
Relatório da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aponta que empresas envolvidas no cartel do metrô de São Paulo contrataram consultorias para ajudar a organizar o esquema. Segundo o documento, foram utilizadas as empresas Procint Projetos e Consultoria Internacional e Constech Assessoria e Consultoria Internacional. Na quarta-feira, 12, a Superintendência-Geral pediu a condenação de 16 empresas e 52 pessoas físicas por formação de cartel que teria atingido 27 licitações de metrô e trens de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Distrito Federal. Para o Cade, a Procint e a Constech teriam “influenciado” e “obtido a adoção de conduta comercial uniforme” entre concorrentes. Cabia a elas, por exemplo, marcar reuniões entre os participantes, que chegaram a ocorrer na sede da Procint, segundo a investigação. As consultorias, afirma o Cade, também ajudavam a definir quais empresas seriam vencedoras ou subcontratadas em cada licitação e intermediavam as propostas que seriam apresentadas pelas empresas nas concorrências fraudadas. Segundo a investigação, representantes das empresas de consultoria participavam ativamente de encontros e reuniões, dando sugestões e palpites para a combinação dos resultados. De acordo com o Cade, a Constech foi dissolvida. A investigação concluiu que houve irregularidades entre 1998 e 2013, período em que o Estado era governado pelo PSDB. Foram pedidas as condenações das empresas Alstom, Bombardier, CAF Brasil, Hyundai-Rotem, Mitsui, Tejofran, Iesa, MGE, MPE, Procint, Serveng-Civilsan, TC/BR, Temoinsa, Trans Sistemas, ConsTech e Balfour. A Siemens, que denunciou o cartel, se livrou de qualquer punição. O processo segue agora para o tribunal do Cade, instância responsável pelo julgamento e condenação das empresas.
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