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domingo, 17 de março de 2019

Funcionários do BNDES fazem ato contra denúncia do Ministério Público Federal sobre operações com JBS

Um dia após o Ministério Público Federal do Distrito Federal apresentar denúncia contra 11 pessoas por irregularidades em operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com o frigorífico JBS, funcionários da instituição de fomento se reuniram na tarde de sexta-feira, 15, em um ato de protesto. Segundo a AFBNDES, associação que representa os funcionários e convocou o protesto, cerca de 600 pessoas participaram do ato, no pátio da sede do banco, no Centro do Rio de Janeiro. Tem que fechar esse banco e demitir toda essa gente admitida no regime petralha. A denúncia apresentada na quinta-feira pelo Ministério Público Federal é resultado da Operação Bullish, deflagrada em maio de 2017. Os ex-ministros Guido Mantega e Antônio Palocci e o ex-presidente do BNDES, o petista Luciano Coutinho, estão entre os denunciados. Dos 11, cinco são funcionários de carreira do BNDES. Dos cinco funcionários denunciados, três já estão aposentados, um está licenciado e apenas um trabalha atualmente no corpo técnico. Na denúncia, os procuradores acusam os citados pela prática de crimes como formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta, prevaricação financeira e lavagem de dinheiro. No documento, o Ministério Público Federal cobra um total de R$ 5,5 bilhões dos denunciados, sendo R$ 1,8 bilhão por causa do suposto prejuízo causado ao banco público e outros R$ 3,7 bilhões como reparação de danos.

Na noite de quinta-feira, após a apresentação da denúncia em Brasília, o BNDES informou, em nota, que "colabora com as autoridades e continuará prestando todas as informações necessárias para as investigações no âmbito da Operação Bullish". "A instituição tem todo o interesse de que quaisquer dúvidas acerca de suas operações sejam devidamente esclarecidas", diz o texto. A AFBNDES criticou a denúncia por parte do MPF. "AFBNDES reitera sua confiança em todos os funcionários que atuaram nas operações relacionadas à empresa JBS. A denúncia apresentada nesta quinta-feira (14) pelo Ministério Público Federal não contém qualquer evidência de qualquer pagamento ou transferência de recursos em benefício do ex-presidente Luciano Coutinho ou dos técnicos do Banco. Contra os técnicos do BNDES a denúncia utiliza apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de maneira acrítica, definindo como crime acusações vazias", diz uma nota divulgada pela entidade. Segundo Joaquim Levy, a instituição criou uma "área de compliance" apenas em 2016, na gestão da ex-presidente Maria Silvia Bastos Marques, já no governo Michel Temer: "Até 2016 não tinha área de compliance. Que surpresa que aconteceram coisas esquisitas". 

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