
Além disso, esses recursos também seriam destinados ao fundo Brasduto, para a construção de gasodutos. A ideia já foi apresentada em propostas anteriores, com o nome de Dutogás, e é considerada inconstitucional por técnicos. O fundo retira dinheiro que iria para o Fundo Social do Pré-Sal, que destina recursos para a saúde e e educação, para investimento em infraestrutura privada. O projeto de lei só não foi votado no Plenário nesta quarta-feira, 31, a pedido do líder do PT na Casa, senador Lindberg Farias (RJ), e do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). “A redação suscita dúvidas e vamos procurar esclarecer essa dúvida para que a matéria possa de fato merecer amplo apoio das lideranças do Senado”, afirmou Bezerra Coelho. “O desejo nosso é, na sequência, votar o requerimento de urgência do projeto de lei da cessão onerosa. Já temos as assinaturas para que a matéria possa ser aprovada e, na sequência, votar o mérito, para que a gente possa, com a votação da cessão onerosa, criar as condições para um grande colchão fiscal para o governo federal, notadamente para o governo que vai se iniciar, que tem a perspectiva de arrecadação de aproximadamente R$ 100 bilhões”, afirmou. "Claramente tem um impacto para a União de uma receita que ela poderá deixar de receber”, afirmou o senador. Segundo ele, a União teria que pagar cerca de R$ 4 bilhões à Cemig: “A cessão onerosa vai dar R$ 100 bilhões. São matérias que estão sendo negociadas no Congresso. Todas elas, se aprovadas, vão significar receitas adicionais para a União".
O senador disse que as emendas não são inconstitucionais, ainda que tenham sido parte em um projeto de lei que resolvia pendências das distribuidoras da Eletrobras, que foi rejeitado e arquivado. Pelas emendas, os geradores que aceitarem retirar suas ações judiciais terão direito a extensão do prazo de concessão de suas usinas. Além disso, serão retirados do risco hidrológico fatores que impactam o cálculo, como importação de energia, geração termelétrica fora da ordem de mérito, atrasos de linhas de transmissão e antecipação de garantia física de usinas estruturantes (Belo Monte, Jirau e Santo Antônio). A lei terá efeito retroativo a 1º de janeiro de 2013. As emendas permitem ainda que a Cemig seja contemplada e ressarcida de forma retroativa pelo risco hidrológico das usinas de Miranda, São Simão e Jaguara, leiloadas pelo governo federal depois que a empresa não aceitou renovar as concessões nos termos da antiga Medida Provisória 579/2012, com redução de receitas. “É uma matéria totalmente estranha e que aumenta os custos para os consumidores de energia. Aproveitam a oportunidade de aprovar um tema desses em um projeto que não tem nada a ver com isso de forma absurda”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Edvaldo Alves de Santana.
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