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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Investigação aponta grande corrupção no DEP de Porto Alegre


Um empresário ouvido pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul revelou que o então diretor-adjunto do extinto Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), Francisco Eduardo Mellos dos Santos, exigiu propina sobre o valor do contrato de hidrojateamento de redes pluviais, que era de cerca de R$ 1 milhão. O inquérito que investiga irregularidades no órgão da prefeitura da capital gaucha foi encaminhado à Justiça em dezembro. Nove pessoas foram indiciadas, incluindo dois ex-diretores, três servidores, dois empresários e dois funcionários de empresa investigada. Segundo o empresário, os pagamentos ocorreram durante um ano. Ele também revelou o banco em que fazia os saques e o local onde encontrava Francisco Eduardo Mellos para repassar a quantia mensal, em dinheiro vivo — em torno de R$ 20 mil. 

Gilvani Dall Oglio, gerente-geral da Ambiental BR, contou que antes da assinatura do contrato para serviços de hidrojateamento, depois de concluída a licitação, foi chamado por Mellos para uma conversa em uma churrascaria. Neste encontro o então diretor-adjunto fez a exigência de pagamentos para manter o contrato. Conforme Gilvani, Mellos teria estipulado propina de 25% do valor de cada fatura mensal, mas nas duas primeiras "parcelas", o preço para manter o contrato foi de 50% da fatura. Os repasses foram feitos sempre em dinheiro vivo. João Batista dos Santos Teixeira, dono da empresa JB e parceiro de Gilvani no contrato com o DEP, também admitiu ter dado valores em mãos para Mellos, com entregas na sala que o diretor-adjunto ocupava na sede do departamento, na Rua Lima e Silva, bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. . Além disso, ainda dentro da sistemática de "ajuda mútua", Teixeira contou ter conseguido com Mellos emprego para uma filha e para a nora no DEP. Para garantir a propina, Mellos teria acertado que a empresa declararia em planilhas serviços a mais, ou seja, não executados. Alguns depoimentos informam, inclusive, que em determinado momento essas planilhas passaram a sair prontas do DEP, pelas mãos de Mellos. 

Tarso Boelter, que é do PT, até recentemente atuava como chefe da coordenação da bancada na Câmara Municipal de Porto Alegre. Como a posse da vereadora Monica Leal na presidência do legislativo, ele foi nomeado Diretor Geral da Câmara, o que mostra o quanto é da confiança do partido e de seus líderes. 

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