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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Vale deixará de pagar cerca de US$ 6 bi em dividendos neste ano



A mineradora Vale tende a cancelar definitivamente os pagamentos de dividendos a acionistas em 2019 e deve retomar com a remuneração somente a partir do ano que vem. Não por falta de caixa, mas por causa da adoção de uma estratégia financeira mais cautelosa após o rompimento da barragem em Brumadinho (MG). O mesmo vale para a remuneração variável dos executivos da empresa. A previsão de analistas é de que a mineradora pagasse cerca de US$ 6 bilhões neste ano. Em reunião extraordinária realizada no último domingo, 27, o Conselho de Administração da Vale decidiu mudar o sistema de remuneração e incentivos e, em fato relevante divulgado na segunda-feira, 28, informou ao mercado a decisão de suspender o pagamento de remuneração variável aos executivos, além da Política de Remuneração aos Acionistas "e, consequentemente, o não pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP), bem como qualquer outra deliberação sobre recompra de ações de sua própria emissão".

O estrategista-chefe da Eleven Financial Research, Adeodato Netto, explica que a remuneração ao acionista deve ser feita quando a companhia tem uma realidade confortável em sua estrutura de capital, dinâmica de negócios favorável e o risco de novos passivos está mitigado. "No caso da Vale, este não é o momento de ser arrojado, o ideal é ser diligente", afirma. Nos cálculos preliminares da Eleven, a tragédia de Brumadinho deve acarretar um impacto direto em torno de R$ 4,7 bilhões sobre o caixa da mineradora, em 2019, sendo R$ 3,8 bilhões em indenizações e adequações ligadas às consequências do acidente, e outro montante adicional entre R$ 700 milhões e R$ 900 milhões em capex destinados a prevenção e melhorias de outras barragens. Ainda assim, Netto acredita que a Vale teria caixa disponível para pagar dividendos, porém, esta não seria a medida mais assertiva a ser tomada. Em 30 de setembro de 2018, a empresa mantinha caixa de US$ 6,1 bilhões - equivalente a R$ 21,88 bilhões no câmbio de hoje.

Antes do acidente em Brumadinho (MG), o Itaú BBA projetava que a Vale faria US$ 6 bilhões em pagamentos de dividendos neste ano, sendo US$ 4,5 bilhões em dividendos mínimos (30% do Ebitda-capex manutenção) e US$ 1,5 bilhão em extraordinários. Agora, a instituição financeira zerou a estimativa para 2019 e acredita que US$ 8,56 bilhões serão pagos em 2020, conforme relatório assinado pelos analistas Marcos Assumpção, Daniel Sasson e Carlos Eduardo Schmidt. Para 2021, a perspectiva de remuneração aos acionistas cai para US$ 3,15 bilhões; seguida por US$ 2,73 bilhões em 2022; e US$ 2,80 bilhões em 2023.



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