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segunda-feira, 25 de março de 2019

Olavo é desequilibrado, diz general ministro de Bolsonaro

O incômodo da cúpula militar do governo Jair Bolsonaro (PSL) com Olavo de Carvalho cresce à medida que se avolumam os ataques do filósofo e jornalista. O ministro general Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo, reagiu às ofensas de Olavo aos militares que hoje trabalham no Palácio do Planalto, em especial o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB). "Eu nunca me interessei pelas ideias desse sr. Olavo de Carvalho", disse Santos Cruz, o que não serve propriamente de elogio à formação intelectual do general ministro. Nem a forma nem o conteúdo agradam a ele, afirmou. "Por suas últimas colocações na mídia, com linguajar chulo, com palavrões, inconsequente, o desequilíbrio fica evidente", criticou o ministro. No dia 16, Olavo de Carvalho, no Estado americano da Virgínia, foi uma das estrelas da festa que precedeu a chegada de Bolsonaro a Washington. Lá o jornalista e filósofo disse que Mourão é um "cara idiota", "um estúpido", uma figura "que não tem idéia do que é a Vice-Presidência". "Não o critico, eu o desprezo", disse Olavo de Carvalho. Olavo afirmou que o presidente da República está de "mãos amarradas", que militares de seu governo têm "mentalidade golpista", "são um bando de cagões" e que, se nada mudar, o governo acaba em seis meses. No dia seguinte, quando desembarcou nos Estados Unidos e tais declarações já eram públicas, Bolsonaro tratou Olavo com deferência. Sentou-se a seu lado no jantar na residência oficial do embaixador Sergio Amaral e o homenageou ao discursar. "Um dos grandes inspiradores meus está aqui à minha direita, o professor Olavo de Carvalho, inspirador de muitos jovens no Brasil. Em grande parte devemos a ele a revolução que estamos vivendo", declarou. A cena, filmada, foi para as redes sociais. O filho do presidente e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) afirmou que o escritor, que se considera um filósofo, é "uma das pessoas mais importantes da história do Brasil", sem a qual "Jair Bolsonaro não existiria". O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse a Olavo que ele "é o líder da revolução". A ala militar do governo não tem reagido da mesma forma. Alvejado por Olavo nas redes sociais há meses, Mourão costumava reagir com deboche.

Nesta semana, mudou o tom. Mostrou-se incomodado com os ataques vindos de alguém que não o conhece. Na viagem aos EUA, a ala ideológica do governo, à qual Eduardo se associa, estava com representação numericamente alta. Foram a Washington o chanceler Ernesto Araújo, indicação de Olavo, e Filipe Martins, assessor especial da Presidência, entre outros. Receberam a comitiva o executivo Gerald Brant e o diplomata Nestor Forster, cotado para assumir a embaixada na capital americana. Da ala militar, viajaram os generais Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, e o porta-voz, Otávio Rêgo Barros. Segundo relatos feitos à reportagem, Heleno foi abordado por olavistas com reclamações do comportamento de Mourão. O general, inicialmente, elogiou o colega de farda, uma pessoa que ele considera estudiosa e preparada, contaram interlocutores. Depois, percebendo o incômodo, tratou de minimizar a rebeldia do vice-presidente, que em diversas ocasiões manifesta opinião divergente da de Bolsonaro.

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