador Henrique Constantino e empresa de Eduardo Cunha, para justificar compra de automóvel;
Anexo IX: Patrocínio da Liga Brasileira de futebol americano com intervenção do deputado federal Vicente Cândido;
Anexo X: Contratação do jornalista petista Breno Altman, como consultor.
Assinada em 25 de fevereiro deste ano com a força-tarefa da Operação Greenfield, a delação é mantida sob sigilo. Henrique Constantino falou de seu relacionamento com os políticos da organização criminosa MDB e contou ter participado de uma reunião com Michel Temer, então vice-presidente, em 2012, na qual segundo ele houve a solicitação de R$ 10 milhões em troca da atuação dos emedebistas em favor dos financiamentos pleiteados pelo seu grupo na Caixa Econômica Federal. Foi por esses crimes cometidos contra o banco federal que o dono da Gol se comprometeu a pagar R$ 70,7 milhões de indenização. O valor corresponde a dez vezes a propina paga por ele ao operador Lúcio Funaro (R$ 7,7 milhões), distribuída aos políticos da organização criminosa MDB.


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