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sábado, 6 de outubro de 2018

No quintal do neocoronel Ciro Gomes, eleitores trocam Lula por Bolsonaro

"Lula, eu te amo". A bandeira com a declaração ao bandido corrupto, lavador de dinheiro, chefe da organização criminosa petista, ex-presidente e hoje presidiário Lula costumava ficar pendurada no telhado do MPB Bar, um dos mais antigos do bairro Presidente Kennedy, na periferia de Fortaleza. O símbolo de admiração, que chegou a ser reproduzido por sites petistas, foi retirado após o dono do estabelecimento se dizer decepcionado. "A corrupção foi muita e não deu para ser ético", lamenta Rogério Nobre Galvão, de 46 anos. A bandeira vermelha acabou substituída por uma camiseta branca, que ele guarda no estabelecimento comercial, com o nome bordado em vermelho do candidato do PSL à sucessão presidencial, Jair Bolsonaro. "Eu admiro a honestidade dele e o fato dele representar a mudança", afirmou. A guinada ideológica do comerciante não é um episódio isolado no domicílio eleitoral do presidenciável do PDT, Ciro Gomes. Segundo pesquisa Ibope, divulgada no final do mês passado, Fernando Haddad, do PT, aparece tecnicamente empatado, no limite da margem de erro, com Bolsonaro no Ceará. No Estado, que deu larga vantagem à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no segundo turno da última eleição presidencial, Ciro Gomes lidera a disputa eleitoral com 39%, seguido pelo petista, com 21%, e pelo capitão reformado, que aparece com 15%. No mesmo bairro do comerciante, o motorista Maicon Santos, de 26 anos, decidiu também votar no militar após ter apoiado Lula e Dilma em eleições anteriores. Para ele, assim como o petista, Bolsonaro "fala a língua do povo". "Eu votava no Lula porque ele representava a esperança de mudança. Agora, quem representa a mudança é o Bolsonaro. Decidi dar uma chance a ele", explicou. Em Quintino Cunha, outro bairro da periferia de Fortaleza, a autônoma Dejane de Araújo, de 31 anos, decidiu não votar como outros integrantes de sua família, para os quais Lula foi o melhor presidente do País. "Dizem que o Bolsonaro é louco, mas ele é o único que pode fazer mudanças", disse. O vizinho dela, o borracheiro José Escosso, de 53 anos, também decidiu contrariar seus familiares. "Eu não sei detalhes da vida particular dele, mas eu quero que as coisas melhorem", afirmou. 

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