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domingo, 17 de março de 2019

Presidente da Vale depõe na Polícia Federal e diz que desconhecia riscos em barragem

Em depoimentos à Polícia Federal nos últimos dias, o presidente afastado da Vale, Fábio Schvartsman, e o ex-diretor Peter Poppinga disseram que desconheciam riscos na barragem de Brumadinho. Os dois foram ouvidos em inquérito sobre o rompimento do reservatório, que matou ao menos 203 pessoas - há ainda 105 desaparecidos. Poppinga disse que teria demitido funcionários se tivesse sabido dos fatos apurados na investigação e Schvartsman afirmou que a Vale deve ser punida se tiver culpa no ocorrido. Os dois entregaram seus passaportes à Polícia Federal, apesar de não ter havido decisão judicial que determinasse a entrega. O inquérito deve ser finalizado nos próximos dias. Na oitiva, Poppinga afirmou que desconhecia questões detalhadas da barragem, mas que, se soubesse dos fatos que estão na investigação, de pressão nas empresas que fazem auditoria, teria demitido os funcionários e teria evacuado o local. A força-tarefa que investiga o caso diz que os responsáveis pela segurança pressionaram a empresa alemã Tüv Süd a atestar a estabilidade da barragem. Antes, segundo as investigações, teriam dispensado a belga Tractebel, que se recusara a emitir a declaração que certifica a segurança da estrutura. Poppinga era diretor da área de Ferrosos, sob a qual está a mina de Brumadinho. Ele é também réu no inquérito que investiga o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, em 2015 -o executivo ocupava vaga no conselho de administração da empresa. 

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