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quinta-feira, 21 de março de 2019

Temer sentiu que algo estava errado devido ao ajuntamento de jornalistas em frente à sua casa


O ex-presidente Michel Temer se preparava para sair de sua casa, em São Paulo, na manhã desta quinta-feira (21), quando notou aglomeração agora incomum de jornalistas em sua porta. Ele havia marcado um encontro em seu escritório com o publicitário Elsinho Mouco. Estranhando a movimentação, telefonou para um assessor de sua confiança. O auxiliar já estava ciente dos rumores de que o emedebista era alvo de um mandado de prisão. Havia sido acionado pouco antes por diferentes órgãos de imprensa. O assessor tentava falar com o advogado do ex-presidente, Eduardo Carnelós, quando foi surpreendido com uma ligação do próprio Temer. "Estou saindo de casa, mas tem um monte de jornalistas aqui na porta. O que está acontecendo?", indagou. Ao ser informado de que havia expectativa de sua prisão, tratou o assunto como "uma brutalidade".

Desde que deixou o poder, Temer se cercou de cautelas para evitar ações mais incisivas da Justiça. Evitou viagens ao Exterior e manteve-se recluso, em casa, com a família. A ex-ministros e aliados o ex-presidente afirmava não acreditar em um mandado de prisão. Estava no Brasil, tinha endereço certo, 78 anos, e sempre formalizou disposição em colaborar com a Justiça. Os mais próximos tinham suas dúvidas. Avaliavam que Temer era uma espécie de "troféu" a ser conquistado pela narrativa de combate à corrupção.

A forma como Temer e Moreira foram presos foi amplamente criticada por integrantes do Congresso - até da oposição. A exposição foi considerada indevida e excessiva. Recentemente, Moreira Franco, diante do triunfo de Jair Bolsonaro e da ascensão de novos personagens à política, decretou o fim da Nova República. "A Nova República acabou. Temos agora uma ordem de outra natureza. E o MDB, pilar da última era, sofreu as consequências", disse.

Poucos políticos representam, como Temer, a chamada velha política, deputado de muitos mandatos, ex-presidente da Câmara, mandatário longevo do MDB, teve um mandato conturbado na Presidência. Além das críticas por parte da esquerda por ter dado sinal verde para o impeachment de Dilma Rousseff (PT), foi grampeado em conversa controversa com Joesley Batista. Pelo conteúdo, tornou-se alvo de denúncia de corrupção pela Procuradoria-Geral da República, foi salvo pelo Parlamento nas duas vezes.

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