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sábado, 16 de março de 2019

Atirador da Nova Zelândia se diz fascista e contrário a imigrantes em manifesto

O terrorista australiano Brenton Tarrant, 28, que realizou ataques a tiros em uma mesquita da Nova Zelândia na sexta-feira (15, noite de quinta no Brasil), trabalhou como personal trainer e atendia crianças de forma gratuita, segundo pessoas próximas a ele ouvidas pelo site australiano ABC. Tarrant transmitiu ao vivo, pelo Facebook, cenas de um ataque com armas a uma mesquita. Ele também publicou um manifesto de mais de 70 páginas em uma rede social, no qual se descreveu como "etnonacionalista e fascista". O atirador disse ser "um homem branco comum, de uma família comum", que nasceu na Austrália em uma família trabalhadora e de baixa renda, além de ressaltar sua origem européia. "As origens da minha língua são européias, minha cultura, minhas crenças filosóficas, minha identidade é européia e, mais importante, meu sangue é europeu", escreveu, apontando vir de uma linhagem de escoceses, irlandeses e ingleses. No manifesto, conta que levou dois anos planejando o ataque, e que sua intenção é fazer com que menos pessoas queiram migrar para "terras européias" e "mostrar aos invasores que nossas terras nunca serão as terras deles, enquanto um homem branco viver, e que eles nunca irão substituir nosso povo". Ele disse ainda que queria passar a mensagem de que não há lugar seguro no mundo.

O vídeo transmitido durante o ataque foi gravado com uma câmera presa no capacete. Nas imagens, o atirador invade a mesquita com uma arma de grosso calibre e atira contra as pessoas. Ele dá tiros pelas costas e também em vítimas que já estavam caídas no chão. As cenas também mostram disparos à queima-roupa.

Tarrant trabalhou em uma academia na cidade de Grafton, a 612 km de Sidney, na Austrália, entre 2009 e 2011. Segundo sua chefe à época, ele era um profissional dedicado, que levava os exercícios físicos muito a sério. Ele participava de um programa voluntário para treinar as crianças do bairro. Seu pai morreu aos 49 anos, vítima de câncer. Após a perda, ele partiu em uma viagem pelo mundo que durou sete anos. A viagem pela Europa e pela Ásia foi paga com dinheiro que ele ganhou ao investir em moedas virtuais, chamadas de bitcoins. Pessoas próximas acreditam que sua radicalização tenha ocorrido durante esse período. Em uma dessas viagens, ele chegou a Coreia do Norte. O australiano foi fotografado durante uma visita a um monumento do país. No manifesto, Tarrant diz que escolheu Christchurch como alvo há três meses. "Eu só vim para a Nova Zelândia para viver temporariamente enquanto eu planejava e treinava, mas logo vi que o país era um alvo", escreveu.

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