Assine Vitor Vieira Jornalismo

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Arábia Saudita denuncia sabotagem de navios petroleiros


A tensão no Golfo Pérsico aumentou nesta segunda-feira, 13, com a denúncia por parte da Arábia Saudita de um ataque contra dois de seus petroleiros em águas da região. Horas antes, autoridades dos Emirados Árabes haviam informado sobre sabotagem em quatro de seus navios em suas águas territoriais e perto do Estreito de Ormuz. Apesar de os dois governos evitarem atribuir a culpa a alguém, a suspeita recaiu sobre o Irã. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, apareceu hoje inesperadamente em Bruxelas, para tentar convencer os aliados a endurecer a relação com Teerã – mas não conseguiu apoio dos europeus. O confuso incidente denunciado por árabes e sauditas coincide com um aumento da presença militar americana na região. O ministro saudita de Energia, Khalid al-Falih, revelou que dois petroleiros do país foram atacados no domingo em frente à costa de Fujaira, um dos sete emirados, quando se preparava para entrar no Golfo Pérsico. No mesmo dia, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes denunciou “atos de sabotagem” em suas águas territoriais contra quatro navios comerciais, sem indicar a nacionalidade ou a natureza dos ataques. Outro foco de tensão foram as notícias de explosões no Porto de Fujaira difundidas na internet por sites pró-Irã, negadas com firmeza pelas autoridades do emirado, que abriga um dos maiores centros de abastecimento para navios do mundo e um terminal de carregamento de petróleo. Estas instalações se encontram fora do Golfo Pérsico, no Mar de Omã, na entrada do Estreito de Ormuz, pelo qual circula um quinto do petróleo consumido no mundo e um terço do distribuído por via marítima. Al-Falih disse que não houve vítimas, derramamento de petróleo ou outros produtos químicos, mas o incidente provocou “danos significativos às estruturas dos dois barcos”. Fontes identificaram os petroleiros como Amjad e Al-Marzoqah. A pedido dos Emirados, os americanos enviaram uma equipe para investigar o caso. Os incidentes ocorreram em meio a um aumento de tensão entre Washington e Teerã. Os EUA abandonaram, no ano passado, o acordo nuclear firmado em 2015 e intensificaram as sanções contra o Irã, com o objetivo de impedir as exportações de petróleo. Recentemente, enviaram um porta-aviões, bombardeios e mísseis à região. 

O Irã anunciou nesta segunda-feira que condenou uma iraniana a 10 anos de prisão por espionar para o Reino Unido, o que coincidiu com o aumento das tensões entre Teerã e alguns países ocidentais. Gholamhossein Esmaili, porta-voz do Judiciário, disse que a condenada estava encarregada de projetos de “infiltração cultural” no Irã. Ele não a identificou, mas disse que ela estudava no Reino Unido antes de ser recrutada pelo Conselho Britânico. Esmaili ainda disse que a mulher está presa há quase um ano.

Nenhum comentário: